{"id":2046,"date":"2015-09-04T15:33:44","date_gmt":"2015-09-04T18:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2046"},"modified":"2015-10-06T15:44:57","modified_gmt":"2015-10-06T18:44:57","slug":"pesquisa-recupera-o-arquivo-clamor-o-comite-pelos-direitos-humanos-cone-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2046","title":{"rendered":"Pesquisa recupera o arquivo do Clamor, o Comit\u00ea pelos Direitos Humanos no Cone Sul"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes, da Ag\u00eancia FAPESP<\/em><\/p>\n<p>No per\u00edodo das ditaduras civis-militares da Am\u00e9rica do Sul, ao longo das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Condor\u201d foi uma articula\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os policiais e militares do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bol\u00edvia, com a participa\u00e7\u00e3o da CIA (Central Intelligence Agency, a Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos Estados Unidos), visando reprimir e eliminar fisicamente os opositores dos regimes ditatoriais. Tal esquema, secreto na \u00e9poca, tornou-se amplamente conhecido a partir dos processos de redemocratiza\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Bem menos conhecido foi o fato de ter existido, no mesmo contexto, uma articula\u00e7\u00e3o de sentido contr\u00e1rio, formada por democratas corajosos, com a cobertura de setores da Igreja Cat\u00f3lica, visando prestar solidariedade aos presos, perseguidos e refugiados pol\u00edticos e denunciar os crimes contra os direitos humanos cometidos pelas ditaduras. Essa articula\u00e7\u00e3o, denominada Clamor, ou Comit\u00ea pelos Direitos Humanos no Cone Sul, atuou com sede em S\u00e3o Paulo entre os anos de 1978 e 1991.<\/p>\n<p>Contando com o decisivo apoio de Dom Paulo Evaristo Arns, \u00e0 \u00e9poca cardeal-arcebispo de S\u00e3o Paulo, e a prote\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Clamor vinculava-se \u00e0 Comiss\u00e3o Arquidiocesana de Direitos Humanos e Marginalizados de S\u00e3o Paulo e funcionava em uma sala localizada no pr\u00e9dio da C\u00faria Metropolitana. Seus idealizadores e principais respons\u00e1veis por sua cria\u00e7\u00e3o foram o advogado de presos pol\u00edticos Luiz Eduardo Greenhalgh, a jornalista inglesa Jan Rocha (correspondente da BBC e do jornal The Guardian) e o reverendo presbiteriano Jaime Wright (cujo irm\u00e3o, Paulo Wright, dirigente da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica A\u00e7\u00e3o Popular, fora sequestrado, torturado e morto pelo aparato repressivo da ditadura brasileira).<\/p>\n<p>Uma vasta documenta\u00e7\u00e3o foi acumulada pelo Clamor em seus anos de atua\u00e7\u00e3o. Esse arquivo \u00e9 de inestim\u00e1vel import\u00e2ncia n\u00e3o apenas para a reconstitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do per\u00edodo, mas tamb\u00e9m para a apura\u00e7\u00e3o das responsabilidades pelos crimes cometidos pelos \u00f3rg\u00e3os ditatoriais. A reuni\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de todo o material foi objeto do projeto \u201cCLAMOR: documenta\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria de um comit\u00ea pelos direitos humanos no Cone Sul\u201d, conduzido pela historiadora Helo\u00edsa de Faria Cruz, professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) e coordenadora do Cedic (o centro de documenta\u00e7\u00e3o da mesma universidade). O projeto contou com o apoio da FAPESP .<\/p>\n<p>\u201cJuntamos e higienizamos todo o material, e j\u00e1 digitalizamos cerca de 50 mil p\u00e1ginas, englobando boletins, correspond\u00eancias e fichas tanto de perseguidos pol\u00edticos quanto de torturadores, entre outros documentos. S\u00f3 de fichas de desaparecidos pol\u00edticos na Argentina, temos um total de 7.791, com informa\u00e7\u00f5es sobre os locais, datas e circunst\u00e2ncias em que foram vistos pela \u00faltima vez\u201d, disse Cruz \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Importante pe\u00e7a do acervo, devido ao nome de seu signat\u00e1rio, \u00e9 uma carta, datada de julho de 2008, do ent\u00e3o cardeal-arcebispo de Buenos Aires, Dom Jorge Mario Bergoglio, atual papa Francisco, a Dom Odilo Scherer, nomeado em mar\u00e7o daquele ano arcebispo de S\u00e3o Paulo. Na carta, Bergoglio solicitava a Scherer que lhe enviasse a reprodu\u00e7\u00e3o dos documentos do Clamor referentes \u00e0 Argentina. Em momento anterior, as listas de desaparecidos organizadas pelo Clamor haviam sido uma das principais fontes de informa\u00e7\u00e3o para os trabalhos da Comisi\u00f3n Nacional sobre la Desaparici\u00f3n de Personas (Comiss\u00e3o Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas \u2013 Conadep).