{"id":1961,"date":"2015-09-22T11:22:00","date_gmt":"2015-09-22T14:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=1961"},"modified":"2016-02-29T15:53:25","modified_gmt":"2016-02-29T18:53:25","slug":"analise-de-dados-e-esperanca-da-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/1961","title":{"rendered":"An\u00e1lise de dados \u00e9 esperan\u00e7a da sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Bruno Vaiano<\/em><\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver trabalhando em um escrit\u00f3rio enquanto l\u00ea essa mat\u00e9ria, h\u00e1 uma boa chance de que a \u00faltima vez que tenha trocado algumas palavras com seu c\u00f4njuge ou filho tenha sido logo antes de sair. Houve, no m\u00e1ximo, uma liga\u00e7\u00e3o na hora do almo\u00e7o. Sua av\u00f3 talvez n\u00e3o ou\u00e7a sua voz desde o final de semana. Ser\u00e1 que est\u00e1 tudo bem?<\/p>\n<p>\u201cO que voc\u00ea acha que, em 50 anos, as pessoas v\u00e3o considerar a coisa mais absurda dos dias de hoje?\u201d, pergunta Alexandre Chiavegatto Filho, professor e pesquisador da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP. \u201cAs nossas av\u00f3s podem ter morrido h\u00e1 uma hora, e n\u00e3o fazemos ideia disso. Pode ser que daqui a uma semana a gente morra, mas estamos aqui, trabalhando\u201d.<\/p>\n<p>Alexandre \u00e9 especialista em <em>Big Data<\/em>, \u00e1rea que envolve o processamento e a an\u00e1lise de qualquer quantidade de dados que esteja muito al\u00e9m do alcance dos m\u00e9todos tradicionais dispon\u00edveis. \u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o ef\u00eamera: \u201cAs pessoas demoravam dias e dias para analisar uma regress\u00e3o que agora eu fa\u00e7o em dois segundos\u201d. O que \u00e9 pouco hoje, um dia foi muito.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es tiradas do cruzamento de quantidades imensas de informa\u00e7\u00e3o tem tudo para gerar uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade nos pr\u00f3ximos anos: percep\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas no corpo, piso detector de tombos (que inclusive liga para o resgate) e a prescri\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios espec\u00edficos para determinadas parcelas da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas das inova\u00e7\u00f5es permitidas pelo <em>Big Data<\/em>. \u00c9 aqui que entram nossos av\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Internet das coisas<br \/>\n<\/strong>H\u00e1 potencial para que o assoalho de uma casa possa, atrav\u00e9s de sensores, avisar os servi\u00e7os de emerg\u00eancia do desmaio ou queda de uma pessoa. Um marca-passo pode identificar altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas incipientes que prevejam a evolu\u00e7\u00e3o futura de problemas m\u00e9dicos. Tudo conectado a grandes bases de dados.<\/p>\n<p>A ideia de que objetos do cotidiano com acesso \u00e0 internet possam coletar e analisar constantemente informa\u00e7\u00f5es sobre o nosso interior e entorno, conhecida como \u201cInternet das coisas\u201d, depende totalmente da possibilidade de processar muita informa\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pido, ou seja, <em>Big Data.<\/em> Na sa\u00fade, a aplica\u00e7\u00e3o generalizada desses m\u00e9todos nos permitir\u00e1 prever, com um pouco de anteced\u00eancia, um risco iminente de \u00f3bito.<\/p>\n<p><strong>Prontu\u00e1rio inteligente<br \/>\n<\/strong>H\u00e1 muitas vantagens na ado\u00e7\u00e3o de prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos, em que os resultados de exames, doen\u00e7as, alergias e diagn\u00f3sticos de milh\u00f5es de pacientes da rede p\u00fablica de sa\u00fade fiquem registrados e possam ser comparados. Alexandre comenta a possibilidade de um surto de dengue em uma rua qualquer: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai ficar sabendo imediatamente. A Secretaria de Sa\u00fade n\u00e3o vai ficar sabendo imediatamente. Essa informa\u00e7\u00e3o dos prontu\u00e1rios poderia ser transmitida imediatamente. Esses dados s\u00e3o gerados em algum lugar, mas n\u00e3o h\u00e1 acesso integrado a eles.