{"id":2877,"date":"2016-02-15T10:25:25","date_gmt":"2016-02-15T12:25:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2877"},"modified":"2016-02-15T10:25:25","modified_gmt":"2016-02-15T12:25:25","slug":"virus-zika-agiliza-financiamento-da-pesquisa-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2877","title":{"rendered":"V\u00edrus Zika agiliza financiamento da pesquisa no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em>Pode surgir uma nova modalidade na indu\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Brasil, com o uso do modelo &#8220;fast track&#8221; para casos emergenciais, diz Paolo Zanotto, coordenador da Rede Zika<\/em><\/p>\n<p><em>Por Karina Toledo e Samuel Antenor, da\u00a0Ag\u00eancia FAPESP<\/em><\/p>\n<p>Enquanto os cientistas brasileiros se preparavam para uma eventual epidemia de chikungunya e desenvolviam m\u00e9todos para diagnosticar rapidamente a doen\u00e7a, considerada altamente debilitante, o v\u00edrus Zika \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o visto como benigno e causador de uma esp\u00e9cie de \u201cdengue <i>light<\/i>\u201d \u2013 foi se espalhando no pa\u00eds de forma quase despercebida.<\/p>\n<p>Somente quando veio \u00e0 tona sua poss\u00edvel associa\u00e7\u00e3o com os crescentes casos de microcefalia na regi\u00e3o Nordeste, em 2015, as aten\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e do mundo se voltaram ao pat\u00f3geno origin\u00e1rio da Floresta de Ziika, em Uganda.<\/p>\n<p>O fato de o Brasil ter sido surpreendido por essa epidemia pode ter ao menos um aspecto positivo: a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos para agilizar o financiamento de pesquisas cient\u00edficas no pa\u00eds. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita pelo professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) Paolo Zanotto, que no \u00faltimo m\u00eas de dezembro ajudou a articular a chamada Rede Zika, uma for\u00e7a-tarefa para pesquisar e combater o v\u00edrus no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo Zanotto, quando a FAPESP, em dezembro de 2015, aprovou em quest\u00e3o de dias aditivos para projetos em andamento \u2013 de forma que parte das atividades fosse redirecionada para responder quest\u00f5es emergenciais relacionadas com a epidemia de Zika (Leia mais em: <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/22671\/\" target=\"_blank\"><b>agencia.fapesp.br\/22671\/<\/b><\/a>) \u2013 criou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia em outros agentes indutores de pesquisa no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA Capes [<i>Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior]<\/i>\u00a0viu o que a FAPESP fez ao aprovar rapidamente os aditivos para projetos j\u00e1 vigentes, o que encurta muito a velocidade de indu\u00e7\u00e3o, irrigando com recursos o que precisa ser irrigado, e est\u00e1 buscando agilizar o processo. O Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) acompanhou esse processo e quer fazer o mesmo, em uma modalidade com financiamento <i>fast track<\/i> via FAPs [<i>as funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa dos diversos estados]<\/i>\u00a0e via INCTs [<i>Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia]<\/i>, ou seja, todos entenderam que n\u00e3o temos tempo a perder\u201d, afirmou Zanotto.