{"id":2710,"date":"2015-12-18T08:50:03","date_gmt":"2015-12-18T10:50:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2710"},"modified":"2015-12-23T15:27:31","modified_gmt":"2015-12-23T17:27:31","slug":"mapa-permite-estimar-idade-dos-componentes-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2710","title":{"rendered":"Mapa permite estimar idade dos componentes da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Antonio Carlos Quinto, da Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias<\/em><\/p>\n<p>Pela primeira vez, astr\u00f4nomos conseguiram elaborar um mapa que permite estimar a idade de estrelas que comp\u00f5em o halo da Via L\u00e1ctea. Utilizando dados do Sloan Digital Sky Survey (SDSS), obtidos por um telesc\u00f3pio de 2,5 metros de di\u00e2metro localizado no Novo M\u00e9xico (EUA), cientistas brasileiros e do exterior j\u00e1 podem estimar idades aproximadas de qualquer regi\u00e3o da Gal\u00e1xia, usando somente ligeiras varia\u00e7\u00f5es nas cores das estrelas.<\/p>\n<p>Os cientistas do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP Rafael Miloni Santucci e Silvia Rossi, juntamente com outros astr\u00f4nomos, s\u00e3o os autores do artigo que descreve este novo m\u00e9todo, cujo trabalho foi veiculado na revista internacional <a href=\"http:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/2041-8205\/813\/1\/L16\/\">Astrophysical Journal Letters<\/a>, intitulado: <em>Mapa cronogr\u00e1fico de idade do halo da Gal\u00e1xia<\/em>.<\/p>\n<p>Santucci explica que o halo, juntamente com o disco e o bojo, formam a estrutura principal da Gal\u00e1xia. \u201cTrata-se de uma regi\u00e3o de baixa densidade estelar, cuja forma \u00e9 praticamente esf\u00e9rica, e envolve a Gal\u00e1xia at\u00e9 regi\u00f5es al\u00e9m do disco\u201d, descreve. Ele lembra que o halo \u00e9 um ambiente importante para se estudar a evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia, pois cont\u00e9m objetos quase t\u00e3o velhos quanto o pr\u00f3prio Universo e, examente por isso, foi escolhido como ambiente ideal para a constru\u00e7\u00e3o do mapa.<\/p>\n<p>Com a elabora\u00e7\u00e3o do mapa cronogr\u00e1fico, algumas \u201cincertezas\u201d que at\u00e9 ent\u00e3o existiam sobre a forma\u00e7\u00e3o da Gal\u00e1xia poder\u00e3o ser melhor definidas. E tudo foi baseado na cor das estrelas. Santucci conta que o mapa permitiu verificar que as estrelas localizadas na regi\u00e3o central da Gal\u00e1xia s\u00e3o as mais velhas. \u201cIsso confirma previs\u00f5es de simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas para a forma\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea\u201d, conta. Nestes modelos, a Via L\u00e1ctea parece ter se formado de um colapso gravitacional de uma enorme nuvem de g\u00e1s, onde as estrelas foram formadas primeiro nas regi\u00f5es mais internas e depois nas regi\u00f5es mais externas. \u201cNosso mapa consegue ver exatamente isso, os objetos mais pr\u00f3ximos do centro da Gal\u00e1xia t\u00eam uma idade de cerca de 13 bilh\u00f5es de anos enquanto as regi\u00f5es mais externas s\u00e3o em geral mais jovens, com cerca de 9 bilh\u00f5es de anos\u201d, comemora Santucci.<\/p>\n<p><strong>Cores e massas<\/strong><br \/>\nPara elaborar o mapa, os astr\u00f4nomos utilizaram uma amostra de quase 5 mil estrelas branco-azuladas do halo, em uma fase evolutiva onde fundem H\u00e9lio em Carbono em seus n\u00facleos. \u201cAs cores das estrelas est\u00e3o relacionadas com suas temperaturas, que por sua vez est\u00e3o relacionadas com suas massas, sendo que estas regem seus tempos de vida\u201d, explica. Pelo mapa cronogr\u00e1fico, \u00e9 poss\u00edvel observar, por exemplo, que as estrelas de cor mais avermelhada, cujas temperaturas s\u00e3o mais baixas, s\u00e3o encontradas predominantemente nas regi\u00f5es mais externas da Gal\u00e1xia. \u201c\u00c9 importante dizer que somente para este tipo de estrelas, quanto mais avermelhada sua cor, mais jovem ela \u00e9. Al\u00e9m disso, as estrelas mais azuladas, e portanto mais velhas, s\u00e3o encontradas predominantemente nas regi\u00f5es pr\u00f3ximas ao centro gal\u00e1ctico\u201d.<\/p>\n<p>Santucci conta que a primeira observa\u00e7\u00e3o que levou em conta as cores das estrelas foi feita em 1991, pelo astr\u00f4nomo norte-americano George W. Preston. \u201cNa oportunidade ele analisou uma amostra de aproximadamente 150 estrelas do halo gal\u00e1ctico\u201d, informa. Santucci e sua orientadora, a professora Silvia Rossi, anunciam que o pr\u00f3ximo mapa cronogr\u00e1fico ser\u00e1 feito com base em cerca de 100 mil estrelas. \u201cEm breve deveremos submeter um novo artigo \u00e0 uma importante publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, adianta o cientista.<\/p>\n<div class=\"img aligncenter size-full wp-image-225957\">\n<div style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/Bol_4082B.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"(**) A figura mostra o principal resultado do trabalho dos astr\u00f4nomos, comprovando pela primeira vez que o Halo se formou de dentro para fora\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/Bol_4082B.jpg\" alt=\"(**) A figura mostra o principal resultado do trabalho dos astr\u00f4nomos, comprovando pela primeira vez que o Halo se formou de dentro para fora\" width=\"500\" height=\"542\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">(**) A figura mostra o principal resultado do trabalho dos astr\u00f4nomos, comprovando pela primeira vez que o Halo se formou de dentro para fora<\/p><\/div>\n<div>Na regi\u00e3o do halo da Gal\u00e1xia ocorrem colis\u00f5es com gal\u00e1xias menores. O mapa cronogr\u00e1fico permite identificar estas gal\u00e1xias que est\u00e3o sendo engolidas pela Via L\u00e1ctea, estimando as suas idades e, at\u00e9 mesmo, outras estruturas resultantes de colis\u00f5es ou da pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o inicial da Gal\u00e1xia. \u201cConseguimos identificar, por exemplo, um evento de destrui\u00e7\u00e3o da pequena gal\u00e1xia de Sagit\u00e1rio na regi\u00e3o do halo que est\u00e1 ocorrendo h\u00e1 alguns bilh\u00f5es de anos\u201d, conta. \u201c\u00c9 um bom exemplo de como o mapa pode ser \u00fatil, podemos avaliar n\u00e3o s\u00f3 a origem do Halo, mas tamb\u00e9m sua evolu\u00e7\u00e3o com as diversas intera\u00e7\u00f5es da Gal\u00e1xia com outras gal\u00e1xias menores no decorrer do tempo.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O mapa elaborado pelos astr\u00f4nomos \u00e9 um dos frutos da tese de doutorado de Santucci que ser\u00e1 defendida no IAG em 2016, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Silvia Rossi.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p><em>(**) Imagem cedida pelo pesquisador<\/em><\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es: <a>rafaelsantucci@gmail.com<\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>fonte: Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias, 17\/12\/2015<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9todo que analisa as cores das estrelas permitir\u00e1 saber mais detalhes sobre a origem da nossa Gal\u00e1xia (Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2710","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2710"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2714,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2710\/revisions\/2714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}