Exposição Sopro da Floresta: cura que vem da terra 02/07/2026

A Fiocruz inaugura, em 2 de julho, a exposição “Sopro da Floresta: cura que vem da terra”, com curadoria indígena e protagonismo de lideranças espirituais dos povos originários. A mostra reúne saberes e experiências de Pajés, Majés e Kujãs dos povos Kaingang, de São Paulo, e Pitaguary, do Ceará, propondo ao público novas reflexões sobre saúde, cuidado e bem viver. A cerimônia de abertura será realizada na Tenda da Ciência Virgínia Schall, a partir das 9h.
Instalada nas salas 307 e 308 do Castelo da Fiocruz, a exposição é inspirada nas cosmologias indígenas e apresenta o conceito do Bem Viver, que compreende a saúde como resultado do equilíbrio entre corpo, espiritualidade, comunidade e natureza. Gratuita e acessível, a iniciativa propõe uma experiência imersiva que aproxima os visitantes de diferentes formas de compreender e promover a vida.
A iniciativa foi desenvolvida pelo Museu da Vida Fiocruz, em parceria com os museus indígenas Worikg Sol Nascente e Pitaguary e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).
A mostra convida o público a conhecer os desafios enfrentados pelos povos Pitaguary e Kaingang, marcados pela luta constante pela preservação de seus territórios, culturas e modos de vida diante das pressões contemporâneas. Ao mesmo tempo, revela os futuros sonhados por essas comunidades, pautados na valorização das tradições, no fortalecimento das identidades e na construção de caminhos sustentáveis para as próximas gerações, onde o respeito, a autonomia e a ancestralidade sigam vivos e pulsantes.
Módulos abordam floresta, ancestralidade e desafios contemporâneos
A exposição é composta por oito módulos que abordam saberes ancestrais, espiritualidade, práticas de cuidado e desafios contemporâneos enfrentados pelos povos originários.
Entre os temas apresentados estão os conhecimentos que vêm da floresta, a atuação dos pajés, o uso de instrumentos musicais e elementos de proteção, além da cozinha como espaço sagrado de produção de saúde. A mostra reúne ainda depoimentos em vídeo de lideranças indígenas, desenhos produzidos por crianças da Escola Indígena Pitaguary Ita-Ara, no Ceará, cantos tradicionais dos povos Pitaguary e Kaingang e outros recursos que ampliam a experiência dos visitantes.
Ao compartilhar formas ancestrais de cuidado, a exposição também lança um alerta sobre as ameaças enfrentadas pelos mais de 300 povos originários do Brasil. A mensagem, porém, ultrapassa os territórios indígenas: o desequilíbrio ambiental compromete a rede de vida que sustenta todos os seres vivos.
“Nossos antepassados falam que temos que ouvir a voz da floresta e ter esperança, assim nos fortalecemos: acreditando em um novo amanhã. Escute a voz que vem nos ventos trazendo o sopro da cura, que vem no tempo”, afirma Majé Nádia Pitaguary, uma das curadoras da exposição.
Para o antropólogo Alex Hermes, que participou da produção da mostra, “Sopro da Floresta: cura que vem da terra” é mais do que uma exposição.
“Por meio de cantos tradicionais, artefatos rituais e narrativas indígenas, os visitantes conhecerão formas ancestrais de cuidado e as advertências desses povos sobre os perigos contemporâneos — como o agronegócio e a poluição das águas — que ameaçam a rede de vida que sustenta a todos nós”, destaca.
A coordenadora geral, Paula Bonatto, ressalta que a iniciativa promove o encontro entre diferentes formas de compreender a saúde e a vida. “São os povos originários que abrem as portas do Castelo da Fiocruz para nos conduzir por histórias e sonoridades que integram todos os seres vivos à Mãe Terra, celebrando a vida que resiste e se cura por meio do sopro de suas florestas”, afirma.
A exposição é uma realização do Museu da Vida, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.
Confira a programação:
9h: Café de Acolhimento
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Eloy Terena (Ministro dos Povos Indígenas)
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Patrícia Canto (Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz)
- Weibe Tapeba (Ex-Secretário Especial de Saúde Indígena, Ministério da Saúde)
- Marcos José Pinheiro (Diretor da Casa de Oswaldo Cruz – COC/Fiocruz)
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Luís Amorim (Chefe do Museu da Vida Fiocruz)Mestre de Cerimônia: Jannah Guató (Museu da Vida Fiocruz)
- Ceiça Pitaguary (Ministério dos Povos Indígenas)
- Kujã Dirce Jorge Kaingang (Museu Worigk)
- Majé Nádia Pitaguary (Museu Indígena Pitaguary)
- Marília Xavier Cury (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP)
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Maria Paula Bonatto (Museu da Vida Fiocruz)Mediação: Denise Studart (Museu da Vida Fiocruz)
11h às 11h30: Caminhada liderada por Pajés e Kujãs Indígenas até o Castelo da Fiocruz
11h30 às 13h: Visita guiada à exposição (Salas 307 e 308 do Castelo da Fiocruz)
13h: Brunch na Tenda da Ciência Virgínia Schall
14h30 às 16h30: Roda de Conversa com as curadoras e representantes de etnias
Tema: Cultura e Saúde Indígena: avanços e desafios. O que podemos construir juntos?
Serviço :
Inauguração da exposição “Sopro da Floresta: cura que vem da terra”
Quando: 2 de julho (quinta-feira), às 9h
Onde: Tenda da Ciência Virgínia Schall – Museu da Vida Fiocruz
Campus Fiocruz Manguinhos – RJ. Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro.
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