A Estação Anhangabaú é uma estação subterrânea da Linha 3 – Vermelha do Metrô de São Paulo, localizada na Rua Formosa, no distrito da República, na Zona Central da cidade, entre as estações República e Sé. Seu nome faz referência ao Vale do Anhangabaú, situado nas proximidades.
A estação nasceu de um imprevisto no planejamento da chamada Linha Leste-Oeste (hoje Linha 3 – Vermelha), apresentada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) em 1976. Das estações previstas nesse trecho, Sé e República eram as que exigiriam as maiores desapropriações1. Para viabilizar a Estação Sé, a companhia desapropriou e demoliu diversas edificações do Triângulo Histórico, entre elas o Palacete Santa Helena e o Edifício Mendes Caldeira. Já na Praça da República, o anúncio de que a Escola Estadual Caetano de Campos seria demolida para dar lugar à estação provocou forte reação popular, protestos e uma ação judicial.
O então prefeito Olavo Setúbal, ex-aluno da escola, somou-se aos manifestantes, e a Cia. do Metropolitano acabou obrigada a alterar o projeto da Estação República e o traçado entre República e Sé para preservar o colégio2. Foi justamente essa revisão que abriu espaço para a Anhangabaú, pois ao redesenhar o trecho, os técnicos perceberam que a distância entre as praças da Sé e da República havia ficado grande demais e projetaram uma estação intermediária para encurtá-la. Por ter surgido dessa correção de rota, a Anhangabaú foi a última estação incorporada ao projeto da Linha Leste-Oeste.
As obras da Estação República (já alterada) e do trecho até a Sé começaram com a construtora Camargo Corrêa em 27 de setembro de 1977, mas o projeto da Anhangabaú foi sucessivamente adiado por questões econômicas e jurídicas. Para destravar a obra, a Cia. do Metropolitano recorreu a uma manobra legal, contratando a própria Camargo Corrêa sem processo de concorrência pública para construir a nova estação, decisão noticiada à época pela Folha de São Paulo3 e que não chegou a ser contestada por outras empreiteiras.
As obras da Estação Anhangabaú tiveram início em 2 de janeiro de 1980. As desapropriações e interdições necessárias para os trabalhos obrigaram a companhia a erguer passarelas provisórias para manter a ligação entre as duas margens do Vale do Anhangabaú durante o período de obras, estrutura que, segundo reportagem da Folha de São Paulo de janeiro de 1980, não foi bem recebida pela população.4
Previstas para ficar prontas em meados de 1982, as obras sofreram atrasos e só foram concluídas em 26 de novembro de 1983, data da inauguração da estação. Ainda durante a construção, a Prefeitura de São Paulo e a Cia. do Metropolitano implantaram, ao lado da estação, um terminal de ônibus batizado Terminal Bandeira, ao qual a Anhangabaú foi posteriormente ligada por uma passarela de integração inaugurada em 8 de novembro de 19965.
A estação é subterrânea, com dois mezaninos de distribuição, um sobre cada extremidade da plataforma central, estrutura em concreto aparente, aberturas para iluminação natural e acesso adaptado para pessoas com deficiência. Sua área construída é de 11.160 m². Nos jardins internos da plataforma sentido Palmeiras-Barra Funda está instalada a obra “In Vitro”, do artista Mário Fraga.
Além da ligação com o Terminal Bandeira, a estação já teve um acesso voltado para a Avenida 23 de Maio, do lado do Vale do Anhangabaú, desativado permanentemente no final da década de 1980, durante a implantação do projeto de revitalização do Vale conduzido pelos arquitetos Jorge Wilheim e Rosa Grena Kliass. Esse projeto, vencedor de um concurso promovido pela prefeitura em 1981, buscava transformar o Anhangabaú em um espaço voltado majoritariamente ao pedestre, levando o tráfego de veículos para vias subterrâneas. Entre 1981 e a conclusão das obras, em 1992, a própria inauguração da Estação Anhangabaú, em novembro de 1983, foi um dos fatores que levaram a ajustes no projeto original de reurbanização do Vale.
Pela posição central, a estação funciona hoje como uma das principais portas de entrada para pontos como o Theatro Municipal, o Viaduto do Chá e o próprio Vale do Anhangabaú, além de estar a poucos minutos a pé das estações República (Linha 4 – Amarela) e Sé (Linha 1 – Azul), ainda que não haja integração física direta com elas dentro da estação.
A Estação Anhangabaú possui diversos acessos distribuídos entre seus dois mezaninos, o que reflete sua posição estratégica no cruzamento de vários eixos do centro histórico. Entre as saídas estão a da Rua Formosa, endereço oficial da estação, a do Largo da Memória, a da Rua Coronel Xavier de Toledo, uma voltada ao Parque do Vale do Anhangabaú, outra na Rua José Bonifácio, e uma ligada à Praça da Bandeira, que dá acesso direto ao Terminal Bandeira.6
Uma escadaria complementar liga o entorno da Rua Coronel Xavier de Toledo e da Rua Sete de Abril ao Vale do Anhangabaú, reforçando a circulação de pedestres entre a estação e a região central.
