{"id":955,"date":"2021-04-19T13:02:02","date_gmt":"2021-04-19T15:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/?page_id=955"},"modified":"2021-04-19T13:06:53","modified_gmt":"2021-04-19T15:06:53","slug":"psicologia-educacional","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/tematicas-2\/psicologia-educacional\/","title":{"rendered":"Psicologia Educacional"},"content":{"rendered":"<h2>Psicologia Educacional no cen\u00e1rio brasileiro<\/h2>\n<p class=\"font_8\">No final do s\u00e9culo XIX, a psicologia estava se constituindo enquanto campo, antes disso estava fortemente vinculada \u00e0 filosofia. De fato, a psicologia era tipicamente ensinada em departamentos de filosofia. Mas na segunda metade do XIX come\u00e7ou a ganhar novos contornos, principalmente em face dos estudos experimentais, a cria\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios, e o recurso aos dados estat\u00edsticos, em busca do status de ci\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>A psicologia de bases experimentais come\u00e7ou a se desenvolver na segunda metade do s\u00e9culo XIX, devendo a duas figuras em especial grandes contribui\u00e7\u00f5es: Wilhem Wundt, em Leipzig e William James, nos EUA. Na virada do XIX para o XX os EUA assumiram posi\u00e7\u00e3o de destaque nos estudos do campo emergente. Na constitui\u00e7\u00e3o da psicologia experimental se encontram tend\u00eancias cient\u00edficas e filos\u00f3ficas. O pensamento quantitativo ganhou espa\u00e7o na psicologia, tomando impulso com a estat\u00edstica. As pesquisas eram realizadas em universidades e avan\u00e7aram com a cria\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios (Wertheimer, 1977).<\/p>\n<p class=\"font_8\">Tamb\u00e9m no final do s\u00e9culo XIX, mas principalmente no in\u00edcio do XX, a educa\u00e7\u00e3o passou a dialogar cada vez mais com outras ci\u00eancias. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em se atribuir ao saber pedag\u00f3gico o estatuto de cient\u00edfico. Era uma tend\u00eancia de ordem internacional, fortemente associada ao movimento da Educa\u00e7\u00e3o Nova, e que tamb\u00e9m ganhou defensores no Brasil, em que se buscava legitimar o discurso educacional com base na ci\u00eancia, uma pedagogia com bases experimentais, que alguns convencionaram chamar de pedagogia cient\u00edfica. Alguns dos reflexos dessas ideias se materializaram no recurso cada vez mais frequente aos testes e medidas no interior da escola, com base nos quais se buscava quantificar, interpretar e intervir no ambiente. A psicologia educacional foi um dos desdobramentos dessas novas ideias que come\u00e7aram a tomar forma no final do XIX e alguns creditam a Edward Lee Thorndike a cria\u00e7\u00e3o da disciplina (Rabelo, 2016).<\/p>\n<p class=\"font_8\">No Brasil houve v\u00e1rias iniciativas no sentido de atribuir o estatuto cient\u00edfico \u00e0 educa\u00e7\u00e3o por meio da condu\u00e7\u00e3o de estudos e sistematiza\u00e7\u00e3o de resultados vinculados a laborat\u00f3rios. A cria\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios e a realiza\u00e7\u00e3o de estudos por meio de testes e medidas no Brasil, que s\u00e3o marcantes nos anos 1920 e 1930, s\u00e3o os desdobramentos em grande medida do interc\u00e2mbio intelectual com outros pa\u00edses, como Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha e EUA. Os educadores brasileiros tinham a preocupa\u00e7\u00e3o de se manter sempre atualizados com a bibliografia internacional mais moderna que houvesse. Tamb\u00e9m eram comuns as viagens de estudo, tendo como alguns destinos privilegiados institui\u00e7\u00f5es nos EUA, como o Teachers College, na Columbia University, e na Europa, como o Instituto Jean-Jacques Rousseau, na Su\u00ed\u00e7a (Rabelo, 2016).