{"id":1217,"date":"2021-10-24T23:26:40","date_gmt":"2021-10-25T01:26:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/?page_id=1217"},"modified":"2024-03-25T23:29:50","modified_gmt":"2024-03-26T01:29:50","slug":"es-espanol-deporte","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/es-espanol-deporte","title":{"rendered":"Esporte"},"content":{"rendered":"<i><span style=\"font-weight: 400;\">Por <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pablo Alabarces<\/span><\/i><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 preciso ler ensaios acad\u00eamicos para perceber a presen\u00e7a cotidiana do esporte em toda a Am\u00e9rica Latina. Basta verificar o lugar que ele ocupa nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, ultrapassando as p\u00e1ginas da\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-medios-massivos-de-comunicacion\"><span style=\"font-weight: 400;\">m\u00eddia\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">especializada ou os segmentos de not\u00edcias para ganhar autonomia em emissoras de r\u00e1dio, jornais e canais de tev\u00ea a cabo inteiramente voltados \u00e0 transmiss\u00e3o de eventos ou a coment\u00e1rios sobre os detalhes mais minuciosos da vida dos atletas. Essa presen\u00e7a tamb\u00e9m se manifesta na conversa cotidiana e na capta\u00e7\u00e3o do p\u00fablico nos est\u00e1dios \u2013 e n\u00e3o apenas o masculino, tradicionalmente destinat\u00e1rio privilegiado da pr\u00e1tica e do espet\u00e1culo. Um olhar mais atento detecta tamb\u00e9m, no cen\u00e1rio esportivo latino-americano, fen\u00f4menos crescentes de articula\u00e7\u00e3o de identidades poderosas, desde o n\u00edvel local at\u00e9 o n\u00edvel regional ou nacional: ser\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hincha\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou torcedor de um time de futebol ou de beisebol desloca outros mecanismos de identifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 transformar-se em fator central na constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade contempor\u00e2nea. O esporte latino-americano \u00e9 atualmente um grande socializador. \u00c9 a alfabetiza\u00e7\u00e3o inicial de milhares de crian\u00e7as, que soletram com mais facilidade o nome de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/ronaldo\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ronaldo\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">do que o de Tiradentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Semelhante fen\u00f4meno n\u00e3o pode ser explicado apenas por uma suposta influ\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o de causalidade \u00e9 mais complexa: um racioc\u00ednio linear impediria, por exemplo, que se compreendesse por que se desenvolveu uma cultura esportiva de massas em torno do beisebol em Yucat\u00e1n \u2013 antes do surgimento, ao menos, de uma imprensa popular \u2013, em uma popula\u00e7\u00e3o na sua maioria analfabeta, na d\u00e9cada de 1920. O esporte \u2013 a partir de uma leitura profunda da sua hist\u00f3ria e das suas articula\u00e7\u00f5es \u2013 permite entender alguns dos fen\u00f4menos cruciais da an\u00e1lise cultural contempor\u00e2nea: a constitui\u00e7\u00e3o de identidades atuais e o papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o nesse processo; o lugar do corpo na cultura de massas, especialmente entre as classes populares, mas tamb\u00e9m entre as classes m\u00e9dia e alta; o papel das figuras heroicas e que funcionam como modelos, e o peso das suas narrativas no imagin\u00e1rio popular; a viol\u00eancia ligada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de torcedores fan\u00e1ticos, intrinsecamente associada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais recentes; e tamb\u00e9m, sem que essa classifica\u00e7\u00e3o esgote suas possibilidades, os fen\u00f4menos de concentra\u00e7\u00e3o oligop\u00f3lica dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, um mapa no qual os esportes \u2013 e as ind\u00fastrias envolvidas, como a de fabrica\u00e7\u00e3o dos equipamentos, a publicidade, o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">merchandising\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sponsoring\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 t\u00eam grande participa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, produzir essa an\u00e1lise exige uma introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, porque, apesar de sua extens\u00e3o e proemin\u00eancia na sociedade, o esporte n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone. Compreender os modos de apropria\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o desse fen\u00f4meno tamb\u00e9m ilustra as rela\u00e7\u00f5es centro-periferia, n\u00f3 importante da realidade sociocultural latino-americana \u2013 para n\u00e3o falar de sua\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-economia\"><span style=\"font-weight: 400;\">economia\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e de sua pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma inven\u00e7\u00e3o da modernidade europeia<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de o esporte ser uma pr\u00e1tica obviamente ligada ao\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">jogo\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 o que remete ao espa\u00e7o da criatividade, do n\u00e3o mercantiliz\u00e1vel, do aleat\u00f3rio \u2013, a dist\u00e2ncia entre os dois itens \u00e9 importante. O esporte implica uma s\u00e9rie de codifica\u00e7\u00f5es sobre o l\u00fadico, que aparecem com a modernidade e o capitalismo industrial. Esse aspecto decisivo distancia ambas as esferas, at\u00e9 torn\u00e1-las aut\u00f4nomas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Consequentemente, embora o jogo possa ser rastreado at\u00e9 o mais primitivo e arcaico do g\u00eanero humano \u2013 como puls\u00e3o l\u00fadica \u2013, o esporte \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da modernidade europeia, para ser mais exato, do capitalismo ingl\u00eas em meados do s\u00e9culo XIX. Nesse momento, com a codifica\u00e7\u00e3o de diferentes jogos populares como o futebol ou o r\u00fagbi e a regula\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas da aristocracia \u2013 o boxe, por exemplo \u2013, o esporte aparece nas\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">public schools\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">inglesas. Em pouco tempo vai se tornar n\u00e3o apenas passatempo das classes com tempo livre, mas tamb\u00e9m instrumento de exerc\u00edcio para o corpo e prepara\u00e7\u00e3o das elites para a guerra. \u201cNa hist\u00f3ria do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, a Inglaterra deve sua soberania aos esportes\u201d, sustentava o reverendo J. E. C. Welldon, diretor da Harrow School entre 1881 e 1895.