{"id":1990,"date":"2015-09-30T15:04:29","date_gmt":"2015-09-30T18:04:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=1990"},"modified":"2015-09-30T15:04:29","modified_gmt":"2015-09-30T18:04:29","slug":"racao-com-erva-mate-para-boi-melhora-qualidade-da-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/1990","title":{"rendered":"Ra\u00e7\u00e3o com erva-mate para boi melhora qualidade da carne"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Reinaldo Jos\u00e9 Lopes, da Ag\u00eancia Fapesp<b><br \/>\n<\/b><\/em><\/p>\n<p>Misturar uma pequena quantidade de extrato de erva-mate \u00e0 ra\u00e7\u00e3o do gado de corte pode ser suficiente para produzir uma carne com mais benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, mais agrad\u00e1vel ao paladar e com maior prazo de validade.<\/p>\n<p>O resultado vem de uma colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores brasileiros e dinamarqueses, projeto que durou tr\u00eas anos e desenvolveu estrat\u00e9gias inovadoras para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal e de p\u00e3o.<\/p>\n<p>Apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp)\u00a0e pelo Innovation Fundation Denmark (antigo Danish Council for Strategic Research), o projeto <b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46211\/pao-e-carne-para-o-futuro\/\" target=\"_blank\">\u201cP\u00e3o e Carne para o Futuro\u201d<\/a><\/b> foi conclu\u00eddo com um workshop realizado no dia 28 de agosto de 2015 no Instituto de Qu\u00edmica de S\u00e3o Carlos (IQSC) da USP.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do efeito positivo do mate sobre o rebanho bovino, a equipe verificou benef\u00edcios semelhantes na alimenta\u00e7\u00e3o do frango de corte, descobriu maneiras mais eficientes e saud\u00e1veis de produzir carne curada (como o presunto tipo parma ou a carne-seca) e estrat\u00e9gias para incorporar at\u00e9 30% de farinha de mandioca \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de p\u00e3o em escala industrial.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos reunir de forma muito interessante uma equipe multidisciplinar que nunca tinha trabalhado junta, incluindo qu\u00edmicos, microbiologistas, agr\u00f4nomos, engenheiros de alimentos e farmac\u00eauticos, fazendo experi\u00eancias que ainda n\u00e3o tinham sido tentadas no Brasil\u201d, disse Daniel Rodrigues Cardoso, professor do IQSCe coordenador da iniciativa do lado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cHoje, se algu\u00e9m quiser saber como determinada ra\u00e7\u00e3o afeta o perfil metab\u00f3lico da carne, conseguimos responder sem dificuldade a essa pergunta gra\u00e7as ao projeto\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da USP e da Universidade de Copenhague, participaram do projeto a Embrapa e duas empresas, a Centroflora (fornecedora dos extratos de erva-mate) e a Novozymes (que colaborou com as enzimas usadas em diversos experimentos), al\u00e9m de pesquisadores de outras institui\u00e7\u00f5es. O investimento nacional na pesquisa ficou em cerca R$ 1,4 milh\u00e3o, com contrapartida id\u00eantica dos financiadores dinamarqueses.<\/p>\n<p><b>Macia e sem estresse<\/b><\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, h\u00e1 uma s\u00e9rie de ind\u00edcios sobre os benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade humana que podem estar ligados ao consumo do mate. \u00c9 poss\u00edvel que a erva facilite o controle do peso e modere processos oxidativos e inflamat\u00f3rios, por exemplo.<\/p>\n<p>Os efeitos do consumo do mate foram estudados em um plantel de cerca de 50 cabe\u00e7as de gado, que recebiam um extrato da erva em propor\u00e7\u00f5es de 0,25% a 1,5% do total de sua ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve mudan\u00e7as no crescimento e na quantidade de carne obtida a partir de cada animal. Por outro lado, os pesquisadores verificaram, em primeiro lugar, que a carne se tornou mais macia e mais elogiada por consumidores, em teste sensorial cego feito com cem pessoas.<\/p>\n<p>\u201cO desempenho foi melhor inclusive nos testes de for\u00e7a de cisalhamento [<i>feitos por um aparelho que verifica a textura da carne<\/i>]\u201d, disse Renata Tieko Nassu, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das diferentes mol\u00e9culas presentes na carne mostrou ainda um aumento significativo do \u00e1cido linoleico conjugado (CLA) nos bovinos que receberam o suplemento de mate.<\/p>\n<p>Essa subst\u00e2ncia, explica Cardoso, tem papel anti-inflamat\u00f3rio e pode tamb\u00e9m auxiliar na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de colesterol de quem a consome. De quebra, atua como antioxidante \u2013 ou seja, reduz a forma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas altamente reativas no organismo, que podem causar danos \u00e0s c\u00e9lulas. Isso n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 bom para a sa\u00fade como tamb\u00e9m contribui significativamente para aumentar o tempo de prateleira da carne.