{"id":965,"date":"2020-06-08T19:39:49","date_gmt":"2020-06-08T22:39:49","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=965"},"modified":"2020-07-30T19:54:56","modified_gmt":"2020-07-30T22:54:56","slug":"de-poderes-e-responsabilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/de-poderes-e-responsabilidades\/","title":{"rendered":"De poderes e responsabilidades"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><\/span><span class=\"s2\">N\u00e3o nos deixemos levar pela refer\u00eancia deste t\u00edtulo: antes fosse uma nota sobre o filme do Homem Aranha de 2002. \u00c9 mais sobre aquelas descobertas lexicais que nos acontecem na vida. Para mim, uma das mais interessantes foi a de que responsabilidade tem, pelo menos na etimologia da coisa, mais a ver com resposta do que com culpa. Isso nos traz uma perspectiva interessante, que \u00e9 a import\u00e2ncia de firmarmos o solo em que pisamos e agirmos de acordo com aquilo que acreditamos, pensamos, desejamos, somos, sonhamos &#8211; o verbo bonito que for, algo que nos permita responder por nossas a\u00e7\u00f5es na eventualidade de algum questionamento ser feito. E que tudo nos levaria a crer que aquelas pessoas que atraem para si mais olhares, que exercem mais influ\u00eancia, ocupam os mais relevantes cargos, contam suas horas nos mais incrementados rel\u00f3gios e, consequentemente, fazem a mais vasta gama de escolhas &#8211; que seriam elas as mais empenhadas em ter o que dizer frente a t\u00e3o simples e grande pergunta: \u201cmas, ent\u00e3o, foi por qu\u00ea?\u201d Curioso poder de um olhar para fora da janela ou para um notici\u00e1rio na TV em abalar quase que irremediavelmente essas cren\u00e7as.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Texto por Mariana R. Stefani<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>Fim<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><i>E chegar\u00e1 um tempo em que os militares inventar\u00e3o um proj\u00e9til t\u00e3o perfeito, mas t\u00e3o perfeito mesmo, que dar\u00e1 volta ao mundo e os pegar\u00e1 por tr\u00e1s.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b>M\u00e1rio Quintana, Caderno H<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i> (&#8230;) Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio provar o contr\u00e1rio, basta deslegitimar o acusador.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b>Umberto Eco, N\u00famero Zero\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Os fatos s\u00e3o sonoros mas entre os fatos h\u00e1 um sussurro. \u00c9 o sussurro o que me impressiona.<br \/>\n<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>Clarice Lispector, A Hora da Estrela<\/b><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 N\u00e3o nos deixemos levar pela refer\u00eancia deste t\u00edtulo: antes fosse uma nota sobre o filme do Homem Aranha de 2002. \u00c9 mais sobre aquelas descobertas lexicais que nos acontecem na vida. Para mim, uma das mais interessantes foi a de que responsabilidade tem, pelo menos na etimologia da coisa, mais a ver com resposta do que com culpa. Isso nos traz uma perspectiva interessante, que \u00e9 a import\u00e2ncia de firmarmos o solo em que pisamos e agirmos de acordo com aquilo que acreditamos, pensamos, desejamos, somos, sonhamos &#8211; o verbo bonito que for, algo que nos permita responder por nossas a\u00e7\u00f5es na eventualidade de algum questionamento ser feito. E que tudo nos levaria a crer que aquelas pessoas que atraem para si mais olhares, que exercem mais influ\u00eancia, ocupam os mais relevantes cargos, contam suas horas nos mais incrementados rel\u00f3gios e, consequentemente, fazem a mais vasta gama de escolhas &#8211; que seriam elas as mais empenhadas em ter o que dizer frente a t\u00e3o simples e grande pergunta: \u201cmas, ent\u00e3o, foi por qu\u00ea?\u201d Curioso poder de um olhar para fora da janela ou para um notici\u00e1rio na TV em abalar quase que irremediavelmente essas cren\u00e7as. Texto por Mariana R. 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