<\/p>\n<p class=\"font_8\">As publica\u00e7\u00f5es de autores internacionais chegavam ao Brasil em suas edi\u00e7\u00f5es originais ou tradu\u00e7\u00f5es. Segundo Vidal (2000), os educadores buscavam \u201ctornar a bibliografia internacional acess\u00edvel ao magist\u00e9rio p\u00fablico brasileiro, por meio da tradu\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o no Brasil de v\u00e1rias obras\u201d e que faziam uso \u201cdessa literatura estrangeira para respaldar sua a\u00e7\u00e3o educativa no territ\u00f3rio nacional\u201d (p. 513). Quanto \u00e0s publica\u00e7\u00f5es sobre psicologia aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, apesar da crescente presen\u00e7a de bibliografia angl\u00f3fona, com autores tais como Arthur I. Gates e Edward Lee Thorndike sendo publicados por editoras brasileiras, autores franc\u00f3fonos tamb\u00e9m se faziam fortemente presentes entres as refer\u00eancias adotadas pelos educadores brasileiros, com tradu\u00e7\u00f5es de obras de Adolphe Ferri\u00e8re, Henri Pi\u00e9ron e \u00c9douard Clapar\u00e8de.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Dentre os nomes vinculados aos estudos em psicologia aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no Brasil nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, podemos citar Isaias Alves, cujos primeiros estudos sobre testes foram desenvolvidos quando era professor na Bahia. Nos anos 1930, foi chefe do Servi\u00e7o de Testes e Escalas do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. Isaias fez mestrado em Psicologia educacional no Teachers College, Columbia University, entre 1930 e 1931 (Rabelo, 2017). Outro nome de destaque foi Helena Antipoff, psic\u00f3loga e educadora russa, que estudou no Instituto Jean-Jacques Rousseau. Radicou-se no Brasil a partir de 1929, quando passou a dirigir o laborat\u00f3rio de psicologia da Escola de Aperfei\u00e7oamento em Belo Horizonte, a convite do governo de Minas Gerais. Antipoff foi pupila de Clapar\u00e8de, o qual visitou o Brasil, passando por Belo Horizonte, em 1930 (Campos, 2010).<\/p>\n<p class=\"font_8\">A ida de Antipoff a Belo Horizonte fez parte de uma s\u00e9rie de medidas para implementar a reforma educacional empreendidas pelo governo de Minas Gerais, dentre elas a contrata\u00e7\u00e3o de educadores estrangeiros. Em 1929, chegou a Minas Gerais uma comiss\u00e3o que ficou conhecida como Miss\u00e3o Europeia, composta por Theodore Simon, Leon Walter, Artus Perrelet e Omer Buyse. Helena Antipoff chegou depois, substituindo Leon Walter (Ara\u00fajo, 2010; Fonseca, 2010).<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>No caso de S\u00e3o Paulo, Carvalho (2006) destaca a instala\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Pedagogia Experimental, no Gabinete de Psicologia e Antropologia Pedag\u00f3gica, anexo \u00e0 Escola Normal de S\u00e3o Paulo, em 1914. Nos anos 1920, Louren\u00e7o Filho criou o Servi\u00e7o de Psicologia Aplicada na mesma institui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o professor da cadeira de Psicologia e Pedagogia, Louren\u00e7o Filho buscava imprimir um car\u00e1ter experimental aos estudos pedag\u00f3gicos. Segundo Golombek (2016), a retomada das atividades do antigo Laborat\u00f3rio, empreendida por Louren\u00e7o, foi associada com uma s\u00e9rie de confer\u00eancias proferidas por Henri Pier\u00f3n por ocasi\u00e3o de sua vinda ao Brasil. \u00c9 importante salientar que Noemy Rudolfer foi uma colaboradora importante para Louren\u00e7o Filho, atuando como professora assistente da cadeira de Psicologia e Pedagogia e assumindo o Servi\u00e7o de Psicologia Aplicada no in\u00edcio dos anos 1930 a pedido de Louren\u00e7o Filho, que ent\u00e3o ocupava a Diretoria Geral de Ensino (Cf. verbete sobre Noemy Rudolfer). Tanto Louren\u00e7o Filho quanto Noemy Rudolfer mantinham contato com educadores dos EUA e da Europa, o que resultou em tradu\u00e7\u00f5es, o que resultou em v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es, algumas delas pela cole\u00e7\u00e3o que Louren\u00e7o coordenava na editora Melhoramentos.