{"id":3133,"date":"2022-03-29T07:27:43","date_gmt":"2022-03-29T09:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/?p=3133"},"modified":"2024-03-12T11:12:33","modified_gmt":"2024-03-12T13:12:33","slug":"espanol-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-economia","title":{"rendered":"Economia"},"content":{"rendered":"<i><span style=\"font-weight: 400;\">Por <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Wilson Cano<\/span><\/i><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina no PIB mundial, que era de 5,4% em 1950, e chegou a 6,2% em 1980, caiu para 5% em 2000. O continente, portanto, entrou mais pobre no s\u00e9culo XXI, com suas exporta\u00e7\u00f5es mundiais em queda: 10% em 1950, 5,5% em 1980 e 4,9% no ano 2000. O agravamento das desigualdades atingiu de forma ainda mais severa a \u00c1frica, cuja participa\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es mundiais, conforme a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e Caribe (<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-cepal\"><span style=\"font-weight: 400;\">CEPAL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), despencou de 4,7% em 1980 para 1,9% em 1996. Apesar do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, a quest\u00e3o da pobreza relativa apresenta uma tend\u00eancia de agravamento: a renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">latino-americana, que equivalia a 18% da dos pa\u00edses desenvolvidos em 1980, desceu para 13% em 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os 33 pa\u00edses que constituem a regi\u00e3o (o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ao Norte, doze ao Sul e vinte na Am\u00e9rica Central e Caribe), al\u00e9m de v\u00e1rios territ\u00f3rios pertencentes ou associados a outros pa\u00edses (EUA, Inglaterra, Fran\u00e7a e Holanda), t\u00eam em comum a necessidade de superar o atraso e, de certa forma, compartilham os problemas de todo o hemisf\u00e9rio Sul, apesar das suas especificidades geogr\u00e1ficas, econ\u00f4micas, sociais e culturais. Todos se constitu\u00edram a partir da coloniza\u00e7\u00e3o, predominantemente ib\u00e9rica, a partir do s\u00e9culo XVI, da coer\u00e7\u00e3o ao trabalho de seus nativos (servid\u00e3o) e de negros africanos (escravid\u00e3o), e, de certa forma, tamb\u00e9m de trabalhadores asi\u00e1ticos (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">coolies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">), estes principalmente no s\u00e9culo XIX. Coloniza\u00e7\u00e3o, servid\u00e3o e escravid\u00e3o foram as principais sementes (do mal) dos frutos que a regi\u00e3o ainda acolhe: concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, pobreza, exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o social, autoritarismo, depend\u00eancia e subservi\u00eancia externa e subdesenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A inser\u00e7\u00e3o comercial externa do continente, que at\u00e9 a independ\u00eancia era controlada pelo pacto colonial, foi poderosamente impulsionada pela Inglaterra no s\u00e9culo XIX, \u00e9poca em que consolidava a primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Esta buscava reduzir o custo de reprodu\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho (alimentos) e de sua produ\u00e7\u00e3o industrial (mat\u00e9rias-primas). O capital ingl\u00eas apoiou as lutas pela independ\u00eancia, a libera\u00e7\u00e3o dos portos, a elimina\u00e7\u00e3o do trabalho escravo e a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em escala, de modo a aumentar a oferta e reduzir os pre\u00e7os dos produtos latino-americanos, ampliando seus mercados. Em graus diferenciados, portanto, todos esses pa\u00edses passaram da subordina\u00e7\u00e3o colonial direta a uma fraca soberania pol\u00edtica nacional. Com a revolu\u00e7\u00e3o dos transportes, a partir da d\u00e9cada de 1850, a frigorifica\u00e7\u00e3o de navios, a partir da d\u00e9cada de 1870, e as consequentes redu\u00e7\u00f5es dos fretes, do tempo de exporta\u00e7\u00e3o e da perecibilidade dos produtos exportados, alargou-se a inser\u00e7\u00e3o da economia latino-americana na mundial, com \u00eanfase para sua produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Das bases da depend\u00eancia \u00e0 \u201cd\u00e9cada perdida\u201d<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao examinar as principais estruturas produtivas prim\u00e1rio-exportadoras decorrentes dessa inser\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/furrtado-celso\">Celso Furtado<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">deduziu suas tr\u00eas principais implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1) as da agricultura tropical (principalmente no\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/brasil\"><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e Caribe), com terra e trabalho extensivos e pouca tecnologia;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2) as da agricultura temperada (notadamente\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-argentina\"><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">,\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/chile\"><span style=\"font-weight: 400;\">Chile\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/uruguai\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uruguai<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), com uso extensivo da terra, mas com maior tecnifica\u00e7\u00e3o;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3) as da minera\u00e7\u00e3o (principalmente M\u00e9xico,\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/peru\"><span style=\"font-weight: 400;\">Peru<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Chile e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-bolivia\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bol\u00edvia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), com uso intensivo de capital e pouco trabalho. Elas influenciaram fortemente as estruturas dos mercados de trabalho, dos sal\u00e1rios, da concentra\u00e7\u00e3o da terra, do papel do\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-estado\"><span style=\"font-weight: 400;\">Estado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, das elites agr\u00e1rias e do capital externo. Tais estruturas, apesar das mudan\u00e7as de apar\u00eancia devidas \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e \u00e0\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-urbanismo\"><span style=\"font-weight: 400;\">urbaniza\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, conservariam uma ess\u00eancia exploradora e excludente. A raiz mais arcaica desse processo, principalmente no Brasil \u2013 a\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">agricultura itinerante\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 continua presente nos dias atuais, travestida de\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">agroneg\u00f3cios<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto essas estruturas solidificavam-se na Am\u00e9rica Latina, uma s\u00e9rie de fatos sumamente importantes ocorria no restante do planeta:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> o ingresso de alguns poucos pa\u00edses, al\u00e9m da Inglaterra, na industrializa\u00e7\u00e3o: EUA, Alemanha, Fran\u00e7a e Jap\u00e3o, com a amplia\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia entre eles e a instaura\u00e7\u00e3o do imperialismo;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> a submiss\u00e3o de todos os pa\u00edses ao padr\u00e3o-ouro, que provocou o endividamento e sucessivas crises nos pa\u00edses pobres em geral;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> a inicia\u00e7\u00e3o industrial, incipiente, de alguns pa\u00edses latino-americanos, como Argentina, Brasil e M\u00e9xico, o que aprofundaria os descompassos de desenvolvimento j\u00e1 em meados do s\u00e9culo XIX;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> a supera\u00e7\u00e3o da Inglaterra pelos EUA que, entre 1870 e 1913, assumiram a lideran\u00e7a do capitalismo mundial;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> o acirramento da concorr\u00eancia e da concentra\u00e7\u00e3o de capitais e as disputas interimperialistas que culminariam com a Crise de 1929.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No per\u00edodo compreendido entre o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">crash\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">da Bolsa de Nova York e o final da d\u00e9cada de 1970, os Estados nacionais ainda dispunham de consider\u00e1vel liberdade no manejo da pol\u00edtica econ\u00f4mica e v\u00e1rios alteraram o padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o, transitando do modelo prim\u00e1rio-exportador para o de industrializa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 1937, como os pa\u00edses industrializados \u2013 notadamente os EUA \u2013 estavam muito afetados pela Grande Depress\u00e3o, dois grupos de pa\u00edses atuaram diferentemente: os da Am\u00e9rica do Sul (com exce\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-ecuador\"><span style=\"font-weight: 400;\">Equador\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/venezuela\"><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) e M\u00e9xico, sobretudo este \u00faltimo, e o Brasil agiram rapidamente, praticando pol\u00edticas efetivas de corte keynesiano e pol\u00edticas de industrializa\u00e7\u00e3o; e a maioria dos demais pa\u00edses somente adotou mecanismos protecionistas muito depois, atrasando e debilitando seus processos de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois disso, os Estados latino-americanos aproveitariam os per\u00edodos em que os EUA se veriam obrigados a dar prioridade a outras regi\u00f5es, para promover a industrializa\u00e7\u00e3o, sobretudo pela substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Isso ocorreu de 1937 at\u00e9 o final da Segunda Guerra Mundial e no per\u00edodo compreendido entre 1947 e 1955 \u2013 em que os EUA privilegiaram a reconstru\u00e7\u00e3o europeia e japonesa, e tiveram que se prevenir contra as consequ\u00eancias das vit\u00f3rias do Ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico e, mais tarde, de Mao Ts\u00e9-tung, na China. A partir da\u00ed, a extrovers\u00e3o internacional do capital privado \u2013 primeiro dos EUA e depois da Europa e do Jap\u00e3o \u2013 fez coincidirem seus interesses com os dos principais pa\u00edses da regi\u00e3o, em termos de investimentos diretos e financiamento, facilitando o avan\u00e7o da etapa chamada \u201cf\u00e1cil\u201d da industrializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas d\u00e9cadas de 1960 e de 1970, al\u00e9m da reca\u00edda autorit\u00e1ria e de v\u00e1rios golpes de Estado de direita, a regi\u00e3o passou a enfrentar dois problemas cruciais: a necessidade de ampliar as exporta\u00e7\u00f5es e diversificar a estrutura de sua pauta de produtos, dado o cr\u00f4nico problema de financiamento de longo prazo e de balan\u00e7o de pagamentos; e a necessidade de prosseguir a industrializa\u00e7\u00e3o. Para tanto, os principais Estados da regi\u00e3o assumiram a responsabilidade por importantes investimentos de infraestrutura e criaram ind\u00fastrias b\u00e1sicas, notadamente para a exporta\u00e7\u00e3o de insumos b\u00e1sicos e de produtos agroindustriais. Os estreitos limites econ\u00f4micos internos e as enormes facilidades, naquele momento, oferecidas pelo capital financeiro internacional induziram, entretanto, a um pesado esquema de endividamento externo. O elevado ritmo da produ\u00e7\u00e3o e do emprego chancelaria politicamente a condu\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica econ\u00f4mica, que ainda tentaria, entre 1975 e 1977, dar continuidade a esse processo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os EUA, que, em 1971, haviam desatrelado o d\u00f3lar do padr\u00e3o-ouro, a partir de fins de 1979 elevaram brutalmente sua taxa de juros, causando o maior estrago econ\u00f4mico coletivo de que se tem not\u00edcia: quebraram financeiramente quase todos os pa\u00edses subdesenvolvidos e alguns socialistas; fizeram refluir para o seu territ\u00f3rio imensa massa financeira \u2013 principalmente da Alemanha e do Jap\u00e3o \u2013 para financiar seus desequil\u00edbrios fiscal e comercial, fortalecendo o ent\u00e3o desacreditado d\u00f3lar; propiciaram a retomada da hegemonia norte-americana, fortalecida \u00e0 medida que a crise do sistema socialista aumentava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, \u201co sonho acabou\u201d. Ou seja, na d\u00e9cada de 1980, o continente passou da euforia do elevado crescimento \u00e0 severidade da crise da\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-deudas-interna-y-externa\"><span style=\"font-weight: 400;\">d\u00edvida externa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, com dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos e privados e do financiamento externo, com crise estrutural no balan\u00e7o de pagamentos, med\u00edocre crescimento e elevada infla\u00e7\u00e3o. A caracter\u00edstica central da d\u00e9cada inteira seriam os irrealiz\u00e1veis acordos com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e as infrut\u00edferas pol\u00edticas de estabiliza\u00e7\u00e3o. A d\u00edvida externa cresceu como bola de neve, duplicando os j\u00e1 altos n\u00edveis anteriores, contaminando criticamente as finan\u00e7as p\u00fablicas e incapacitando o Estado para o exerc\u00edcio da pol\u00edtica econ\u00f4mica. \u00c9 justo, por isso, chamar essa fase de \u201cd\u00e9cada perdida\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ajustes e reformas neoliberais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conclu\u00edda parte da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva da terceira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial nos pa\u00edses centrais, ainda na d\u00e9cada de 1980, suas empresas transnacionais (ETs) come\u00e7aram a reestruturar seus sistemas na periferia. Passaram, por\u00e9m, a se defrontar com Estados Nacionais soberanos, que poderiam dificultar a reorganiza\u00e7\u00e3o. Contavam, entretanto, com um poder maior, o de seus pr\u00f3prios Estados Nacionais ou de blocos, como a Comunidade Econ\u00f4mica Europeia (CEE), por exemplo. Por outro lado, as ETs \u2013 principalmente os bancos credores \u2013 pleiteavam a \u201creordena\u00e7\u00e3o\u201d financeira dos devedores, o que j\u00e1 vinha sendo feito atrav\u00e9s das \u201crenegocia\u00e7\u00f5es\u201d da d\u00edvida externa e de algumas liberaliza\u00e7\u00f5es no sistema financeiro de alguns pa\u00edses. As reformas eram exigidas, de acordo com Braga (1997), tamb\u00e9m para adequar a periferia aos ditames decorrentes da\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, fen\u00f4meno que se iniciara j\u00e1 ao final dos anos 1960.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por interm\u00e9dio das press\u00f5es diretas do governo dos EUA, ou indiretas (via FMI\/BIRD \u2013 Banco Internacional de Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento), os pa\u00edses centrais impuseram aos devedores pol\u00edticas neoliberais, transplantando para a periferia o chamado\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-consenso-de-washington\"><span style=\"font-weight: 400;\">Consenso de Washington<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Tais pol\u00edticas consistiram, resumidamente, na\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">privatiza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de empresas estatais e nas reformas do Estado, do sistema financeiro, das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e da previd\u00eancia social, com privatiza\u00e7\u00e3o de ativos p\u00fablicos, desregulamenta\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro e abertura comercial, causando perversos efeitos estruturais, econ\u00f4micos e sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O argumento (ideol\u00f3gico) central foi o de que a periferia precisava modernizar-se, rumando em dire\u00e7\u00e3o ao Primeiro Mundo e abrindo-se \u00e0 concorr\u00eancia internacional, para ganhar maior efici\u00eancia e competitividade. Ou seja, conforme Cano (1995 e 1996), o imperialismo voltava a atuar, de forma um pouco mais sutil, travestido de \u201cnova modernidade\u201d. A \u201cinevitabilidade\u201d da globaliza\u00e7\u00e3o constituiu, assim, o (falso) lastro pol\u00edtico com que muitos governos e elites perif\u00e9ricas aplicaram as novas regras do jogo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A liberaliza\u00e7\u00e3o comercial, na maioria das vezes, tem representado para os subdesenvolvidos uma queda de bra\u00e7o entre um an\u00e3o e um gigante (os desenvolvidos). A Inglaterra s\u00f3 prop\u00f4s a \u201cliberaliza\u00e7\u00e3o\u201d dos mercados a partir da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, depois de consolidar sua hegemonia (produtiva, tecnol\u00f3gica, monet\u00e1ria, financeira, comercial, militar e pol\u00edtica), ou seja, quando s\u00f3 teria a lucrar com a abertura (e expans\u00e3o) dos mercados. No \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XIX, quando os pa\u00edses avan\u00e7ados amadureciam a segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, n\u00e3o necessitavam pedir a abertura de nossos mercados, porque eles simplesmente j\u00e1 estavam abertos. Mesmo naquela \u00e9poca, a abertura dos mercados desenvolvidos sempre foi restrita, controlada e protegida, embora nossa produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o competisse com a deles. Atualmente, a prega\u00e7\u00e3o liberal pela abertura comercial convive com o protecionismo dos pa\u00edses, \u00e0s vezes travestido de intranspon\u00edveis \u201crequisitos\u201d, como barreiras formais ou informais, como a restri\u00e7\u00e3o \u201cvolunt\u00e1ria\u201d ou o convencimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o muitos os exemplos de \u201cfechamento\u201d comercial: a carne bovina argentina, durante mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, foi proibida de ingressar nos EUA; o suco de laranja brasileiro paga a extorsiva taxa de US$ 450 por tonelada; o a\u00e7o latino-americano sofre a imposi\u00e7\u00e3o de cotas; a banana latino-americana, at\u00e9 recentemente, sofria sobretaxa de 25% na CEE se ultrapassasse sua cota.