Edifício Othon

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Imagem 1: Edifício Othon, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Localizado na esquina da rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, o Othon Palace Hotel foi fundado por Othon Lynch Bezerra de Mello – empresário, industrial e político -, e inaugurado no ano de 1954, em razão das comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo. O edifício era um hotel de luxo composto por 25 pavimentos, 14.000 metros quadrados de área e 260 quartos. Seu projeto foi feito pelo arquiteto alemão Phillip Lohbauer, decorado por Jacques Monet e erigido pela Construtora e Comercial Dacio A. de Moraes S.A.

Originalmente, o edifício funcionava ligado a área de comércio e serviços, mas, posteriormente, o hotel passou a abrigar a elite paulistana. Ele foi um dos mais famosos hotéis do centro de São Paulo e fazia parte de uma rede hoteleira do Brasil, fundada por Othon Lynch que abrangia ainda as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e estava em cinco outros países – Estados Unidos, França, Portugal, Argentina e Peru. O edifício teve seu auge entre as décadas de 1960 e 1970 e, neste período, chegou a receber hóspedes importantes, como o astronauta Yuri Gagarin em 1961, o então príncipe japonês Akihito em 1967, a rainha Elizabeth II do Reino Unido em 1968, a rainha do jazz Ella Fitzgerald e o então presidente Costa e Silva.

Entre os atrativos do lugar, havia o Chalet Suisse, um restaurante de luxo que funcionava no último andar, especializado em fondue. Este havia sido inaugurado em 1966, sob a supervisão de Max Dahinden, que era formado na escola de hotelaria Suíça. Já no primeiro subsolo havia uma boate que recebia as festas e eventos da alta sociedade paulistana. O hotel manteve sua atividade por 54 anos, contudo, graças à degradação do centro histórico da cidade de São Paulo, os habituais hóspedes passaram a preferir hotéis localizados na Avenida Paulista ou na zona sul e, com a paulatina falta de cliente, o Othon Palace Hotel fechou suas portas no ano de 2008, já estando operando com prejuízo financeiro há mais de um ano.

No ano de 2009, o edifício foi declarado de utilidade pública e, em 2011, o então prefeito Gilberto Kassab sugeriu que este se tornasse parte da prefeitura por estar perto do Edifício Matarazzo. Assim, começou-se uma desapropriação que acabou por ser interrompida por um tempo, pois o local tornou-se palco de uma ocupação de moradia. Mesmo após o fim da ocupação, o Othon ainda permanecia vazio, porém com estudos sobre uma possível reforma em andamento. É somente em 2018 que o prédio é reformado, ganhando nova vida, nome e utilidade: o que antes era o Othon Palace Hotel, hotel de luxo da cidade de São Paulo, agora seria apenas o Edifício Othon, nome mais simples mas que mantinha, em partes, relação com suas origens e cuja função seria, a partir de então,  abrigar a Secretaria da Fazenda da cidade de São Paulo. Hoje funciona no andar térreo do edifício o CAF (Centro de Atendimento da Fazenda Municipal) que atende cerca de 1.500 pessoas por dia que procuram atendimento para os mais de cem serviços oferecidos, como por exemplo, problemas com tarifas e impostos cobrados pelo governo. 

 O Edifício foi tombado no ano de 1992, junto a outros que foram tombados no conjunto da região do Vale do Anhangabaú. No documento do tombamento consta que o Othon é considerado, segundo a CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo):


“II – Nível de Proteção 2 (NP-2): corresponde a bens de grande interesse histórico, arquitetônico ou paisagístico, determinando a preservação de suas características externas e de alguns elementos internos.”1

Vista do Edifício Othon pelo Viaduto do Chá

Imagem 2: Edifício Othon, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Vista do Edifício Othon da perspectiva de quem vem do Viaduto do Chá. Esquina entre o Viaduto do Chá, a rua Líbero Badaró e a Praça do Patriarca. Na foto, é possível ver, portanto, a posição do edifício entre as ruas e a Praça do Patriarca.

Imagem 3: Edifício Othon, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Foto tirada de outro ângulo, desta vez somente do andar térreo do edifício. A imagem revela a atual função do local, sendo hoje o CAF – Centro de Atendimento da Fazenda Municipal.

Imagem 4: Edifício Othon, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Foto que mostra a arquitetura racionalista do Edifício Othon. Este movimento se caracterizava pela eliminação de elementos decorativos desnecessários, priorizando a funcionalidade e a clareza; com a estrutura do edifício sendo valorizada e exposta, como pilares e vigas de concreto, criando uma estética moderna e industrial, com muito uso de materiais como: vidro, concreto armado e aço.

Imagem 5: Edifício Othon, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Foto que mostra uma das entradas do edifício, esta pela rua Líbero Badaró, onde ainda consta o antigo nome que o prédio possuía. Na foto, é possível ver em detalhe a antiga porta de alvenaria entalhada com vidro do antigo Hotel e a placa do mesmo em um letreiro iluminado com o nome “Othon Palace Hotel” que antecede uma porta de entrada moderna automática de vidro e climatizada.   

Imagem 6: Prefeitura de São Paulo, 2025. Foto – alunos participantes do projeto.

Foto tirada da escadaria do Viaduto do Chá. Dessa perspectiva é possível ver tanto o Edifício Matarazzo quanto o Edifício Othon, ambos pertencentes à Prefeitura de São Paulo.

  1. SÃO PAULO (Município). Resolução Secretaria Municipal de Cultura – SMC/CONPRESP n.º 37, de 8 de dezembro de 1992. Tomba os elementos constituidores do ambiente urbano que especifica na área do Vale do Anhangabaú. Diário Oficial do Município de São Paulo, São Paulo, SP, 8 dez. 1992. Disponível em: https://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/resolucao-37-de-8-de-dezembro-de-1992/consolidado. Acesso em: 06 jul. 2026.  ↩︎

Artigos de periódicos

GIROTO, I. R.; SILVA, L. R.; FONSECA, B. F. Othon Palace: o imigrante, o arranha-céu e o hotel. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 15, 2023, São Carlos. Anais do 15º Seminário Docomomo Brasil: Arquitetura e Urbanismo e a reconstrução do Estado e da sociedade. São Carlos: IAU e FAU — Universidade de São Paulo, 2023. p. 1-15. ISBN 978-65-272-0196-0. DOI: 10.29327/1344945.660670. 

Dissertações e/ou teses

MONTEIRO, Ana Carla de Castro Alves. Os hotéis da metrópole. O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940-1960). 2006. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Livros

TOLEDO, Benedito Lima de. Prestes Maia e as origens do urbanismo moderno em São Paulo. São Paulo: Empresa das Artes, 1996.

Autores: alunos responsáveis pela pesquisa sobre a Praça do Patriarca.