{"id":2564,"date":"2015-12-02T08:55:35","date_gmt":"2015-12-02T10:55:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2564"},"modified":"2015-12-07T13:56:20","modified_gmt":"2015-12-07T15:56:20","slug":"sao-paulo-deve-ganhar-programas-de-gestao-de-demanda-e-uso-racional-da-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2564","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo planeja gest\u00e3o de demanda e uso racional da \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><em>Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos H\u00eddricos est\u00e1 estudando a implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua na regi\u00e3o metropolitana<\/em><\/p>\n<p><em>Por Elton Alisson, da\u00a0Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n<p>A Secretaria de Saneamento e Recursos H\u00eddricos do Estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 estudando a implementa\u00e7\u00e3o de programas de gest\u00e3o da demanda e uso racional de \u00e1gua na regi\u00e3o metropolitana como os existentes em pa\u00edses com experi\u00eancia em enfrentar secas severas e amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a h\u00eddrica, a exemplo da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Alguns detalhes dos programas foram apresentados por Monica Porto, secret\u00e1ria adjunta do \u00f3rg\u00e3o e professora do Departamento de Hidr\u00e1ulica e Ambiental da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP), durante o workshop \u201cS\u00e3o Paulo &amp; Austr\u00e1lia: estudos, pol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos\u201d, realizado nos dias 18 e 19 de novembro na sede da Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo (Sabesp), na capital paulista.<\/p>\n<p>O objetivo do encontro foi estreitar a coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica entre pesquisadores de S\u00e3o Paulo e da Austr\u00e1lia particularmente na \u00e1rea de recursos h\u00eddricos, em que o pa\u00eds tem muita experi\u00eancia por ter enfrentado secas semelhantes \u00e0 que S\u00e3o Paulo vivenciou em 2014, a maior dos \u00faltimos 84 anos.<\/p>\n<p>\u201cNo passado o grande problema de S\u00e3o Paulo era o de enchentes, causadas pelo excesso de \u00e1gua. Hoje estamos enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o oposta e nova, a falta de \u00e1gua, que na Austr\u00e1lia \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o permanente e com a qual os australianos aprenderam a lidar. Por isso, a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Austr\u00e1lia com os do Estado de S\u00e3o Paulo nessa \u00e1rea \u00e9 muito bem-vinda\u201d, disse Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP, na abertura do evento.<\/p>\n<p>Acostumados a conviver com a altern\u00e2ncia entre per\u00edodos de seca e de inunda\u00e7\u00f5es, os australianos foram surpreendidos no fim do s\u00e9culo 20 pela chamada \u201cseca do mil\u00eanio\u201d \u2013 uma estiagem sem precedentes que atingiu todo o pa\u00eds entre os anos de 1997 e 2009 e afetou fortemente a cidade de Melbourne, capital do estado de Victoria (<i>leia mais sobre a &#8220;seca do mil\u00eanio&#8221; em\u00a0<\/i><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/as_licoes_da_seca_do_milenio\/21071\/\" target=\"_blank\"><i><b>agencia.fapesp.br\/21071\/<\/b><\/i><\/a>).<\/p>\n<p>A fim de se preparar para enfrentar crises severas, sem comprometer a seguran\u00e7a h\u00eddrica do pa\u00eds, os australianos desenvolveram uma s\u00e9rie de programas de gest\u00e3o da demanda e uso racional de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Dois anos antes da \u201cseca do mil\u00eanio\u201d, em 1995, a companhia de abastecimento h\u00eddrico de Sydney \u2013 a cidade mais populosa da Austr\u00e1lia, com mais de 4 milh\u00f5es de habitantes \u2013 recebeu, por exemplo, a incumb\u00eancia de reduzir a demanda <i>per capita<\/i> de \u00e1gua em 25% at\u00e9 2001 e 35% em 2011.