{"id":901,"date":"2020-05-11T18:05:38","date_gmt":"2020-05-11T21:05:38","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=901"},"modified":"2020-07-30T18:11:18","modified_gmt":"2020-07-30T21:11:18","slug":"silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/silencio\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 <\/span><\/span><span class=\"s2\">A experi\u00eancia da pandemia tem trazido momentos de muito sil\u00eancio e h\u00e1 algo do sil\u00eancio que esse momento nos convida a ressignificar.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Algo que, talvez, nunca tenhamos exatamente conseguido significar, pra come\u00e7o de conversa. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">E isso n\u00e3o \u00e9 um problema. \u00c9 s\u00f3 que para o ser humano, animal de tantas palavras, \u00e9 no m\u00ednimo curioso que sil\u00eancio seja justamente aquilo que parece sempre conseguir deslizar pela tangente de quaisquer estratagemas l\u00e9xicos que busquemos para explic\u00e1-lo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Pois, vejamos, h\u00e1 quem diga que o sil\u00eancio, se soubermos ouvi-lo, \u00e9 a maior fonte comunicativa poss\u00edvel e, portanto, qualquer sil\u00eancio \u00e9 um falso sil\u00eancio. Ou quem diga que o sil\u00eancio \u00e9 a madrugada numa rua calma: lugar onde tudo est\u00e1 suspenso, na expectativa de um novo algo que est\u00e1 por vir. Mas h\u00e1 ainda aqueles para quem o sil\u00eancio \u00e9 nada e, por ser nada, \u00e9 insustent\u00e1vel. Qualquer sil\u00eancio passa ent\u00e3o a ser um falso sil\u00eancio, n\u00e3o porque ele nos diz algo, mas porque somos incapazes de n\u00e3o tentar, n\u00f3s mesmos, preench\u00ea-lo com qualquer esbo\u00e7o de coisa que possa nos dizer algo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Hoje, quando nos deparamos com o sil\u00eancio daqueles que est\u00e3o longe, presentes apenas pelo meio virtual, dos quais nem mesmo os sons do sil\u00eancio e da respira\u00e7\u00e3o conseguimos ouvir, ficamos naquele receio que nos d\u00e1 caras de ponto de interroga\u00e7\u00e3o. Quando parecemos n\u00e3o poder mais cham\u00e1-lo por nenhuma dessas coisas, o que fazemos ent\u00e3o com esse sil\u00eancio que nunca ningu\u00e9m nos ensinou a ouvir?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Texto por <span class=\"s1\"><i>Mariana R.Stefani<\/i><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Escuto mas n\u00e3o sei<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Se o que ou\u00e7o \u00e9 sil\u00eancio<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Ou deus<\/i><\/span><span class=\"s2\"><i><br \/>\n<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>Sophia de Mello <\/b><\/span><span class=\"s1\"><b>Breyner Andresen<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>E todo o sil\u00eancio \u00e9 uma m\u00fasica em estado de gravidez.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Quando me viam, parado e recatado, no meu invis\u00edvel recanto, eu n\u00e3o estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de sil\u00eancios<\/i><\/span><span class=\"s2\"><i><br \/>\n<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>Mia Couto<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel amizade quando os dois sil\u00eancios n\u00e3o se combinam<br \/>\n<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>M\u00e1rio Quintana<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 A experi\u00eancia da pandemia tem trazido momentos de muito sil\u00eancio e h\u00e1 algo do sil\u00eancio que esse momento nos convida a ressignificar.\u00a0 Algo que, talvez, nunca tenhamos exatamente conseguido significar, pra come\u00e7o de conversa. E isso n\u00e3o \u00e9 um problema. \u00c9 s\u00f3 que para o ser humano, animal de tantas palavras, \u00e9 no m\u00ednimo curioso que sil\u00eancio seja justamente aquilo que parece sempre conseguir deslizar pela tangente de quaisquer estratagemas l\u00e9xicos que busquemos para explic\u00e1-lo. Pois, vejamos, h\u00e1 quem diga que o sil\u00eancio, se soubermos ouvi-lo, \u00e9 a maior fonte comunicativa poss\u00edvel e, portanto, qualquer sil\u00eancio \u00e9 um falso sil\u00eancio. Ou quem diga que o sil\u00eancio \u00e9 a madrugada numa rua calma: lugar onde tudo est\u00e1 suspenso, na expectativa de um novo algo que est\u00e1 por vir. Mas h\u00e1 ainda aqueles para quem o sil\u00eancio \u00e9 nada e, por ser nada, \u00e9 insustent\u00e1vel. Qualquer sil\u00eancio passa ent\u00e3o a ser um falso sil\u00eancio, n\u00e3o porque ele nos diz algo, mas porque somos incapazes de n\u00e3o tentar, n\u00f3s mesmos, preench\u00ea-lo com qualquer esbo\u00e7o de coisa que possa nos dizer algo. 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