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender por que os pa\u00edses subdesenvolvidos e, no caso, a Am\u00e9rica Latina, t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o decrescente no produto mundial. Em virtude da debilita\u00e7\u00e3o do Estado Nacional, a periferia voltou a ser um verdadeiro \u201cpara\u00edso\u201d para a a\u00e7\u00e3o das empresas transnacionais (ETs), que monopolizam as decis\u00f5es, notadamente em termos de: onde, quanto, em que e como investir. Em geral, seus investimentos t\u00eam sido de porte m\u00e9dio, sem horizonte de longo prazo e majoritariamente dirigidos ao setor de servi\u00e7os, que n\u00e3o gera exporta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A reestrutura\u00e7\u00e3o da periferia compreende n\u00e3o s\u00f3 modifica\u00e7\u00f5es em suas f\u00e1bricas preexistentes, mas tamb\u00e9m a compra de ativos nacionais (p\u00fablicos ou privados) e a desnacionaliza\u00e7\u00e3o ou o fechamento de f\u00e1bricas. E vem sendo acompanhada de problemas s\u00e9rios para os pa\u00edses subdesenvolvidos: obsolesc\u00eancia for\u00e7ada de equipamentos, desemprego de trabalhadores (qualificados ou n\u00e3o), precariza\u00e7\u00e3o de contratos de trabalho, grande substitui\u00e7\u00e3o de insumos nacionais por importados e enorme redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pequenos e m\u00e9dios fornecedores e prestadores de servi\u00e7os. Em s\u00edntese, as reformas neoliberais atendem quase que exclusivamente aos interesses dessas empresas, excluindo do horizonte as possibilidades de crescimento alto e desenvolvimento sustentado.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3141\" aria-describedby=\"caption-attachment-3141\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3141\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"576\" data-id=\"3141\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador-300x225.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador-80x60.jpg 80w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Procesamiento-de-bananas-en-una-plantacion-en-Guayaquil-Ecuador-400x300.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3141\" class=\"wp-caption-text\">Processamento de bananas em fazenda em Guayaquil, no Equador (Divulga\u00e7\u00e3o\/Porto de San Diego)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ajustes e reformas estruturais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de 1989-90, al\u00e9m da persist\u00eancia da crise financeira e do baixo crescimento dos pa\u00edses desenvolvidos (salvo os EUA), o mundo assistiu \u00e0 implos\u00e3o do eixo socialista e \u00e0 substancial queda das taxas de juros. O imperialismo necessitava, portanto, empregar o capital ocioso, e, com esse fim, era preciso \u201carrumar\u201d a periferia para: 1) concluir as renegocia\u00e7\u00f5es de suas d\u00edvidas, equacionar melhor a situa\u00e7\u00e3o dos credores e possibilitar novo per\u00edodo de reendividamento; 2) debelar a infla\u00e7\u00e3o e reduzir o risco do capital estrangeiro; 3) introduzir as reformas liberalizantes, principalmente abrindo os mercados de bens, servi\u00e7os e capitais e flexibilizando as rela\u00e7\u00f5es trabalho\/capital.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A periodiza\u00e7\u00e3o das reformas e dos ajustes n\u00e3o \u00e9 igual para todos os pa\u00edses. O Chile e a Argentina, por exemplo, anteciparam-se. O primeiro fez sua reforma entre 1973 e 1979. A Argentina tamb\u00e9m fizera sua primeira tentativa neoliberal entre 1976 e 1979. A crise da d\u00edvida postergou esses e outros intentos. Embora reformas parciais tenham sido tentadas na d\u00e9cada de 1980, foi a partir de 1989-90 que a maior parte dos pa\u00edses latino-americanos implantaram as pol\u00edticas neoliberais. O processo de reformas, contudo, se contraiu a partir de 2000-2002, de um lado porque as que mais interessavam ao capital privado internacional \u2013 privatiza\u00e7\u00f5es, abertura comercial e financeira \u2013 j\u00e1 haviam sido praticamente conclu\u00eddas, e, de outro, em raz\u00e3o da prolongada estagna\u00e7\u00e3o (1999-2003) e dos descontroles cambiais e financeiros, que provocaram s\u00e9rias crises pol\u00edticas em v\u00e1rios pa\u00edses. Ap\u00f3s 2002, as reformas ainda em processo \u2013 salvo a do trabalho e a sindical \u2013 podem ser descritas mais como ajustes marginais (principalmente as tribut\u00e1rias) do que como reformas propriamente ditas.<\/span><\/p>\n<p><b>Reformas comerciais, cambiais e financeiras<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os planos de estabiliza\u00e7\u00e3o adotados pela maioria dos pa\u00edses tinham similaridades e diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos aplicados na d\u00e9cada anterior. As similaridades eram restri\u00e7\u00e3o salarial, monet\u00e1ria e credit\u00edcia e juros elevados, al\u00e9m de ajuste fiscal para elimina\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit p\u00fablico. A diferen\u00e7a essencial foi o c\u00e2mbio, que, ao contr\u00e1rio de antes (com desvaloriza\u00e7\u00f5es para estimular as exporta\u00e7\u00f5es), foi valorizado, constituindo-se uma alavanca para estimular importa\u00e7\u00f5es e conter pre\u00e7os. Os cortes de gastos p\u00fablicos atendiam ao objetivo principal de acomodar a massa crescente de juros internos e externos. Al\u00e9m do c\u00e2mbio barato, a pol\u00edtica anti-inflacion\u00e1ria foi fortalecida com a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior (com diminui\u00e7\u00e3o de barreiras administrativas, tarif\u00e1rias e n\u00e3o tarif\u00e1rias, barateando ainda mais as importa\u00e7\u00f5es e, com isso, pressionando para baixo os pre\u00e7os dos produtos similares nacionais \u2013 os \u201ctrans\u00e1veis\u201d). Isso tornava dispens\u00e1vel o congelamento ou o controle dos pre\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O novo ajuste n\u00e3o teve o prop\u00f3sito de conter a demanda interna e gerar excedentes export\u00e1veis. A demanda p\u00fablica, ao contr\u00e1rio, foi contida em fun\u00e7\u00e3o do prop\u00f3sito de reduzir o tamanho e a a\u00e7\u00e3o do Estado e alargar o espa\u00e7o para os crescentes juros; a conten\u00e7\u00e3o salarial, usada para diminuir press\u00f5es nos custos p\u00fablicos e privados; a eleva\u00e7\u00e3o dos juros internos, usada n\u00e3o tanto para conter o investimento privado e sim para atrair capital estrangeiro, imprescind\u00edvel para financiar o grande aumento das importa\u00e7\u00f5es e o servi\u00e7o da d\u00edvida externa, agora compuls\u00f3rio pelos acordos de renegocia\u00e7\u00e3o. Contudo, o receitu\u00e1rio neoliberal prometia n\u00e3o s\u00f3 estabilidade, mas tamb\u00e9m crescimento. Mas, para isso, alegavam, seriam necess\u00e1rias novas medidas \u201cmodernizantes\u201d, que trariam maior efic\u00e1cia ao setor p\u00fablico e ao privado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As reformas comerciais e cambiais foram as que mais se generalizaram. Aplicadas desde 1973 no Chile e 1976 na Argentina, gra\u00e7as aos respectivos golpes militares, chegaram ao M\u00e9xico e \u00e0 Bol\u00edvia em 1985 e, a partir de 1988, aos demais pa\u00edses. Consistiram em dr\u00e1sticas redu\u00e7\u00f5es de tarifas e barreiras \u00e0s importa\u00e7\u00f5es (e \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es), simplifica\u00e7\u00f5es dos sistemas tarif\u00e1rios, liberaliza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o de mercados de c\u00e2mbio, com taxas (fixas em alguns e flutuantes em outros) administradas ou em reduzidas \u201cbandas de varia\u00e7\u00e3o\u201d. Ainda que a redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria tenha sido acentuada, alguns pa\u00edses \u2013 como Chile, M\u00e9xico e Argentina \u2013 introduziram, em leis ou acordos internacionais, dispositivos protecionistas \u00e0 agropecu\u00e1ria. Contudo, a cada crise mais severa \u2013 por exemplo, Chile e Argentina entre 1981 e 1983, Venezuela em 1994, Argentina e M\u00e9xico em 1995, Brasil em 1995-96, 1997 e 1999 \u2013, as liberaliza\u00e7\u00f5es sofreram algumas suspens\u00f5es ou retrocessos tempor\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As reformas financeiras tamb\u00e9m se iniciaram antes \u2013 a partir de 1985 no Uruguai, de 1988 no Brasil, na\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-costa-rica\">Costa Rica<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e no\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/paraguai\"><span style=\"font-weight: 400;\">Paraguai\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e de 1989-90 nos demais. Consistiram em introduzir as principais modifica\u00e7\u00f5es ocorridas no mercado financeiro internacional, como mercados a termo, futuros, de securitiza\u00e7\u00e3o etc.; tornar o Banco Central independente do Poder Executivo, o que n\u00e3o ocorreu em todos os pa\u00edses; reformular as institui\u00e7\u00f5es internas (Banco Central, institui\u00e7\u00f5es financeiras, Bolsas de Valores), com o objetivo de agilizar as opera\u00e7\u00f5es financeiras internas e externas, diminuir os encaixes sobre dep\u00f3sitos, liberalizar juros, reduzir o cr\u00e9dito \u201cdirigido\u201d e o subsidiado e promover a internacionaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas financeiros nacionais. S\u00f3 ap\u00f3s v\u00e1rias quebras em cada crise, as reformas inclu\u00edram, tardiamente, medidas de refor\u00e7o e algum aprimoramento da fiscaliza\u00e7\u00e3o. As crises recentes tiveram, portanto, alto custo em termos de recursos governamentais alocados em socorro a essas institui\u00e7\u00f5es: nos casos do Brasil, da Bol\u00edvia e do Paraguai custaram em torno de 5% do PIB, no\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/mexico\"><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, 10%, e, na Venezuela, 13%.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3134\" aria-describedby=\"caption-attachment-3134\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/BMamp-FBovespa-en-la-sesion-de-la-Bolsa-en-Sao-Paulo-en-febrero-de-2015.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3134\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/BMamp-FBovespa-en-la-sesion-de-la-Bolsa-en-Sao-Paulo-en-febrero-de-2015.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"407\" data-id=\"3134\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/BMamp-FBovespa-en-la-sesion-de-la-Bolsa-en-Sao-Paulo-en-febrero-de-2015.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/BMamp-FBovespa-en-la-sesion-de-la-Bolsa-en-Sao-Paulo-en-febrero-de-2015-300x159.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/BMamp-FBovespa-en-la-sesion-de-la-Bolsa-en-Sao-Paulo-en-febrero-de-2015-400x212.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3134\" class=\"wp-caption-text\">Preg\u00e3o da BM&amp;FBovespa em S\u00e3o Paulo, em fevereiro de 2015 (Rafael Matsunaga\/Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Controle fiscal e propriedade intelectual<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As demais reformas intensificaram-se a partir de 1990, embora uma ou outra tenha sido iniciada antes em alguns pa\u00edses. As tribut\u00e1rias centraram-se na simplifica\u00e7\u00e3o fiscal, com a redu\u00e7\u00e3o de gravames ao com\u00e9rcio exterior e a redu\u00e7\u00e3o de impostos diretos para empresas e pessoas. Foram implementadas com a clara inten\u00e7\u00e3o de diminuir a taxa\u00e7\u00e3o, de modo a atrair investimentos externos diretos e de carteira e manter a regressividade fiscal. Argentina, Brasil, Equador e Peru promulgaram Leis de Responsabilidade Fiscal, criando r\u00edgida disciplina or\u00e7ament\u00e1ria em todos os n\u00edveis de governo. Al\u00e9m dessas, v\u00e1rios governos institu\u00edram Leis de Transpar\u00eancia, tentando com isso combater os desmandos p\u00fablicos e a corrup\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pe\u00e7a fundamental foi a liberaliza\u00e7\u00e3o da entrada e sa\u00edda de capital estrangeiro, para o que foram funcionais, al\u00e9m das reformas financeiras e de mercado de valores, outras medidas como a assinatura de Leis de Patentes, Leis sobre a Propriedade Intelectual e v\u00e1rios Acordos de Garantia de Investimentos, elimina\u00e7\u00e3o (total ou parcial) de restri\u00e7\u00f5es setoriais de aloca\u00e7\u00e3o de investimentos, e outros. As exce\u00e7\u00f5es ficaram por conta do Chile e da Col\u00f4mbia, que criaram alguns controles para a movimenta\u00e7\u00e3o desses capitais. O Chile praticamente os eliminou ap\u00f3s a crise financeira de 1999 e a Col\u00f4mbia anunciou sua elimina\u00e7\u00e3o futura. Os EUA propuseram o Acordo Multilateral de Investimentos, agendado para ser submetido \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Europeia de Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (OECD) em abril de 1998, que representaria, para o pa\u00eds que o assinasse, a abdica\u00e7\u00e3o de qualquer controle sobre os investimentos externos, concess\u00e3o de direitos absolutos e privilegiados, n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e, conforme o artigo de Tavares (1998), sustenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica pelas institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds investidor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Encolhimento do Estado e reforma patrimonial<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas reformas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, as propostas tinham como alvo o encolhimento do Estado, via privatiza\u00e7\u00f5es, o fim dos monop\u00f3lios p\u00fablicos, descentraliza\u00e7\u00e3o fiscal e de servi\u00e7os, desregulamenta\u00e7\u00f5es, desburocratiza\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, tomadas de decis\u00f5es por \u201cag\u00eancias\u201d, dispensas de funcion\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o de seus direitos. O discurso, aqui, foi o da procura de maior \u201cefic\u00e1cia\u201d, como a (suposta) do mercado. Essas reformas completaram as inten\u00e7\u00f5es de coibir a a\u00e7\u00e3o do Estado no manejo nacional respons\u00e1vel da pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A reforma patrimonial do Estado (privatiza\u00e7\u00f5es de ativos p\u00fablicos) cresceu ap\u00f3s 1989, mas suas metas foram contidas por raz\u00f5es estrat\u00e9gicas, como no caso do cobre chileno \u2013 s\u00f3 foi parcialmente privatizado \u2013, que gerava 50% das divisas do pa\u00eds e uma receita parafiscal importante; ou tamb\u00e9m pol\u00edtico-institucionais, no caso do\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">petr\u00f3leo\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(como no M\u00e9xico, por exigir reforma constitucional e pelo dif\u00edcil momento pol\u00edtico de 1994-97). A mais radical at\u00e9 o momento foi a da Argentina. O acesso a ativos p\u00fablicos tamb\u00e9m tem ocorrido via concess\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, como correios, aeroportos, rodovias, ferrovias, telecomunica\u00e7\u00f5es etc. Uma \u00e1rea de interesse crescente tem sido a dos bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras, principalmente durante esse tormentoso per\u00edodo de crises financeiras que vem crescendo desde 1994-95. Por v\u00e1rias raz\u00f5es, como as crises pol\u00edticas, a crise energ\u00e9tica no Brasil e o elevado volume de privatiza\u00e7\u00f5es realizadas at\u00e9 1999, esse processo praticamente se esgotou a partir de 2001, limitando-se a casos isolados em alguns pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos problemas s\u00e9rios que resultaram das privatiza\u00e7\u00f5es foi o das regulamenta\u00e7\u00f5es que deveriam ser feitas previamente para reger os monop\u00f3lios agora privatizados. As regulamenta\u00e7\u00f5es\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ex-post\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 via ag\u00eancias \u2013 sofreram forte influ\u00eancia dos novos donos e, em geral, chegaram depois de a porta ter sido \u201carrombada\u201d. Essas transa\u00e7\u00f5es, por outro lado, foram realizadas com o apoio de importantes mecanismos para o investidor privado, como o uso de t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica \u2013 notadamente da d\u00edvida externa \u2013 desvalorizados nos mercados, mas aceitos pelo valor de face ou com algum desconto, o que representou enormes ganhos adicionais para os compradores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maior parte das transfer\u00eancias patrimoniais, por outro lado, foram feitas a \u201cpre\u00e7os de ocasi\u00e3o\u201d, desmentindo o falso discurso de que o Estado \u201cnecessitava desses recursos para saldar suas d\u00edvidas\u201d. N\u00e3o raro, o Estado aumentou as tarifas e pre\u00e7os p\u00fablicos dessas empresas, al\u00e9m de nelas realizar importantes investimentos, antes de formalizar a privatiza\u00e7\u00e3o, aumentando-lhes potencialmente os lucros. Muitas, mesmo assim, pioraram o servi\u00e7o prestado e algumas tiveram de ser reincorporadas ao acervo p\u00fablico (como as rodovias mexicanas). Em que pese o valor m\u00e9dio apurado com as privatiza\u00e7\u00f5es entre 1990 e 2001 \u2013 algo em torno de 1,4% do PIB acumulado no per\u00edodo \u2013, isso est\u00e1 muito aqu\u00e9m do volume dos juros da d\u00edvida p\u00fablica (interna e externa) e, portanto, aquele argumento n\u00e3o se sustenta. Contudo, representou parcela importante do investimento direto estrangeiro, tendo sido, no total acumulado entre 1988 e 1995, de 45% na Argentina, 80% no Peru e 31% na Venezuela. Entre 1990 e 2001, o total das privatiza\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina atingiu o valor aproximado equivalente a US$ 185 bilh\u00f5es, conforme a CEPAL.