<\/p>\n<p>Se ao final da experi\u00eancia o saldo for positivo, avaliou o professor do ICB-USP, pode surgir uma nova modalidade na indu\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Brasil: um modelo <i>fast track<\/i> para casos emergenciais, acelerando processos de pesquisa e desenvolvimento<\/p>\n<p>\u201cQuando temos problemas exponenciais, as respostas t\u00eam que ser exponenciais. E isso come\u00e7ou a ser bem entendido pelos gestores de ci\u00eancia e sa\u00fade no Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p>Esse e outros temas relacionados aos crescentes casos de Zika e de microcefalia no Brasil foram comentados por Zanotto em entrevista \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Quais temas de pesquisa foram definidos como priorit\u00e1rios pela Rede Zika?<\/i><br \/>\n<b>Paolo Zanotto <\/b>\u2013 Temos uma vis\u00e3o parecida com a da Uni\u00e3o Europeia e do National Institutes of Health [<i>NIH, principal \u00f3rg\u00e3o de pesquisa dos Estados Unidos]<\/i>: o ponto crucial neste momento \u00e9 criar ferramentas para diagn\u00f3stico r\u00e1pido, capazes de discriminar o v\u00edrus Zika de outros arbov\u00edrus, como o da dengue. A parte de \u00e1cidos nucleicos [<i>exames do tipo PCR, que identificam o DNA viral no sangue e servem para a fase aguda]<\/i>\u00a0est\u00e1 muito bem desenvolvida, mas precisamos de diagn\u00f3sticos sorol\u00f3gicos [<i>que identificam anticorpos contra o v\u00edrus mesmo ap\u00f3s a fase aguda]<\/i>. A segunda quest\u00e3o \u00e9 entender essa rela\u00e7\u00e3o do v\u00edrus com a microcefalia. S\u00e3o os dois temas fundamentais do ponto de vista da urg\u00eancia. Depois h\u00e1 outros aspectos tamb\u00e9m importantes, como o desenvolvimento de uma vacina, estudos de entomologia, para entender a gen\u00e9tica do mosquito e sua capacidade de infectar as pessoas. E tem a parte de controle biol\u00f3gico associado \u00e0 entomologia. A BR3, uma empresa do Centro de Inova\u00e7\u00e3o, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da USP, vem trabalhando com o <i>Bacillus thuringiensis<\/i> (BTI), uma bact\u00e9ria cujo esporo acumula quatro toxinas letais para o <i>Aedes<\/i>. Isso \u00e9 conhecido desde os anos 1980, mas o grande problema era como fazer o esporo sobreviver no ambiente. A BR3 criou uma estrutura chamada bio-oca. \u00c9 uma pastilha que quando jogada na \u00e1gua vai para o fundo do criadouro e forma uma esp\u00e9cie de iglu, que aos poucos libera os esporos. Com a quantidade correta de pastilhas, cerca de 50% das larvas do mosquito morrem nas primeiras cinco horas e, depois, o n\u00edvel de letalidade de 100% \u00e9 mantido por 120 dias. Mas a quest\u00e3o do controle biol\u00f3gico, inclusive a produ\u00e7\u00e3o de mosquitos transg\u00eanicos, enfrenta um problema de escalonamento. Ainda n\u00e3o h\u00e1 capacidade de produzir o material em quantidade elevada para atender a demanda. Outra parte importante do trabalho da rede \u00e9 acompanhar o espalhamento do v\u00edrus. Pretendemos isolar os v\u00edrus circulantes, sequenciar e depois estudar a dist\u00e2ncia evolutiva entre eles em uma \u00e1rvore de fam\u00edlia para saber de onde v\u00eam. Tem ainda a parte de gen\u00e9tica humana: investigar fatores que podem influenciar na gravidade da doen\u00e7a. E a \u00faltima tarefa, que \u00e9 crucial do ponto de vista de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 o acompanhamento de coortes de caso-controle, ou seja, no momento em que \u00e9 confirmada uma gesta\u00e7\u00e3o, fazemos o teste para o v\u00edrus Zika e continuamos acompanhando a m\u00e3e e o feto para ver o que acontece. Isso est\u00e1 sendo feito em Jundia\u00ed, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, Ribeir\u00e3o Preto e aqui em S\u00e3o Paulo. \u00c0 medida que alguma das gestantes \u00e9 infectada, muda a forma de seguimento. Depois que tiver ocorrido alguns ciclos completos de gravidez nessas popula\u00e7\u00f5es vamos come\u00e7ar a entender, por exemplo, qual \u00e9 o risco de uma m\u00e3e infectada por Zika ter um filho com microcefalia. Pode haver influ\u00eancia gen\u00e9tica ou de exposi\u00e7\u00e3o a outros agentes durante a gravidez, outros v\u00edrus.