{"id":2806,"date":"2016-01-28T15:39:32","date_gmt":"2016-01-28T17:39:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2806"},"modified":"2016-01-28T20:47:44","modified_gmt":"2016-01-28T22:47:44","slug":"pesquisa-explora-identidade-visual-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2806","title":{"rendered":"Pesquisa explora identidade visual de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><em>Por meio de artefatos gr\u00e1ficos veiculados a partir do s\u00e9culo XIX, projeto tra\u00e7a panorama do repert\u00f3rio tipogr\u00e1fico produzido em S\u00e3o Paulo nos primeiros cem anos de impress\u00e3o na cidade<\/em><\/p>\n<p><em>Por Laura Himmelstein Capelhuchnik, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_2807\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.prp.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/33\/2016\/01\/seckler2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2807\" class=\"wp-image-2807 \" src=\"http:\/\/www.prp.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/33\/2016\/01\/seckler2.jpg\" alt=\"An\u00fancio do impressor Jorge Seckler. Foto: Priscila Farias\" width=\"398\" height=\"590\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-content\/uploads\/sites\/33\/2016\/01\/seckler2.jpg 600w, https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-content\/uploads\/sites\/33\/2016\/01\/seckler2-202x300.jpg 202w, https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-content\/uploads\/sites\/33\/2016\/01\/seckler2-400x593.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2807\" class=\"wp-caption-text\">An\u00fancio do impressor Jorge Seckler. Foto: Priscila Farias<\/p><\/div>\n<p>O projeto &#8220;Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica Paulistana: estudos explorat\u00f3rios sobre tipografia e identidade&#8221;, iniciado em 2013 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo, faz parte de uma rede de pesquisa sobre memoria gr\u00e1fica brasileira que come\u00e7ou com pesquisadores de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Recife. O trabalho tem como objetivo compreender a configura\u00e7\u00e3o da identidade visual da cidade de S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o das\u00a0caracter\u00edsticas visuais apresentadas pela produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica veiculada.<\/p>\n<p>Na FAU, o foco da pesquisa \u00e9 o resgate da hist\u00f3ria dos impressores paulistanos do primeiro s\u00e9culo de impress\u00e3o na cidade. Come\u00e7a com o peri\u00f3dico \u201cO Farol Paulistano&#8221;, na d\u00e9cada de 1820, e vai at\u00e9 1920, quando a impress\u00e3o com tipos m\u00f3veis, o processo de composi\u00e7\u00e3o dominante, come\u00e7a a ser substitu\u00eddo por novas t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>No site, o grupo disponibiliza o banco de dados\u00a0Tipografia Paulistana, que\u00a0re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre as empresas ligadas \u00e0 pratica da impress\u00e3o, com nomes e endere\u00e7os das oficinas tipogr\u00e1ficas que atuaram ao longo do s\u00e9culo. Entre 1820 e 1830, s\u00e3o menos de cinco oficinas em atividade. Esse n\u00famero aumenta exponencialmente no final do s\u00e9culo 19, quando chega a cerca de 200 impressores registrados.<\/p>\n<p>A cataloga\u00e7\u00e3o dos impressores da cidade ao longo do s\u00e9culo foi dificultada por fatores como uma mesma empresa com dois nomes diferentes, ou com mais de um endere\u00e7o, al\u00e9m de profissionais que ocuparam cargos em mais de uma empresa simultaneamente. Al\u00e9m disso, muitas ruas mudaram de nome ou n\u00e3o existem mais atualmente, o que dificulta sua localiza\u00e7\u00e3o. O que se sabe com precis\u00e3o \u00e9 que a quantidade mais expressiva de oficinas da \u00e9poca ficava no centro de S\u00e3o Paulo. &#8220;Isso \u00e9 reflexo da pr\u00f3pria cidade, que era muito pequena, e da origem dos impressores&#8221;, diz a professora Priscila Farias, coordenadora da pesquisa. &#8220;A maioria deles era vinculada \u00e0 Faculdade de Direito da USP. Os primeiros jornais eram muito ligados a isso, ent\u00e3o, se voc\u00ea olhar os nomes dos editores dos jornais e dos donos das gr\u00e1ficas, vai ver que s\u00e3o em maioria professores, alunos, ou pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco. N\u00e3o \u00e9 por acaso, portanto, que essas gr\u00e1ficas se localizam onde essas pessoas atuavam e viviam.