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Reforma previdenci\u00e1ria e trabalhista<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A reforma da Previd\u00eancia tem como base o pressuposto de que os sistemas preexistentes (de reparti\u00e7\u00e3o) teriam se tornado invi\u00e1veis, com d\u00e9ficit crescente, onerando o or\u00e7amento p\u00fablico e aumentando a incerteza sobre sua capacidade de pagamento dos benefici\u00e1rios a longo prazo. Incluem-se no campo dessas reformas a institui\u00e7\u00e3o (ou altera\u00e7\u00f5es) do seguro-desemprego. As propostas \u2013 pens\u00f5es e invalidez \u2013 caminham na dire\u00e7\u00e3o da substitui\u00e7\u00e3o do sistema de reparti\u00e7\u00e3o para um exclusivo de capitaliza\u00e7\u00e3o, no Chile, ou um misto, na Argentina e Col\u00f4mbia, por exemplo. Evidentemente, entre seus objetivos, encontram-se tamb\u00e9m os de \u201chomogeneiza\u00e7\u00e3o\u201d de benef\u00edcios e de crit\u00e9rios, al\u00e9m de sua privatiza\u00e7\u00e3o, embora sob tutela do Estado. Seus efeitos concretos, no entanto, ultrapassam os de diminuir ou retirar direitos de trabalhadores p\u00fablicos e privados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A despeito da legi\u00e3o de entusiastas do sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, este \u00e9 muito complexo e comporta riscos. Para o seu sucesso, \u00e9 necess\u00e1ria uma boa din\u00e2mica de crescimento de longo prazo da economia, para que \u2013 em tese \u2013 as empresas beneficiadas pelos investimentos dos chamados Fundos de Pens\u00e3o apresentem rentabilidade \u201cnormal\u201d a longo prazo, e que os t\u00edtulos p\u00fablicos por eles adquiridos tenham tamb\u00e9m liquidez e rentabilidade. Isso, entretanto, n\u00e3o basta, uma vez que esse sistema tamb\u00e9m exige crescente incorpora\u00e7\u00e3o de novos contribuintes, isto \u00e9, de novos trabalhadores formais. Para que o trabalhador, ao final de sua vida contributiva, tenha uma pens\u00e3o de valor igual ao seu sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o, este ter\u00e1 que crescer em termos reais. N\u00e3o s\u00e3o essas, contudo, as perspectivas projetadas no horizonte latino-americano, que tem apresentado crescimento baixo, alto desemprego, queda dos sal\u00e1rios reais e crescente precariza\u00e7\u00e3o e informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho. A experi\u00eancia chilena \u00e9 recente para ser tomada como par\u00e2metro, tanto para os per\u00edodos de alta rentabilidade dos Fundos (nos anos de alto crescimento e alta rentabilidade privada) como nos anos ruins (crise, recess\u00e3o etc.), que podem \u2013 como nos sistemas p\u00fablicos \u2013 apresentar temer\u00e1rios d\u00e9ficits. A prop\u00f3sito, Uthof mostra a necessidade de um aumento anual real dos sal\u00e1rios de 1,5% e de 1,7% na taxa de emprego para a estabilidade do sistema na Am\u00e9rica Latina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As reformas das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (contrato de trabalho e rela\u00e7\u00f5es sindicais) iniciaram-se em 1990 \u2013 salvo no Chile, que as iniciou em 1981 \u2013 e t\u00eam como fundamento o rebaixamento dos custos laborais (redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio), de encargos trabalhistas, do custo de dispensa \u2013 que foi realizada no maior n\u00famero de pa\u00edses \u2013, quebra de estabilidade e flexibiliza\u00e7\u00e3o legal para contratos tempor\u00e1rios. \u00c9 compreens\u00edvel que a resist\u00eancia pol\u00edtica a esse tipo de reforma seja maior nos mais diferentes pa\u00edses, e talvez seja por isso que seu processo tem sido demorado e gradual. \u00c9 de se lamentar o conte\u00fado claramente ideol\u00f3gico e oportunista de governos, empres\u00e1rios e lideran\u00e7as sindicais de direita, ao afirmarem que com a legaliza\u00e7\u00e3o dos contratos tempor\u00e1rios de trabalho o emprego aumenta. A realidade \u00e9 que essas mudan\u00e7as resultam em uma precariza\u00e7\u00e3o ainda maior do mercado de trabalho, com sal\u00e1rios menores, perda de direitos e tempo de trabalho diminu\u00eddo. A Venezuela destoa da maior parte do continente nesse quesito, uma vez que introduziu em sua Constitui\u00e7\u00e3o a universaliza\u00e7\u00e3o da seguridade social e ampliou as garantias dos direitos dos trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Juros e metas de infla\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A espiral inflacion\u00e1ria fez com que os pre\u00e7os ao consumidor crescessem 364% em 1988 na Am\u00e9rica Latina, passando a 1.680% em 1990. A partir de 1991 foram implantadas, com \u00eaxito, pol\u00edticas de estabiliza\u00e7\u00e3o. Nesse ano, a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os caiu para 199%, com o programa da Argentina. Eles voltaram a subir, atingindo 877% em 1993, e a cair, chegando a 26% em 1995, com o programa brasileiro. A partir da\u00ed a infla\u00e7\u00e3o anual tem oscilado em torno de 10%. A maioria dos atuais processos de estabiliza\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o contorna a armadilha representada pela sustenta\u00e7\u00e3o baseada na valoriza\u00e7\u00e3o cambial e se sobressalta com as crises de balan\u00e7o de pagamentos ou com os ataques especulativos. Essa instabilidade impl\u00edcita resultou nas crises expl\u00edcitas do M\u00e9xico (1995-97 e 1998-2000), Venezuela (1993-99 e 2002-04), Equador (1994-2000) e Brasil (2001-03). Os principais mecanismos utilizados nesses programas foram (e muitos ainda seguem sendo):<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1) Juros reais elevados, muito acima do mercado internacional. Depois de pequena baixa, entre 1991 e 1994, as crises imprimiram nova tend\u00eancia altista em 1994-97 e 1998-2003;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2) Dr\u00e1stico controle da expans\u00e3o da moeda e do cr\u00e9dito. Entretanto, o alto volume de entrada de capital estrangeiro at\u00e9 2000 implicou forte aumento da liquidez real, aumentando o cr\u00e9dito privado e anulando parte dos efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Contudo, o cr\u00e9dito interno no sistema banc\u00e1rio continua fortemente constrangido em v\u00e1rios pa\u00edses;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3) C\u00e2mbio valorizado: considerando como igual a 100 a m\u00e9dia de 1987-90, no c\u00e1lculo de Uthoff (1997), ter\u00edamos taxas de c\u00e2mbio reais efetivas (para exporta\u00e7\u00e3o), em 1997, de 51 para o Peru, 55 para o Brasil, 70 para a Argentina, 72 para a Col\u00f4mbia, 83 para o Chile e 85 para o M\u00e9xico (gra\u00e7as \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o de 1995, com a crise). Contudo, a crise de 1999 obrigou a fortes desvaloriza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. Em termos m\u00e9dios regionais, o c\u00e2mbio real efetivo continuou crescendo, at\u00e9 meados de 2003;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4) Or\u00e7amento fiscal: poucos pa\u00edses aumentaram as receitas em propor\u00e7\u00e3o ao PIB e v\u00e1rios cortaram gastos \u2013 notadamente em pessoal, social e investimentos \u2013, resultando em diminui\u00e7\u00e3o acentuada dos d\u00e9ficits. Confrontando os d\u00e9ficits observados durante a d\u00e9cada de 1980 e os primeiros anos da de 1990, eles ca\u00edram muito. Mas a partir de 1994-95, dos dezenove pa\u00edses que informaram suas contas, o d\u00e9ficit voltou a crescer em treze, e, em 1998-99, todos voltaram a ser deficit\u00e1rios, crescendo a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida p\u00fablica\/PIB, que passou de 37% em 1997 a 56,3% em 2003. O efeito conjugado dessas medidas atingiu seus objetivos: juros elevados atra\u00edram o capital externo e o c\u00e2mbio valorizado estimulou fortemente as importa\u00e7\u00f5es, ancorando os pre\u00e7os internos;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5) Pelos c\u00e2nones da nova \u201cci\u00eancia monet\u00e1ria\u201d, acabou se disseminando por v\u00e1rios pa\u00edses a institui\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">metas de infla\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Isso vem se constituindo uma verdadeira camisa de for\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica, reduzindo o crescimento e restringindo os demais par\u00e2metros da moeda e do cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><b>Balan\u00e7os das contas e d\u00edvida externa<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina nas exporta\u00e7\u00f5es mundiais, que ca\u00edra para 4,5% em 1990, voltou \u00e0 casa dos 5% a 6% at\u00e9 a metade da primeira d\u00e9cada dos anos 2000. Gra\u00e7as \u00e0s crises, em alguns pa\u00edses, e melhoria de pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o, em outros, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram, entre 1990 e 1999, \u00e0 taxa m\u00e9dia anual de 9,1%, mas as importa\u00e7\u00f5es atingiram 12,6% (15,8% em 1990-97), alterando radicalmente o sinal da balan\u00e7a comercial de quase toda a regi\u00e3o. A principal fonte do desequil\u00edbrio foi o colossal aumento das exporta\u00e7\u00f5es dos EUA para a Am\u00e9rica Latina, que passaram de US$ 35 bilh\u00f5es em 1987 para US$ 191 bilh\u00f5es em 1998. Em 1998-99, o \u00edmpeto importador foi em parte contido pela recess\u00e3o e pelas desvaloriza\u00e7\u00f5es, mas em 2000 o desequil\u00edbrio retornaria em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o conjunto dos vinte principais pa\u00edses capitalistas latino-americanos, o d\u00e9ficit acumulado em transa\u00e7\u00f5es correntes, entre 1989 e 2001, somou US$ 550 bilh\u00f5es \u2013 cerca de 2,9% do PIB acumulado no per\u00edodo \u2013, enquanto a d\u00edvida externa saltou de US$ 453 bilh\u00f5es para US$ 724 bilh\u00f5es; as exporta\u00e7\u00f5es cresceram 164%, mas as importa\u00e7\u00f5es aumentaram 240%. No mesmo per\u00edodo, no Brasil, por exemplo, o PIB cresceu 26,4%, as importa\u00e7\u00f5es elevaram-se em 203% e as exporta\u00e7\u00f5es, em apenas 69%. O d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes acumulou US$ 177 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre 1999 e 2004, novas crises e desvaloriza\u00e7\u00f5es atingiram Brasil e Argentina e reverteram o quadro, aumentando exporta\u00e7\u00f5es e reduzindo drasticamente as importa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, as exporta\u00e7\u00f5es tiveram excepcional expans\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 gra\u00e7as a esses fatores, mas tamb\u00e9m, principalmente, pela not\u00e1vel expans\u00e3o da demanda da China, que beneficiou fortemente Argentina, Brasil, Chile e Peru, enquanto a concorr\u00eancia a seus produtos no mercado dos EUA prejudicava as exporta\u00e7\u00f5es do M\u00e9xico e da Am\u00e9rica Central. Contudo, embora a rela\u00e7\u00e3o juros da d\u00edvida externa\/exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os tenha, em termos m\u00e9dios, baixado de 21,6% em 1991 para 12,7% em 2002, ela se manteve em patamares mais elevados para Argentina (29,3%) e Brasil (21,1%), e girou em torno de 14% para Col\u00f4mbia, Equador, Nicar\u00e1gua e Peru. Assim, o d\u00e9ficit do balan\u00e7o em transa\u00e7\u00f5es correntes (em US$ bilh\u00f5es) passou de 9 em 1989 para 47,7 em 1994, ocasionando a quebra do M\u00e9xico e o abalo na Argentina, que participavam, respectivamente, com 62% e 20% daquele valor. Em 1995 e 1996, com a crise mexicana e argentina e com a valoriza\u00e7\u00e3o do real brasileiro \u2013 com a consequente desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda argentina ante o c\u00e2mbio brasileiro \u2013 aquele valor recuou para 32,2 e 35,5 nesses anos, mas com um novo pa\u00eds quebrado, o Brasil, cujo saldo passou de um valor positivo de 1,6 em 1989 para os negativos de 18,0 em 1995, 24,3 em 1996, 33,4 em 1997 e 33,0 em 1998, rombo que s\u00f3 diminuiu a partir da desvaloriza\u00e7\u00e3o de 1999 e da crise que se estendeu at\u00e9 2003.<\/span><\/p>\n<p><b>Integra\u00e7\u00e3o continental e novas perspectivas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como o M\u00e9xico, em 1994, passou a fazer parte do Tratado de Livre-Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-nafta\"><span style=\"font-weight: 400;\">NAFTA<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), com os EUA e o Canad\u00e1, \u00e9 necess\u00e1rio analisar separadamente o com\u00e9rcio latino-americano, incluindo e excluindo o pa\u00eds. Assim, entre 1995 e 2003, as exporta\u00e7\u00f5es mexicanas cresceram 107% e suas importa\u00e7\u00f5es 135%, enquanto para o conjunto da Am\u00e9rica Latina, excluindo o M\u00e9xico, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram apenas 40% e as importa\u00e7\u00f5es \u2013 fortemente afetadas pelas crises de 1997 e 1999-2003 \u2013, 16%. Considerando, entretanto, o per\u00edodo 1997-2003, as exporta\u00e7\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es cresceram, respectivamente, para o M\u00e9xico, 49% e 55%, enquanto para o continente (sem o M\u00e9xico) as cifras foram de 19% e -14%. Ao analisar as rela\u00e7\u00f5es \u201cde risco\u201d, como a d\u00edvida externa bruta\/exporta\u00e7\u00f5es, constata-se uma \u201csubstancial\u201d melhora: para o restante da Am\u00e9rica Latina e para o M\u00e9xico, ela passou, respectivamente, de 4 e 2,6 em 1990 para 3,7 e 1 em 1999 e 2,8 e 0,8 em 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mercosul<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, as vendas intrabloco cresceram substancialmente, passando, em US$ bilh\u00f5es, de 4 para 20 entre 1990 e 1998. Elas cairiam com a crise, s\u00f3 se recuperando em 2004. O Mercosul padece de problemas s\u00e9rios para a continuidade e o aprofundamento da integra\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses-membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e associados (Chile, Bol\u00edvia, Peru, Col\u00f4mbia e Venezuela), dada sua heterogeneidade interna em termos estruturais (produ\u00e7\u00e3o, renda, fiscalidade, sal\u00e1rios etc.), que dificulta a evolu\u00e7\u00e3o para uma associa\u00e7\u00e3o do tipo mercado comum. Cada crise ou (des)valoriza\u00e7\u00e3o cambial na Argentina ou no Brasil gera fortes varia\u00e7\u00f5es, para mais ou para menos, nos seus fluxos e no sentido de seus saldos, mostrando a fragilidade do bloco. A expans\u00e3o das trocas internas tem sido incapaz de saltar a barreira de 20% a 25% do volume total exportado por seus membros, que continuam a ter no resto do mundo mercado para cerca de 80% de suas exporta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio dos anos 2000, apenas 23% das exporta\u00e7\u00f5es do Mercosul tinham como destino pa\u00edses latino-americanos; se exclu\u00eddo o M\u00e9xico, essa participa\u00e7\u00e3o ca\u00eda para 22%. Sem considerar novamente o M\u00e9xico, apenas 14,5% das exporta\u00e7\u00f5es do continente eram intracontinentais. As dificuldades para maior integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o