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 A rela\u00e7\u00e3o entre o v\u00edrus Zika e a microcefalia j\u00e1 est\u00e1 confirmada? J\u00e1 se sabe como o v\u00edrus afeta o sistema nervoso?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 O an\u00fancio feito pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sugeriu que o v\u00edrus \u00e9 culpado at\u00e9 provado inocente. \u00c9 um racioc\u00ednio extremamente racional, mas inverte a forma como a ci\u00eancia funciona. Geralmente, tentamos estabelecer a rela\u00e7\u00e3o causal para depois determinar o que acontece em n\u00edvel do processo. O que estamos tentando fazer: pegar o v\u00edrus Zika, jogar no sistema animal e mostrar que s\u00f3 com a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus ocorre desenvolvimento de doen\u00e7a equivalente \u00e0 microcefalia. Depois infectamos c\u00e9lulas do sistema nervoso e avaliamos se o v\u00edrus sozinho causa um determinado tipo de morte celular. Em seguida, vamos destrinchando o problema e entendendo qual \u00e9 o papel do Zika no tecido. A ci\u00eancia progride assim. Mas, numa situa\u00e7\u00e3o de risco, a gente tem de inverter um pouco as coisas. Quando h\u00e1 um problema em que a vida das pessoas est\u00e1 em risco \u00e9 preciso tomar uma decis\u00e3o de a\u00e7\u00e3o, assumir que o v\u00edrus \u00e9 culpado at\u00e9 provado inocente. H\u00e1 uma superposi\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal muito boa entre os casos da doen\u00e7a e, em seguida, os casos de microcefalia, tanto na Polin\u00e9sia Francesa como no Brasil. No entanto, a presen\u00e7a do Zika no c\u00e9rebro de um feto com microcefalia, abortado, foi demonstrada.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Os casos de microcefalia que est\u00e3o sendo associados ao v\u00edrus Zika s\u00e3o semelhantes aos associados a citomegalov\u00edrus (CMV), s\u00edfilis e outras doen\u00e7as?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Parece haver um padr\u00e3o pr\u00f3prio do v\u00edrus Zika, com algumas caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0 da infec\u00e7\u00e3o por parvov\u00edrus B19 [<i>causador de virose conhecida como eritema infeccioso]<\/i>, como as calcifica\u00e7\u00f5es no tecido. Tamb\u00e9m h\u00e1 fatores semelhantes aos j\u00e1 observados na infec\u00e7\u00e3o por CMV, como a liquefa\u00e7\u00e3o do tecido nervoso ocorrendo tardiamente na gravidez. Por volta do s\u00e9timo, oitavo m\u00eas, ocorre uma aparente destrui\u00e7\u00e3o do tecido nervoso. O c\u00f3rtex, a parte de cima do c\u00e9rebro, praticamente desaparece. Nos casos que estamos acompanhando, comprovamos que n\u00e3o houve infec\u00e7\u00e3o por CMV. Levamos em considera\u00e7\u00e3o todos os fatores de risco para malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Crian\u00e7as pequenas tamb\u00e9m s\u00e3o suscet\u00edveis a danos neurol\u00f3gicos se infectadas?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia nesse sentido. Mas \u00e9 preciso ficar atento, pois existe sempre o fator demogr\u00e1fico. \u00c0 medida que mais pessoas s\u00e3o infectadas, manifesta\u00e7\u00f5es severas come\u00e7am a ser observadas. N\u00e3o posso dizer com certeza que \u201cn\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Existe um per\u00edodo gestacional em que a infec\u00e7\u00e3o pode ser mais prejudicial?