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As caracter\u00edsticas que adquirem, ent\u00e3o, os esportes modernos s\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">secularismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: oposto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o dos jogos antigos com os rituais religiosos;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">igualdade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: o estabelecimento de regras que igualem os competidores;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">burocratiza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: a inven\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es reguladoras;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">especializa\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: a concentra\u00e7\u00e3o dos praticantes numa s\u00f3 especialidade;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">racionaliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: a introdu\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas espec\u00edficas de treinamento e t\u00e1ticas;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">6)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">quantifica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: a introdu\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es, arquivo e estat\u00edsticas;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">7)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">obsess\u00e3o com os recordes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, na medida em que a quantifica\u00e7\u00e3o permite estabelecer continuamente barreiras a serem superadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas caracter\u00edsticas estruturais diferenciam os esportes modernos das formas arcaicas das competi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Tanto os Jogos Ol\u00edmpicos da Gr\u00e9cia antiga \u2013 recuperados miticamente em 1896, como forma de estabelecer continuidade com uma hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o europeia \u2013 como as pr\u00e1ticas das popula\u00e7\u00f5es nativas americanas n\u00e3o podem ser catalogados como esportes. Nesse \u00faltimo caso, embora existam exemplos variados e interessantes que foram invocados, \u00e0s vezes, como elos de uma pretendida continuidade, tais como o jogo de bola das popula\u00e7\u00f5es mexicanas ou certa atividade similar ao h\u00f3quei entre os araucanos, trata-se geralmente de pr\u00e1ticas l\u00fadicas ligadas a rituais religiosos e comunit\u00e1rios, e que sofreram um corte abrupto com a conquista europeia. Um dos poucos casos em que uma pr\u00e1tica de certo arca\u00edsmo sobrevive atualmente, a capoeira brasileira \u2013 mistura de arte marcial e dan\u00e7a ligada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras \u2013 foi objeto de uma codifica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, inclusive com o objetivo de preservar o seu valor m\u00edtico e original.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3981\" aria-describedby=\"caption-attachment-3981\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3981\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"411\" data-id=\"3981\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem1.jpg 567w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem1-300x217.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem1-400x290.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3981\" class=\"wp-caption-text\">As estudantes da Escola Municipal Helena Kolody, de Curitiba (Brasil), campe\u00e3s e vice-campe\u00e3s na Copa Panamericana de Clubes que aconteceu em El Salvador, em 2014 (SMCS\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Esportes, mercados e imperialismo<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir do s\u00e9culo XIX, ent\u00e3o, \u00e9 que se pode datar a origem dos esportes modernos. Nascem, basicamente, na Inglaterra industrial, e, depois, nos Estados Unidos, que surgiam como pot\u00eancia alternativa no final do mesmo s\u00e9culo: se o cr\u00edquete, o futebol, o r\u00fagbi, o ciclismo, o boxe e a esgrima, entre outros, foram codificados pelos brit\u00e2nicos, o beisebol, o v\u00f4lei e o basquete foram inven\u00e7\u00f5es norte-americanas. E sua difus\u00e3o global acompanhou a constru\u00e7\u00e3o dos mercados mundiais e dos imp\u00e9rios coloniais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mecanismo difusor implicava simultaneamente dois agentes. Primeiro, os administradores coloniais ou as burguesias empresariais, que estendiam suas pr\u00e1ticas entre os residentes brit\u00e2nicos ou norte-americanos locais (tanto nas col\u00f4nias efetivas como nas col\u00f4nias econ\u00f4micas), em particular por meio das escolas das comunidades anglo-sax\u00e3s, para logo serem imitados pelas elites locais. O segundo, os oper\u00e1rios ou empregados dos transportes \u2013 basicamente a rede ferrovi\u00e1ria e os barcos \u2013, que, influenciados pela r\u00e1pida populariza\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o dos esportes nos seus pa\u00edses de origem, desenvolviam suas pr\u00e1ticas nos portos ou nos lugares onde chegavam as vias f\u00e9rreas. Essa duplicidade permitiu uma expans\u00e3o veloz das atividades esportivas em segmentos amplos das popula\u00e7\u00f5es locais \u2013 simultaneamente, nas elites e na classe m\u00e9dia. Seria preciso esperar o s\u00e9culo XX para assistir \u00e0 sua expans\u00e3o entre as classes populares, carentes de tempo livre para tais pr\u00e1ticas, o que exigiria certa moderniza\u00e7\u00e3o dos regimes de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa expans\u00e3o entre os setores mais pobres \u00e9 o que foi definido como \u201cprocessos de populariza\u00e7\u00e3o dos esportes\u201d. Em todos os casos, s\u00e3o descritos os modos particulares com que essas classes se apropriaram de um esporte, em alguns casos at\u00e9 afastando as classes dominantes da sua pr\u00e1tica (embora a administra\u00e7\u00e3o institucional e econ\u00f4mica permanecesse como um enclave de poder). As raz\u00f5es, com varia\u00e7\u00f5es nacionais e locais, concentram-se em dois eixos. Por um lado, a igualdade que define o esporte moderno sup\u00f5e uma forte proemin\u00eancia do imagin\u00e1rio democr\u00e1tico esportivo, a ideia de que s\u00f3 o m\u00e9rito garantir\u00e1 o \u00eaxito, desenhando um espa\u00e7o de ascens\u00e3o social imposs\u00edvel de ser encontrado no mundo sociopol\u00edtico do capitalismo. O esporte torna-se assim um lugar onde o fraco pode vencer o poderoso \u2013 caracter\u00edstica de import\u00e2ncia crucial na hora das competi\u00e7\u00f5es internacionais entre pa\u00edses perif\u00e9ricos e centrais \u2013 e o pobre pode ascender socialmente com suas pr\u00f3prias armas: habilidade corporal, esfor\u00e7o e\u2026 picardia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo eixo vincula-se \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o. Ela significa a retribui\u00e7\u00e3o por um uso at\u00e9 ent\u00e3o ileg\u00edtimo do tempo livre, tornando-o leg\u00edtimo e \u00fatil. Isso permite a constru\u00e7\u00e3o do esporte, antes reservado aos filhos das elites, como espa\u00e7o de incorpora\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o social das classes populares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em todo o mundo, essa expans\u00e3o adquiriu caracter\u00edsticas diferentes. Como ocorreu na Am\u00e9rica Latina, a difus\u00e3o dos esportes foi devedora da influ\u00eancia predominante de um ou de outro imp\u00e9rio; mas, ao mesmo tempo, raz\u00f5es mais complexas e por vezes surpreendentes levaram \u00e0 hegemonia de algum esporte em detrimento de outros. Assim, se o imp\u00e9rio brit\u00e2nico difundiu o cr\u00edquete em suas col\u00f4nias, a associa\u00e7\u00e3o estreita desse esporte com as elites vetou a sua populariza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, o que no entanto n\u00e3o foi obst\u00e1culo para transform\u00e1-lo em esporte popular na \u00c1sia e na Oceania.