conhecidas, mas alguns fatos pol\u00edticos t\u00eam ampliado os mercados e gerado muitas esperan\u00e7as. A mudan\u00e7a acentuada da pol\u00edtica externa brasileira a partir de 2003, negociando de forma vigorosa com China, \u00cdndia, R\u00fassia, Comunidade Sul-Africana, v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes e, sobretudo, com a Am\u00e9rica do Sul, produziu resultados, contrapondo a proposta de uma Associa\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Livre-Com\u00e9rcio (Amercosul) aos interesses norte-americanos em torno da Associa\u00e7\u00e3o de Livre-Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-alca\"><span style=\"font-weight: 400;\">ALCA<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A sangria financeira externa (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">transfer\u00eancia l\u00edquida de recursos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) acumulou um valor negativo de US$ 195 bilh\u00f5es entre 1980 e 1991. Torna-se positiva, n\u00e3o s\u00f3 por causa das desregulamenta\u00e7\u00f5es, mas principalmente pelas enormes possibilidades de ganho f\u00e1cil de privatiza\u00e7\u00f5es, desnacionaliza\u00e7\u00f5es e especula\u00e7\u00f5es nos mercados de valores: em 1992-93, passou da m\u00e9dia anual (em US$ bilh\u00f5es) de 29, caiu para 15 na crise 1994-95, subiu para 25 entre 1996-98, tornou-se negativa (-1) em 1999-2000, despencando para -36 em 2002-03, com os desastres da Argentina, do Brasil e da Venezuela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A aposta (equivocada) nos ajustes consiste exatamente nisso: bancar, durante alguns anos, com fortes entradas de capitais, o rombo da conta de transa\u00e7\u00f5es correntes e das amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida. Isso foi facilitado pela desregulamenta\u00e7\u00e3o dos fluxos de capital estrangeiro, mas padece de v\u00e1rios problemas s\u00e9rios, de volatilidade e instabilidade \u2013 que podem surgir a qualquer momento nos pa\u00edses de origem ou de destino \u2013 decorrentes de movimentos c\u00edclicos bruscos ou especulativos, que causam fugas imprevistas e problem\u00e1ticas. Por outro lado, podem causar s\u00e9rios problemas na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, em termos de rupturas de esquemas de financiamento, varia\u00e7\u00f5es abruptas nas taxas de c\u00e2mbio e de juros etc. Al\u00e9m disso, a desregulamenta\u00e7\u00e3o impede qualquer controle sobre a aloca\u00e7\u00e3o setorial (produtiva ou financeira) ou regional do capital, sobre seu tempo de perman\u00eancia, ou sobre a estrutura da aplica\u00e7\u00e3o (carteira, investimento produtivo etc.).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, grande parte dos investimentos aqui realizados no per\u00edodo p\u00f3s-reformas era vinculado a opera\u00e7\u00f5es com d\u00edvida externa, privatiza\u00e7\u00f5es e transfer\u00eancia privada de propriedades, aumentando o grau de desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia e pouco significando em termos de aumento de capacidade produtiva. Muitos, nos esquemas de privatiza\u00e7\u00e3o, vincularam-se a setores produtivos de servi\u00e7os (bancos, telecomunica\u00e7\u00f5es etc.), que, em geral, n\u00e3o geram exporta\u00e7\u00f5es, mas remetem juros e lucros. A grande exce\u00e7\u00e3o tem sido o M\u00e9xico \u2013 com investimentos predominantes na ind\u00fastria, devido a seu ingresso no NAFTA \u2013 e alguns pa\u00edses dotados de recursos minerais, que t\u00eam recebido investimentos em minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse quadro, para a regi\u00e3o, implica abdicar da pr\u00f3pria soberania na fixa\u00e7\u00e3o dos rumos de crescimento e transforma\u00e7\u00e3o. Muitos desses investimentos subordinam outros \u2013 muitas vezes p\u00fablicos \u2013 de apoio log\u00edstico (infraestrutura, por exemplo) a eles. Al\u00e9m disso, para se instalar num pa\u00eds as ETs t\u00eam feito verdadeiros leil\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o, cujo pr\u00eamio para elas \u00e9 um formid\u00e1vel conjunto de incentivos \u2013 principalmente tribut\u00e1rios, financeiros e infraestruturais \u2013, cujo valor muitas vezes supera o pr\u00f3prio montante do investimento origin\u00e1rio; ao setor p\u00fablico do pa\u00eds recipiente, isso adiciona mais alguns buracos nas contas p\u00fablicas e cortes nos gastos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes dessas reformas, na maioria dos pa\u00edses os projetos de investimento (p\u00fablicos ou privados) eram analisados apenas por seus efeitos diretos e indiretos sobre o emprego, o balan\u00e7o de pagamentos, o uso de insumos e equipamentos nacionais e a gera\u00e7\u00e3o de impostos. Hoje constatam-se os efeitos negativos dessa pr\u00e1tica: os pa\u00edses passaram a importar muito mais insumos e bens de capital do que antes, as cadeias de produ\u00e7\u00e3o nacional foram desestruturadas, os empregos criados s\u00e3o m\u00ednimos e os impostos gerados, em grande parte, s\u00e3o devolvidos como incentivos \u00e0 invers\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O coeficiente de invers\u00e3o bruta fixa, a despeito dos elevados d\u00e9ficits em transa\u00e7\u00f5es correntes \u2013 a \u201cpoupan\u00e7a do exterior\u201d \u2013 e do financiamento externo, jamais recuperou a m\u00e9dia de 27,6% verificada em 1980, oscilando durante a \u201cd\u00e9cada perdida\u201d em torno de 19%; subiu a 19,5% em 1991-93, permanecendo em torno dessa cifra at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000. Ap\u00f3s 1989, apenas o Chile, dentre os principais pa\u00edses da regi\u00e3o, apresentou m\u00e9dia anual pouco maior do que a da d\u00e9cada de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As principais raz\u00f5es desse fraco desempenho s\u00e3o: os elevados juros internos que a maioria dos pa\u00edses pratica; a pr\u00f3pria din\u00e2mica do atual modelo, que \u00e9 de baixo crescimento m\u00e9dio e intrinsecamente importador; a dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico, que com isso diminui seus efeitos emuladores do investimento privado e a din\u00e2mica de crescimento setorial da economia, mais centrada em agricultura e servi\u00e7os (com menor exig\u00eancia de capital) do que na produ\u00e7\u00e3o de bens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Examinada o investimento bruto fixo em seus dois componentes principais (constru\u00e7\u00e3o e m\u00e1quinas e equipamentos), as s\u00e9ries a pre\u00e7os constantes de 1995 mostram que o item constru\u00e7\u00e3o vem aumentando sua participa\u00e7\u00e3o no investimento total: de 49% em 1980, subiu para 58% em 1990, oscilando em torno de 60% entre 1990 e 2002, com isso reduzindo fortemente o item m\u00e1quinas e equipamentos. O Brasil parece ser um dos casos mais graves, pois esse item, que pesava cerca de 53% do total em 1980, caiu para 36% em 1990, oscilando entre esse ano e 2002 em torno de 26%. Contudo, esses dados se revestem de grande complexidade anal\u00edtica, pois, dadas as profundas altera\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os relativos, as s\u00e9ries mostram distintos resultados, se a pre\u00e7os constantes ou correntes, mas n\u00e3o invertem a tend\u00eancia observada, que \u00e9 muito preocupante, mostrando o assustador debilitamento da principal vari\u00e1vel que acresce a capacidade produtiva do pa\u00eds. O comportamento da poupan\u00e7a e da invers\u00e3o bruta mostram a redu\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a nacional \u2013 n\u00e3o compensada pela alta da poupan\u00e7a externa \u2013 e a queda da taxa de investimento. Ou seja, durante quase todos esses anos, na maioria dos pa\u00edses, foi mais o consumo \u2013 e secundariamente as exporta\u00e7\u00f5es \u2013 do que o investimento que impulsionou as taxas de crescimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O PIB regional, que na d\u00e9cada de 1980 crescera \u00e0 taxa m\u00e9dia anual de cerca de 1,1%, entre 1989 e 2003 o fez \u00e0 de 2,46%, taxa muito baixa, tendo em conta os n\u00edveis do crescimento da popula\u00e7\u00e3o total (1,65%), da PEA (2,63%) e a taxa de desemprego urbano aberto (em torno de 10,5% no per\u00edodo 1999-2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PIB real por habitante (1980 = 100)<\/span><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><b>1985<\/b><\/td>\n<td><b>1990<\/b><\/td>\n<td><b>1995<\/b><\/td>\n<td><b>2003<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Am\u00e9rica Latina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">92,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">91,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">97,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">102,2<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">86,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">80,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">99,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">94,7<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">95,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">96,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">103,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">106,8<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Chile<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">91,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">114,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">153,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">138,3<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">98,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">97,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">96,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">113,1<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">72,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">72,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">77,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">71,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: CEPAL.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos do PIB por habitante, a taxa m\u00e9dia regional, entre 1980 e 1989, foi de -0,8% e, entre 1989-2003, de med\u00edocres 0,8%: ou seja, foram necess\u00e1rios 23 anos para retornar a um n\u00edvel absoluto apenas 2,2% acima do de 1980. Mas essa pequena melhora esconde diferen\u00e7as substanciais entre alguns pa\u00edses: enquanto o PIB do Chile era 38,3% maior do que o de 1980 e o do M\u00e9xico 13,1%, o da Argentina era 5,3% inferior, e o da Venezuela, 29% inferior. Ela esconde ainda o principal: a exist\u00eancia de movimentos c\u00edclicos que impedem a ocorr\u00eancia de altas taxas de crescimento persistentes. A raz\u00e3o disso reside no fato de que, quanto mais alto for o crescimento da economia, maiores ser\u00e3o as press\u00f5es sobre os gastos em moeda externa e sobre o financiamento externo. Essas press\u00f5es acabam por desencadear a fuga de capital, crises de balan\u00e7o de pagamento, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, infla\u00e7\u00e3o, crises fiscais, novo endividamento externo e recess\u00e3o. A partir desse ponto, as exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o estimuladas e as importa\u00e7\u00f5es restringidas, aliviando o balan\u00e7o de pagamento. Reposto o crescimento, se este subir muito, a crise ser\u00e1, subsequentemente, reposta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas as crises n\u00e3o decorrem somente desse movimento. Diante da grande vulnerabilidade externa da maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o, quaisquer manifesta\u00e7\u00f5es de maior instabilidade nas finan\u00e7as internacionais os atingem seriamente, precipitando uma crise. Dessa forma, a crise se desencadeia por raz\u00f5es internas, externas ou por ambas. S\u00e3o exemplos as crises de 1994-95 (do M\u00e9xico), a de 1997 (asi\u00e1tica), a de 1998 (russa), a de 1999 (a do Brasil), a de 2000 (da Argentina) ou a recess\u00e3o de 2001 nos EUA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se chamarmos taxas anuais de crescimento iguais ou maiores do que 5% de \u201caltas\u201d, as entre 3% e 4,9% de \u201cm\u00e9dias\u201d, as entre 1% e 2,9% de \u201cbaixas\u201d e as abaixo de 1% de \u201ccr\u00edticas\u201d, o exame detalhado do per\u00edodo 1989-2003 nos mostra, para o conjunto da Am\u00e9rica Latina: dois anos de altas, cinco de m\u00e9dias, tr\u00eas de baixas e quatro de cr\u00edticas. Essa distribui\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia \u00e9 diferente em cada caso, revelando as especificidades de cada pa\u00eds. Por exemplo, enquanto a Argentina teve altas taxas em sete anos \u2013 muito mais um retorno do \u201cfundo do po\u00e7o\u201d em que caiu no per\u00edodo anterior \u2013, teve tamb\u00e9m seis anos cr\u00edticos; o Brasil s\u00f3 teve alta em um, cr\u00edticas em tr\u00eas e dez de crescimento modesto; o M\u00e9xico teve quatro de altas, tr\u00eas de cr\u00edticas e sete de modestas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enfim, o modelo permite crescimento (em alguns casos, a taxas altas) at\u00e9 que suas possibilidades aguentem, sejam as internas (infla\u00e7\u00e3o, crise fiscal, crise pol\u00edtica) ou as externas (ataques de especula\u00e7\u00e3o, cortes de financiamento externo, queda de pre\u00e7os externos para certos produtos estrat\u00e9gicos, como o cobre no Chile ou o petr\u00f3leo no M\u00e9xico e Venezuela). A \u201csa\u00edda\u201d, em todos os casos, \u00e9 sempre uma recess\u00e3o ou desacelera\u00e7\u00e3o, agravando a\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-cuestion-social-2\"><span style=\"font-weight: 400;\">quest\u00e3o social<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o desemprego e o endividamento. Em seguida, vem uma \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d, com acelera\u00e7\u00e3o seguida de novo desastre.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desempenho da agropecu\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A agropecu\u00e1ria, entre 1980 e 1989, teve crescimento muito baixo (2,1% anual), em virtude dos graves problemas que afetavam o setor, como a queda dr\u00e1stica de pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o, a crise mundial e o fraco desempenho da demanda interna. Nesse per\u00edodo, os piores desempenhos foram os da Argentina e do M\u00e9xico, com taxas abaixo de 1%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre 1989 e 2002, a agropecu\u00e1ria cresceu um pouco mais, \u00e0 m\u00e9dia anual de 2,4%, gra\u00e7as principalmente \u00e0 expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es. Esse crescimento modesto \u2013 por\u00e9m acima do industrial \u2013 fez com que sua participa\u00e7\u00e3o no PIB, dos 7,5% em 1980, passasse a 7,8% na trajet\u00f3ria at\u00e9 2002, contrariando sua acentuada tend\u00eancia hist\u00f3rica de queda. Abaixo da m\u00e9dia regional ficaram a Col\u00f4mbia (m\u00e9dia de 1,7%), afetada pelos problemas de sua \u201cguerra interna\u201d e do narcotr\u00e1fico, e a Venezuela (m\u00e9dia de 0,8%), que durante o per\u00edodo sofreu v\u00e1rios momentos de recess\u00e3o e infla\u00e7\u00e3o, crises de petr\u00f3leo, desemprego e forte corros\u00e3o salarial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O setor foi beneficiado n\u00e3o s\u00f3 pela recupera\u00e7\u00e3o parcial (p\u00f3s-1993) de alguns pre\u00e7os externos, mas tamb\u00e9m pela retirada de impostos sobre suas exporta\u00e7\u00f5es; aumento da demanda interna de mat\u00e9rias-primas \u2013 ainda que a ind\u00fastria tenha tido baixo crescimento \u2013 e da demanda interna de consumo. No per\u00edodo mais recente, deve-se adicionar o extraordin\u00e1rio aumento das exporta\u00e7\u00f5es para a China, que proporcionou tamb\u00e9m a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os externos. Contudo, as pol\u00edticas de estabiliza\u00e7\u00e3o e de abertura causaram, at\u00e9 1998, quedas reais nos pre\u00e7os internos, barateando o consumo interno e reduzindo a renda real do setor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pol\u00edticas de cortes de financiamento e de subs\u00eddios, juros altos e c\u00e2mbio valorizado foram obst\u00e1culos a um crescimento maior, notadamente para a agricultura mais moderna e competitiva. Contudo, a abertura comercial e o c\u00e2mbio estimularam fortemente as importa\u00e7\u00f5es de produtos agropecu\u00e1rios, processados ou n\u00e3o: os dados da FAO mostram que, entre 1987 e 1994, o valor das importa\u00e7\u00f5es (com pre\u00e7os mais altos e maior volume) aumentou 137%. Entre 1987-90 e em 1994, as exporta\u00e7\u00f5es desses produtos na Argentina, Brasil e M\u00e9xico cresceram cerca de 40%, mas suas importa\u00e7\u00f5es aumentaram, respectivamente, 368%, 163% e 106%, diminuindo o potencial que o setor sempre teve para financiar o d\u00e9ficit dos demais setores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa pol\u00edtica constrangeu, em todos os pa\u00edses, a produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios bens: trigo, algod\u00e3o e latic\u00ednios foram os mais afetados, mas tamb\u00e9m milho, arroz, oleaginosas, a\u00e7\u00facar, carne de boi e de porco sofreram quedas ou estagna\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Esses efeitos variaram de pa\u00eds para pa\u00eds, conforme suas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Entre 1980 e 1990, as exporta\u00e7\u00f5es do setor cresceram 38%, mas, entre 1990 e 2002, o aumento foi de 65%, dadas as melhorias apontadas acima, refor\u00e7adas pela crise de 1999-2002 e sua forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No longo transcurso de 1980-2002, entretanto, o saldo da balan\u00e7a comercial do setor (produtos em estado bruto e processados), em US$ bilh\u00f5es, passou de 17,4 em 1980, para 20,2 em 1990 e 23,9 em 2002. Este \u00faltimo aumento foi relativamente modesto, mas se deveu ao grande aumento verificado nas importa\u00e7\u00f5es desses bens. Gra\u00e7as a elas, o d\u00e9ficit mexicano passou, em US$ bilh\u00f5es, de 1,3 em 1980 a 3,7 em 2002; nesse \u00ednterim, Argentina e Brasil duplicaram seus saldos positivos, e o Chile, gra\u00e7as \u00e0 reconvers\u00e3o parcial de sua economia para prim\u00e1rio-exportadora, passou de um d\u00e9ficit de 0,4 em 1980 a um super\u00e1vit de 2,3 em 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pol\u00edticas neoliberais tamb\u00e9m afetaram os setores exportadores: houve forte redu\u00e7\u00e3o do cultivo de produtos menos competitivos; deslocaliza\u00e7\u00e3o espacial (de produ\u00e7\u00e3o e de emprego, em busca de terras mais baratas ou produtivas); intensifica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de insumos e m\u00e1quinas, gerando maior desemprego e disponibiliza\u00e7\u00e3o de terras por aumento de produtividade, causando grandes baixas no pre\u00e7o da terra. Embora sejam positivas as melhorias de efici\u00eancia e competitividade, elas tamb\u00e9m agudizaram os problemas do desemprego, das demandas de novas infraestruturas p\u00fablicas para os novos espa\u00e7os agr\u00edcolas, notadamente da balan\u00e7a comercial e, ainda, do meio ambiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As disponibilidades latino-americanas de nutrientes para humanos, se comparada com a m\u00e9dia da Europa ocidental (3.500 calorias e 108 gramas de prote\u00ednas) ainda se situava, em 2002, respectivamente, 20% e 28% abaixo daquelas m\u00e9dias, tendo havido melhoras importantes entre 1980 e 2002. Contudo, houve sens\u00edveis pioras para alguns pa\u00edses, e cabe citar especialmente a Venezuela, que ostentava m\u00e9dias mais altas do que as da regi\u00e3o e que, em 2002, reduziu-as em 18% para calorias e em 11% para prote\u00ednas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3135\" aria-describedby=\"caption-attachment-3135\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3135\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"576\" data-id=\"3135\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil-300x225.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil-80x60.jpg 80w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Cargamento-de-soja-en-el-Puerto-de-Paranagua-en-Parana-Brasil-400x300.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3135\" class=\"wp-caption-text\">Embarque de soja no Porto de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1, Brasil (Arquivo APPA)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desempenho do setor industrial<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O setor industrial total (minera\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o), cuja taxa m\u00e9dia anual de crescimento entre 1980 e 1989 fora de -0,2, manteve fraco desempenho entre 1989 e 2002, com taxa m\u00e9dia de 1,7%, gra\u00e7as principalmente \u00e0s taxas da minera\u00e7\u00e3o (4,1%), que cresceu nesse n\u00edvel em quase todos os pa\u00edses. J\u00e1 a da constru\u00e7\u00e3o civil teve desempenho regional med\u00edocre (m\u00e9dia de 0,6%), em conformidade com a queda violenta do investimento p\u00fablico e dos programas habitacionais. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que na d\u00e9cada de 1980 praticamente estancara (taxa m\u00e9dia anual de 0,6%), cresceu \u00e0 m\u00e9dia de apenas 1,4%, seriamente afetada n\u00e3o s\u00f3 pelas v\u00e1rias crises do per\u00edodo, mas tamb\u00e9m pela avalanche de importa\u00e7\u00f5es industriais. Entre os mais bem-sucedidos, o Chile e o M\u00e9xico obtiveram taxas em torno de 3,6%; entre os mais prejudicados, com 0,8% o Brasil, com 0,6% a Col\u00f4mbia, e em torno de 0,3% a Argentina e a Venezuela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ac\u00famulo de fracos desempenhos desde 1980 fez com que a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no PIB ca\u00edsse de 37,7% naquele ano para 30,7% em 2002. Somente a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o caiu de 28,8% para 18,1%, desnudando o car\u00e1ter regressivo do modelo em voga. Tomando esses mesmos anos, os pa\u00edses mais afetados foram Argentina (29% para 15%), Brasil (31% para 19,9%), Uruguai (28,6% para 17%), Peru (29,3% para 14,4%), Col\u00f4mbia (21,5% para 13,5%) e Equador (20% para 7%). Transformados em plataformas exportadoras para os EUA, o M\u00e9xico \u2013 convertido numa \u201cdivis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o industrial da economia norte-americana\u201d \u2013 e os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central mantiveram ou aumentaram ligeiramente suas participa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O dr\u00e1stico rebaixamento tarif\u00e1rio e a valoriza\u00e7\u00e3o cambial provocaram avalanche de importa\u00e7\u00f5es de toda ordem: para a classe m\u00e9dia e as elites, \u00e1vidas em restaurar um padr\u00e3o de consumo contido nos anos 1980; para os empres\u00e1rios, que necessitavam fazer importa\u00e7\u00f5es pontuais de equipamento (ou tecnologia) para sobreviver na \u201ccompeti\u00e7\u00e3o\u201d; e para as ETs, que, ao reestruturarem suas f\u00e1bricas \u2013 ou as que compravam \u2013 aumentavam suas importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas e insumos, desnacionalizando ainda mais a ind\u00fastria. As importa\u00e7\u00f5es totais (agr\u00edcolas e industriais) e as de bens intermedi\u00e1rios, a pre\u00e7os correntes, aumentaram cerca de 207% entre 1989 e 2002, as de bens de capital em 244% e as de bens de consumo em 287%, sendo que as de ve\u00edculos de passageiros cresceram 8,5 vezes. Com isso, caiu por terra o argumento de que as importa\u00e7\u00f5es teriam o objetivo b\u00e1sico de modernizar a capacidade produtiva e aumentar a competitividade do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O avan\u00e7o industrial at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1980 proporcionou substancial mudan\u00e7a na pauta exportadora, com a participa\u00e7\u00e3o dos manufaturados aumentando de 18% para 29%, entre 1980 e 1990, e para 56% em 2002. A de maior express\u00e3o se deu no M\u00e9xico: passou de 12% para 43%, a partir de sua incorpora\u00e7\u00e3o ao NAFTA e \u00e0 grande expans\u00e3o da ind\u00fastria\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">maquiladora\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">de montagem, com importa\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas. No caso mexicano, cerca de 85% do valor reexportado corresponde aos componentes importados nos anos 1998-2002. Contudo, sem o M\u00e9xico, as m\u00e9dias continentais seriam de 19%, 29% e apenas 32%, desnudando o atraso na industrializa\u00e7\u00e3o causado pelo\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-neoliberalismo\"><span style=\"font-weight: 400;\">neoliberalismo\u00a0<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Na Argentina, entre 1980 e 1990, a exporta\u00e7\u00e3o passou de 23% para 29%, atingindo 35% em 1997-98, mas regrediu para cerca de 30% em 1999-2002, gra\u00e7as \u00e0 virul\u00eancia da crise interna, que culminaria com a ren\u00fancia presidencial, em dezembro de 2001, e a subsequente desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial (de pouco mais de 100%), e ao crescimento do com\u00e9rcio no Mercosul. No Brasil, no mesmo per\u00edodo, passou de 37% para 52%, oscilando em torno de 54% a partir de 1999 e, nesse caso, o baixo crescimento, a crise e a desvaloriza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do Mercosul, tamb\u00e9m foram os principais fatores. A balan\u00e7a comercial de produtos industriais alterou-se radicalmente. Entre 1990 e 1994, dos sete maiores pa\u00edses latino-americanos, apenas o Brasil e a Venezuela (deficit\u00e1ria at\u00e9 o in\u00edcio da crise de 1994) apresentavam saldo positivo, por\u00e9m decrescente. A Col\u00f4mbia com d\u00e9ficit de US$ 7 bilh\u00f5es, em 1994; a Argentina, de US$ 10,1 bilh\u00f5es e o M\u00e9xico, de US$ 23,7 bilh\u00f5es. O coeficiente de exporta\u00e7\u00f5es industriais (exporta\u00e7\u00f5es\/valor da produ\u00e7\u00e3o) para a Am\u00e9rica Latina passou de 8,6 em 1980 para 12,7 em 1990 e para 21,7 em 1993, enquanto o de importa\u00e7\u00f5es, nos mesmos anos, caiu de 14,1 para 13,1, subindo rapidamente para 29,4, conforme os dados do PADI\/CEPAL. Contudo, os dados para a Am\u00e9rica Latina est\u00e3o defasados, pois no per\u00edodo 1994-99, enquanto o PIB latino-americano aumentou em 18%, as importa\u00e7\u00f5es totais aumentaram 50%, tendo o Brasil sofrido um dos maiores aumentos (11% no PIB e 46% nas importa\u00e7\u00f5es). Infelizmente, alguns dados aqui apontados n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis. Os mais recentes s\u00e3o da d\u00e9cada de 1990. Eles, por\u00e9m, permitem as seguintes conclus\u00f5es de longo prazo sobre as mudan\u00e7as estruturais da ind\u00fastria:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1) A expans\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria qu\u00edmica latino-americana se deu entre 1975 e in\u00edcio dos anos 1980. Esse fen\u00f4meno teve maior amplitude nos tr\u00eas maiores pa\u00edses e, no caso do Brasil, tamb\u00e9m contribuiu o programa de \u00e1lcool carburante de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2) Com as pol\u00edticas de abertura, nos anos 1990, houve fortes altera\u00e7\u00f5es ou desacelera\u00e7\u00f5es nos setores mais complexos (bens de capital e insumos eletr\u00f4nicos), que deixaram de ser a vanguarda da industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses grandes e m\u00e9dios. Alguns acordos setoriais \u2013 notadamente no caso da ind\u00fastria automobil\u00edstica \u2013 puderam ainda evitar o pior em alguns setores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3) O maior avan\u00e7o na estrutura produtiva deu-se nos setores mais voltados para a exporta\u00e7\u00e3o, como os da agroind\u00fastria, cal\u00e7ados, confec\u00e7\u00f5es, celulose, n\u00e3o ferrosos e material de transporte \u2013 este, nos casos do M\u00e9xico e do Mercosul. O Chile parece ser o pa\u00eds onde ocorreu o maior avan\u00e7o estrutural dos setores leves \u2013 notadamente alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas \u2013, gra\u00e7as \u00e0 op\u00e7\u00e3o \u201cneoprim\u00e1rio-exportadora\u201d de suas elites, a partir do golpe de 1973, com base no uso intenso de recursos naturais (frutas, bebidas, celulose, min\u00e9rios, produtos de pesca, m\u00f3veis de madeira etc.). L\u00e1, o peso dessas ind\u00fastrias passou de 16,8% do total da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o em 1970 para 26,6 em 1980 e 29,6% em 1994, um caso talvez inusitado na hist\u00f3ria da industrializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4) Isso levou a estrutura produtiva a um patamar supostamente mais avan\u00e7ado, estimulado pelas exporta\u00e7\u00f5es e pelo consumo das classes de altas rendas e n\u00e3o pela acumula\u00e7\u00e3o produtiva. As pol\u00edticas de abertura estancaram ou reduziram a participa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de bens de capital e de aparelhos eletr\u00f4nicos em quase todos os pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Resumidamente, o avan\u00e7o industrial de maior complexidade (qu\u00edmica de base, petroqu\u00edmica e bens de capital) \u00e9 heran\u00e7a do per\u00edodo em que ainda se ousava fazer pol\u00edtica econ\u00f4mica e industrial. O \u201cavan\u00e7o\u201d atual \u00e9 fruto do ajuste passivo, das decis\u00f5es das ETs, das exporta\u00e7\u00f5es e do del\u00edrio consumista.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3142\" aria-describedby=\"caption-attachment-3142\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Trabajadores-en-fabrica-textil-en-la-Republica-Dominicana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3142\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Trabajadores-en-fabrica-textil-en-la-Republica-Dominicana.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"501\" data-id=\"3142\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Trabajadores-en-fabrica-textil-en-la-Republica-Dominicana.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Trabajadores-en-fabrica-textil-en-la-Republica-Dominicana-300x196.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/Trabajadores-en-fabrica-textil-en-la-Republica-Dominicana-400x261.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3142\" class=\"wp-caption-text\">Trabalhadores em f\u00e1brica t\u00eaxtil na Rep\u00fablica Dominicana (Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desempenho dos servi\u00e7os<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O setor terci\u00e1rio compreende dois segmentos: o de servi\u00e7os b\u00e1sicos (\u00e1gua, eletricidade, g\u00e1s, comunica\u00e7\u00f5es, transporte e armazenagem) e o de outros servi\u00e7os (com\u00e9rcio, finan\u00e7as, alugu\u00e9is, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade etc.). O primeiro, em 2002, representava cerca de 11% do PIB e o segundo, 53%. O terci\u00e1rio total, entre 1980 e 1989, cresceu \u00e0 taxa m\u00e9dia anual de 1,9% e, entre 1989 e 2002, \u00e0 de 2,7%, no primeiro per\u00edodo s\u00f3 ficando abaixo da taxa de crescimento da agricultura e, no segundo, s\u00f3 abaixo da minera\u00e7\u00e3o, e em ambos, acima da taxa de crescimento do PIB.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A intensifica\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica e o maior volume de produ\u00e7\u00e3o e de neg\u00f3cios \u2013 principalmente com\u00e9rcio e importa\u00e7\u00f5es \u2013 estimularam o uso mais intenso dos servi\u00e7os da infraestrutura, com o que os servi\u00e7os b\u00e1sicos cresceram a 4,8% anuais. Os outros servi\u00e7os tiveram baixa taxa m\u00e9dia anual (2,2%), em parte devido \u00e0 crescente terceiriza\u00e7\u00e3o de atividades antes computadas na agropecu\u00e1ria e na ind\u00fastria \u2013 e agora terceirizadas \u2013, ao aumento da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e do desemprego, que estimulam a expans\u00e3o dos servi\u00e7os pessoais \u2013 notadamente o emprego dom\u00e9stico \u2013, do com\u00e9rcio ambulante etc.<\/span><\/p>\n<p><b>Crise de emprego e desigualdade de rendas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O problema do emprego e a quest\u00e3o social foram muito agravados pelas pol\u00edticas neoliberais. A taxa m\u00e9dia anual de desemprego urbano aberto da Am\u00e9rica Latina passou, entre 1980 e 1990, de uma m\u00e9dia simples de 6,2% a 5,9% e, entre 1990 e 2003, de uma m\u00e9dia ponderada de 7,3% para 10,7%. Mas, para os jovens de15 a 24 anos, em 1999, ela se situava em torno de 20% e, para os 20% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, em 22,3%, agravando a quest\u00e3o da pobreza e da distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda em 2003, as taxas de desemprego da Argentina, Col\u00f4mbia, Uruguai e Venezuela situavam-se em torno de incr\u00edveis 17%, acima das elevadas taxas do Paraguai (11,2%) e do Brasil (12,3%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Chile, dadas suas elevadas taxas de crescimento, conseguiu diminuir o desemprego de 9,2% para 6,2% em 1993. Mas, com a desacelera\u00e7\u00e3o que se seguiu, o desemprego voltou a crescer, oscilando em torno de 9% entre 1999 e 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O subemprego, por tempo de trabalho ou renda, piorou em quase todos os pa\u00edses: seus indicadores (n\u00e3o ponderados) apontam para cerca de 10% em 1990 para 15% em 1996, na quest\u00e3o das horas trabalhadas, e se mant\u00e9m alto na quest\u00e3o da renda (cerca de 20%). Indicadores da estabilidade e prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador tamb\u00e9m pioraram. Por outro lado, a precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho aumentou, com a taxa de informalidade passando de 40% em 1980 para 52% em 1990 e 56% em 1995, compensando parte das perdas de emprego do setor p\u00fablico e das grandes empresas. At\u00e9 2003, n\u00e3o apresentava melhorias significativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sal\u00e1rio m\u00ednimo real urbano nos principais pa\u00edses, em 1999, s\u00f3 havia superado os n\u00edveis de 1980 no Chile (40%), mas nos demais ficava em n\u00edveis muito inferiores, como no M\u00e9xico (-73%) e no Peru (-71%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto aos sal\u00e1rios m\u00e9dios reais, de dif\u00edcil e complexa compara\u00e7\u00e3o diante das mudan\u00e7as estruturais, em 2003, em alguns pa\u00edses, ainda se encontravam abaixo da realidade de 1980, como na Argentina (-28%), no Peru (-59%) e na Venezuela (-75%). O Chile, de novo, era a exce\u00e7\u00e3o, com n\u00edveis mais altos (54%) do que em 1980, acompanhado de perto pelo Brasil (21%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O crescimento econ\u00f4mico entre 1989 e 2002, ainda que baixo, reduziu um pouco a pobreza, a qual, contudo, era ainda maior do que a observada em 1980: neste ano, encontravam-se abaixo da linha de pobreza 40,5% da popula\u00e7\u00e3o, cifra que subiu para 48,3% em 1990, caiu para 42,5% em 2000 e voltou a subir para 44,0% em 2002. A regress\u00e3o, contudo, foi pior na \u00e1rea urbana (29,8% em 1980, 41,4% em 1990, 35,9% em 2000 e 38,4% em 2002). A popula\u00e7\u00e3o abaixo da linha de indig\u00eancia, que, em 1980, era de 18,6%, passou, em 1990, a 22,5%, caindo para 18,1%, e ficando em 19,4% em 2002. Nesse caso, a regressividade tamb\u00e9m foi maior na \u00e1rea urbana. Em termos absolutos, a popula\u00e7\u00e3o que atingia a linha de pobreza passou (em milh\u00f5es) de 136 em 1980 a 200 em 1990 e 221 em 2002; as respectivas cifras referentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de indig\u00eancia foram 62, 93 e 97.