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Tenho conversado com pediatras e obstetras no Recife e parece haver certas fases cr\u00edticas de desenvolvimento do c\u00e9rebro. Por volta de 29 semanas, as c\u00e9lulas progenitoras de neur\u00f4nios come\u00e7am a se diferenciar em neur\u00f4nios de forma muito r\u00e1pida e esses neur\u00f4nios come\u00e7am a construir sinapses com outros neur\u00f4nios. Ao mesmo tempo, os neur\u00f4nios que n\u00e3o est\u00e3o fazendo sinapses come\u00e7am a sofrer apoptose [<i>morte celular programada]<\/i>. Estamos deduzindo, pelas observa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplos casos, que essa semana 29 \u00e9 importante. Isso precisa ser estudado com mais detalhes para saber qual \u00e9 a janela de tempo que temos para entrar com uma terapia, por exemplo. Inicialmente, t\u00ednhamos a ideia de que talvez um evento que acontecesse no primeiro trimestre da gesta\u00e7\u00e3o fosse mais perigoso. Depois, come\u00e7amos a observar relatos de pessoas que faziam o exame morfom\u00e9trico no sexto ou s\u00e9timo m\u00eas e a crian\u00e7a aparentemente n\u00e3o tinha problema. De repente, o c\u00e9rebro literalmente se desmanchava. Sabemos tamb\u00e9m que a pessoa pode ter sido infectada no primeiro trimestre da gravidez e a complica\u00e7\u00e3o fetal surgir bem mais tarde. Precisamos entender como ocorre esse dano tardio.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 O senhor acredita haver alguma rela\u00e7\u00e3o entre a microcefalia e a vacina contra rub\u00e9ola ou entre o surto de Zika com os mosquitos transg\u00eanicos como tem sido aventado em redes sociais?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 O surto de Zika associado ao mosquito transg\u00eanico \u00e9 uma f\u00e1bula interessante, porque h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o com uma pseudoci\u00eancia, mas vale ressaltar que o mosquito transg\u00eanico \u00e9 macho e o macho n\u00e3o \u00e9 portador do v\u00edrus e n\u00e3o infecta ningu\u00e9m, pois ele n\u00e3o pica e se alimenta apenas em flores. Portanto, n\u00e3o faz sentido. O segundo aspecto tamb\u00e9m \u00e9 falso, porque desconsidera completamente certos aspectos fundamentais em epidemiologia. H\u00e1 uma quest\u00e3o espa\u00e7o-temporal importante que precisa ser observada. Os lotes de vacina usados na Polin\u00e9sia Francesa e no Brasil n\u00e3o foram os mesmos. E no Brasil, no caso de microcefalia registrado em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 o hist\u00f3rico da paciente, que foi atendida na mesma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) desde o seu nascimento, ou seja, sabemos quais vacinas lhe foram aplicadas e quando. No caso de surtos de dengue, por exemplo, h\u00e1 um espalhamento em gradiente. Para haver rela\u00e7\u00e3o com a vacina, o mesmo lote tem que ser repassado de Pernambuco para Sergipe, Bahia, at\u00e9 S\u00e3o Paulo, da mesma maneira como os casos est\u00e3o sendo registrados, e isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo desse modo. Se olharmos o padr\u00e3o de microcefalia e ou s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 na Nova Caled\u00f4nia, na Polin\u00e9sia Francesa e no Brasil, os registros s\u00e3o de espalhamento viral. \u00c9 quest\u00e3o de usar bom senso e ter mecanismos para poder argumentar de forma l\u00facida sobre esses aspectos.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 O que j\u00e1 se sabe sobre outras poss\u00edveis formas de cont\u00e1gio al\u00e9m da picada de mosquitos do g\u00eanero <i>Aedes<\/i>?