\u201d<\/p>\n<p>A partir desse mapeamento da atividade de impress\u00e3o, o grupo pretende analisar o que cada profissional produziu. Depois da cataloga\u00e7\u00e3o das oficinas, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 compreender a visualidade da impress\u00e3o de suas produ\u00e7\u00f5es, por meio de um resgate do chamado repert\u00f3rio tipogr\u00e1fico. O foco da an\u00e1lise s\u00e3o os almanaques comerciais produzidos no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Uma primeira abordagem sobre o repert\u00f3rio \u00e9 a an\u00e1lise de letras serifadas toscanas \u2013 s\u00e3o fontes \u00a0mais ornamentadas, com serifas extravagantes, pontudas. A partir desses dados foi poss\u00edvel verificar que algumas fontes s\u00e3o utilizadas ao longo de praticamente todo o per\u00edodo de impress\u00e3o de almanaques.<\/p>\n<p>Na atual etapa de trabalho \u2013 que n\u00e3o segue uma ordem cronol\u00f3gica \u2013 a produ\u00e7\u00e3o do impressor de origem alem\u00e3 Jorge Seckler est\u00e1 sendo analisada. Ele representa um dos maiores nomes do of\u00edcio, atuou entre a d\u00e9cada de 1880 \u00a0at\u00e9 o final do s\u00e9culo 19, e deixou diversos sucessores. &#8220;Escolhemos olhar primeiro para a sua produ\u00e7\u00e3o porque, embora n\u00e3o seja o primeiro, a partir de sua trajet\u00f3ria j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia dos encaminhamentos da produ\u00e7\u00e3o tipogr\u00e1fica em S\u00e3o Paulo&#8221;, diz a professora. &#8220;Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel comparar a produ\u00e7\u00e3o de Seckler com a da fam\u00edlia Laemmert [uma das maiores refer\u00eancias deste per\u00edodo no pa\u00eds], que imprimiu os almanaques por muito mais tempo e com uma periodicidade mais ajustada.&#8221;<\/p>\n<p>Seckler come\u00e7ou trabalhando com o almanaque &#8220;O Indicador&#8221;, em 1883. A partir de 1884, quando ele inaugura o &#8220;Almanaque do Estado de S\u00e3o Paulo&#8221;, surge uma variedade maior de fontes, em que predominam as toscanas, mais ornamentadas. Algumas delas se mant\u00e9m at\u00e9 o final de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao final de cada Almaque impresso pela oficina de Seckler, est\u00e3o as chamadas p\u00e1ginas de Notabilidades, onde ficavam os an\u00fancios da \u00e9poca. Essa subdivis\u00e3o cont\u00e9m uma variedade grande de tipos de letra: &#8220;\u00c0s vezes, em um mesmo anuncio, voc\u00ea v\u00ea cada linha com uma fonte diferente&#8221;, diz Priscila. Outra observa\u00e7\u00e3o feita pelo grupo \u00e9 que em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es o estilo de letra se repete para um \u00fanico anunciante, o que de certa maneira se aproxima ao conceito do logotipo de uma marca.<\/p>\n<p>Enquanto no Rio de Janeiro foram identificados 39 tipos de toscanas na produ\u00e7\u00e3o dos Laemmert \u2013 que tamb\u00e9m trabalhavam com a fundi\u00e7\u00e3o de tipos, no repert\u00f3rio de Seckler 12 toscanas foram mapeadas. A aus\u00eancia de variedade de tipos, nesse caso, pode tanto sinalizar a falta de recursos ou de fundidores como tamb\u00e9m uma certa reserva na sele\u00e7\u00e3o: &#8220;O repert\u00f3rio restrito fala um pouco uma escolha. Se eu posso comprar fontes, escolho s\u00f3 algumas e n\u00e3o uso um repert\u00f3rio muito grande, \u00e9 porque as selecionadas dizem algo pra mim, certo?&#8221;, aponta a professora.<\/p>\n<p>A pesquisa ainda est\u00e1 em seu in\u00edcio, tentando decifrar as decis\u00f5es por tr\u00e1s do repert\u00f3rio de Seckler, a produ\u00e7\u00e3o das oficinas e as caracter\u00edsticas dos primeiros 100 anos de impress\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Mas um ponto que j\u00e1 se ressalta na pesquisa \u00e9 o olhar que devemos ter sobre o s\u00e9culo 19 na cidade. &#8220;Ainda existe a ideia de que n\u00e3o havia ind\u00fastria em S\u00e3o Paulo at\u00e9 a d\u00e9cada de 50, que o s\u00e9culo 19 \u00e9 perdido e que o design s\u00f3 pode ser considerado a partir dos anos 50. Mas n\u00e3o \u00e9 o que a gente percebe pela pesquisa&#8221;, Priscila diz. &#8220;D\u00e1 pra ver S\u00e3o Paulo em crescimento ao olhar os almanaques e, especialmente, as p\u00e1ginas de notabilidade. Voc\u00ea tinha um campo de atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0 ind\u00fastria e ao comercio que a gente entende hoje como design, mas que n\u00e3o tinha esse nome. No fundo, \u00e9 a origem das pr\u00e1ticas que a gente conhece.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de artefatos gr\u00e1ficos veiculados a partir do s\u00e9culo XIX, projeto tra\u00e7a panorama do repert\u00f3rio tipogr\u00e1fico produzido em S\u00e3o Paulo nos primeiros cem anos de impress\u00e3o na cidade (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2806"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2811,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2806\/revisions\/2811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}