Ferrovias no Brasil: muita carga e pouco trilho
Artigo de opinião de Thiago Guilherme Péra, professor da Esalq/USP, publicado no Jornal da USP
O Brasil produz volumes recordes, especialmente no agronegócio, mas segue com uma malha ferroviária pequena e fragmentada — apenas 3,5 km de ferrovia por mil km² de território, ante 23 km nos Estados Unidos e 9,5 km na China. O resultado é a crescente dependência do transporte rodoviário: a participação ferroviária no escoamento da soja para exportação caiu de 47% para 33,4% entre 2010 e 2023, enquanto o uso de caminhões cresceu no mesmo período.
O artigo aponta ainda a forte concentração dos trilhos brasileiros no transporte de minério de ferro (75% do volume), restando apenas 20% para o agronegócio. Com base em estudo do Esalq-Log, o autor estima que a expansão da malha ferroviária poderia gerar ganhos expressivos de PIB, redução de custos logísticos e de emissões de CO₂, além de beneficiar de forma mais significativa a população de menor renda — configurando também uma política de redução de desigualdades regionais.
Uma leitura essencial para quem estuda e atua com planejamento logístico e infraestrutura de transportes no Brasil.