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 J\u00e1 existem dois casos identificados de transmiss\u00e3o por transfus\u00e3o de sangue em Campinas. Na saliva, conseguimos detectar o v\u00edrus mais facilmente que no sangue. Na urina ele persiste mais tempo que no sangue. Mas casos de transmiss\u00e3o por essas vias ainda n\u00e3o foram confirmados. Existem tr\u00eas casos fortemente associados com transmiss\u00e3o sexual. S\u00e3o pessoas que viajaram para pa\u00edses onde h\u00e1 casos de Zika, manifestaram os sintomas quando regressaram ao pa\u00eds de origem, no qual n\u00e3o h\u00e1 o vetor, e infectaram o c\u00f4njuge. Ent\u00e3o pode sim haver transmiss\u00e3o sexual. Mas a gente tem que tentar entender qual \u00e9 a import\u00e2ncia disso do ponto de vista epidemiol\u00f3gico. Se for um fator importante muda completamente o cen\u00e1rio. Mas tamb\u00e9m pode ser uma exce\u00e7\u00e3o, algo sem muito impacto na din\u00e2mica de espalhamento.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 O senhor acredita que a realiza\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos no Brasil pode contribuir para dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus pelo mundo?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Tenho um pensamento amb\u00edguo em rela\u00e7\u00e3o a isso. Assim como a Copa do Mundo, a Olimp\u00edada acontece no inverno e, em temperaturas mais baixas, os vetores t\u00eam dificuldade para manter popula\u00e7\u00f5es suficientes para sustentar surtos. Claro que isso n\u00e3o vale para os estados do Nordeste e Norte, onde n\u00e3o h\u00e1 essa limita\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. O n\u00famero de picadas que a pessoa recebe no inverno tamb\u00e9m \u00e9 muito mais baixo do que no ver\u00e3o e isso est\u00e1 diretamente relacionado com a probabilidade de infec\u00e7\u00e3o. Mas, por causa do fen\u00f4meno <i>El Ni\u00f1o<\/i>, estamos em um ano at\u00edpico, com muita precipita\u00e7\u00e3o, muita flutua\u00e7\u00e3o de temperatura. Esse \u00e9 um fator que precisa ser considerado. H\u00e1 outra quest\u00e3o important\u00edssima que \u00e9 saber quais vetores o v\u00edrus est\u00e1 usando no pa\u00eds, se \u00e9 apenas o <i>Aedes aegypti<\/i> ou tamb\u00e9m o <i>A. albopictus<\/i> ou outras esp\u00e9cies de mosquitos. Esses estudos come\u00e7aram h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 J\u00e1 h\u00e1 alguma evid\u00eancia que mostre que o pernilongo ou algum outro inseto podem transmitir o v\u00edrus Zika?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Na \u00e1rvore de fam\u00edlia dos flaviv\u00edrus tem um grupo que \u00e9 vetorado pelo <i>Culex<\/i>\u00a0[<i>g\u00eanero ao qual pertence o pernilongo]<\/i>, como o v\u00edrus da encefalite japonesa, o v\u00edrus do Oeste do Nilo e o v\u00edrus da encefalite de S\u00e3o Lu\u00eds. Em outro bra\u00e7o da fam\u00edlia est\u00e3o os v\u00edrus associados ao <i>Aedes<\/i>, como os causadores de Zika, dengue e febre amarela. No caso da dengue, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de transmiss\u00e3o por <i>Culex<\/i>, ent\u00e3o eu n\u00e3o esperaria que fosse um problema no caso do Zika. Mas \u00e9 preciso testar. J\u00e1 o <i>A. albopictus<\/i>pode ser problem\u00e1tico. \u00c9 uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte. Ele poderia espalhar o v\u00edrus em toda a regi\u00e3o continental americana e entrar acima dos Pirineus e dos Alpes na Europa.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Por que o calor favorece os surtos de dengue, Zika e outras arboviroses?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 O metabolismo do <i>Aedes<\/i> se acelera \u00e0 medida que a temperatura ambiente sobe. Um aumento de 5 graus Celsius pode dobrar a velocidade de replica\u00e7\u00e3o do mosquito e fazer com que ele produza mais v\u00edrus em um menor tempo. Mas o v\u00edrus Zika \u00e9 uma zoonose com comportamento at\u00edpico. No Senegal, tem sido observada sua presen\u00e7a ao longo de todo o ano desde a d\u00e9cada passada. Na \u00c1frica, est\u00e1 sendo investigado qual \u00e9 esse mecanismo de manuten\u00e7\u00e3o. Pode