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>No sul, o futebol<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A influ\u00eancia brit\u00e2nica marcou o esporte na\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-argentina\"><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. J\u00e1 em 1806, durante o ataque ingl\u00eas ao Vice-Reinado do Prata, registrou-se uma partida de cr\u00edquete entre os invasores. Alguns anos depois, Thomas Hogg, dono de uma f\u00e1brica t\u00eaxtil em Yorkshire, instalado em Buenos Aires, fundou um centro comercial, uma biblioteca, um col\u00e9gio e, em 1819, um clube de cr\u00edquete \u2013 todos brit\u00e2nicos. Em 1832, um grupo de jovens argentinos que retornava de seus estudos no estrangeiro criou o seu pr\u00f3prio clube de cr\u00edquete. O filho de Hogg, tamb\u00e9m chamado Thomas, fundou o Deadnought Swimming Club por volta de 1860, e passou a organizar competi\u00e7\u00f5es em 1863. Tr\u00eas anos depois, ele introduziu o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">squash\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">no pa\u00eds. Em 1867, Thomas e seu irm\u00e3o James fundaram a Buenos Aires Athletic Society, que, em 30 de maio do mesmo ano, organizou as primeiras competi\u00e7\u00f5es esportivas no pa\u00eds, com destaque para o futebol, cujas equipes para o primeiro jogo na Argentina, em 20 de junho, foram lideradas pelos irm\u00e3os. Ambos tamb\u00e9m jogaram a primeira partida de r\u00fagbi, no Buenos Aires Cricket Club, em 14 de maio de 1874, bem como a primeira partida local de t\u00eanis, em 1880.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O impulso decisivo para o futebol foi dado em 1884 pelo escoc\u00eas Alexander Watson Hutton, ao fundar a Buenos Aires English High School e introduzir no curr\u00edculo escolar a pr\u00e1tica de esportes. De sua parte, a ferrovia \u2013 toda em m\u00e3os de capitais brit\u00e2nicos \u2013 tamb\u00e9m colaborou: em 1891, foi organizada a primeira liga, criada por F. L. Wooley, membro do Buenos Aires and Rosario Railway Athletic Club, um clube esportivo ligado \u00e0 empresa. A conjun\u00e7\u00e3o de ambos os fatores p\u00f4de ser vista numa partida empreendida, em 1890, entre os oper\u00e1rios do Ferrocarril Nordeste Argentino e os estudantes do Colegio Nacional de Santiago del Estero: esse jogo tamb\u00e9m assinalou a r\u00e1pida expans\u00e3o da pr\u00e1tica do esporte pelo territ\u00f3rio argentino. Em 1893, produto de uma alian\u00e7a entre clubes e col\u00e9gios brit\u00e2nicos, criou-se a Argentine Association Football League, que s\u00f3 em 1905 colocaria seu nome \u2013 e o registro das atas \u2013 em espanhol. Todo o per\u00edodo foi dominado pelos clubes e col\u00e9gios da coletividade, at\u00e9 que, na d\u00e9cada seguinte, iniciou-se a hegemonia dos novos clubes das classes m\u00e9dias crioulas. Tais associa\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes ligadas \u00e0 posse de terras \u2013 os novos \u201cbairros\u201d de Buenos Aires, ou as pequenas cidades do interior \u2013 ou \u00e0s empresas industriais, comerciais ou de servi\u00e7os, foram os agentes de um intenso processo de populariza\u00e7\u00e3o dos esportes, que absorveria tamb\u00e9m as classes populares e levaria \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, em 1931. A partir desse momento, os clubes de elite abandonaram a pr\u00e1tica de futebol para se concentrarem no r\u00fagbi e, mais tarde, no h\u00f3quei feminino, que durante d\u00e9cadas seriam um s\u00edmbolo de distin\u00e7\u00e3o de classe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/uruguai\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uruguai<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o processo foi similar: em 1842, surgiu o Victoria Cricket Club e, em 1861, o Montevideo Cricket Club. Desde o come\u00e7o da difus\u00e3o esportiva, o futebol apareceu como mais popular do que o cr\u00edquete, e isso se afirmou em 1891, com a funda\u00e7\u00e3o do Central Uruguay Railway Cricket Club (depois chamado de Pe\u00f1arol de Montevid\u00e9u); seus membros, ligados obviamente \u00e0 rede ferrovi\u00e1ria, jogavam cr\u00edquete no ver\u00e3o e futebol no inverno, at\u00e9 finalmente se concentrarem no segundo. Em 1899, foi criado o Clube Nacional, para \u201carrancar o esporte da m\u00e3o dos estrangeiros\u201d, como o nome indica claramente. Em 1900, foi fundada a Uruguay Football Association. O processo de populariza\u00e7\u00e3o, similar ao argentino, culminou quando o futebol uruguaio conquistou, em 1924 e 1928, as medalhas de ouro nas Olimp\u00edadas de Paris e de Amsterd\u00e3, respectivamente, e, em 1930, a primeira Copa do Mundo de Futebol, disputada em Montevid\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/chile\"><span style=\"font-weight: 400;\">Chile<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o futebol esteve igualmente ligado \u00e0 col\u00f4nia brit\u00e2nica: o primeiro clube foi o Valpara\u00edso F. C., fundado em 1889 pelo ingl\u00eas David Scott. Em 1893, apareceram as tradicionais partidas entre Valpara\u00edso e Santiago. Tamb\u00e9m nesse ano se jogou a primeira partida internacional entre Chile e Argentina (um modesto empate de 1 a 1), embora tivesse pouco de internacional: todos os jogadores eram brit\u00e2nicos nativos ou descendentes. Em 1895, surgiu a Football Association of Chile.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3982\" aria-describedby=\"caption-attachment-3982\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3982\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem2.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"291\" data-id=\"3982\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem2.jpg 425w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem2-300x205.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem2-400x274.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3982\" class=\"wp-caption-text\">Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de futebol recebe a ta\u00e7a da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, no Brasil, em julho de 2013 (T\u00e2nia R\u00eago\/ABr)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O negro brasileiro entra em campo<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/brasil\"><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o futebol se difundiu pela a\u00e7\u00e3o de Charles Miller, um paulista de pais ingleses que, em 1894, retornou de uma d\u00e9cada de estudos na Gr\u00e3-Bretanha \u2013 as estadias dos filhos das elites latino-americanas nas metr\u00f3poles brit\u00e2nicas ou norte-americanas foram outro grande fator de difus\u00e3o esportiva. A influ\u00eancia de Miller foi decisiva para levar o S\u00e3o Paulo Athletic Club a trocar o cr\u00edquete pelo futebol. Por sua vez, no Rio de Janeiro, os brit\u00e2nicos fundaram o Fluminense Football Club, como reduto aristocr\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A r\u00e1pida difus\u00e3o do novo esporte produziu enormes conflitos em uma sociedade que somente em 1888 havia abolido a escravatura. Quando os primeiros jogadores procedentes das classes populares \u2013 entre eles, os atletas negros \u2013 come\u00e7aram a ter destaque, as disputas se acirraram. Os primeiros a inovar foram dois clubes cariocas. O Bangu, ligado a uma f\u00e1brica t\u00eaxtil, come\u00e7ou a recrutar jogadores entre os oper\u00e1rios e aceitou os primeiros atletas negros, exclu\u00eddos formalmente dos times por disposi\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es reguladoras \u2013 demonstrando o peso de uma administra\u00e7\u00e3o branca e aristocr\u00e1tica, que resistia \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o Vasco da Gama encabe\u00e7ou, com \u00eaxito, as lutas pela profissionaliza\u00e7\u00e3o e consagrou a incorpora\u00e7\u00e3o das classes populares ao esporte. A cria\u00e7\u00e3o do Flamengo foi tamb\u00e9m uma resposta \u00e0 exclus\u00e3o dos negros e pobres: a identifica\u00e7\u00e3o do clube com os setores populares resultou em sua expans\u00e3o nacional, mas tamb\u00e9m em sua estigmatiza\u00e7\u00e3o (as torcidas advers\u00e1rias, por exemplo, cantam, ante um gol a favor, \u201cela ela ela, sil\u00eancio na favela\u201d).