{"id":874,"date":"2020-05-04T21:40:27","date_gmt":"2020-05-05T00:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=874"},"modified":"2020-07-30T18:33:17","modified_gmt":"2020-07-30T21:33:17","slug":"874-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/874-2\/","title":{"rendered":"Um espa\u00e7o para poesia"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h4 class=\"p1\"><span class=\"s2\">P\u00cdLULA LITER\u00c1RIA<br \/>\n<\/span><span class=\"s3\">Um espa\u00e7o para poesia<\/span><\/h4>\n<p>Foi Ferreira Gullar, escritor brasileiro, quem nos presenteou com a frase \u201ca arte e\u0301 feita porque a vida na\u0303o basta\u201d. Certo, a arte acrescenta a\u0300 vida, mas&#8230;? Como assim, \u201ca vida na\u0303o basta\u201d? O que isso quer dizer? Se nem o pro\u0301prio Ferreira Gullar deu conta de explicar isso, que podemos no\u0301s, simples mortais, fazer diante dos grandes e metafo\u0301ricos miste\u0301rios da poesia? Bem, talvez a questa\u0303o seja que nenhuma explicac\u0327a\u0303o vai dar conta, nunca. E tudo bem. Na verdade, e\u0301 exatamente essa a grac\u0327a. Ha\u0301 coisas a\u0300s quais so\u0301 mesmo a arte parece conseguir dar voz. Notem, a arte nos atravessa de outras maneiras. Parece fazer o impossi\u0301vel quando, diante das nossas mais angustiantes inquietac\u0327o\u0303es, ela consegue dizer algo que sequer saberi\u0301amos dizer. E, assim, nos permitimos repousar, enfim. (Ja\u0301 que aqui estamos em um boletim para psico\u0301logos: na\u0303o ha\u0301 enta\u0303o um que\u0302 de poe\u0301tico nos processos terape\u0302uticos, se pensarmos assim?) A intenc\u0327a\u0303o dessa pequena coluna pilu\u0301la-litera\u0301ria e\u0301 trazer pequenos textos que possam fomentar reflexo\u0303es, arejar pensamentos e, quem sabe, nos desassossegar onde for preciso. Na\u0303o a\u0300 toa, este primeiro vem do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa: \u201cOs sentimentos que mais doem, as emoc\u0327o\u0303es que mais pungem, sa\u0303os os que sa\u0303o absurdos &#8211; a a\u0302nsia de coisas impossi\u0301veis, precisamente porque sa\u0303o impossi\u0301veis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a ma\u0301goa de na\u0303o ser outro, a insatisfac\u0327a\u0303o da existe\u0302ncia do mundo. Todos estes meios-tons da conscie\u0302ncia da alma criam em no\u0301s uma paisagem dolorida, um eterno sol-po\u0302r do que somos.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00cdLULA LITER\u00c1RIA Um espa\u00e7o para poesia Foi Ferreira Gullar, escritor brasileiro, quem nos presenteou com a frase \u201ca arte e\u0301 feita porque a vida na\u0303o basta\u201d. Certo, a arte acrescenta a\u0300 vida, mas&#8230;? Como assim, \u201ca vida na\u0303o basta\u201d? O que isso quer dizer? Se nem o pro\u0301prio Ferreira Gullar deu conta de explicar isso, que podemos no\u0301s, simples mortais, fazer diante dos grandes e metafo\u0301ricos miste\u0301rios da poesia? Bem, talvez a questa\u0303o seja que nenhuma explicac\u0327a\u0303o vai dar conta, nunca. E tudo bem. Na verdade, e\u0301 exatamente essa a grac\u0327a. Ha\u0301 coisas a\u0300s quais so\u0301 mesmo a arte parece conseguir dar voz. Notem, a arte nos atravessa de outras maneiras. 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