ser a transmiss\u00e3o vertical [<i>quando a f\u00eamea do mosquito p\u00f5e ovos j\u00e1 infectados com o v\u00edrus]<\/i>\u00a0ou a presen\u00e7a de reservat\u00f3rios virais com ciclos de reprodu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pidos, que n\u00e3o est\u00e3o sendo detectados. Na \u00c1frica, h\u00e1 v\u00e1rias esp\u00e9cies de <i>Aedes<\/i> infectadas com o v\u00edrus Zika e percebemos que o pat\u00f3geno se adapta rapidamente a cada vetor. \u00c9 um v\u00edrus extremamente pl\u00e1stico, com capacidade adaptativa adequada para se tornar pand\u00eamico.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 O Brasil hoje tem condi\u00e7\u00f5es para controlar o <i>Aedes<\/i>?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 O ministro da Sa\u00fade foi criticado por dizer que o Brasil est\u00e1 perdendo a guerra contra o <i>Aedes<\/i>, mas, na verdade, o mundo est\u00e1 perdendo essa guerra. Se olharmos o espalhamento do mosquito no globo, percebemos que ele conquistou toda a parte equatorial e tropical do planeta. Isso \u00e9 um problema mundial, incluindo os pa\u00edses mais avan\u00e7ados. Talvez se possa pensar na elimina\u00e7\u00e3o do vetor, mas o mais adequado seria pensar no controle em locais onde seja poss\u00edvel diminuir significativamente a infesta\u00e7\u00e3o, porque a diminui\u00e7\u00e3o significa n\u00famero menor de surtos. Isso aconteceu, por exemplo, no Guaruj\u00e1, em 2013, quando encontramos focos e fizemos interven\u00e7\u00f5es, colapsando o surto causado pelo v\u00edrus dengue do sorotipo 4. Existem maneiras de se fazer interven\u00e7\u00e3o em tempo real, detectar as pessoas vir\u00eamicas, incluindo sua localiza\u00e7\u00e3o espacial, criando mecanismos de a\u00e7\u00e3o localizados. \u00c9 caro, mas \u00e9 mais caro n\u00e3o fazer isso. Ent\u00e3o existem mecanismos que podem ser feitos localmente, mas envolvendo a iniciativa privada, a academia, o governo e a sociedade.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Al\u00e9m dos quatro v\u00edrus mais associados ao <i>Aedes<\/i>, h\u00e1 possibilidade de transmiss\u00e3o de outros, como o Mayaro e o Oropouche?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Sim, s\u00e3o v\u00edrus que est\u00e3o no Brasil e t\u00eam um espalhamento razo\u00e1vel. Ao todo, s\u00e3o dois milh\u00f5es de tipos de febres que ocorrem na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia e n\u00e3o est\u00e3o esclarecidos. A quantidade de agentes \u00e9 gigantesca. O <i>Aedes<\/i> e sua proximidade com os demais v\u00edrus origin\u00e1rios da \u00c1frica pode nos levar a ter que lidar no futuro com uma lista imensa de v\u00edrus, alguns deles extremamente perigosos. Atualmente, esses v\u00edrus j\u00e1 s\u00e3o bastante estudados. Nossa experi\u00eancia com o Zika vai ser \u00fatil para pesquisas a serem desenvolvidas como parte de um conv\u00eanio entre a USP, a Fiocruz e o Instituto Pasteur, que j\u00e1 tem inclusive uma \u00e1rea alocada na USP de S\u00e3o Paulo. Uma das atua\u00e7\u00f5es que teremos com o grupo com o qual colaboramos na \u00c1frica ser\u00e1 come\u00e7ar, de forma proativa, a ter plataformas montadas de detec\u00e7\u00e3o molecular e sorol\u00f3gica desses v\u00edrus no Brasil. Se tiv\u00e9ssemos nos preparado para o Zika h\u00e1 dez anos, talvez a hist\u00f3ria fosse diferente. Precisamos aprender com essa situa\u00e7\u00e3o. Esse momento nos fez mudar o entendimento sobre a import\u00e2ncia de acompanhar os v\u00edrus de forma proativa, mesmo que eles n\u00e3o estejam no Brasil.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 No caso do chikungunya, que j\u00e1 provocou morte no Brasil, h\u00e1 possibilidade de um surto grande como o do Zika?