<\/p>\n<p>Tudo indica que esse efeito ben\u00e9fico \u00e9 mediado pela atua\u00e7\u00e3o do consumo de mate sobre as bact\u00e9rias do sistema digestivo dos bois, favorecendo a multiplica\u00e7\u00e3o de certos microrganismos. Isso, por sua vez, altera a maneira como o gado absorve nutrientes e, consequentemente, afeta a qualidade da carne.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores tamb\u00e9m observaram uma aparente redu\u00e7\u00e3o do estresse e melhora no bem estar animal, o que tamb\u00e9m ajuda a melhorar a qualidade da carne.<\/p>\n<p>Para que a suplementa\u00e7\u00e3o seja aplicada em larga escala nos rebanhos do pa\u00eds, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 achar uma maneira mais econ\u00f4mica de oferec\u00ea-la aos animais, segundo explicou Rymer Ramiz Tullio, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que, nos experimentos, foi usado um extrato feito seguindo padr\u00f5es da ind\u00fastria farmac\u00eautica, o que encarece o produto. \u201c\u00c9 preciso verificar se a administra\u00e7\u00e3o direta das folhas de erva-mate tem o mesmo efeito ou ent\u00e3o usar o res\u00edduo que \u00e9 descartado na produ\u00e7\u00e3o do extrato, o que tamb\u00e9m seria bem mais barato\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p><b>Mais mandioca<\/b><\/p>\n<p>Ampliar o potencial de uso da mandioca na ind\u00fastria panificadora mundo afora foi outro objetivo-chave do projeto. Como n\u00e3o h\u00e1 expectativa de expans\u00e3o das \u00e1reas de lavoura de trigo no planeta, incluir farinha de mandioca em p\u00e3es e outros produtos aumentaria a seguran\u00e7a alimentar de muitos pa\u00edses, em especial os de clima tropical.<\/p>\n<p>O grande desafio, conta a pesquisadora dinamarquesa Ulla Kidmose, da Universidade de Aarhus, \u00e9 compensar a aus\u00eancia da rede proteica de gl\u00faten que est\u00e1 presente na massa de p\u00e3o feita exclusivamente com trigo.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 a mandioca \u00e9 praticamente s\u00f3 amido, com pouqu\u00edssima prote\u00edna. E \u00e9 justamente o gl\u00faten do trigo que aumenta o volume do p\u00e3o e d\u00e1 a ele uma textura mais suave, duas coisas que, para a ind\u00fastria, fazem muita diferen\u00e7a\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Essa dificuldade, no entanto, foi contornada gra\u00e7as \u00e0 escolha da variedade de mandioca mais apropriada para a fabrica\u00e7\u00e3o da farinha e ao uso de um coquetel de enzimas que modificam ligeiramente o processo de fermenta\u00e7\u00e3o da massa. Com tais ajustes, foi poss\u00edvel fazer com que at\u00e9 um ter\u00e7o da farinha usada na produ\u00e7\u00e3o do p\u00e3o fosse de mandioca.<\/p>\n<p>Ulla afirma que a tecnologia poderia ser transferida imediatamente para a ind\u00fastria, sem muita dificuldade ou custo. \u201cO problema que eu vejo por enquanto \u00e9 de aceita\u00e7\u00e3o, ao menos no mercado europeu ou do hemisf\u00e9rio Norte de maneira geral, porque pouca gente por l\u00e1 conhece a mandioca hoje\u201d, disse.<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as de clima, cultivares e animais de cria\u00e7\u00e3o, Dinamarca e Brasil t\u00eam muitos interesses em comum na \u00e1rea da ci\u00eancia de alimentos, como destacou o coordenador dinamarqu\u00eas do projeto, Leif Skibsted, da Universidade de Copenhague.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas b\u00e1sicos que temos de enfrentar s\u00e3o mais ou menos os mesmos, independentemente do pa\u00eds\u201d, disse Skibsted, que visita a USP de S\u00e3o Carlos ao menos uma vez por ano desde 1998 e foi co-orientador de Daniel Cardoso durante o per\u00edodo em que o pesquisador brasileiro esteve na Dinamarca em seu doutorado-sandu\u00edche.<\/p>\n<p><strong>Reportagem\u00a0original:\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/racao_com_ervamate_para_boi_melhora_qualidade_da_carne\/21853\/\" target=\"_blank\">http:\/\/agencia.fapesp.br\/racao_com_ervamate_para_boi_melhora_qualidade_da_carne\/21853\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros e dinamarqueses verificam que erva-mate misturada \u00e0 ra\u00e7\u00e3o do gado de corte produz carne com mais benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, mais sabor e maior prazo de validade.<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[303,298,300,299,29,270,301,302,91,50],"class_list":["post-1990","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-bovino","tag-carne","tag-erva","tag-erva-mate","tag-fapesp","tag-iqsc","tag-mate","tag-paladar","tag-saude","tag-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1990"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1991,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990\/revisions\/1991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}