{"id":1366,"date":"2015-04-02T17:50:21","date_gmt":"2015-04-02T20:50:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=1366"},"modified":"2016-02-29T15:48:07","modified_gmt":"2016-02-29T18:48:07","slug":"nap-ceru-avalia-estereotipos-de-populacao-em-situacao-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/1366","title":{"rendered":"NAP-CERU avalia estere\u00f3tipos de popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><a title=\"NAP-CERU evaluates stereotypes of people who live on the streets\" href=\"http:\/\/www.prp.usp.br\/nap-ceru-evaluates-stereotypes-people-live-streets\/\">English version<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><i>Por Giovanna Lukesic Reis<\/i><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que imagina o senso comum, a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua n\u00e3o se restringe a usu\u00e1rios de drogas e pessoas com problemas mentais. Trata-se de um contingente heterog\u00eaneo e predominantemente masculino, uma vez que mulheres conseguem mais facilmente se incorporar em casas de fam\u00edlia ou recorrer \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos resultados de uma pesquisa realizada pelo N\u00facleo de Apoio \u00e0 Pesquisa Centro de Estudos Rurais e Urbanos (CERU), da Faculdade de Filosofia Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP, e que orientou pol\u00edticas p\u00fablicas da Prefeitura de S\u00e3o Paulo na \u00e1rea\u00a0social. A pesquisa, realizada entre 2009 e 2011, foi coordenada pela pesquisadora Maria Helena Rocha Antuniassi, uma das diretoras do CERU, sendo editada em livro em 2014.<\/p>\n<p>Feita sob demanda para a Secretaria Municipal de Assist\u00eancia e Desenvolvimento Social de S\u00e3o Paulo (SMADS), \u00e0 \u00e9poca comandada por Alda Marco Ant\u00f4nio, vice-prefeita do governo Kassab\u00a0(2003-2009),\u00a0a pesquisa pretendia conhecer a trajet\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, especialmente dos albergados \u2013 aqueles que utilizam os servi\u00e7os de acolhimento da SMADS.<\/p>\n<p>Para tomar conhecimento e compreender quem era essa popula\u00e7\u00e3o, a qual vem aumentando consideravelmente, foram utilizadas t\u00e9cnicas quantitativas e qualitativas. Em 1991, o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o em estado de rua era de 3.392 pessoas; vinte anos depois, atingia 14.478, segundo censo feito pela Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESPSP).<\/p>\n<p><b>Popula\u00e7\u00e3o masculina e heterog\u00eanea<br \/>\n<\/b>A partir de tal m\u00e9todo, foi poss\u00edvel identificar certas caracter\u00edsticas entre aqueles que vivem em abrigos ou hot\u00e9is sociais e chegar a conclus\u00f5es que orientaram a secret\u00e1ria da SMADS em suas decis\u00f5es. A principal delas foi que essa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita a usu\u00e1rios de drogas ou pessoas com problemas mentais; \u00e9, na verdade, heterog\u00eanea, demandando, portanto, abrigos diferenciados que possam trabalhar com as peculiaridades de cada caso.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 a predomin\u00e2ncia masculina em situa\u00e7\u00e3o de rua (84,3%). Segundo\u00a0Maria Helena, isso ocorre porque as mulheres conseguem com mais facilidade ser incorporadas a casas de fam\u00edlia, como agregadas ou empregadas dom\u00e9sticas, o que n\u00e3o ocorre com homens. Al\u00e9m disso, mulheres com menos de 50 anos, quando se encontram nessa situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o facilmente incorporadas \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recorrendo, portanto, aos abrigos. Em geral, as que ficam na rua apresentam problemas mentais. Os homens, por sua vez, ainda carregam o papel de provedor da fam\u00edlia, o qual \u00e9 abalado pelo hist\u00f3rico prisional e pelo desemprego. Essa quebra de expectativa leva \u00e0 ruptura familiar, uma das principais causas do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>O CERU baseia muitos de seus estudos em soci\u00f3logos franceses, fazendo deles seu \u201carcabou\u00e7o te\u00f3rico\u201d, como define Maria Helena.\u00a0A pesquisa, portanto, buscou inspira\u00e7\u00e3o em estudos socioantropol\u00f3gicos que tratam da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e procurou olhar tal fen\u00f4meno de forma reflexiva e cr\u00edtica. O objetivo desse apoio bibliogr\u00e1fico era utilizar estudos acad\u00eamicos nacionais e internacionais para compreender problemas sociais vivenciados nas grandes cidades.<\/p>\n<p><b>Pol\u00edticas p\u00fablicas<br \/>\n<\/b>\u201cFoi uma pesquisa muito interessante e \u00fatil porque a secret\u00e1ria p\u00f4de repensar situa\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o e da administra\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es relativas a essa popula\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Antuniassi. Com base nas conclus\u00f5es acerca das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, a ent\u00e3o secret\u00e1ria municipal da SMADS, Alda Marco Ant\u00f4nio, editou a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.defensoria.sp.gov.br\/dpesp\/Repositorio\/31\/Documentos\/portaria_SMADS_046_2010.pdf\" target=\"_blank\">portaria 46\/2010\/SMADS<\/a>, e o prefeito Haddad implementou o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.prefeitura.sp.gov.br\/cidade\/secretarias\/direitos_humanos\/poprua\/programas_e_projetos\/index.php?p=150041\" target=\"_blank\">Programa de Metas 2013-2016<\/a>\u00a0da Prefeitura, que prop\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o da extrema pobreza na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a SMADS abandonou o termo \u201cpopula\u00e7\u00e3o de rua\u201d e incorporou o conceito de popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, que abrange de forma mais espec\u00edfica as pessoas que ainda t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de lutar pela sua cidadania para n\u00e3o cair na total exclus\u00e3o, que significa o morar na rua.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2014, foi lan\u00e7ado o livro <em>Desemprego, Ruptura Familiar e Solid\u00e3o: trajet\u00f3ria de vida da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua em S\u00e3o Paulo<\/em> (Editora Anna Blume, 144 p\u00e1ginas, R$35,00), que apresenta de forma detalhada as conclus\u00f5es da pesquisa e traz relatos da trajet\u00f3ria de vida de alguns albergados.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a publica\u00e7\u00e3o, assim como outras pesquisas feitas pelo CERU, tem o intuito de ultrapassar as fronteiras do mundo acad\u00eamico e socializar conhecimentos. Inicialmente uma sociedade civil sem fins lucrativos, formada por professores do antigo Departamento de Ci\u00eancias Sociais e liderada pela professora em\u00e9rita Maria Isaura Pereira de Queiroz, o CERU foi transformado em N\u00facleo de Apoio \u00e0 Pesquisa (NAP) em 1992, sendo, portanto, um dos mais antigos da Universidade.<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es, com Maria Helena Rocha Antuniassi, telefones (11) 3091-3784\/ 3735, e-mail\u00a0<a href=\"mailto:mhrocha@uol.com.br\" target=\"_blank\">mhrocha@uol.com.br<\/a>, site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fflch.usp.br\/ceru\" target=\"_blank\">www.fflch.usp.br\/ceru<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editado em livro, o estudo mostrou que popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua n\u00e3o se limita a usu\u00e1rios de drogas e pessoas com problemas mentais. Sexo masculino representa 84%.<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6,858],"tags":[67,68,69,71,61,70],"class_list":["post-1366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-reportagens","tag-ceru","tag-fflch","tag-morador-de-rua","tag-nap","tag-pro-reitoria-de-pesquisa","tag-situacao-de-rua"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1366"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1485,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366\/revisions\/1485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}