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, a\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">democratiza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">do futebol brasileiro permitiu uma melhoria r\u00e1pida na qualidade de seu jogo. Um excelente desempenho nos campeonatos mundiais de 1934 e 1938 \u2013 com as estrelas Domingos da Guia e Le\u00f4nidas da Silva, ambos negros \u2013 consolidou essa expans\u00e3o. O futebol aparecia, por volta dos anos 1950, como o cen\u00e1rio perfeito para repor uma m\u00edtica\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">democracia racial\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">brasileira, celebrada pelo jornalista M\u00e1rio Filho e pelo antrop\u00f3logo\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/freyre-gilberto\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gilberto Freyre<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, prefaciador do livro do primeiro,\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O negro no futebol brasileiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em 1947. A derrota na final da Copa do Mundo de 1950 para os uruguaios \u2013 liderados por um mulato, Obdulio Varela \u2013 implicou no reaparecimento dos estere\u00f3tipos raciais, que culparam pelo fracasso dois afro-brasileiros: o goleiro Barbosa e o zagueiro Bigode. Finalmente, as vit\u00f3rias nos mundiais de 1958 \u2013 com a condu\u00e7\u00e3o de Didi e o estrelato do jovem\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-pele\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pel\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ambos negros \u2013, 1962 e 1970 permitiram o desaparecimento desses estigmas e a consolida\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, de outro discurso m\u00edtico, que vincula a negritude aos desempenhos corporais diferenciadores, n\u00e3o somente no esporte, mas tamb\u00e9m na\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-danza\"><span style=\"font-weight: 400;\">dan\u00e7a\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e na capoeira.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Beisebol no Caribe<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o futebol predominou na Am\u00e9rica do Sul, a maior influ\u00eancia norte-americana no Caribe, tanto pela expans\u00e3o de seus capitais financeiros ou industriais como pela pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00f5es, que fez da regi\u00e3o um \u201cquintal\u201d dos Estados Unidos, implicou a hegemonia do beisebol. A rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria dos caribenhos com o beisebol norte-americano mede-se pela import\u00e2ncia dos jogadores hisp\u00e2nicos nas Grandes Ligas ianques: por exemplo, Orestes \u201cMinnie\u201d Minoso (cubano), Roberto Clemente (porto-riquenho),\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-carrasquel-alfonso\"><span style=\"font-weight: 400;\">Alfonso Carrasquel\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e Luis Aparicio (venezuelanos), Juan Marichal (dominicano),\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-valenzuela-fernando\">Fernando Valenzuela<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(mexicano), entre muitos outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro foco do beisebol latino parece ter sido o de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/cuba\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cuba<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. A iniciativa teria partido de estudantes no retorno de seus estudos metropolitanos. Um exemplo \u00e9 Nemesio Guill\u00f3, que introduziu o beisebol em Havana em 1864. A primeira partida documentada ocorreu em 1874, na vit\u00f3ria do La Habana contra uma equipe de Matanzas. Em 1878, Emilio Sabour\u00edn organizou a primeira liga \u2013 a B\u00e9isbol Profesional Cubana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os primeiros amadores, procedentes das classes altas\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">criollas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, foram combatidos pelas autoridades coloniais espanholas, que preferiam a gin\u00e1stica e, al\u00e9m disso, suspeitavam que o esporte tivesse implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. E assim era: os nacionalistas da elite buscavam nos Estados Unidos os seus modelos esportivos e os seus modelos pol\u00edticos, al\u00e9m do financiamento. Emilio Sabour\u00edn, o organizador da primeira liga cubana, traficava armas para os insurgentes e financiava a revolta de Jos\u00e9 Mart\u00ed. Dizia-se que ele era devoto, em partes iguais, do \u201cbeisebol, de sua fam\u00edlia e de sua P\u00e1tria\u201d. Foi preso em 1895 \u2013 o ano em que os espanh\u00f3is proibiram o beisebol em Cuba \u2013 e enviado a Ceuta, no Marrocos espanhol, onde morreu em 1897.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O beisebol cubano ganhou impulso com o estabelecimento do protetorado norte-americano sobre a ilha, depois da independ\u00eancia. A liga amadora surgiu em 1914, e a profissional em 1917. Dois jogadores cubanos brancos, Rafael Almeida e Armando Marsans, jogaram para os Cincinnati Reds, em 1911. Em 1922, uma equipe inteira, os Cuban Stars, participou da Negro National League dos Estados Unidos. Muitos jogadores norte-americanos que falhavam em alcan\u00e7ar as Ligas Maiores tentavam a sorte na ilha. O fato de a temporada cubana ser no inverno e a dos Estados Unidos no ver\u00e3o aumentava as chances desses interc\u00e2mbios. Tamb\u00e9m a \u201ccl\u00e1usula de reserva\u201d, que dominou o beisebol ianque at\u00e9 os anos 1960, impedindo a livre contrata\u00e7\u00e3o de jogadores, levou muitos jogadores a tentar aumentar a sua renda na \u201cliga de inverno\u201d. Os negros, v\u00edtimas do racismo em seu pa\u00eds, encontravam um atrativo adicional: a liga cubana lhes permitia viver uma integra\u00e7\u00e3o de fato.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3983\" aria-describedby=\"caption-attachment-3983\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3983\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem3.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"376\" data-id=\"3983\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem3.jpg 567w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem3-300x199.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem3-400x265.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3983\" class=\"wp-caption-text\">Abertura do Mundial IBAF 2003, em Havana, Cuba, outubro de 2003 (Ezio Ratti\/FIBS)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sedu\u00e7\u00e3o mexicana<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/mexico\"><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, h\u00e1 registro do cr\u00edquete desde 1827, mas no fim do s\u00e9culo o favoritismo das classes altas tinha passado para o beisebol. Por volta de 1890, os investimentos dos EUA tamb\u00e9m tinham prevalecido sobre os brit\u00e2nicos. Assim, as equipes eram geralmente formadas por empregados do com\u00e9rcio, dos bancos e de ferrovias de capital norte-americano. Os jogos opunham, por exemplo, o Mexican Central ao Mexican Nacional, ou, em uma partida realizada em 1882, o National Baseball Club \u00e0 Telephone Company.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os jogadores mexicanos apareceram pouco depois. Em 1886, est\u00e1 registrado um jogo beneficente em Coraz\u00f3n de Jes\u00fas. Em 1895, um time nativo venceu o American Baseball Club e o Cricket Club (com ingleses que \u201cmais ou menos se ajustavam \u00e0s regras americanas\u201d, como testemunharam as fontes). Em 1890, os cubanos introduziram o jogo em Yucat\u00e1n, a partir da rela\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula com a ilha pelo com\u00e9rcio de fibras vegetais. Em 1892, a burguesia de M\u00e9rida fundou o Sporting Club. Em 1905, nasceu uma liga regional, alimentada por jogadores cubanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1904, foram criadas duas ligas mexicanas: uma amadora, para o ver\u00e3o, e outra semiprofissional, para o inverno. O clube El Record jogou \u2013 e perdeu \u2013, em 1907, contra o Chicago White Sox. Sempre, \u00e9 claro, foram fen\u00f4menos de classes altas. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o, em 1920, o beisebol n\u00e3o somente reviveu, como se popularizou. Por volta de 1924, a capital do pa\u00eds contava com 56 times, j\u00e1 com jogadores e p\u00fablicos populares. Em 1925, criou-se uma Liga Profissional. Todos esses esfor\u00e7os foram apoiados pelo\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-pri\"><span style=\"font-weight: 400;\">PRI\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">(Partido Revolucion\u00e1rio Institucional), que declarou, em 1932, ter a \u201csagrada obriga\u00e7\u00e3o\u201d de fomentar o progresso f\u00edsico, tanto quanto o econ\u00f4mico e o social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos 1940, um milion\u00e1rio de Veracruz, Jorge Pasquel, chegou \u00e0 presid\u00eancia da liga e imp\u00f4s um grande desafio ao beisebol norte-americano. Come\u00e7ou a seduzir jogadores profissionais triplicando seus sal\u00e1rios, assim como os dos atletas da Negro League: por exemplo, o arremessador dos New York Giants, Tom Gorman. Os jogadores que passavam \u00e0 liga mexicana sofriam san\u00e7\u00f5es das Grandes Ligas ianques, administradas por Albert Chandler, mas os sal\u00e1rios eram imbat\u00edveis. Essa tentativa fracassou por volta de 1947, quando Pasquel teve de reduzir custos. A pol\u00edtica de sedu\u00e7\u00e3o da liga mexicana era invi\u00e1vel, considerando que o maior est\u00e1dio do pa\u00eds tinha capacidade para apenas 22 mil espectadores e n\u00e3o havia televis\u00e3o para patrocinar o esporte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Reduto de talentos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/republica-dominicana\">Rep\u00fablica Dominicana<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">acabou sendo o centro de gravidade do beisebol hisp\u00e2nico. O esporte foi introduzido pelos cubanos exilados na primeira Guerra da Independ\u00eancia (1868-1878). Os dois primeiros clubes dominicanos de beisebol, formados em 1891, tiveram fundadores cubanos. Em 1907 surgiu o primeiro clube somente dominicano, o Licey. Em 1891 jogou-se a primeira partida interurbana (Licey contra San Pedro de Macor\u00eds), e em 1912 foi disputado o primeiro campeonato. A ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana, de 1916 a 1924, difundiu a pr\u00e1tica do esporte. Entre 1922 e 1936, o Licey contratou o negro norte-americano Charles Dore como empres\u00e1rio. No entanto, a influ\u00eancia cubana permaneceu fundamental, raz\u00e3o pela qual as equipes continuaram contratando jogadores da ilha. A presen\u00e7a de atletas de Cuba foi t\u00e3o grande que o Estrellas Orientales de San Pedro de Macor\u00eds tornou-se um time cubano, com a exce\u00e7\u00e3o de apenas tr\u00eas jogadores locais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante dessa hegemonia, em 1937, o ditador\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-trujillo-rafael-leonidas\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rafael Le\u00f3nidas Trujillo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0dissolveu os dois grandes times da capital, o Licey e o Escogido, para formar o Dragones de Ciudad Trujillo, com oito atletas afrodescendentes norte-americanos, seis cubanos, um porto-riquenho e apenas um dominicano. O saque das equipes negras ianques foi de tal ordem que interrompeu a Negro National League. Al\u00e9m do mais, Trujillo amea\u00e7ava os jogadores com o pelot\u00e3o de fuzilamento se jogassem mal. Com essa\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">motiva\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o ditador conseguiu que seu time ganhasse o campeonato daquele ano; logo depois, dissolveu o beisebol profissional do pa\u00eds at\u00e9 1951.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir desse momento, o fluxo tornou-se unidirecional. Desde 1947, a integra\u00e7\u00e3o racial do beisebol norte-americano abrira as portas para os jogadores afro-dominicanos. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, por sua vez, fechou-as para o recrutamento norte-americano, fazendo da Rep\u00fablica Dominicana o principal celeiro de craques. Em 1976, o Toronto Blue Jays instalou o primeiro campo de recrutamento; por volta de 1991, um ter\u00e7o dos jogadores do time era dominicano. Em 1989, havia 15 \u201cacademias\u201d regidas por franquias norte-americanas. A mais importante, o Campo Las Palmas, \u00e9 de propriedade dos Los Angeles Dodgers. Pelo fato de 65 dominicanos jogarem nas Grandes Ligas nos anos 1990 afirmava-se que Santo Domingo e San Pedro de Macor\u00eds eram, proporcionalmente, as mais importantes fontes mundiais de talentos do beisebol.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A Na\u00e7\u00e3o vencedora?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m desse panorama sint\u00e9tico de desenvolvimento dos grandes esportes nacionais latino-americanos, existem muitas outras possibilidades esportivas, tamb\u00e9m vencedoras, em muitos casos, no plano internacional. S\u00e3o exemplos disso as vit\u00f3rias do argentino\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-fangio-juan-manuel-2\"><span style=\"font-weight: 400;\">Juan Manuel Fangio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, entre 1949 e 1958, no automobilismo, repetidas trinta anos depois pelo brasileiro\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-senna-ayrton\">Ayrton Senna<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e tamb\u00e9m, embora em menor grau, pelos brasileiros Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Inicialmente, o automobilismo teve tra\u00e7os mais democr\u00e1ticos na Argentina, onde surgiu em particular nos povoados e cidadezinhas rurais do interior, das m\u00e3os de pequenos comerciantes ou agricultores ligados \u00e0 mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u2013 caso de Fangio, modesto mec\u00e2nico de uma aldeia. Esse processo se esgotou nos anos 1960, quando a tecnologia necess\u00e1ria para a alta competi\u00e7\u00e3o internacional derivou numa sele\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u201cnatural\u201d \u2013 o caso de Senna, filho da poderosa burguesia paulista. No entanto, a origem de classe dos grandes corredores de F\u00f3rmula 1 n\u00e3o impediu a grande popularidade de seus maiores int\u00e9rpretes: a morte de Ayrton Senna, her\u00f3i nacional brasileiro, foi uma prova nesse sentido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na s\u00e9rie dos atletas vencedores n\u00e3o pode faltar a longa lista de boxeadores, desde o argentino Luis \u00c1ngel Firpo at\u00e9 o panamenho\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-duran-roberto-mano-de-piedra\"><span style=\"font-weight: 400;\">Roberto \u201cMano de Piedra\u201d Dur\u00e1n<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, passando por\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9der Jofre<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e uma enorme quantidade de boxeadores latino-americanos que alcan\u00e7aram t\u00edtulos mundiais. A s\u00e9rie tem um tra\u00e7o caracter\u00edstico: os boxeadores s\u00e3o geralmente membros das classes populares de cada sociedade e descrevem, na carreira, o cl\u00e1ssico p\u00e9riplo do her\u00f3i, da mis\u00e9ria \u00e0 fama, trajet\u00f3ria que inclui, quase inevitavelmente, a queda ao abismo \u2013 outra vez, a pobreza.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3984\" aria-describedby=\"caption-attachment-3984\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3984\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem4.