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Pensar a psicologia e, especificamente, a psicologia educacional no Brasil \u00e9 explorar novos espa\u00e7os nos quais as mulheres come\u00e7aram a atuar. \u00c9 interessante notar o papel de protagonismo que mulheres passaram a ocupar em laborat\u00f3rios em diferentes regi\u00f5es do Brasil, como Noemy Rudolfer, em S\u00e3o Paulo e Helena Antipoff, em Minas Gerais. Se come\u00e7\u00e1ssemos a explorar as fontes que remetem \u00e0s pesquisas no campo da psicologia aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o certamente outros nomes viriam \u00e0 tona, demonstrando o apagamento das mulheres na hist\u00f3ria. Apenas para citar o estado de S\u00e3o Paulo, nomes como Olga Strehlneek e Betti Katzenstein ainda s\u00e3o pouco investigados. No caso de Olga, foi professora assistente de Noemy Rudolfer no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o e a acompanhou \u00e0 Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras na Universidade de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m como assistente da cadeira de Psicologia educacional. Entre os anos 1939 e 1940 fez mestrado em Psicologia Educacional no Teachers College, Columbia University (Rabelo, 2016). J\u00e1 Betti Kazenstein esteve \u00e0 frente da Se\u00e7\u00e3o de Psicologia Infantil da Cruzada Pr\u00f3-Inf\u00e2ncia e foi um dos nomes contemplados no projeto Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria da Psicologia em S\u00e3o Paulo, vinculado ao Conselho Regional de Psicologia de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Como a disciplina de Psicologia Educacional e os laborat\u00f3rios passam a ser palco para a atua\u00e7\u00e3o de mulheres em diferentes regi\u00f5es no Brasil na primeira metade do s\u00e9culo XX \u00e9 um tema de grande relev\u00e2ncia e que apresenta muitas possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"font_8\">\n<p class=\"font_8\">Bibliografia:<\/p>\n<p class=\"font_8\">Ara\u00fajo, R. M. M. (2010). Benedicta Valladares Ribeiro (1905-1989): forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o. 221 f. Tese de Doutorado, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Campos, R. H. F. (2010). Helena Antipoff. Recife: Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, Editora Massangana.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Fonseca, N. M. L. (2010). Alda Lodi, entre Belo Horizonte e Nova Iorque: um estudo sobre forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o docentes 1912-1932. 159 f. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Golombek, P. (2016). Caetano de Campos: a escola que mudou o Brasil. S\u00e3o Paulo: EDUSP.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Rabelo, R. S. (2016). Destinos e trajetos: Edward Lee Thorndike e John Dewey na forma\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica do professor prim\u00e1rio no Brasil (1920-1960). 285 p. Tese de Doutorado, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Brasil. Acesso em 27 fev. 2017. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/48\/48134\/tde-15082016-154137\/pt-br.php\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/48\/48134\/tde-15082016-154137\/pt-br.php<\/a><\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Rabelo, R. S. (2017). Isaias Alves e as aproxima\u00e7\u00f5es entre a psicologia educacional e a educa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica.\u00a0Educ. Pesqui.,\u00a0 S\u00e3o Paulo. Acesso em: 31 jan. 2018. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517-97022017005008105&amp;lng=en&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517-97022017005008105&amp;lng=en&amp;nrm=iso<\/a><\/p>\n<p class=\"font_8\">Vidal, D. G. (2000). Escola nova e processo educativo. In: Lopes, E. M. T.; Filho, L. M. F.; Veiga, C. G. 500 anos de educa\u00e7\u00e3o no Brasil. 2 ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Wertheimer, M. (1977). Pequena hist\u00f3ria da psicologia. 3 ed. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"font_8\">Palavras-chave:\u00a0Psicologia educacional; Forma\u00e7\u00e3o de professores; Educa\u00e7\u00e3o Nova; Pedagogia cient\u00edfica.<\/p>\n<p class=\"font_8\">\n<p class=\"font_8\">Autoria: Rafaela Silva Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psicologia Educacional no cen\u00e1rio brasileiro No final do s\u00e9culo XIX, a psicologia estava se constituindo enquanto campo, antes disso estava fortemente vinculada \u00e0 filosofia. De fato, a psicologia era tipicamente ensinada em departamentos de filosofia. 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