<\/p>\n<p>Para que essa meta fosse atingida, foi implementada uma s\u00e9rie de iniciativas com o objetivo de reduzir a press\u00e3o e os vazamentos em tubula\u00e7\u00f5es, aumentar a efici\u00eancia h\u00eddrica nas empresas e oferecer tecnologias de baixo custo para aumentar a economia de \u00e1gua em resid\u00eancias, como chuveiros e sanit\u00e1rios com baixo fluxo de \u00e1gua, e a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de re\u00faso para descarga e rega de jardins.<\/p>\n<p>Subsidiados pelo governo australiano, os dispositivos dom\u00e9sticos com maior efici\u00eancia no uso da \u00e1gua tornaram-se comuns em toda a Austr\u00e1lia e contribuiram para que todo o pa\u00eds atingisse mais facilmente a meta de redu\u00e7\u00e3o de consumo de \u00e1gua dom\u00e9stico, disse Stuart White, professor da University of Technology Sydney e diretor do Institute for Sustainable Futures da universidade australiana.<\/p>\n<p>\u201cA partir de 2004, todas as novas constru\u00e7\u00f5es na Austr\u00e1lia tinham que usar 40% menos \u00e1gua em compara\u00e7\u00e3o com as j\u00e1 existentes. Isso ajudou a atingirmos a meta de diminui\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1gua no pa\u00eds e planejarmos melhor nossa resposta \u00e0 seca do mil\u00eanio\u201d, afirmou White durante o encontro.<\/p>\n<p><b>Programas em estudo<\/b><\/p>\n<p>Inspirado no exemplo australiano e de outros lugares no mundo, como a Cidade do M\u00e9xico, a Secretaria de Saneamento e Recursos H\u00eddricos do Estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 planejando implementar dois programas de gest\u00e3o de demanda e uso racional de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O primeiro programa visa substituir vasos sanit\u00e1rios, torneiras e outros dispositivos dom\u00e9sticos experimentalmente em 20 mil resid\u00eancias situadas em conjuntos habitacionais em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O segundo programa pretende financiar, a juros reduzidos, a\u00e7\u00f5es de ind\u00fastrias, produtores agr\u00edcolas, fornecedores de servi\u00e7os \u2013 como de hospedagem \u2013 e condom\u00ednios residenciais, voltadas para redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cEsses programas est\u00e3o em fase de planejamento administrativo e financeiro\u201d, disse Porto. \u201cPretendemos lan\u00e7\u00e1-los no in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano, mas temos barreiras a serem vencidas, porque S\u00e3o Paulo est\u00e1 passando n\u00e3o somente por uma crise h\u00eddrica, mas tamb\u00e9m econ\u00f4mica\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, j\u00e1 h\u00e1 na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo exemplos pontuais de programas de gest\u00e3o de demanda da \u00e1gua.<\/p>\n<p>O Programa de Uso Racional da \u00c1gua (Pura), implementado h\u00e1 16 anos no campus da USP, em S\u00e3o Paulo, conseguiu obter uma redu\u00e7\u00e3o de 50% no consumo de \u00e1gua na Cidade Universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O programa foi replicado no Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, em S\u00e3o Paulo, e resultou em uma economia de 25% no uso da \u00e1gua, a despeito do n\u00famero de leitos no hospital ter aumentado 29% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>O programa tamb\u00e9m foi incorporado pela Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo que, com apoio da Sabesp, o implantou em escolas estaduais.<\/p>\n<p>\u201cAgora, necessitamos de um programa de gest\u00e3o de demanda da \u00e1gua mais sistem\u00e1tico, que abranja principalmente toda a macrometr\u00f3pole paulista [<i>que compreende as regi\u00f5es metropolitanas de S\u00e3o Paulo, Campinas, Sorocaba e Baixada Santista<\/i>], para darmos mais f\u00f4lego e capacidade de a\u00e7\u00e3o para lidar com problemas de gest\u00e3o de uso da \u00e1gua\u201d, apontou.