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"368\" data-id=\"3984\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem4.jpg 400w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem4-300x276.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3984\" class=\"wp-caption-text\">Equipe feminina de v\u00f4lei do Brasil comemora a medalha de ouro nas Ol\u00edmpiadas de 2012, em Londres (Christopher Johnson\/Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 esportes vencedores da elite, no sentido de que seus processos de populariza\u00e7\u00e3o nunca alcan\u00e7aram as dimens\u00f5es do futebol ou do beisebol, limitando sua pr\u00e1tica \u00e0s classes m\u00e9dia e alta. Um caso recente \u00e9 o t\u00eanis na Argentina, no Brasil ou no Chile, e eventualmente no\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-ecuador\"><span style=\"font-weight: 400;\">Equador\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e no\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-peru\"><span style=\"font-weight: 400;\">Peru<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. O basquete \u00e9 um esporte com n\u00edveis importantes de popularidade em certos enclaves \u2013 aparece mais nas cidades pequenas, onde pode competir com a hegemonia do futebol, por exemplo \u2013, e desenvolveu uma boa qualidade no Brasil, na Argentina, na\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/venezuela\"><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e em\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/porto-rico\"><span style=\"font-weight: 400;\">Porto Rico<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. O mesmo ocorre com o v\u00f4lei, novamente no Brasil e tamb\u00e9m em Cuba: ambos s\u00e3o pot\u00eancias mundiais. Algo parecido deu-se com o v\u00f4lei feminino peruano nos anos 1960 e 1970.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No plano dos Jogos Ol\u00edmpicos, o momento privilegiado de uma quantifica\u00e7\u00e3o \u2013 o n\u00famero de medalhas conquistadas \u2013 que verifica os avan\u00e7os esportivos medidos pelas na\u00e7\u00f5es, o panorama \u00e9 de menos import\u00e2ncia. Em 1896, nas primeiras olimp\u00edadas modernas, houve apenas um atleta latino-americano, o chileno Luis Subercaseaux. A precoce moderniza\u00e7\u00e3o argentina lhe permitiu competir, com alguma chance, desde 1908 at\u00e9 finais dos anos 1950; a partir da d\u00e9cada seguinte, a hegemonia foi brasileira. Desde 1976 (Montreal), a predomin\u00e2ncia cubana foi indiscut\u00edvel. No caso das mulheres, seria preciso esperar at\u00e9 1948, quando a argentina Noem\u00ed Simonetti ganhou a medalha de prata em salto a dist\u00e2ncia; em 1956, a chilena Marlene Ahrens recebeu medalha de prata em dardo. A primeira latino-americana a conquistar uma medalha de ouro foi a cubana Mar\u00eda Caridad Col\u00f3n, no dardo, vinte anos depois. A partir da\u00ed, as vit\u00f3rias femininas continuaram sendo excepcionais, salvo no caso cubano, que estendeu os benef\u00edcios de suas pol\u00edticas esportivas aos dois g\u00eaneros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mais interessante desse processo s\u00e3o suas consequ\u00eancias em termos do imagin\u00e1rios latino-americanos. O esporte instituiu-se, ao longo do s\u00e9culo XX, como um espa\u00e7o vic\u00e1rio, um lugar onde podiam ser desenvolvidos \u00eaxitos em contextos de profundas desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza. O fato de seus protagonistas mais destacados, com as exce\u00e7\u00f5es assinaladas, serem atores provenientes das classes populares \u2013 com jogadores de futebol, beisebolistas e boxeadores na linha de frente \u2013 contribuiu para o estabelecimento de narrativas que se poderia chamar de compensat\u00f3rias: os her\u00f3is populares do esporte repunham uma democratiza\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do p\u00fablico, o que a pol\u00edtica sistematicamente negava. O caso do argentino\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/buenos-aires-argentina-1960-por-equipo-latinoamericana\">Diego Armando Maradona<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 arquet\u00edpico. Durante quase duas d\u00e9cadas (entre 1978 e 1994), esse atleta plebeu condensou os significados nacionais argentinos de vit\u00f3ria, enquanto seu pa\u00eds se debatia entre\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-dictaduras-militares\">ditaduras militares<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">sangrentas, guerras perdidas, crises econ\u00f4micas e neoconservadorismos radicalmente excludentes. De maneira similar, a visibilidade de um Pel\u00e9 ou de um Ronaldo escondia a persist\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o e o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">racismo\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses mecanismos, embora \u00e0s vezes apresentem contradi\u00e7\u00f5es, foram apropriados com rapidez pelas classes dominantes, que, em geral, se mantiveram afastadas da pr\u00e1tica do futebol e refugiadas nos esportes de elite. A a\u00e7\u00e3o dos Estados e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o inclinou-se \u2013 e ainda se inclina \u2013 a destacar os sucessos provis\u00f3rios como m\u00e1ximo horizonte do poss\u00edvel. Isso pode ser visto com nitidez em dois contextos ditatoriais: as vit\u00f3rias no futebol do Brasil em 1970 e da Argentina em 1978, em ambos os casos celebradas pelas respectivas ditaduras como \u00eaxitos nacionais e governamentais.<\/span><\/p>\n<p><b>Alternativas: as pol\u00edticas cubanas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caso cubano mostra simultaneamente uma continuidade e uma diverg\u00eancia no quadro apresentado. Em Cuba, o esporte profissional foi abolido em 1962, sob a alega\u00e7\u00e3o de que \u201co profissionalismo \u00e9 um fen\u00f4meno t\u00edpico do capitalismo, enquanto explora\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, e consequentemente n\u00e3o tem lugar numa sociedade socialista\u201d. Em 1961, tinha sido criado o Instituto Nacional de Deportes, Educaci\u00f3n F\u00edsica y Recreaci\u00f3n (INDER), que se encarregou da organiza\u00e7\u00e3o e da planifica\u00e7\u00e3o do esporte. Entre outras consequ\u00eancias, isso levou a que a pr\u00e1tica e a assist\u00eancia a eventos fossem, desde ent\u00e3o, absolutamente gratuitas. O esporte foi incorporado a outras institui\u00e7\u00f5es sociais, al\u00e9m de, obviamente, \u00e0 escola e \u00e0\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-universidades\"><span style=\"font-weight: 400;\">universidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, chegando \u00e0 f\u00e1brica, \u00e0s For\u00e7as Armadas e tamb\u00e9m \u00e0 produ\u00e7\u00e3o rural. O esquema baseia-se numa ampla pr\u00e1tica de incentivo \u00e0 base escolar, na qual se produz um processo de descoberta de talentos, que tem como alvo fundamental o sucesso, o reconhecimento internacional e o prest\u00edgio da Revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguindo o modelo desenvolvido pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a partir dos anos 1950 e praticado epigonalmente na Europa oriental da Guerra Fria, o sucesso esportivo significava colocar em cena, numa arena t\u00e3o espetacularmente global como as competi\u00e7\u00f5es internacionais, os benef\u00edcios do modo socialista de organiza\u00e7\u00e3o. As consequ\u00eancias dessas pol\u00edticas em Cuba foram not\u00f3rias. Nos Jogos Pan-Americanos, o pa\u00eds cresceu das 20 medalhas obtidas em 1959 a 152 em 2003 (com um \u00edndice m\u00e1ximo de 275 em 1975, antes da crise do comunismo europeu). Nos Jogos Ol\u00edmpicos, pulou de uma medalha em 1964 a 29 em 2000. A pol\u00edtica de massas tamb\u00e9m produziu grandes estrelas individuais: Alberto