{"id":982,"date":"2020-06-22T19:55:53","date_gmt":"2020-06-22T22:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/?p=982"},"modified":"2020-07-30T20:20:14","modified_gmt":"2020-07-30T23:20:14","slug":"o-mesmo-outro-e-o-outro-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/papoipusp\/o-mesmo-outro-e-o-outro-mesmo\/","title":{"rendered":"O mesmo outro e o outro mesmo"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><\/span><span class=\"s2\">Dentre as quest\u00f5es mais curiosas quanto ao fato de um espa\u00e7o para se sentar diante de uma tela ter se tornado tamb\u00e9m escrit\u00f3rio, espa\u00e7o de lazer, consult\u00f3rio, sala de aula, sala de estar e mesa de bar, talvez a mais curiosa seja n\u00e3o a agilidade com que nos vemos aprender a navegar por entre as multifacetadas possibilidades, mas, justamente, a simplicidade com a qual o espa\u00e7o f\u00edsico se mant\u00e9m, materialmente, aquilo que sempre foi. A cadeira de almofadas vermelhas no canto do nosso quarto ainda \u00e9 a cadeira de almofadas vermelhas no canto do nosso quarto e o banco de tr\u00eas pernas da cozinha segue sendo o que e como sempre foi. Sem o menor alarde, como costuma inclusive ser do feitio da mob\u00edlia dom\u00e9stica, eles continuam apenas existindo onde sempre estiveram. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Mas o que a gente se pega observando \u00e9 como cada vez que fazemos mais uma outra coisa no mesmo lugar, essas duas palavras antes t\u00e3o<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>antonimamente distantes uma da outra &#8211; mesmo e outro &#8211;<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>se embara\u00e7am um pouco mais numa dan\u00e7a que ainda nos parece dif\u00edcil de compreender. E como por vezes desponta c\u00e1 e l\u00e1 um outro no meio de tanto mesmo. E, nessas, deixa a gente pensando sobre de quem est\u00e1 falando quando diz estar h\u00e1 tempo demais na companhia de si mesmo.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Texto por Mariana R Stefani<\/h6>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Viver \u00e9 ser outro. Nem sentir \u00e9 poss\u00edvel se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem n\u00e3o \u00e9 sentir &#8211; \u00e9 lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cad\u00e1ver vivo do que ontem foi a vida perdida.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>Fernando Pessoa<\/b><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Dentre as quest\u00f5es mais curiosas quanto ao fato de um espa\u00e7o para se sentar diante de uma tela ter se tornado tamb\u00e9m escrit\u00f3rio, espa\u00e7o de lazer, consult\u00f3rio, sala de aula, sala de estar e mesa de bar, talvez a mais curiosa seja n\u00e3o a agilidade com que nos vemos aprender a navegar por entre as multifacetadas possibilidades, mas, justamente, a simplicidade com a qual o espa\u00e7o f\u00edsico se mant\u00e9m, materialmente, aquilo que sempre foi. A cadeira de almofadas vermelhas no canto do nosso quarto ainda \u00e9 a cadeira de almofadas vermelhas no canto do nosso quarto e o banco de tr\u00eas pernas da cozinha segue sendo o que e como sempre foi. Sem o menor alarde, como costuma inclusive ser do feitio da mob\u00edlia dom\u00e9stica, eles continuam apenas existindo onde sempre estiveram. Mas o que a gente se pega observando \u00e9 como cada vez que fazemos mais uma outra coisa no mesmo lugar, essas duas palavras antes t\u00e3o\u00a0 antonimamente distantes uma da outra &#8211; mesmo e outro &#8211;\u00a0 se embara\u00e7am um pouco mais numa dan\u00e7a que ainda nos parece dif\u00edcil de compreender. E como por vezes desponta c\u00e1 e l\u00e1 um outro no meio de tanto mesmo. 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