\u201d<\/p>\n<p>Com a ado\u00e7\u00e3o de tecnologia para a an\u00e1lise r\u00e1pida dos dados de prontu\u00e1rios seria poss\u00edvel calcular a abrang\u00eancia e evolu\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a e informar automaticamente os \u00f3rg\u00e3os governamentais respons\u00e1veis pelas medidas subsequentes. Tamb\u00e9m seria f\u00e1cil calcular a localiza\u00e7\u00e3o perfeita para um hospital e as especialidades em que ele deve se concentrar de acordo com o perfil social e m\u00e9dico dos moradores de uma cidade ou de um bairro. Hoje, \u201cas decis\u00f5es de sa\u00fade s\u00e3o tomadas por meio de intui\u00e7\u00e3o, por meio de interesses individuais\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Outras possibilidades de aplica\u00e7\u00e3o est\u00e3o no cruzamento entre dados de sa\u00fade e de outras \u00e1reas da gest\u00e3o das cidades: \u201cSe voc\u00ea come\u00e7a a ter muitos problemas respirat\u00f3rios, pode ser sinal de que h\u00e1 muita polui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o\u201d, explica o pesquisador, que tamb\u00e9m cita a mem\u00f3ria dos idosos. A grande quantidade de rem\u00e9dios prescritos e doen\u00e7as acumuladas ao longo dos anos s\u00e3o um desafio para a mem\u00f3ria do paciente. A lista registrada de maneira anal\u00f3gica n\u00e3o s\u00f3 desperdi\u00e7a tempo de atendimento, mas aumenta a possibilidade de erro e prescri\u00e7\u00e3o de tratamentos inadequados. Por isso, a integra\u00e7\u00e3o e compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es entre institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade \u00e9 tend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O sonho do rem\u00e9dio pr\u00f3prio<br \/>\n<\/strong>As aproxima\u00e7\u00f5es geradas pelos m\u00e9todos estat\u00edsticos comuns n\u00e3o conseguem lidar com grau de especificidade suficiente para tornar as prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas t\u00e3o eficientes quanto poderiam ser: \u201cN\u00e3o \u00e9 feito para voc\u00ea, \u00e9 uma m\u00e9dia\u201d, explica Chiavegatto sobre os rem\u00e9dios. Ter 80% de chance de desenvolver uma doen\u00e7a, na maior parte dos casos, significa simplesmente que 80 entre cada 100 pessoas a desenvolveram, mesmo que nada te impe\u00e7a de ter nascido imune por fatores gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Alcan\u00e7ar 100% de personaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas taxas altas j\u00e1 significariam economia de tempo e dinheiro. \u201cAo inv\u00e9s de ser um rem\u00e9dio para todo mundo, eu consigo um rem\u00e9dio para homens jovens\u201d, exemplifica o pesquisador. \u201cJ\u00e1 est\u00e1 melhor. Se havia um rem\u00e9dio que funcionava para 10% da popula\u00e7\u00e3o e s\u00f3 1% dos homens jovens, agora eu fa\u00e7o um rem\u00e9dio espec\u00edfico que funcione para 80% desses homens\u201d.<\/p>\n<p>O <em>Big Data <\/em>se tornar\u00e1, em alguns anos, uma chave para a racionaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica. A possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o internacional e o uso de terminais remotos compartilhados por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, com capacidade de processamento e armazenamento muito superiores \u00e0s de computadores comuns, ser\u00e1 somada \u00e0s pol\u00edticas de acesso de informa\u00e7\u00e3o e a crescente cobran\u00e7a da sociedade por esses dados.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma \u00e1rea da ci\u00eancia hoje que n\u00e3o use estat\u00edstica. Eu acho que o <em>Big Data<\/em> eventualmente tamb\u00e9m vai ser incorporado por todas as \u00e1reas.\u201d Com tantas vantagens, esperamos que isso aconte\u00e7a logo.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre <em>Big Data<\/em>, Alexandre ministrar\u00e1 um <strong><a href=\"http:\/\/www.prp.usp.br\/arquivos\/1963\">curso online gratuito<\/a><\/strong> sobre o tema atrav\u00e9s de uma parceria entre a plataforma Coursera e a USP. Para maiores informa\u00e7\u00f5es, acesse\u00a0<a href=\"http:\/\/www.coursera.org\/usp\" target=\"_blank\">www.coursera.org\/usp<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s do Big Data \u00e9 poss\u00edvel implantar prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos integrados, produzir rem\u00e9dios personalizados e at\u00e9 detectar processos bioqu\u00edmicos que indicam risco iminente de morrer.  <\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6,858],"tags":[274,203,275,276,260],"class_list":["post-1961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-reportagens","tag-big-data","tag-fsp","tag-informacao","tag-processamento-de-dados","tag-saude-publica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1961"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2325,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961\/revisions\/2325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}