<\/p>\n<p><strong>\u201cCampos de morte\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Criada em dezembro de 1983 pelo ent\u00e3o presidente Ra\u00fal Alfons\u00edn e integrada por personalidades not\u00e1veis, a Conadep investigou a fundo os crimes cometidos pela ditadura e desempenhou papel fundamental no processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o da Argentina.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es conduzidas pela Conadep embasaram o julgamento e a puni\u00e7\u00e3o dos culpados pelas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos \u2013 entre eles, o general Jorge Rafael Videla Redondo (1925 \u20142013), que ocupou a presid\u00eancia do pa\u00eds entre 1976 e 1981, ap\u00f3s o golpe civil-militar que p\u00f4s fim ao ciclo democr\u00e1tico anterior. Durante o governo de Videla, e admitidamente com o seu conhecimento e sob sua responsabilidade, foram assassinados ou desapareceram entre 7 mil e 8 mil opositores do regime. Condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua por crimes de lesa-humanidade e destitu\u00eddo de sua patente militar, Videla morreu na pris\u00e3o, em 2013, aos 87 anos de idade.<\/p>\n<p>\u201cO material fornecido pelo Clamor foi muito importante para o \u00eaxito das investiga\u00e7\u00f5es da Conadep. As primeiras listas de pessoas levadas aos \u2018campos de morte\u2019 da ditadura argentina foram levantadas pelo Clamor\u201d, informou Cruz.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o do agora denominado Fundo Clamor come\u00e7ou a ser reunida no Cedic a partir de 1993. Antes, o material esteve sob a guarda de duas institui\u00e7\u00f5es distintas: o Centro Ecum\u00eanico de Servi\u00e7os \u00e0 Evangeliza\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o Popular (Cesep) e o Arquivo Dom Duarte Leopoldo e Silva, da C\u00faria Metropolitana de S\u00e3o Paulo. \u201cConsciente da import\u00e2ncia do Clamor para a hist\u00f3ria recente n\u00e3o s\u00f3 do Brasil, mas tamb\u00e9m de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, o Cedic investiu fortemente em a\u00e7\u00f5es para a complementa\u00e7\u00e3o, o tratamento, a organiza\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o do acervo\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cNesse percurso, buscamos e obtivemos, em 2007 e 2012, respectivamente, a nomina\u00e7\u00e3o do fundo pelo Programa Mem\u00f3ria do Mundo da Unesco como \u2018patrim\u00f4nio documental do Brasil e da Am\u00e9rica Latina e Caribe\u2019 e como \u2018acervo documental que deve ser protegido em benef\u00edcio da humanidade\u2019. O projeto apoiado pela FAPESP complementou tais a\u00e7\u00f5es visando dar amplo acesso ao acervo\u201d, acrescentou Cruz.<\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7as sequestradas<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOutra importante contribui\u00e7\u00e3o do Clamor em seu per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o\u201d, falou a pesquisadora, \u201cfoi o levantamento da identidade das crian\u00e7as, filhas de opositores do regime, sequestradas pelos agentes da ditadura argentina\u201d.<\/p>\n<p>Nascidas nos c\u00e1rceres ou em maternidades clandestinas para onde eram encaminhadas as prisioneiras gr\u00e1vidas, essas crian\u00e7as foram sistematicamente apropriadas pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o pol\u00edtica e entregues a fam\u00edlias de militares ou a orfanatos para ado\u00e7\u00e3o. Estima-se que cerca de 500 crian\u00e7as tenham sido sequestradas. Destas, 117 foram posteriormente reencontradas, gra\u00e7as ao tenaz esfor\u00e7o de busca empreendido por suas av\u00f3s, organizadas na associa\u00e7\u00e3o civil Abuelas de Plaza de Mayo (Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio).<\/p>\n<p>O caso mais famoso, mas que n\u00e3o dependeu do Clamor para ser elucidado, foi o de Victoria Anal\u00eda Donda P\u00e9rez, nascida em 1977 na Escuela de Mec\u00e1nica de la Armada (Esma), centro de repress\u00e3o subordinado ao Minist\u00e9rio da Marinha. Sua hist\u00f3ria \u00e9 emblem\u00e1tica do horror das ditaduras sul-americanas, pois a Esma, onde seus pais foram presos, torturados e mortos, era dirigido por um tio seu, o tenente naval Adolfo Miguel Donda Tigel, irm\u00e3o mais velho do pai. Dada em ado\u00e7\u00e3o, ela foi criada na fam\u00edlia de um militar, at\u00e9 que, j\u00e1 adulta, e desconfiando de sua suposta identidade, submeteu-se a um teste de DNA e encontrou a av\u00f3 materna, uma das 12 fundadoras da associa\u00e7\u00e3o Abuelas de Plaza de Mayo, que a procurava sem esmorecer. No processo de puni\u00e7\u00e3o dos criminosos da ditadura, seu pai adotivo foi condenado a 18 anos de pris\u00e3o, e o tio que dirigia a Esma, \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. Victoria \u00e9, atualmente, advogada e deputada no Congresso Nacional argentino.