{"id":1121,"date":"2020-10-05T07:27:15","date_gmt":"2020-10-05T10:27:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=1121"},"modified":"2020-11-16T11:30:17","modified_gmt":"2020-11-16T14:30:17","slug":"hiato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/hiato\/","title":{"rendered":"Hiato"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que com certeza n\u00e3o foi o ser humano quem inventou o tempo, pois ele n\u00e3o teria nem de longe (muito menos quando acha que tem) o poder para tanto. Mas que muito provavelmente foi o ser humano quem inventou a percep\u00e7\u00e3o de tempo na forma que a temos hoje, pois o que ele n\u00e3o tem de poder, compensa em megalomania de controle.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E que assim o ser humano inventou os dias, as horas, os minutos, os anos, as d\u00e9cadas e os segundos. E fez incessantes ajustes c\u00e1 e l\u00e1 at\u00e9 se sentir razoavelmente satisfeito, e ent\u00e3o inventou tudo que foi coisa para poder imprimir valores de tempo em todo lugar e ter uma certeza gr\u00e1fica de que nunca deixaria de saber, afinal, que horas s\u00e3o agora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas que, como toda grande inven\u00e7\u00e3o, essa tamb\u00e9m acabou muito astutamente se reinventando por si pr\u00f3pria, e indo at\u00e9 lugares onde seu inventor jamais imaginaria pisar, pois sequer sonharia existirem em primeiro lugar. E foi assim que o tempo inventou a saudade, a demora e a sensa\u00e7\u00e3o de que as horas passam r\u00e1pido demais. Inventou o sempre e o nunca, a expectativa, a pausa e os instantes que ficam eternamente cravados na mem\u00f3ria. E n\u00e3o sei se foi ele quem inventou a eternidade, mas com certeza foi quem deu um jeito de deix\u00e1-la sempre por l\u00e1, pairando no ar, e tendo a c\u00f4mica garantia de que jamais nenhum ser humano fosse de fato conseguir alcan\u00e7\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E deixou-nos apenas com a certeza de que n\u00e3o h\u00e1 objeto nenhum capaz de driblar essa \u00e2nsia. E a emp\u00edrica constata\u00e7\u00e3o de que \u00e9 nessas situa\u00e7\u00f5es que, quanto mais olhamos para o rel\u00f3gio, mais confusos nos quedamos a estar.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Texto por Mariana R. Stefani<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que com certeza n\u00e3o foi o ser humano quem inventou o tempo, pois ele n\u00e3o teria nem de longe (muito menos quando acha que tem) o poder para tanto. Mas que muito provavelmente foi o ser humano quem inventou a percep\u00e7\u00e3o de tempo na forma que a temos hoje, pois o que ele n\u00e3o tem de poder, compensa em megalomania de controle. E que assim o ser humano inventou os dias, as horas, os minutos, os anos, as d\u00e9cadas e os segundos. E fez incessantes ajustes c\u00e1 e l\u00e1 at\u00e9 se sentir razoavelmente satisfeito, e ent\u00e3o inventou tudo que foi coisa para poder imprimir valores de tempo em todo lugar e ter uma certeza gr\u00e1fica de que nunca deixaria de saber, afinal, que horas s\u00e3o agora. Mas que, como toda grande inven\u00e7\u00e3o, essa tamb\u00e9m acabou muito astutamente se reinventando por si pr\u00f3pria, e indo at\u00e9 lugares onde seu inventor jamais imaginaria pisar, pois sequer sonharia existirem em primeiro lugar. E foi assim que o tempo inventou a saudade, a demora e a sensa\u00e7\u00e3o de que as horas passam r\u00e1pido demais. 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