{"id":2727,"date":"2016-01-04T07:19:21","date_gmt":"2016-01-04T09:19:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2727"},"modified":"2016-01-06T07:28:41","modified_gmt":"2016-01-06T09:28:41","slug":"mulheres-em-obras-de-georgina-de-albuquerque-revela-preocupacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2727","title":{"rendered":"Mulheres em obras de Georgina de Albuquerque revela preocupa\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p><em>Telas da artista com tem\u00e1tica sobre representa\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o estudadas no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP<\/em><\/p>\n<p><em>Por Isadora Vitti, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias<\/em><\/p>\n<p>Anita Malfatti, Tarsila do Amaral. Quando se pensa em pintoras brasileiras reconhecidas na hist\u00f3ria da arte, a lista n\u00e3o \u00e9 grande e muitas mulheres sequer s\u00e3o conhecidas e estudadas. Um exemplo \u00e9 a artista Georgina de Albuquerque (1885-1962), uma das principais mulheres brasileiras a conseguir firmar-se como artista no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, mas atualmente pouco estudada e com poucas obras em institui\u00e7\u00f5es e museus.<\/p>\n<p>Com o objetivo de analisar a quest\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o do trabalho na produ\u00e7\u00e3o de Georgina de Albuquerque, a partir da obra No Cafezal, Manuela Nogueira faz seu mestrado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, sob supervis\u00e3o da professora Ana Paula Simioni e com bolsa da Fapesp. Quando retrata o trabalho em seus quadros, as mulheres s\u00e3o protagonistas na a\u00e7\u00e3o. \u201cNo caso da Georgina, ela faz quest\u00e3o de pintar as mulheres trabalhando\u201d, explica Manuela. \u201cEla queria se inserir nessa quest\u00e3o, e estar dentro desse meio pintando essa tem\u00e1tica era interessante naquele momento.\u201d<\/p>\n<p>As pinturas acerca de quest\u00e3o sociais n\u00e3o surgem apenas no modernismo, diferente do pensamento geral. Artistas vinculados ao sistema acad\u00eamico, como Georgina, j\u00e1 pintavam essa tem\u00e1tica desde os anos iniciais do s\u00e9culo 20, e os modernistas s\u00f3 trouxeram um novo significado a essas quest\u00f5es. \u201cGeorgina estava sim em di\u00e1logo com os modernistas, no entanto com uma preocupa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00f3 art\u00edstica, mas tamb\u00e9m pol\u00edtica\u201d, explica Manuela.<\/p>\n<p>As obras escolhidas para o estudo t\u00eam recorte cronol\u00f3gico do final da d\u00e9cada de 20 at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 40. Nelas, a tem\u00e1tica do trabalho est\u00e1 majoritariamente representada no campo. Isso est\u00e1 presente tanto na tela O Cafezal, mas tamb\u00e9m em telas como Mercado,Paiol de Milho e em Roceiras. O contexto da industrializa\u00e7\u00e3o tem grande import\u00e2ncia nessa escolha. A pesquisadora explica: \u201cPor conta da industrializa\u00e7\u00e3o e do crescimento de grandes cidades, o campo fica como uma mem\u00f3ria e ela quer registrar isso por meio da pintura\u201d.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades de se pesquisar esse tema \u00e9 que h\u00e1 poucas telas da Georgina Albuquerque em museus e institui\u00e7\u00f5es de arte. No acervo da Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo h\u00e1 nove obras da artista, entre elas No Cafezal, mas muitas telas fazem partes de cole\u00e7\u00f5es particulares. \u201cAlgumas telas estudadas eu s\u00f3 achei em registros, revistas e peri\u00f3dicos, n\u00e3o achei as obras\u201d, afirma Manuela. Al\u00e9m disso, a tela No Cafezal est\u00e1 datada na Pinacoteca como sendo de 1930, mas durante sua pesquisa, Manuela visitou arquivos e confrontando dados descobriu que a obra era anterior a isso, de 1926.<\/p>\n<p><strong>Mulheres na pintura<\/strong><\/p>\n<p>Georgina de Albuquerque produziu muito em vida. A artista teve grande prest\u00edgio na \u00e9poca, foi a primeira mulher a ser diretora da Escola Nacional de Belas Artes, considerada o maior \u00f3rg\u00e3o consagrador da arte brasileira, e a \u00fanica mulher artista a produzir uma tela de hist\u00f3ria,Sess\u00e3o do Conselho de Estado, em 1922. Al\u00e9m disso, entre 1906 e 1911 estudou na Fran\u00e7a, na Acad\u00e9mie Julian, uma das primeiras academias de arte a receber mulheres.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que um dos motivos para as obras de Georgina e de outras artistas acad\u00eamicas n\u00e3o serem t\u00e3o reconhecidas \u00e9 consequ\u00eancia da cr\u00edtica e da historiografia da arte brasileira. \u201cA cr\u00edtica \u00a0tem o papel de valorizar mais os modernos, considerados vanguardistas e transgressores, em detrimento da produ\u00e7\u00e3o que veio antes e dos artistas da academia\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, atualmente n\u00e3o h\u00e1 muitos estudos sobre essas artistas a partir do recorte de g\u00eanero e para Manuela, considerar a dimens\u00e3o do g\u00eanero \u00e9 essencial ao se analisar trajet\u00f3rias e produ\u00e7\u00f5es de mulheres artistas no Brasil. \u00a0\u201cPensar nessa inser\u00e7\u00e3o da mulher no espa\u00e7o p\u00fablico dentro dessas institui\u00e7\u00f5es ainda hoje n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bem visto dentro da academia\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Telas da artista com tem\u00e1tica sobre representa\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o estudadas no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2727"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2728,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2727\/revisions\/2728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}