<\/p>\n<p>\u201cDuas crian\u00e7as, localizadas ainda pequenas pela equipe do Clamor, foram os irm\u00e3os Anatole e Victoria, filhos do casal de uruguaios Roger Julien de Caceres e Victoria Grisona, assassinados na Argentina por agentes da Opera\u00e7\u00e3o Condor em 1976\u201d, disse Ana C\u00e9lia Navarro de Andrade, pesquisadora associada do projeto \u201cCLAMOR: documenta\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria de um comit\u00ea pelos direitos humanos no Cone Sul\u201d e histori\u00f3grafa do Cedic desde 1992.<\/p>\n<p>Depois de levadas a um centro de repress\u00e3o na Argentina e a outro no Uruguai, as crian\u00e7as, Anatole com 4 anos e Victoria com um ano e meio, foram abandonadas pelos agentes em uma rua de Valparaiso, no Chile. Acolhidas e adotadas informalmente por uma bem-intencionada fam\u00edlia chilena, elas foram descobertas pelo Clamor, em articula\u00e7\u00e3o com as Abuelas e outras organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos em 1979, quando o processo oficial de ado\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava em sua etapa final.<\/p>\n<p>A descoberta dessas crian\u00e7as mostrou a efici\u00eancia de uma articula\u00e7\u00e3o que se contrapunha com recursos limitados ao poderoso aparato das ditaduras. O Clamor divulgara as fotos de Anatole e Victoria em todas as arquidioceses com as quais mantinha contato. E uma pessoa, na Venezuela, lembrou-se de t\u00ea-las visto no Chile. Foi por interm\u00e9dio dessa pessoa que se chegou \u00e0s crian\u00e7as. \u201cNa sequ\u00eancia, o Clamor intermediou a rela\u00e7\u00e3o entre a fam\u00edlia adotiva e a fam\u00edlia uruguaia de origem, tendo o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh participado ativamente da intermedia\u00e7\u00e3o. O encontro das crian\u00e7as, o primeiro ocorrido, foi comunicado, com grande cobertura da m\u00eddia, por Dom Paulo Evaristo Arns\u201d, informou a histori\u00f3grafa.<\/p>\n<p>Ana C\u00e9lia Navarro de Andrade foi autora de um dos dois primeiros trabalhos acad\u00eamicos dedicados ao Clamor, apresentado como disserta\u00e7\u00e3o de mestrado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em dezembro de 2000. Outro trabalho foi realizado na mesma \u00e9poca pelo jornalista Samarone Lima de Oliveira, tamb\u00e9m na USP.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Solidariedade n\u00e3o tem fronteiras\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Ana C\u00e9lia, o Clamor foi criado em um momento em que a ditadura brasileira j\u00e1 se encontrava em fase terminal. \u201cEle surgiu em 1978 e a anistia ocorreu no Brasil apenas um ano mais tarde, em 1979. Por isso, o Clamor nasceu com o olhar voltado para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, onde as ditaduras ainda eram fortes e estavam cometendo grandes crimes contra os direitos humanos. Seu principal foco de atua\u00e7\u00e3o era denunciar esses crimes e prestar ajuda aos presos, perseguidos e refugiados desses pa\u00edses\u201d, disse. E isso explica o fato de o arquivo, agora digitalizado, conter muito mais material sobre a Argentina, por exemplo, do que sobre o Brasil.<\/p>\n<p>Com o slogan \u201cSolidariedade n\u00e3o tem fronteiras\u201d, os integrantes do Comit\u00ea percorreram todos os pa\u00edses do Cone Sul, e buscaram apoio e ajuda financeira junto a organismos internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas. O Boletim Clamor, seu principal \u00f3rg\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o, publicado em tr\u00eas idiomas, portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas, mas de periodicidade irregular e n\u00famero de p\u00e1ginas vari\u00e1vel, chegou a ter 17 edi\u00e7\u00f5es. Era enviado, pelo correio, para entidades de defesa de direitos humanos de v\u00e1rios pa\u00edses, ag\u00eancias de ajuda internacionais, arquidioceses da Igreja Cat\u00f3lica, universidades, jornalistas e pessoas influentes. A m\u00eddia brasileira recebia, tamb\u00e9m, boletins espec\u00edficos, sempre que havia algum fato importante a ser divulgado.