<\/p>\n<p><b>Aumento da oferta h\u00eddrica<\/b><\/p>\n<p>De acordo com Porto, apesar de estar situada em uma parte \u00famida do pa\u00eds e ter uma oferta relativamente grande de \u00e1gua, a disponibilidade h\u00eddrica <i>per capita<\/i> na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 extremamente baixa em raz\u00e3o do alto consumo de \u00e1gua pela popula\u00e7\u00e3o \u2013 de 20 milh\u00f5es de habitantes \u2013, al\u00e9m do uso industrial e agr\u00edcola do recurso natural na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, para atender \u00e0 demanda n\u00e3o s\u00f3 da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m da macrometr\u00f3pole paulista \u2013 que concentra 75% da popula\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013, \u00e9 preciso aumentar a oferta h\u00eddrica.<\/p>\n<p>\u201cFora de um per\u00edodo de crise h\u00eddrica, como o que estamos passando agora, a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo possui uma reserva de \u00e1gua suficiente para 300 dias, em raz\u00e3o de sua hidrologia, enquanto Sydney possui uma reserva para quatro anos\u201d, comparou.<\/p>\n<p>\u201cUma das li\u00e7\u00f5es que essa seca est\u00e1 nos ensinando \u00e9 que precisamos aumentar nossa reserva para promovermos a seguran\u00e7a h\u00eddrica. Por outro lado, para isso, tamb\u00e9m \u00e9 preciso reduzir o consumo por meio da gest\u00e3o da demanda e do uso racional da \u00e1gua\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Segundo dados apresentados pelo professor Jos\u00e9 Carlos Mierzwa, do Departamento de Engenharia Hidr\u00e1ulica e Ambiental da Poli, a demanda <i>per capita<\/i> na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo hoje \u00e9 de 189 metros c\u00fabicos de \u00e1gua por ano, enquanto a disponibilidade natural de \u00e1gua na regi\u00e3o \u00e9 de 133 metros c\u00fabicos por habitante por ano.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quem ache que a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo necessite de \u00e1gua de outros lugares porque tem desperd\u00edcio e outros problemas. Mas o fato \u00e9 que, se n\u00e3o importar \u00e1gua, a regi\u00e3o n\u00e3o consegue suprir o abastecimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos H\u00eddricos para a Macrometr\u00f3pole Paulista, desenvolvido pelo Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica (DAEE) e conclu\u00eddo em 2013, estimou que at\u00e9 2035 haver\u00e1 a necessidade de aumentar a oferta de \u00e1gua na regi\u00e3o em, aproximadamente, 60 metros c\u00fabicos por ano.<\/p>\n<p>Aproximadamente metade desse aumento \u2013 28 metros c\u00fabicos \u2013 poderia ser originado de obras de infraestrutura h\u00eddrica da regi\u00e3o e os outros 32 metros c\u00fabicos restantes de programas de gest\u00e3o de demanda e de re\u00faso da \u00e1gua, indica o plano.<\/p>\n<p>\u201cO plano foi a primeira sinaliza\u00e7\u00e3o enf\u00e1tica da necessidade de constituir uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada a promover a gest\u00e3o da demanda e o uso racional da \u00e1gua na macrometr\u00f3pole paulista\u201d, disse Porto.<\/p>\n<p>\u201cE esses programas de gest\u00e3o da demanda e uso racional da \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, para serem usados em um espa\u00e7o de tempo como o de uma crise h\u00eddrica, pela qual estamos passando agora. Mas s\u00e3o de m\u00e9dio e longo prazo\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/sao_paulo_deve_ganhar_programas_de_gestao_de_demanda_e_uso_racional_da_agua\/22292\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia Fapesp<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos H\u00eddricos est\u00e1 estudando a implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua na regi\u00e3o metropolitana (Ag\u00eancia Fapesp)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2564"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2577,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2564\/revisions\/2577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}