Juantorena,<a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-sotomayor-sanabria-javier\">\u00a0<\/a><\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-sotomayor-sanabria-javier\"><span style=\"font-weight: 400;\">Javier <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sotomayor\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-stevenson-teofilo\"><span style=\"font-weight: 400;\">Te\u00f3filo Stevenson<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Nesse \u00faltimo caso, a narra\u00e7\u00e3o heroica alcan\u00e7ou sua plenitude: n\u00e3o apenas se tratava de um boxeador, com a carga m\u00edtica da origem humilde, mas de um her\u00f3i do socialismo. Stevenson, campe\u00e3o ol\u00edmpico imbat\u00edvel de pesos pesados, a m\u00e1xima categoria do boxe mundial, recusou sistematicamente todas as tenta\u00e7\u00f5es para profissionalizar-se e competir fora de Cuba, insistindo nas suas convic\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Houve a tentativa de reprodu\u00e7\u00e3o do modelo cubano na\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/nicaragua\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nicar\u00e1gua<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, com a cria\u00e7\u00e3o do Instituto de Deportes \u2013 menos de dois meses depois do triunfo da\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 e o estabelecimento de centenas de Comit\u00e9s de Voluntarios Deportivos em todo o pa\u00eds, para desenvolver a pr\u00e1tica local e comunit\u00e1ria. A queda do sandinismo provocou o cancelamento da experi\u00eancia, impedindo que se comprovasse se a pol\u00edtica cubana bastava para conduzir \u00e0 vit\u00f3ria esportiva.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3985\" aria-describedby=\"caption-attachment-3985\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3985\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem5.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"296\" data-id=\"3985\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem5.jpg 425w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem5-300x209.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem5-400x279.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3985\" class=\"wp-caption-text\">Felipe Massa (Escuderia Ferrari) faz volta de vit\u00f3ria com a bandeira do Brasil no Circuito de Interlagos, em S\u00e3o Paulo, no Brasil, em outubro de 2006 (Morio\/Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Alternativas: o caso de Yucat\u00e1n<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desenvolvimento do beisebol na pen\u00ednsula mexicana de Yucat\u00e1n, vinculado \u00e0 economia de enclave (produ\u00e7\u00e3o do fio de sisal e o peso dos norte-americanos), mas tamb\u00e9m \u00e0 f\u00e1cil rela\u00e7\u00e3o com Cuba por mar e ao isolamento por terra, \u00e9 um caso interessante da leitura de uma disputa pol\u00edtica particular no esporte latino-americano. Em Yucat\u00e1n ocorrera um renascimento popular do beisebol nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, antes da sua populariza\u00e7\u00e3o no Distrito Federal, incentivado pelas elites locais. A chegada do governo de Salvador Alvarado a Yucat\u00e1n, em 1915, trouxe consigo a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, e com ela as reformas burguesas (por exemplo, o fim da escravid\u00e3o rural). Quando, em 1918, Alvarado foi enviado pelo presidente Venustiano Carranza a outro destino, o Partido Socialista del Sureste, chefiado por Felipe Carillo Puerto, numa dire\u00e7\u00e3o mais radical do que a de Alvarado, apareceu como hegem\u00f4nico. Isso motivou as persegui\u00e7\u00f5es do governo federal de Carranza e o ex\u00edlio de Carillo Puerto. A chegada dos generais Obreg\u00f3n e Calles ao poder, em 1920, permitiu que, em 1922, Carillo Puerto ganhasse as elei\u00e7\u00f5es locais. Entre 1922 e 1924, ele adotou medidas revolucion\u00e1rias, acelerando a reforma agr\u00e1ria. Sua pol\u00edtica mobilizadora contou com o beisebol como eixo: surgiram ligas em toda a pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, at\u00e9 mesmo nos pequenos povoados, em torno das quais se desenvolviam atividades pol\u00edticas e culturais, incluindo as popula\u00e7\u00f5es maias e contribuindo com o objetivo de integra\u00e7\u00e3o social. Foram distribu\u00eddos 20 mil d\u00f3lares em luvas, bast\u00f5es e bolas nas fazendas e comunidades. Durante um per\u00edodo de apenas duas semanas, em 1923, foram criadas 47 novas equipes no interior de Yucat\u00e1n. Isso incluiu times com nomes maias, como Tixcacaltuyu ou Tacchubchen, ou revolucion\u00e1rios, como Soviet ou Agrarista. Em M\u00e9rida y Progreso, Carlos Marx enfrentava Emiliano Zapata, M\u00e1ximo Gorki ou Los M\u00e1rtires de Chicago. O governo fornecia passes livres de trens, agora estatais, para os jogadores e o p\u00fablico, ou enviava a banda estatal de m\u00fasica para tocar nos povoados mais afastados, quando havia jogos importantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em janeiro de 1924, os fazendeiros de Yucat\u00e1n apoiaram a revolu\u00e7\u00e3o de De la Huerta contra Obreg\u00f3n, e aproveitaram a oportunidade para prender e executar Carrillo Puerto e os seus seguidores. O triunfo das tropas de Obreg\u00f3n rep\u00f4s o Partido Socialista no poder, mas na sua variante mais reformista: os novos dirigentes cortaram os gastos em pol\u00edticas sociais e reduziram sua pol\u00edtica esportiva. A domestica\u00e7\u00e3o do partido implicou a simult\u00e2nea domestica\u00e7\u00e3o do beisebol, que reduziu a sua extens\u00e3o popular e teve de esperar mais de trinta anos at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um est\u00e1dio adequado. Uma pol\u00edtica radicalmente democratizante havia demonstrado o potencial do esporte como articulador de experi\u00eancias pol\u00edticas e culturais, como mobilizador e como met\u00e1fora da inclus\u00e3o e da extens\u00e3o da cidadania. O fim dessa pol\u00edtica mostrou que, em contextos conservadores, essa met\u00e1fora se transforma em pura ret\u00f3rica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Contradi\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os esportes \u201cimportados\u201d foram incorporados pelas elites latino-americanas para a reprodu\u00e7\u00e3o dos modos de vida e organiza\u00e7\u00e3o social das pot\u00eancias imperialistas; no entanto, os mesmos esportes puderam transformar-se em agentes anticolonialistas e anti-imperialistas. Emilio Sabour\u00edn, revolucion\u00e1rio cubano apaixonado pelo beisebol, \u00e9 um bom exemplo. Os processos de populariza\u00e7\u00e3o ocorridos em todo o continente, de maneira variada e com diferen\u00e7as nos esportes hegem\u00f4nicos em cada caso, permitiram que outras alternativas surgissem: por um lado, o gesto democr\u00e1tico do aparecimento dos her\u00f3is populares do esporte; por outro, a difus\u00e3o das narrativas vencedoras que propunham, no plano simb\u00f3lico, uma relev\u00e2ncia \u2013 imagin\u00e1ria \u2013 das sempre injustas condi\u00e7\u00f5es de vida nas sociedades latino-americanas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A situa\u00e7\u00e3o atual revela a persist\u00eancia dessas contradi\u00e7\u00f5es, agravadas pela maximiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo esportivo global, como mercadoria privilegiada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a produ\u00e7\u00e3o de her\u00f3is populares se torna um argumento midi\u00e1tico, um roteiro pr\u00e9-fabricado. Apesar da import\u00e2ncia que \u201cos her\u00f3is esportivos\u201d tiveram nas narrativas inclusivas hist\u00f3ricas, assiste-se na atualidade ao modelo do\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">star system<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que transformou as \u00e9picas populares em anedotas