{"id":944,"date":"2020-06-01T18:55:28","date_gmt":"2020-06-01T21:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=944"},"modified":"2020-07-30T19:00:14","modified_gmt":"2020-07-30T22:00:14","slug":"do-futuro-do-preterito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/do-futuro-do-preterito\/","title":{"rendered":"Do futuro do pret\u00e9rito"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><\/span><span class=\"s2\">\u00c9 uma daquelas coisas da vida que correm o risco de ganhar ares melanc\u00f3licos se voc\u00ea parar para pensar demais sobre elas (como a pr\u00f3pria Vida, por exemplo). Mas que coisa curiosa que acrescentar tr\u00eas ou quatro letrinhas ao final das palavras (para refrescar a mem\u00f3ria, os cl\u00e1ssicos exemplos dos livros de gram\u00e1tica: amaria, beberia, partiria) seja capaz de exprimir sentimento que \u00e0s vezes escapa at\u00e9 da mais fina poesia. Contar de algo que n\u00e3o \u00e9 o nosso presente mas seria, tivesse o passado sido outro. Qual outro? Tamb\u00e9m n\u00e3o sei, mas me parece incr\u00edvel que aprendamos, via linguagem, a abstrair isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\"> \u00c9 um tempo que foge da gram\u00e1tica para mostrar que o presente \u00e9 mais que o passado acrescido de algumas voltas no rel\u00f3gio. E, nessa fuga po\u00e9tica, torna-se tempo das noites insones e dos cart\u00f5es postais que nunca chegaram a ser enviados.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Texto Por Mariana R. Stefani<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>N\u00e3o foi uma hist\u00f3ria triste<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>Nem foi t\u00e3o feliz assim<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>N\u00e3o foi sequer hist\u00f3ria<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>Se acabou sem ter um fim<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b>T\u00f3 Brandileone<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Se\u2026 se\u2026 . Sim, mas se \u00e9 sempre uma coisa que n\u00e3o aconteceu: e se n\u00e3o aconteceu, para que supor o que seria se ela fosse?<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b>Fernando Pessoa<\/b><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00c9 uma daquelas coisas da vida que correm o risco de ganhar ares melanc\u00f3licos se voc\u00ea parar para pensar demais sobre elas (como a pr\u00f3pria Vida, por exemplo). Mas que coisa curiosa que acrescentar tr\u00eas ou quatro letrinhas ao final das palavras (para refrescar a mem\u00f3ria, os cl\u00e1ssicos exemplos dos livros de gram\u00e1tica: amaria, beberia, partiria) seja capaz de exprimir sentimento que \u00e0s vezes escapa at\u00e9 da mais fina poesia. Contar de algo que n\u00e3o \u00e9 o nosso presente mas seria, tivesse o passado sido outro. Qual outro? Tamb\u00e9m n\u00e3o sei, mas me parece incr\u00edvel que aprendamos, via linguagem, a abstrair isso. \u00c9 um tempo que foge da gram\u00e1tica para mostrar que o presente \u00e9 mais que o passado acrescido de algumas voltas no rel\u00f3gio. E, nessa fuga po\u00e9tica, torna-se tempo das noites insones e dos cart\u00f5es postais que nunca chegaram a ser enviados. Texto Por Mariana R. Stefani &nbsp; N\u00e3o foi uma hist\u00f3ria triste Nem foi t\u00e3o feliz assim N\u00e3o foi sequer hist\u00f3ria Se acabou sem ter um fim T\u00f3 Brandileone &nbsp; Se\u2026 se\u2026 . Sim, mas se \u00e9 sempre uma coisa que n\u00e3o aconteceu: e se n\u00e3o aconteceu, para que supor o que seria se ela fosse? [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pilulasliterarias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=944"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/944\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":945,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/944\/revisions\/945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}