<\/p>\n<p>Fora do Cone Sul, o Clamor levantou tamb\u00e9m casos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na Nicar\u00e1gua, submetida at\u00e9 julho de 1979 \u00e0 ditadura da fam\u00edlia Somoza, que se prolongou por 43 anos. E, depois, castigada pela a\u00e7\u00e3o dos Contra, grupos paramilitares financiados, armados e treinados pela CIA, durante o governo de Ronald Reagan nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Apesar do foco nos pa\u00edses vizinhos, o Clamor teve pelo menos duas atua\u00e7\u00f5es importantes no Brasil: deu o alarme do sequestro dos refugiados uruguaios Lilian Celiberti e seus dois filhos e Universindo Dias em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; e denunciou a situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel em que se encontravam os chamados \u201cbrasiguaios\u201d, brasileiros residentes no Paraguai, que haviam sido expulsos daquele pa\u00eds ou se encontravam foragidos. A den\u00fancia possibilitou que a jornalista Maria C\u00e1cia Cort\u00eas Ferreira, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, obtivesse ajuda financeira da entidade internacional Christian Aid para desenvolver, durante os anos de 1988 e 1989, o projeto de solidariedade \u201cBrasiguaios: os refugiados que desconhecemos\u201d.<\/p>\n<p>Com base em uma formula\u00e7\u00e3o do reverendo Jaime Wright, Ana C\u00e9lia apontou tr\u00eas fatores para explicar a efic\u00e1cia dessa articula\u00e7\u00e3o: atos concretos, sem teoriza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou partid\u00e1rias; orienta\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, sem preocupa\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias; e o m\u00ednimo de estrutura institucional, a fim de que a equipe permanecesse \u00e1gil, flex\u00edvel e despreocupada de interesses administrativos.<\/p>\n<p>Em 1991, ap\u00f3s 13 anos de atua\u00e7\u00e3o, os integrantes do Clamor consideraram que os objetivos iniciais que provocaram a funda\u00e7\u00e3o do comit\u00ea haviam sido atingidos. E que chegara a hora de encerrar as atividades. \u201cCom certeza, milhares de pessoas continuavam desaparecidas, quase todos os respons\u00e1veis pela repress\u00e3o continuavam livres, e a verdade sobre os anos sombrios ainda precisava ser recuperada. No entanto, bem ou mal, as entidades de Direitos Humanos dos pa\u00edses do Cone Sul come\u00e7aram a preencher o espa\u00e7o at\u00e9 ent\u00e3o ocupado pelo Clamor. J\u00e1 n\u00e3o precisavam mais de porta-voz\u201d, afirmou Ana C\u00e9lia.<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa de Ana C\u00e9lia abriu caminho para o nosso projeto. Ao reorganizar o arquivo, constatamos que, principalmente devido aos contatos de Jan Rocha e do reverendo Jaime Wright, o Clamor, a partir de um boletim de in\u00edcio muito singelo, criou uma impressionante rede internacional de den\u00fancia e solidariedade\u201d, afirmou Heloisa de Faria Cruz.<\/p>\n<p>Ao final da vig\u00eancia do projeto, em abril deste ano, o Fundo Clamor, organizado durante o processo, havia reunido 136 caixas arquivo; 26 pastas formato A3; 01 pasta formato A2; cerca de 25.713 documentos acondicionados; e 150 s\u00e9ries documentais. Os documentos digitalizados foram gravados em tr\u00eas formatos, Tiff, Jpeg e PDF, e armazenados em dois storages (\u00e1reas de armazenamento), de 16 terabytes cada um. Com a plataforma de internet em fase final de constru\u00e7\u00e3o, todo esse material dever\u00e1 estar dispon\u00edvel para consulta on-line at\u00e9 o final de 2015, no Portal da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, franqueado ao p\u00fablico e possibilitando novas pesquisas.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria original est\u00e1 dispon\u00edvel no <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa_recupera_o_arquivo_do_clamor_o_comite_pelos_direitos_humanos_no_cone_sul\/21821\/\">site da FAPESP<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O &#8216;Clamor&#8217;, que atuou com sede em S\u00e3o Paulo entre os anos de 1978 e 1991, prestava solidariedade aos presos, perseguidos e refugiados pol\u00edticos e denunciava os crimes contra os direitos humanos cometidos pelas ditaduras.<\/p>\n","protected":false},"author":143,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[334,331,340,337,325,330,323,328,327,339,324,332,336,335,333,338,326,329],"class_list":["post-2046","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-anistia","tag-assassinato","tag-catolica","tag-condor","tag-cone","tag-desaparecimento","tag-ditadura","tag-fria","tag-guerra","tag-igreja","tag-militar","tag-morte","tag-operacao","tag-prisao","tag-refugiados","tag-sao-paulo","tag-sul","tag-tortura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2046"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2047,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2046\/revisions\/2047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}