Por essas saídas, a estação conecta diretamente o passageiro a pontos como o Terminal Bandeira, o Shopping Light, o Theatro Municipal, o Viaduto do Chá e o próprio Vale do Anhangabaú, além de ficar a curta distância a pé de referências como o Edifício Martinelli, a Galeria do Rock e a Biblioteca Mário de Andrade. Nas proximidades, a cerca de 300 metros da estação, fica também a Galeria Prestes Maia, passagem subterrânea histórica inaugurada em 1940 que liga a Praça do Patriarca ao Vale do Anhangabaú por baixo do Viaduto do Chá, embora não seja tecnicamente uma das saídas da própria estação, funciona como uma continuação natural do trajeto de pedestres entre a Anhangabaú e a Praça do Patriarca, na direção da Estação São Bento.
Notas
- PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (PMSP). Leste- Oeste: em busca de uma solução integrada. São Paulo: Companhia do Metropolitano de São Paulo, 1979. ↩︎
- SETÚBAL, Olavo. São Paulo: a cidade, o habitante, a administração: 1975-1979. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, 1979. ↩︎
- EMPRESA poderá construir trecho sem concorrência. Folha de S. Paulo, ano LVII, n. 17896, 2 de abril de 1978. p. 20. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/busca.do?keyword=&periododesc=02%2F04%2F1978&por=Por+Dia&startDate=&endDate=&days=02&month=04&year=1978&jornais=. Acesso em: 05 set. 2026. ↩︎
- A passarela não agradou. Folha de S. Paulo, ano 58, n. 18551, 17 de janeiro de 1980. p. 12. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/busca.do?keyword=&periododesc=17%2F01%2F1980&por=Por+Dia&startDate=&endDate=&days=17&month=01&year=1980&jornais=. Acesso em: 05 de setembro de 2026. ↩︎
- SOUZA, Ana Odilia de Paiva. São Paulo interligado: o plano de transporte público urbano em implantação na gestão 2001-2004. São Paulo: Prefeitura de São Paulo, 2004. ↩︎
- GONÇALVES, Luísa. Metrô, história e espaço público: Um estudo sobre as estações no centro de São Paulo. Revista Prumo, v. 3, n. 4, 2018, p. 11-13. Disponível em: https://periodicos.puc-rio.br/revistaprumo/article/view/512. Acesso em: 05 set. 2026. ↩︎
Fontes e referências
Fontes
Artigos de jornais impressos
A passarela não agradou. Folha de S. Paulo, ano 58, n. 18551, 17 de janeiro de 1980. p. 12. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/busca.do?keyword=&periododesc=17%2F01%2F1980&por=Por+Dia&startDate=&endDate=&days=17&month=01&year=1980&jornais=. Acesso em: 05 de setembro de 2026.
EMPRESA poderá construir trecho sem concorrência. Folha de S. Paulo, ano LVII, n. 17896, 2 de abril de 1978. p. 20. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/busca.do?keyword=&periododesc=02%2F04%2F1978&por=Por+Dia&startDate=&endDate=&days=02&month=04&year=1978&jornais=. Acesso em: 05 set. 2026.
Referências
Artigos de periódicos
AMORIM, Anália Maria Marinho de Carvalho; SAUAIA, André Biselli. Percepção crítica sobre a desestatização do Vale do Anhangabaú a partir de 2021. São Paulo. Revista Estudos Avançados, 38 (111), 2024, p. 233-255. Disponível em: https://revistas.usp.br/eav/pt_BR/article/view/229912. Acesso em: 05 set. 2026.
GONÇALVES, Luísa. Metrô, história e espaço público: Um estudo sobre as estações no centro de São Paulo. Revista Prumo, v. 3, n. 4, 2018, p. 11-13. Disponível em: https://periodicos.puc-rio.br/revistaprumo/article/view/512. Acesso em: 05 set. 2026.
Artigos de sites
ESTAÇÃO Anhangabaú. ESTACAO.ORG. Disponível em: https://estacao.org/estacao-anhangabau/. Acesso em: 05 set. 2026.
Dissertações e/ou teses
SILVA, Pedro Luiz de Orange Lins da Fonseca e. As principais portas do centro de São Paulo e a circulação dos pedestres. 2003. 157 p. Tese (Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-25092024-101126/publico/Silva_PedroLuizDeOLDaFonseca_DO_2003.pdf. Acesso em: 05 set. 2026.
Livros
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (PMSP). Leste- Oeste: em busca de uma solução integrada. São Paulo: Companhia do Metropolitano de São Paulo, 1979.
SETÚBAL, Olavo. São Paulo: a cidade, o habitante, a administração: 1975-1979. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, 1979.
SOUZA, Ana Odilia de Paiva. São Paulo interligado: o plano de transporte público urbano em implantação na gestão 2001-2004. São Paulo: Prefeitura de São Paulo, 2004.
Autores: alunos responsáveis pela pesquisa sobre o Vale do Anhangabaú.