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">V\u00e1rios pa\u00edses tiveram acentuadas quedas nas porcentagens de pobres e indigentes, principalmente no Chile e, pela ordem, tamb\u00e9m no Brasil, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Uruguai. Mas os n\u00fameros relativos, em muitos casos, escondem a crueldade dos absolutos: no caso do Brasil, por exemplo, a melhoria relativa n\u00e3o mostra que os n\u00fameros de pessoas pobres e indigentes eram (em milh\u00f5es), respectivamente, 46 e 20 em 1980, mas subiram para 70 e 34 em 1990, caindo um pouco em 2001, para 64 e 22. Na Argentina, Bol\u00edvia, Paraguai, Peru e Venezuela, aumentaram as porcentagens de pobres e indigentes entre 1990 e 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora tenha ocorrido maior crescimento do PIB, recupera\u00e7\u00f5es ou ganhos parciais de sal\u00e1rios e alguns efeitos (apenas imediatos) positivos de algumas das pol\u00edticas de estabiliza\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o dos 40% mais pobres na renda, entre 1990 e 1999, piorou na Bol\u00edvia, no Equador, no M\u00e9xico, no Paraguai e na Venezuela. Houve melhoras pequenas, e de car\u00e1ter circunstancial, na Argentina, no Brasil, no Chile e na Col\u00f4mbia. A participa\u00e7\u00e3o dos 10% mais ricos na renda nacional aumentou sensivelmente na Argentina, no Brasil, no Equador, no Paraguai e na Venezuela, e a rela\u00e7\u00e3o entre as rendas m\u00e9dias desse estrato e a dos 40% mais pobres s\u00f3 diminuiu um pouco na Col\u00f4mbia (26,8 para 22,3) e no Uruguai (9,4 para 8,8). Enquanto este \u00faltimo apresentava a rela\u00e7\u00e3o mais baixa, o Brasil encontrava-se no topo (31,2 para 32).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O quadro do emprego e da renda das fam\u00edlias, quando justaposto \u00e0 piora dos servi\u00e7os p\u00fablicos sociais \u2013 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, principalmente \u2013, \u00e9 a contraface da profunda deteriora\u00e7\u00e3o social em que hoje vivemos. \u00c9 a mola propulsora da viol\u00eancia, do tr\u00e1fico, da prostitui\u00e7\u00e3o e da corrup\u00e7\u00e3o que atinge atualmente quase todo o espa\u00e7o urbano e grande parte do espa\u00e7o rural da Am\u00e9rica Latina. A diferen\u00e7a nos n\u00edveis do crime, da contraven\u00e7\u00e3o, da inseguran\u00e7a e da injusti\u00e7a, entre os diferentes pa\u00edses, \u00e9 apenas de grau.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quest\u00f5es para um progn\u00f3stico<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se pretende aqui tirar conclus\u00f5es \u201cdefinitivas\u201d sobre os rumos da Am\u00e9rica Latina, mas apenas assinalar as quest\u00f5es mais importantes para o conjunto do continente:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1) A sustentabilidade de um alto e persistente crescimento \u00e9 improv\u00e1vel com o atual modelo, dado que seu principal elemento \u00e9 o fluxo de capital externo, que teria que ser permanente e crescente. Isso se deve \u00e0 elevada vulnerabilidade externa, \u00e0 desregulamenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 liberalidade para as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais. As li\u00e7\u00f5es da d\u00e9cada de 1920 e as recentes crises de 1994-95, 1997, 1998-99 e 2000-02 ilustram essa an\u00e1lise. As taxas anuais do PIB dos principais pa\u00edses, entre 1989 e 2003, confirmam a debilidade e a descontinuidade do crescimento: na Argentina elas foram altas em 1991-94 e 1997, m\u00e9dias e modestas em 1996 e 1998 e fortemente negativas em 1995 e 1998-2002. As altas acumuladas em 2003 e 2004 somam 16,3%, insuficientes para compensar a queda acumulada em 1998-2002, de 19,5%; no Brasil, altas em 1993-95, modestas em 1997 e 2000, negativas em 1990 e 1992 e muito baixas nos outros sete anos; no M\u00e9xico foram altas em 1990-91, 1994, 1996-98 e 2000, modestas em 1992 e 1999 e muito baixas ou negativas em outros quatro anos; no Peru, altas em seis anos, modesta em um e muito baixas ou negativas em 1991-92, 1996 e 1998-2001; na Venezuela, altas em 1990-92, 1995 e 1997, m\u00e9dias em dois anos e muito baixas ou negativas nos outros sete anos; na Col\u00f4mbia, altas em 1990 e 1993-95, modestas em dois anos e muito baixas ou negativas em 1991, 1996-2002. O Chile teve melhor desempenho com altas em 1991-97 e 2000, modestas em quatro anos e muito baixas ou negativas em dois anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2) Durante as crises, a fuga de capitais costuma agravar o quadro, amenizado em seguida por financiamentos compensat\u00f3rios do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que aumentam o endividamento do pa\u00eds. A recess\u00e3o e a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial restringem as importa\u00e7\u00f5es e expandem as exporta\u00e7\u00f5es e a infla\u00e7\u00e3o. As altas taxas de juros podem reprimi-la, mas restringem tamb\u00e9m os investimentos produtivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3) Passados os per\u00edodos recessivos, os capitais e alguns investimentos costumam voltar e as exporta\u00e7\u00f5es crescentes geram a retomada do crescimento. Mas, quanto mais alto o crescimento, maior o aumento das importa\u00e7\u00f5es e demais gastos externos, repondo o d\u00e9ficit de transa\u00e7\u00f5es correntes e inviabilizando, a m\u00e9dio prazo, a continuidade da expans\u00e3o. Contudo, os economistas\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">oficiais\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">teimam em n\u00e3o ver essa consequ\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4) No passado recente, os economistas usaram, nas pol\u00edticas de estabiliza\u00e7\u00e3o, processos que, na maioria das vezes, significavam \u201cesconder a infla\u00e7\u00e3o debaixo do tapete\u201d, atrav\u00e9s de indexa\u00e7\u00f5es reduzidas, congelamentos de pre\u00e7os e dr\u00e1sticos cortes credit\u00edcios. Hoje, utilizam a valoriza\u00e7\u00e3o cambial, elevando os juros, agravando os custos financeiros e inibindo os investimentos produtivos. Isso altera violentamente a estrutura de pre\u00e7os relativos e fortalece a fogueira da especula\u00e7\u00e3o. A menos que a\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mem\u00f3ria inflacion\u00e1ria\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">tenha um curso de tempo suficiente para destru\u00ed-la, n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda sen\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o parcial da riqueza privada acumulada nesse processo. Caso contr\u00e1rio, a infla\u00e7\u00e3o reprimida \u201csair\u00e1 do tapete\u201d. Contudo, a qualquer crise cambial de maior vulto, a desvaloriza\u00e7\u00e3o se torna crucial, repondo novamente o processo inflacion\u00e1rio, ainda que nos dias atuais em patamares mais baixos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5) Alguns economistas \u2013 at\u00e9 mesmo da esquerda \u2013 julgam que o problema da d\u00edvida externa est\u00e1 equacionado, dadas as recentes renegocia\u00e7\u00f5es e as enormes entradas de capital. Contudo, ela passou de US$ 180 bilh\u00f5es, em 1979, a 440 em 1989 e a 743 em 2003, e grande parte do aumento se deu no setor privado. Isso aumenta ainda mais a instabilidade e o risco, pois diante de novas desvaloriza\u00e7\u00f5es, que mais cedo ou mais tarde vir\u00e3o, muitas empresas e institui\u00e7\u00f5es financeiras quebrar\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">6) H\u00e1 que ressalvar tamb\u00e9m a entrada de investimentos diretos \u2013 que nestes anos deslocou-se da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica para o ganho f\u00e1cil das privatiza\u00e7\u00f5es \u2013 para os oportunos neg\u00f3cios de compras de empresas nacionais e para os ramos de servi\u00e7os, em que se destaca a crescente internacionaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas financeiros e de telecomunica\u00e7\u00f5es nacionais. Alocados em setores n\u00e3o comercializ\u00e1veis, geram ainda crescente fluxo de remessa de lucros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">7) A privatiza\u00e7\u00e3o de ativos p\u00fablicos e a concess\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos foi parte integrante do receitu\u00e1rio neoliberal, com argumentos parcialmente v\u00e1lidos, como a quest\u00e3o fiscal e a da efici\u00eancia produtiva. Entre 1990 e 2001, as empresas privatizadas responderam por cerca de 1,4% do PIB acumulado no per\u00edodo, mas seu efeito \u201ccurativo\u201d \u00e9 parcial e passageiro, dado que os d\u00e9ficits retornam por outras raz\u00f5es. O argumento fiscal n\u00e3o se sustenta, principalmente no caso das estatais que, embora altamente lucrativas, tamb\u00e9m foram privatizadas. Um dos absurdos das novas teorias tem sido identificar o financiamento de estatais lucrativas como aumento do d\u00e9ficit. O argumento da efici\u00eancia \u2013 como se isso fosse aferido apenas pela taxa de lucro \u2013 oculta o car\u00e1ter p\u00fablico dessas empresas e seu papel na pol\u00edtica de estabiliza\u00e7\u00e3o, mediante a conten\u00e7\u00e3o de seus pre\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">8) Consumo e investimento s\u00e3o os principais indicadores da economia, sendo o investimento interno bruto fixo seu principal determinante de crescimento. Mas, como se viu, o consumo cresceu nos anos 1990 tanto quanto ou mais do que o investimento, pois este estava inibido pelos escorchantes juros, pela incerteza e instabilidade. Para que haja crescimento sustentado, o consumo teria de voltar com mais for\u00e7a, com o barateamento das importa\u00e7\u00f5es e a abund\u00e2ncia do cr\u00e9dito externo, mas, o crescimento do PIB, majoritariamente determinado pelo consumo, teria vida curta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">9) O grande aumento de importa\u00e7\u00f5es, tanto de bens de consumo como de insumos, at\u00e9 1998, estava desestruturando os parques produtivos latino-americanos (principalmente os industriais) e comprometendo seriamente a gera\u00e7\u00e3o de valor agregado e de empregos. A reversibilidade da desestrutura\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 problem\u00e1tica, e pode atrapalhar a retomada de crescimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">10) Os defensores do modelo apregoam a melhora da distribui\u00e7\u00e3o de renda na fra\u00e7\u00e3o mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. Contudo, essa melhora decorre da estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, \u00e9 do tipo\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">once for all<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, e n\u00e3o de natureza corretiva estrutural. Al\u00e9m disso, o modelo, ao desregulamentar e liberalizar o capital, beneficiou especuladores e ampliou ainda mais a classe dos\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">rentiers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">11) A continuidade das reformas em marcha, por outro lado, conduzir\u00e1 os Estados nacionais a um grau ainda menor de interven\u00e7\u00e3o na economia, paradoxalmente, quando ela se torna mais necess\u00e1ria para a reconvers\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Esta, contudo, certamente exigir\u00e1 um dif\u00edcil e complexo arranjo pol\u00edtico interno e externo, com necess\u00e1rio\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">turnover\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">nos segmentos dirigentes da economia, da pol\u00edtica e do Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">12) Por \u00faltimo, como o novo modelo \u00e9 altamente sens\u00edvel \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es internacionais, seu futuro depende da evolu\u00e7\u00e3o da conjuntura internacional, e qualquer revers\u00e3o desta encontrar\u00e1 o Estado desaparelhado para oferecer uma resposta imediata. A conjuntura de 2003-05 \u00e9 das mais favor\u00e1veis, diante do exuberante papel da China, da retomada da economia dos EUA e da manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">commodities\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">em n\u00edveis altos. Por\u00e9m, a incerteza sobre o d\u00f3lar, o prov\u00e1vel desaquecimento da China e a prov\u00e1vel eleva\u00e7\u00e3o internacional dos juros certamente trar\u00e3o novos impactos negativos para a regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>As diferentes estrat\u00e9gias dos pa\u00edses<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um exame sum\u00e1rio das estrat\u00e9gias econ\u00f4micas dos principais pa\u00edses da regi\u00e3o sugere que eles poder\u00e3o ter hist\u00f3rias diferentes:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1) O Chile, talvez o mais diferente, optou por crescer com base em seus recursos naturais, com discut\u00edvel e dif\u00edcil perspectiva futura, diante do problema do esgotamento de recursos e da competi\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses. Em sua pauta exportadora, os produtos prim\u00e1rios ainda somam 83% \u2013 com o cobre e seus produtos liderando com quase 40% \u2013, sendo os outros pesca, fruticultura e madeira. Parte do sucesso exportador deve-se a fatores clim\u00e1ticos: suas colheitas ocorrem nos per\u00edodos de entressafra do hemisf\u00e9rio Norte. Sua lideran\u00e7a em termos de taxas de crescimento e de estabilidade em v\u00e1rios planos econ\u00f4micos e pol\u00edticos n\u00e3o impediu as desvaloriza\u00e7\u00f5es, as altas de pre\u00e7os e os aumentos nas d\u00edvidas (p\u00fablica e privada) externas e internas. Seu crescimento m\u00e9dio \u2013 mais alto do que o restante da regi\u00e3o, embora tamb\u00e9m tenha se desacelerado ap\u00f3s 1997 \u2013 possibilitou a gera\u00e7\u00e3o de uma renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em 2003, 79% maior do que a de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2) O M\u00e9xico desenvolveu sua ind\u00fastria, por\u00e9m a est\u00e1 convertendo (j\u00e1 em fase avan\u00e7ada) em complemento da ind\u00fastria norte-americana, atrelando-se, assim, \u00e0 din\u00e2mica e \u00e0s determina\u00e7\u00f5es daquela economia. Apesar do sucesso da expans\u00e3o de suas exporta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a crise de 1995, n\u00e3o escapou da din\u00e2mica perversa do modelo, voltando a ter enormes d\u00e9ficits em conta corrente e continuando a sofrer as agruras da crise internacional. Agora, enfrenta a concorr\u00eancia da China que, em 2003, superou as exporta\u00e7\u00f5es mexicanas \u2013 e tamb\u00e9m as centro-americanas de confec\u00e7\u00f5es \u2013 para os EUA. Em que pese a alta\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">performance\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">exportadora, sua renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em 2003, era apenas 11% maior do que a de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3) A Argentina amarrou-se institucionalmente ao congelamento cambial e procurou inutilmente, at\u00e9 1999-2001, um rem\u00e9dio miraculoso para salvar sua mistificada dolariza\u00e7\u00e3o ou preserv\u00e1-la dos efeitos da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial do Brasil. Todo o rigor ortodoxo foi in\u00fatil: os pesados d\u00e9ficits de transa\u00e7\u00f5es correntes consumiram as reservas e assustaram o capital, corroendo ainda mais as finan\u00e7as p\u00fablicas. A