do\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">jet set<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. De modelos populares e de ascens\u00e3o social, as estrelas do esporte se transformaram em figuras ef\u00eameras, da dura\u00e7\u00e3o de um programa de televis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O esporte latino-americano acompanhou historicamente as narrativas modernas de inclus\u00e3o dos cidad\u00e3os, complementando e \u00e0s vezes contradizendo as a\u00e7\u00f5es estatais, criando a possibilidade de constru\u00e7\u00f5es \u00e9picas nas quais os atores populares apareciam como leg\u00edtimos nos repert\u00f3rios nacionais. Pode-se comprovar como nos \u00faltimos anos isso se tornou puro discurso, uma opera\u00e7\u00e3o meramente imagin\u00e1ria, apenas um t\u00f3pico publicit\u00e1rio. Um\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">neonacionalismo de mercado\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, no qual a vit\u00f3ria do futebol da\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Costa Rica\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">sobre os EUA, em 1990 ou 2002, ou do tenista chileno Marcelo R\u00edos no final da d\u00e9cada de 1990, permite o desenvolvimento de uma ret\u00f3rica falsa e, tardiamente, nacionalista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, essas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o uma clausura definitiva. O esporte pode voltar a transformar-se em uma possibilidade democr\u00e1tica inclusiva, mas somente se os mecanismos de inclus\u00e3o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">se politizarem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, entendendo como pol\u00edtica a opera\u00e7\u00e3o de repor toda a\u00e7\u00e3o em um contexto de totalidade que lhe atribua pleno sentido. Isso exige que a a\u00e7\u00e3o social, por social e pol\u00edtica, n\u00e3o seja um jogo ret\u00f3rico, um simples jogo de narrativas \u00e9picas. Para tanto, \u00e9 imprescind\u00edvel superar o fato de que o esporte ajudou a construir ou a refor\u00e7ar identidades locais tribalizadas, radicalizadas at\u00e9 a viol\u00eancia (a oposi\u00e7\u00e3o costa\/serra no Equador, por exemplo, ou porto\/interior na Argentina). E que, ao mesmo tempo, o discurso esportivo jornal\u00edstico se transformou em um dos principais reprodutores e difusores dos estere\u00f3tipos excludentes: locais, ao interior de cada caso nacional, mas tamb\u00e9m internacionais, promovendo as oposi\u00e7\u00f5es nacionais\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">balcanizadoras\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: Argentina\/Brasil, Peru\/Equador,\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-honduras\"><span style=\"font-weight: 400;\">Honduras<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\/<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-el-salvador\">El Salvador<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(que se enfrentaram, numa guerra em 1969, em uma partida rotulada de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-futbol-guerra-del\"><span style=\"font-weight: 400;\">guerra do futebol<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) s\u00e3o alguns exemplos. Lamentavelmente, n\u00e3o os \u00fanicos. Nem os \u00faltimos.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3986\" aria-describedby=\"caption-attachment-3986\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3986 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem6.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"377\" data-id=\"3986\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem6.jpg 567w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem6-300x199.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/09\/Imagem6-400x266.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3986\" class=\"wp-caption-text\">Est\u00e1dio Maracan\u00e3 na final da Copa do Mundo de Futebol 2014, entre Alemanha e Argentina, no Rio de Janeiro, Brasil (Danilo Borges\/Portal da Copa)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">AA.VV. F\u00fatbol y b\u00e9isbol: los juegos de las identidades.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Dossier de Nueva Sociedad<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 154. Caracas: mar.-abr. 1998.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">AA.VV. F\u00fatbol, identidad y pol\u00edtica<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">. EcuadorDebate<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 43. Quito: abr. 1998.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ALABARCES, Pablo (Ed.).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Futbolog\u00edas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. F\u00fatbol, identidad y violencia en Am\u00e9rica Latina. Buenos Aires: Clacso-Asdi, 2000.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ALABARCES, Pablo.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">F\u00fatbol y Patria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. El f\u00fatbol y las narrativas nacionales en la Argentina. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2002.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ARBENA, Joseph.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sport and society in Latin America.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Diffusion, dependency and the rise of mass culture. Westport: Greenwood Press, 1988.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ARCHETTI, Eduardo.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">La pista, el potrero y el ring<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Las patrias del deporte argentino. Buenos Aires: FCE, 2002.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________. Masculinidades. F\u00fatbol, tango y el polo en la Argentina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Buenos Aires: Antropofagia, 2003.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">DA MATTA, Roberto (Org.).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O universo do futebol:<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">GUEDES, Simoni Lahud.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil no campo de futebol.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Estudos antropol\u00f3gicos sobre os significados do futebol brasileiro. Rio de Janeiro: EDUFF, 1998.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">GUTTMAN, Allen.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Games and Empires<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Modern sports and cultural imperialism. New York: Columbia University Press, 1994.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">HELAL, Ronaldo; SOARES, Antonio Jorge e LOVISOLO, Hugo.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A inven\u00e7\u00e3o do pa\u00eds do futebol<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. M\u00eddia, ra\u00e7a e idolatria. Rio de Janeiro: Mauad, 2001.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">RODRIGUES FILHO, M\u00e1rio.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0O negro no futebol brasileiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1964.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">VILLENA, Sergio; ANTEZANA, Luis; D\u00c1VILA, Andr\u00e9s. F\u00fatbol e identidad nacional.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cuadernos de Ciencias Sociales<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 91. San Jos\u00e9 de Costa Rica: Flacso, 1996.<\/span><\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pablo Alabarces<\/p>\n","protected":false},"author":22562,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-1217","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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