{"id":2754,"date":"2016-01-18T10:04:39","date_gmt":"2016-01-18T12:04:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2754"},"modified":"2016-01-06T10:07:44","modified_gmt":"2016-01-06T12:07:44","slug":"definicoes-em-torno-sexo-e-genero-limitam-construcoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2754","title":{"rendered":"Defini\u00e7\u00f5es em torno do sexo e g\u00eanero limitam constru\u00e7\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<p><em>Enquadrar pessoas em grupos com base em sua op\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero pode fortalecer normatiza\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Por Joana Leal, de Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ainda que de forma n\u00e3o declarada, o sexo exerce papel central na vida das pessoas. Elas s\u00e3o o tempo todo instigadas a falar sobre ele, por\u00e9m de maneira velada e sutil. Prova disso \u00e9 a quantidade de pautas relacionadas ao assunto em programas de televis\u00e3o, revistas e jornais &#8211; &#8220;como apimentar o relacionamento&#8221;, &#8220;como encontrar um parceiro&#8221; e &#8220;como ter prazer com o pr\u00f3prio corpo&#8221;, s\u00e3o exemplos de abordagens dadas ao tema. No entanto, esse incentivo \u00e0s pr\u00e1ticas sexuais ocorre de maneira muito espec\u00edfica, sempre primando pela tend\u00eancia hegem\u00f4nica do relacionamento entre um homem e uma mulher e com finalidade reprodutiva. Essas s\u00e3o conclus\u00f5es do psic\u00f3logo Lu\u00eds Fernando de Oliveira Saraiva, que pesquisa quest\u00f5es relacionadas a sexualidade, g\u00eanero e fam\u00edlia em seu doutorado no Instituto de Psicologia (IP) da USP.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Suas indaga\u00e7\u00f5es sobre a tem\u00e1tica come\u00e7aram ainda no mestrado, quando estudou, a partir de an\u00e1lises cinematogr\u00e1ficas, a higieniza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias homoer\u00f3ticas. Em suas investiga\u00e7\u00f5es ele percebeu que uma s\u00e9rie de padr\u00f5es heteronormativos tendem a se disseminar e produzir nas pessoas o desejo de adequa\u00e7\u00e3o social. Uma mostra disso, segundo ele, \u00e9 o quanto se manifestou no p\u00fablico LGBT o desejo de casar e constituir fam\u00edlia, algo que antigamente era menos notado. &#8220;Historicamente, o modelo de rela\u00e7\u00e3o entre homens n\u00e3o heterossexuais \u00e9 de curta dura\u00e7\u00e3o, transit\u00f3rio e com um n\u00famero muito maior de parceiros. Contudo, isso muda ao longo do tempo com uma propens\u00e3o maior ao casamento&#8221;, explica o pesquisador. Essas mudan\u00e7as o impulsionam a pensar o porqu\u00ea das pessoas quererem casar e a fam\u00edlia ser um fator t\u00e3o preponderante e essencial.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Saraiva, a fam\u00edlia coloca-se como tem\u00e1tica constante pois ela \u00e9 o objeto central do estado. Algo que pode ser notado pela quantidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que a visam. &#8220;H\u00e1 uma perspectiva de investir na fam\u00edlia para que ela produza sujeitos mais adequados para o mundo. Adequa\u00e7\u00e3o essa que passa pela heterossexualidade. Por isso, o sexo se mostra uma discuss\u00e3o primordial&#8221; afirma. Ele aponta que para dar base \u00e0 discuss\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio falar das quest\u00f5es de g\u00eanero e do que entende-se por fam\u00edlia, uma vez que o &#8220;Estatuto da Fam\u00edlia&#8221;, no qual est\u00e1 posto um recorte espec\u00edfico, tornou-se assunto recorrente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pesquisador lembra que durante os s\u00e9culos 18 e 19, houve forte investimento em pol\u00edticas de estado voltadas para a fam\u00edlia. Elas caracterizavam-se, normalmente, pela produ\u00e7\u00e3o de manuais, que acompanhavam revistas ou jornais e ensinavam a arte de se educar as crian\u00e7as. &#8220;Materiais altamente psicologizados e com intuito de normatizar as pessoas&#8221;, destaca. Saraiva credita essas tentativas de uniformiza\u00e7\u00e3o ao medo e receio do que \u00e9 diferente e m\u00faltiplo, como a transexualidade e os comportamentos n\u00e3o heterossexuais, por exemplo. Tamb\u00e9m cita o fato de existirem modelos comportamentais t\u00e3o enraizados, que em poucas situa\u00e7\u00f5es o sujeito ir\u00e1 se auto-confrontar e refletir sobre seu g\u00eanero e op\u00e7\u00f5es. &#8220;As figuras identit\u00e1rias que conhecemos hoje s\u00e3o muito fixas e est\u00e3o socialmente naturalizadas&#8221;, completa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por conta dos modelos hegem\u00f4nicos estarem t\u00e3o fincados, Saraiva ressalta a import\u00e2ncia de discutir sobre os comportamentos que fogem \u00e0 regra dada como padr\u00e3o. Ele diz acreditar que as pr\u00f3prias siglas e nomina\u00e7\u00f5es LGBTs podem refor\u00e7ar um car\u00e1ter identit\u00e1rio e criar unidade onde n\u00e3o h\u00e1. &#8220;Falar sobre homens gays \u00e9 algo muito gen\u00e9rico, visto vez que as experi\u00eancias homoer\u00f3ticas s\u00e3o infinitas e n\u00f3s n\u00e3o damos conta de apreender isso&#8221; pontua. Para o psic\u00f3logo, tentar enquadrar numa mesma perspectiva homens que s\u00e3o casados com mulheres, mas mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es eventuais com outros, e homens que se relacionam de maneira exclusivamente homossexual \u00e9 um erro, pois ignora a multiplicidade existente. Da mesma maneira, ele questiona a normatiza\u00e7\u00e3o que cerca os transexuais e \u00e9 produzida a partir de crit\u00e9rios heterossexuais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cAcredito que os transexuais vivem um momento de padroniza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda uma impossibilidade de se transitar entre dois g\u00eaneros, sustentar no corpo a ambival\u00eancia e n\u00e3o precisar nome\u00e1-la&#8221;, diz o pesquisador. Nesse ponto, o tr\u00e2nsito de habitar dois lugares teria enorme for\u00e7a, dado seu potencial de romper estere\u00f3tipos e inserir novas possibilidades. Encarar a heterossexualidade como um padr\u00e3o, sendo que na pr\u00f3pria natureza ela n\u00e3o \u00e9, torna-se um erro, afirma. &#8220;Por que precisamos nos definir por nosso corpo e op\u00e7\u00f5es sexuais? O ser humano tem potencial para muito mais do que isso&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquadrar pessoas em grupos com base em sua op\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero pode fortalecer normatiza\u00e7\u00e3o (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2755,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754\/revisions\/2755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}