d\u00edvida p\u00fablica, que em 1991-92 estava pr\u00f3xima de 25% do PIB, em 2000 chegou a 46%, explodindo para 138% em 2003. A forte determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo em negociar duro e a insolv\u00eancia a que chegou o pa\u00eds explicam o sucesso de sua proposta (2005) de renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas externa e interna, com o fant\u00e1stico des\u00e1gio de 30% e 66%, com alongamento de prazos de 30 a 42 anos, e juros que variam em fun\u00e7\u00e3o dos prazos e dos des\u00e1gios. Resta saber se essas atitudes s\u00e3o apenas circunstanciais ou se, daqui em diante, o pa\u00eds realmente procurar\u00e1 resgatar o tempo perdido. Sua renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">em 2003 equivalia a apenas 88% da de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4) O Brasil, por sua vez, seguiu os passos mexicanos e argentinos rumo ao desastre cambial, cujo paliativo \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o abrupta, seguida de recess\u00e3o, renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e novos empr\u00e9stimos, resultando em quebras financeiras, novo aumento das d\u00edvidas externa e p\u00fablica interna, e agravamento do quadro pol\u00edtico e social. Em 1998, para se reeleger, o governo de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-cardoso-fernando-henrique\">Fernando Henrique Cardoso<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">obteve, junto ao FMI empr\u00e9stimo de US$ 41 bilh\u00f5es, com o que postergou o estouro cambial para 1999. Em meados de 2002, para conter o temor do mercado pela quase certa elei\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-lula-da-silva-luiz-inacio\"><span style=\"font-weight: 400;\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, assinou mais um acordo com o FMI, de US$ 24 bilh\u00f5es. O novo governo assumiu comprometido com o cumprimento dos contratos, de modo que a pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o saiu da linha ortodoxa, em que pese ser um \u201cgoverno de esquerda\u201d. Assim, ocorreu nova recess\u00e3o em 2003, com desvaloriza\u00e7\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o, juros escorchantes, enfim um rol de consequ\u00eancias bem conhecido. Foram 25 anos de sacrif\u00edcios para que, em 2003, a renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">do pa\u00eds fosse 2% inferior \u00e0 de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5) A estrat\u00e9gia da Col\u00f4mbia tinha uma estrutura da d\u00edvida (m\u00e9dio para longo prazo), uma baixa infla\u00e7\u00e3o e estabilidade maior de seu crescimento, o que sugeria que sua pol\u00edtica econ\u00f4mica e suas reformas pudessem trilhar caminhos diferentes. Ela, contudo, tamb\u00e9m enveredou pelo neoliberalismo, com o que sua situa\u00e7\u00e3o social ficou ainda mais problem\u00e1tica. As press\u00f5es dos EUA (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Plano Col\u00f4mbia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) quanto ao combate ao\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">narcotr\u00e1fico\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, as seis d\u00e9cadas de guerrilha e as estruturas paramilitares contribu\u00edram para agravar sua situa\u00e7\u00e3o. Apesar de tudo, sua renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">em 2003 superava em 27% a de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">6) A Venezuela, dada sua pequena base produtiva agr\u00edcola e industrial, j\u00e1 havia optado, desde a d\u00e9cada de 1930, pelo petr\u00f3leo. Por\u00e9m, os recursos naturais n\u00e3o bastam para ascender ao primeiro mundo. Pior ainda, nesse pa\u00eds, o peso econ\u00f4mico do petr\u00f3leo \u00e9 muito alto: 70% a 80% da pauta exportadora e da carga fiscal e 20% do PIB, mas, em contrapartida, ocupa apenas 2% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA). Produto prim\u00e1rio suscet\u00edvel a grandes flutua\u00e7\u00f5es, o petr\u00f3leo pode ser o o\u00e1sis ou o inferno da economia: quando sobem seus pre\u00e7os (ou a quantidade exportada), cresce a receita fiscal, o gasto p\u00fablico e o investimento, embora isso possa trazer violenta valoriza\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio; na queda, a receita cambial e a fiscal encolhem, mas o desejo (e a necessidade) de importar se mant\u00e9m, e o gasto p\u00fablico tenta resistir aos cortes, a\u00ed sobrev\u00eam as inevit\u00e1veis infla\u00e7\u00e3o e recess\u00e3o. Esse \u00e9 o paradoxo do petr\u00f3leo. A surpreendente vit\u00f3ria de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-chavez-hugo\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hugo Ch\u00e1vez<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, nas elei\u00e7\u00f5es e no referendo, e suas reformas institucionais progressistas trouxeram novo alento e esperan\u00e7a ao povo desse pa\u00eds, mas, ao atingir frontalmente os interesses da elite e do capital internacional, suscitaram tentativas de golpe \u2013 notadamente em 2002 e 2003, com a paralisa\u00e7\u00e3o da atividade petrol\u00edfera \u2013 que resultaram numa queda acumulada do PIB de 17,5%. Isso, somado ao baixo crescimento de longo prazo, fez com que a renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">de 2003 registrasse uma espantosa redu\u00e7\u00e3o de 31% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">7) No per\u00edodo 1980-2002, cerca de 83% das exporta\u00e7\u00f5es do Peru eram de produtos prim\u00e1rios. Al\u00e9m da estabilidade da moeda, as maiores cifras conquistadas at\u00e9 fins da d\u00e9cada de 1990, com a abertura de\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-fujimori-alberto\"><span style=\"font-weight: 400;\">Alberto Fujimori<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, foram uma taxa de 76% de subemprego na regi\u00e3o metropolitana de Lima e queda de 60% no sal\u00e1rio real, em rela\u00e7\u00e3o a 1980. A profunda deteriora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds levou a uma desmoralizante ren\u00fancia seguida de fuga para o Jap\u00e3o do presidente Alberto Fujimori no ano 2000, em grande parte por press\u00f5es dos EUA. Essa tr\u00e1gica trajet\u00f3ria fez com que a renda\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">de 2003 fosse 15% menor do que a de 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Qual o futuro desses pa\u00edses? Ele \u00e9 incerto, mas seguramente depende da restaura\u00e7\u00e3o da soberania nacional. A crise social atingia em 2006 n\u00edveis inusitados. A classe m\u00e9dia alta e as elites gozaram das del\u00edcias das importa\u00e7\u00f5es e das viagens internacionais baratas, mas eram incapazes de entender que o corol\u00e1rio do desemprego \u00e9 o aumento da contraven\u00e7\u00e3o e do crime. Os conservadores apelavam para paliativos antigos e novos, como a constru\u00e7\u00e3o de mais cadeias, reequipamento das pol\u00edcias ou agravamento das penas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As recentes vit\u00f3rias da oposi\u00e7\u00e3o progressista em v\u00e1rios pa\u00edses sul-americanos trouxe mais esperan\u00e7a, mas ao mesmo tempo muitos desapontamentos. Ch\u00e1vez tentava implementar na Venezuela seu programa nacionalista e de justi\u00e7a social, mas se defrontava com forte oposi\u00e7\u00e3o \u2013 golpista, inclusive \u2013 das elites e dos EUA.\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-kirchner-nestor-carlos\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e9stor\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Kirchner<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, diante do caos financeiro da Argentina, teve a coragem de enfrentar os credores externos (e os internos). Lula, no Brasil, se elegeu com um programa de esquerda, mas seguia uma pol\u00edtica contradit\u00f3ria: internamente mantinha a ortodoxia neoliberal e externamente tentava implementar uma pol\u00edtica independente, enfrentando os interesses dos EUA. Apesar de sua hist\u00f3ria e milit\u00e2ncia pol\u00edtica de esquerda, o presidente do Uruguai,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-vazquez-tabare\">Tabar\u00e9 V\u00e1zquez<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, eleito em 2004, emitia sinais de que sua pol\u00edtica econ\u00f4mica seguiria o figurino neoliberal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No M\u00e9xico, as pesquisas sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2006 sinalizavam a vit\u00f3ria do candidato da oposi\u00e7\u00e3o (PRD), mas o que poderia fazer um governo progressista diante da verdadeira \u201csoldagem\u201d da economia do pa\u00eds \u00e0 dos EUA? No passado recente, assistimos tamb\u00e9m a outras lideran\u00e7as progressistas sul-americanas se comportarem de forma amb\u00edgua: conservadores na economia, apoiando o neoliberalismo, e heterodoxos na pol\u00edtica, pelo menos quanto a temas que n\u00e3o contrariassem direta e abertamente o sistema financeiro internacional, como combate \u00e0 fome e defesa dos direitos civis e do meio ambiente, que jamais fizeram parte da agenda de qualquer Banco Central.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Indicadores econ\u00f4micos da Am\u00e9rica Latina<\/b><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><b>1980<\/b><\/td>\n<td><b>1990<\/b><\/td>\n<td><b>2000<\/b><\/td>\n<td><b>2001<\/b><\/td>\n<td><b>2002<\/b><\/td>\n<td><b>2003<\/b><\/td>\n<td><b>2004<\/b><\/td>\n<td><b>2005<\/b><\/td>\n<td><b>2010*<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">PIB (em milh\u00f5es de US$ a pre\u00e7os constantes de 1995)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">1.478.524,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">2.006.004,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">2.013.488,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">2.001.934,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">2.041.161,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">PIB\u00a0per capita\u00a0(em US$ a pre\u00e7os constantes de 1995)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.375,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.874,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.829,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.751,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.771,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Exporta\u00e7\u00f5es anuais\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">91.590,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">136.997,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">358.948,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">343.024,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">346.627,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">378.206,0a<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">464.362,0a<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 Exporta\u00e7\u00e3o de manufaturados\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">16.394,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">45.346,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">209.266,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">209.266,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">203.816,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">210.660,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 Exporta\u00e7\u00e3o de produtos manufaturados (%)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">17,90<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">33,10<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">58,20<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">59,10<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">58,80<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">55,70<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 Exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">produtos prim\u00e1rios\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">75.196,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">91.651,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">149.681,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">133.757,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">142.810,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">167.545,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 Exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">produtos prim\u00e1rios (%)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">82,10<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">66,90<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">41,80<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">40,90<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">41,20<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">44,30<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Importa\u00e7\u00f5es anuais\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">92.461,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">105.259,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">355.596,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">346.947,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">322.831,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">333.513,0a<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">406.002,0a<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Exporta\u00e7\u00f5es \u2013 importa\u00e7\u00f5es\u00a0(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">-870,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">31.738,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">3.352,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">-3.923,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">23.796,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">44.693,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">58.360,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Investimentos estrangeiros diretos l\u00edquidos\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">5.744,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6.722,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">67.458,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">66.258,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">40.340,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">29.443,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA) (mil)b<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">126.160,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">167.484,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">217.241,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">243.511,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">269.416,7<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 PEA do sexo masculino (%)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">71,59<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">68,35<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">65,33<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">63,98<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">62,74<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 PEA do sexo feminino (%)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">28,41<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">31,65<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">34,67<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">36,02<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">37,26<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Taxa anual de desemprego urbano (%)c**<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,20<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,30<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,20<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">9,90<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,80<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,70<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,0*<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Total de gastos p\u00fablicos (milh\u00f5es de d\u00f3lares)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">135.756,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">275.862,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">268.101,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">160.788,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">168.004,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">D\u00edvida externa bruta desembolsada\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(em milh\u00f5es de US$)<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">222.712,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">468.332,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">745.188,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">728.956,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">727.346,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">757.997,0*<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">\u2026<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fontes: CEPAL.