{"id":1051,"date":"2020-08-03T10:27:21","date_gmt":"2020-08-03T13:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=1051"},"modified":"2020-08-03T10:27:51","modified_gmt":"2020-08-03T13:27:51","slug":"normal-de-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/normal-de-quem\/","title":{"rendered":"Normal De Quem?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O per\u00edodo era o fim da tarde e o momento era de incerteza generalizada. Momentos prop\u00edcios para aquelas lembran\u00e7as esquisitas sobre, sei l\u00e1 eu, uma excurs\u00e3o para um museu de arte contempor\u00e2nea com a turma da quarta s\u00e9rie misturadas com incans\u00e1veis perguntas sobre como as coisas teriam sido se uma pequena coisa tivesse acontecido diferente h\u00e1 dez anos atr\u00e1s. Momentos em que a gente se afoga de passado: mas eles agora nos olham, cabe\u00e7a inclinada, como se n\u00e3o nos reconhecessem mais. Como se temessem ser, na verdade, parte de uma outra hist\u00f3ria. Outra, que n\u00e3o a nossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ilus\u00e3o de que era tudo uma quebra tempor\u00e1ria, hiato para experienciarmos um nada entre duas pontas de realidade (o antes e o depois da pandemia) logo se mostrou exatamente isso: uma ilus\u00e3o. O que, afinal, estamos querendo dizer quando falamos \u201cquando tudo voltar ao normal, eu vou\u2026\u201d? Iremos ter de conhecer novas formas de abra\u00e7ar. Novas formas de ler o olhar do outro, na falta de podermos ver o rosto inteiro. Novas concep\u00e7\u00f5es de lazer. Novas formas de trabalhar: o trabalho online \u00e9 o novo futuro\u2026 para quem?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do lado de fora, uma quarentena cada vez mais flexibilizada afrouxa com a insist\u00eancia de uma realidade que n\u00e3o percebe que seu tempo de vigor acabou. E, do lado de fora e tamb\u00e9m dentro, o per\u00edodo de isolamento deixou de ser um hiato quando se encharcou de realidade. No horizonte \u00e0 frente, ainda desponta a incerteza: quando tudo voltar ao normal&#8230; a qual normal voltar\u00e1?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao normal de quem?<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Texto por Mariana R. Stefani<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo era o fim da tarde e o momento era de incerteza generalizada. Momentos prop\u00edcios para aquelas lembran\u00e7as esquisitas sobre, sei l\u00e1 eu, uma excurs\u00e3o para um museu de arte contempor\u00e2nea com a turma da quarta s\u00e9rie misturadas com incans\u00e1veis perguntas sobre como as coisas teriam sido se uma pequena coisa tivesse acontecido diferente h\u00e1 dez anos atr\u00e1s. Momentos em que a gente se afoga de passado: mas eles agora nos olham, cabe\u00e7a inclinada, como se n\u00e3o nos reconhecessem mais. Como se temessem ser, na verdade, parte de uma outra hist\u00f3ria. Outra, que n\u00e3o a nossa. A ilus\u00e3o de que era tudo uma quebra tempor\u00e1ria, hiato para experienciarmos um nada entre duas pontas de realidade (o antes e o depois da pandemia) logo se mostrou exatamente isso: uma ilus\u00e3o. O que, afinal, estamos querendo dizer quando falamos \u201cquando tudo voltar ao normal, eu vou\u2026\u201d? Iremos ter de conhecer novas formas de abra\u00e7ar. Novas formas de ler o olhar do outro, na falta de podermos ver o rosto inteiro. Novas concep\u00e7\u00f5es de lazer. Novas formas de trabalhar: o trabalho online \u00e9 o novo futuro\u2026 para quem? 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