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Para o v\u00edrus da febre chikungunya, por exemplo, j\u00e1 est\u00e1vamos mais preparados do que para o Zika. Existem m\u00e9todos comerciais de detec\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis. Parte disso \u00e9 porque as manifesta\u00e7\u00f5es desse v\u00edrus s\u00e3o muito mais severas. H\u00e1 sete meses, acreditava-se que o Zika n\u00e3o seria um problema, pois a maior parte dos casos \u00e9 assintom\u00e1tica. Mas a microcefalia mudou totalmente o patamar de gravidade desse agente. Sabemos de intera\u00e7\u00f5es entre chikungunya e Zika, de cocircula\u00e7\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias partes da \u00c1sia e do Pac\u00edfico, ent\u00e3o \u00e9 preciso entender melhor isso.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Se a maior parte das manifesta\u00e7\u00f5es de Zika n\u00e3o \u00e9 percebida, como uma mulher gr\u00e1vida pode lidar com essas informa\u00e7\u00f5es? \u00c9 poss\u00edvel pensar em um teste j\u00e1 no pr\u00e9-natal?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Nesse momento, temos um peda\u00e7o da prote\u00edna do v\u00edrus que \u00e9 \u00fatil para discriminar o Zika dos outros flaviv\u00edrus. Esse material est\u00e1 chegando agora da \u00c1frica e sendo sintetizado pelo prof. Luis Carlos Ferreira, no ICB da USP, que est\u00e1 iniciando a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas em bact\u00e9rias para testar a rea\u00e7\u00e3o do soro de nossos pacientes infectados por Zika. Se tudo funcionar bem, poderemos ter, em breve, um sistema para teste imunol\u00f3gico r\u00e1pido. E isso pode ser extremamente importante, pois a m\u00e3e, no acompanhamento, poder\u00e1 saber se j\u00e1 foi infectada algum dia por Zika. O cen\u00e1rio confuso gradualmente vai se dissipando, porque temos conseguido avan\u00e7ar rapidamente no estado, inclusive com bancos de sangue j\u00e1 reportando a presen\u00e7a de v\u00edrus (Leia mais em: <b><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisadores_criam_metodo_que_permite_detectar_zika_em_sangue_de_transfusao\/22657\/\">agencia.fapesp.br\/ 22657\/<\/a>). <\/b>Enquanto n\u00e3o temos um ensaio simples e r\u00e1pido que discrimine o Zika de outros arbov\u00edrus, somos obrigados a usar um teste mais demorado e soroneutraliza\u00e7\u00e3o, no qual infectamos as c\u00e9lulas com os v\u00edrus junto com soro de pacientes que, se neutralizarem a infec\u00e7\u00e3o, indicam que eles foram infectados por Zika.\u00a0Temos feito muitas confirma\u00e7\u00f5es em termos acad\u00eamicos, mas ainda n\u00e3o podemos fazer isso em massa para a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, a chegada desses pept\u00eddeos e sua produ\u00e7\u00e3o na USP pode nos ajudar a criar testes diagn\u00f3sticos r\u00e1pidos para todos.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 A visibilidade que essa quest\u00e3o d\u00e1 aos atores envolvidos propicia uma proje\u00e7\u00e3o internacional \u00e0 pesquisa brasileira?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 H\u00e1 duas maneiras de medir esse avan\u00e7o. Uma \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que depende de acesso a materiais e recursos, inclusive f\u00edsicos, para desenvolver os trabalhos. H\u00e1 dificuldades, mas estamos nos organizando. A Anvisa [<i>Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria]<\/i>\u00a0est\u00e1 auxiliando, facilitando a entrada de recursos e de materiais, como reagentes, que est\u00e1 funcionando bem. Temos um potencial enorme de gera\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Estado de S\u00e3o Paulo. Por outro lado, tem um segundo componente crucial, que \u00e9 o controle da