\u00a0Anuario estad\u00edstico de Am\u00e9rica Latina y el Caribe, 2001 e 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">a\u00a0CEPAL.\u00a0Balance preliminar de las econom\u00edas de Am\u00e9rica Latina y el Caribe, 2005. |\u00a0b\u00a0OIT.\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, 2006. |\u00a0c\u00a0CEPAL\/BADEINSO.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">* Proje\u00e7\u00f5es. | ** Inclui um ajuste dos dados do Brasil e da Argentina, para equacionar as mudan\u00e7as metodol\u00f3gicas dos anos 2002 e 2003, respectivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obs.: Informa\u00e7\u00f5es sobre fontes prim\u00e1rias e metodologia de apura\u00e7\u00e3o (incluindo eventuais mudan\u00e7as) s\u00e3o encontradas na base de dados ou no documento indicados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Taxa de desemprego urbano aberto (%)<\/b><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><b>1980<\/b><\/td>\n<td><b>1985<\/b><\/td>\n<td><b>1990<\/b><\/td>\n<td><b>1995<\/b><\/td>\n<td><b>2000<\/b><\/td>\n<td><b>2003<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Am\u00e9rica Latina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,2*<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">n.a.<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">8,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,7<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">2,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">17,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">15,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">17,3<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">5,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">4,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">4,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">12,3<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Chile<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">11,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">17,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">9,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">8,5<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Col\u00f4mbia<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">13,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">8,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">17,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">16,7<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Paraguai<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">4,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">5,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">5,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">11,2<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Uruguai<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">7,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">13,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">8,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">13,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">16,9<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">6,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">14,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">10,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">13,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">18,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: CEPAL; n.a.: n\u00e3o avaliado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">* M\u00e9dia simples.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Sal\u00e1rio m\u00ednimo real urbano\u00a0(1980 = 100)<\/b><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><b>1985<\/b><\/td>\n<td><b>1990<\/b><\/td>\n<td><b>1995<\/b><\/td>\n<td><b>1999<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">113,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">40,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">75,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">75,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">88,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">53,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">82,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">93,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Chile<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">76,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">87,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">113,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">40,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">71,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">45,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">30,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">27,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Peru<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">54,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">23,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">14,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">29,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">96,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">59,3<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">54,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">45,0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Sal\u00e1rios m\u00e9dios reais\u00a0(1980 = 100)<\/b><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><b>1985<\/b><\/td>\n<td><b>1990<\/b><\/td>\n<td><b>1995<\/b><\/td>\n<td><b>2000<\/b><\/td>\n<td><b>2003<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">107,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">78,7<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">80,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">85,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">71,6<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil*<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">120,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">142,1<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">136,0<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">142,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">121,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Chile<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">93,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">104,8<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">129,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">147,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">154,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9xico<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">75,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">77,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">88,4<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">87,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">96,5<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Peru<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">77,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">36,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">42,6<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">38,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">41,0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">Venezuela<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">84,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">46,2<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">33,5<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">32,9<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">25,3<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: CEPAL.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">* Emprego formal: at\u00e9 1995, m\u00e9dia da ind\u00fastria do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mapas<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/image7.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-6225\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/image7.png\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"1082\" data-id=\"6225\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/wp-content\/uploads\/sites\/922\/2022\/03\/image7.png 720w, 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Mercados laborales, encadenamientos productivos y pol\u00edticas de empleo en Am\u00e9rica Latina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: ILPES, 1997.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">AZPIAZU, D. El programa de privatizaciones: desequilibrios macroecon\u00f3micos, insuficiencias regulatorias y concentraci\u00f3n del poder econ\u00f3mico. In MINSBURG, N.; VALLE, H. W. (Coord.).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Argentina hoy: crisis del modelo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Buenos Aires: Letra Buena, 1995.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">BIELSCHOWSKY, R.; STUMPO, G. Transnational corporations and structural changes in industry in Argentina, Brasil, Chile and Mexico.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">CEPAL Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 55. Santiago: CEPAL, 1995.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">BRAGA, J. C. S. Financeiriza\u00e7\u00e3o global: o padr\u00e3o sist\u00eamico do capitalismo contempor\u00e2neo. In: TAVARES, M. C.; FIORI, J. L. (Orgs.).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Poder e dinheiro \u2013 uma economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Petr\u00f3polis: Vozes, 1997.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">CANO, W.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Reflex\u00f5es sobre o Brasil e a nova (des)ordem internacional<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 4. ed. Campinas: Unicamp, 1995.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Notas sobre o imperialismo hoje.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cr\u00edtica Marxista<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, v. 1, n. 3. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1996.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Soberania e pol\u00edtica econ\u00f4mica na Am\u00e9rica Latina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo\/Campinas: Unesp\/Unicamp \u2013 Instituto de Economia, 2000. (Traduzido para o espanhol com o mesmo t\u00edtulo. Cartago, Costa Rica: LUR \u2013 Libro Universit\u00e1rio Regional, 2001.)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Furtado: a quest\u00e3o regional e a agricultura itinerante no Brasil. In CANO, W.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ensaios sobre a forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4 mica regional do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Campinas: Unicamp \u2013 Instituto de Economia-Fecamp, 2002.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">C\u00c1RDENAS S., M.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Empleo y distribuci\u00f3n del ingreso en America Latina. Hemos avanzado?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Bogot\u00e1: TM, 1997.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">CARMAGNANI, M.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Estado y sociedad en Am\u00e9rica Latina: 1850-1930<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Barcelona: Cr\u00edtica, 1984.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">CEPAL.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Panorama<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">social<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: CEPAL, v\u00e1rios anos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Economic<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">indicators<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: CEPAL, 1997a.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Estudio econ\u00f3mico de Am\u00e9rica Latina y el Caribe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: CEPAL, v\u00e1rios anos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Balance preliminar de la econom\u00eda de Am\u00e9rica Latina y el Caribe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: CEPAL, 1997b.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Anuario estad\u00edstico de Am\u00e9rica Latina y el Caribe.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Santiago de Chile: CEPAL, v\u00e1rios anos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">DUR\u00c1N JUAREZ, J. M. y otros (Coords.).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">La globalizaci\u00f3n en Am\u00e9rica Latina a la luz del nuevo milenio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Guadalajara: Universidad de Guadalajara, 2003.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">FAO.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">El estado mundial de la agricultura y la alimentaci\u00f3n<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. FAOESTATE, Roma: FAO, v\u00e1rios anos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">FRENCH-DAVIS, R. El efecto tequila, sus origenes y su alcance contagioso.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Desarrollo Econ\u00f3mico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 146, v. 37. Buenos Aires: IDES, jul.-dic.1997.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">FURTADO, C.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Rio de Janeiro: LIA, 1969<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0An\u00e1lise do modelo brasileiro.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a03. ed. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1972.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">__________.\u00a0Teoria e pol\u00edtica do desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a010. ed. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2000<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">G\u00d3MEZ-OLIVER, L. Efectos de la apertura externa y la liberalizaci\u00f3n financiera sobre el sector agropecuario en Am\u00e9rica Latina y el Caribe.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cuadernos de la CEPAL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 81. Santiago de Chile: CEPAL, 1997.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">HALPERIN DONGUI, T.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Historia contempor \u00e1nea de Am\u00e9rica Latina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Buenos Aires: Alianza, 1986.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">HELD, G.; SZALACHMAN, R.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Flujos de capital externo en Am\u00e9rica Latina y el Caribe: experiencias pol\u00edticas en los noventa.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Santiago de Chile: CEPAL, abr. 1997. (Serie Financiamiento del Desarrollo, n. 50).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ILPES.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Reforma y modernizaci\u00f3n del Estado.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Santiago de Chile: ILPES, 1995.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">NACIONES UNIDAS.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Estudio econ\u00f3mico y social mundial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Nova York: ONU, v\u00e1rios anos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">TAVARES , M. C.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Acordo de investimentos, privatiza\u00e7\u00e3o e cidadania.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Folha de S.Paulo: 1-3-1998, p. 6\/2.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">__________; FIORI, J. L.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Desajuste global e moderniza\u00e7\u00e3 o conservadora.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">UTHOFF, A.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Reformas a los sistemas de pensiones en Am\u00e9rica Latina y el Caribe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Santiago de Chile: CEPAL, 1995. (Serie Financiamento del Desarrollo, n. 29.)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">__________; FRENCH-DAVIS, R.; TITELMAN, D. Entorno macroecon\u00f3mico para el desarrollo productivo en el contexto de entrada de capitales externos<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cuadernos de la CEPAL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n. 81. Santiago de Chile: CEPAL, 1997.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wilson Cano<\/p>\n","protected":false},"author":22576,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"off","ocean_gallery_id":[],"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[100,112,116,129],"tags":[220,7,210],"class_list":["post-3133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia-e-tecnologia","category-economia","category-geopolitica-e-relacoes-internacionais","category-temas-temas","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-economia","tag-geopolitica-e-relacoes-internacionais","entry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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