epidemia. O fato de estarmos gerando esses dois componentes, conhecimento cient\u00edfico e controle, \u00e9 importante. O Brasil vai dar uma grande contribui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque \u00e9 aqui que temos a maior quantidade de casos. Percebo, atualmente, pelas v\u00e1rias propostas que est\u00e3o surgindo, as modalidades de intera\u00e7\u00e3o, de financiamento da comunidade europeia, financiamento no NIH, que est\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o esse aspecto de que eles t\u00eam parceiros aqui, o que \u00e9 muito bom para todos. No nosso caso, a postura \u00e9 a de parceria, colabora\u00e7\u00e3o. A comunidade cient\u00edfica brasileira \u00e9 desenvolvida e tem capacidade de lidar bem com isso, dadas as circunst\u00e2ncias de uma boa estrutura, com a academia funcionando, bom financiamento, boas articula\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es para um trabalho em rede, e boas articula\u00e7\u00f5es internacionais, que s\u00e3o necess\u00e1rias at\u00e9 pela velocidade de evolu\u00e7\u00e3o de certas solu\u00e7\u00f5es fundamentais.<\/p>\n<p><i><b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 O que tem sido feito para acelerar os estudos relacionados \u00e0 epidemia de Zika?<\/i><br \/>\n<b>Zanotto <\/b>\u2013 Estamos acompanhando alguns casos de microcefalia em S\u00e3o Paulo e pretendemos desenvolver pesquisa b\u00e1sica\u00a0<i>t<\/i>otalmente inserida num contexto de utilidade p\u00fablica quase que imediata. Qualquer coisa encontrada, potencialmente \u00fatil, deve ser disponibilizada, pois pode ter repercuss\u00e3o no diagn\u00f3stico, no acompanhamento das m\u00e3es. Nesse sentido, a Capes viu o que a FAPESP fez ao aprovar rapidamente aditivos para projetos j\u00e1 vigentes, o que encurta muito a velocidade de indu\u00e7\u00e3o, irrigando com recursos o que precisa ser irrigado, e est\u00e1 buscando agilizar o processo. O Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o acompanhou esse processo e quer fazer o mesmo em uma modalidade com financiamento via FAPs e INCTs, ou seja, todos entenderam que n\u00e3o temos tempo a perder. Se f\u00f4ssemos fazer os tr\u00e2mites nos prazos convencionais, n\u00e3o ter\u00edamos tempo. A Capes est\u00e1 atenta a isso e quer tentar uma modalidade de <i>fast track<\/i>. A FAPESP fez isso e causou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia em outros agentes indutores da pesquisa no Brasil. Isso \u00e9 muito importante, pois criou mecanismos de agiliza\u00e7\u00e3o. Se isso tudo funcionar e tivermos no final dessa experi\u00eancia um resultado positivo, podemos estar criando uma nova modalidade de atua\u00e7\u00e3o na indu\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Brasil. Porque quando temos problemas exponenciais, as respostas t\u00eam que ser exponenciais. E isso come\u00e7ou a ser bem entendido pelos gestores de ci\u00eancia e sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"Rede Zika: entrevista com Paulo Zanotto\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4dQEDdHv_-4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/epidemia_de_zika_agiliza_mecanismos_de_financiamento_de_pesquisa_no_pais\/22679\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode surgir uma nova modalidade na indu\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Brasil, com o uso do modelo &#8220;fast track&#8221; para casos emergenciais, diz Paolo Zanotto, coordenador da Rede Zika (Ag\u00eancia FAPESP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2877"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2880,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2877\/revisions\/2880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}