{"id":2881,"date":"2016-02-11T08:34:41","date_gmt":"2016-02-11T10:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2881"},"modified":"2016-02-15T10:38:32","modified_gmt":"2016-02-15T12:38:32","slug":"fazer-faculdade-de-madrugada-e-alternativa-para-conciliar-trabalho-e-estudo-na-rotina-diaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2881","title":{"rendered":"Faculdade na madrugada ajuda conciliar trabalho e estudo"},"content":{"rendered":"<p><em>Estudo na FSP da USP avalia condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos estudantes que optam por esse hor\u00e1rio e dos jovens que est\u00e3o se iniciando no mercado de trabalho<\/em><\/p>\n<p><em>Por Amanda Oliveira, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Encaixar o trabalho e o estudo na rotina di\u00e1ria \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua e exige uma briga constante com o rel\u00f3gio. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio pensar em diferentes caminhos para colocar essas duas atividades na agenda. Uma das alternativas escolhidas por algumas pessoas \u00e9 frequentar a faculdade de madrugada, no per\u00edodo das 5h30 \u00e0s 8 horas da manh\u00e3. No entanto, os indiv\u00edduos passam a lidar com uma nova batalha: o cansa\u00e7o e o aumento da sonol\u00eancia diurna. Orientada pela professora Frida Marina Fischer, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP, a pesquisadora Andr\u00e9a Aparecida da Luz buscou avaliar as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e trabalho da popula\u00e7\u00e3o que estuda de madrugada e tamb\u00e9m dos jovens que estavam no ensino m\u00e9dio e j\u00e1 entraram no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a popula\u00e7\u00e3o que realizava a faculdade de madrugada tinha entre 20 e 51 anos. Os motivos para essa escolha eram diversos. A maioria a via como alternativa, pois n\u00e3o possu\u00edam outro espa\u00e7o no dia para estudar, j\u00e1 que sa\u00edam do trabalho entre 18 e 19 horas. Algumas mulheres tamb\u00e9m relataram que, como n\u00e3o tinham como pagar a creche para os filhos, este hor\u00e1rio era uma possibilidade para fazerem uma gradua\u00e7\u00e3o, enquanto as crian\u00e7as ficavam com os pais\/c\u00f4njuge. Al\u00e9m disso, neste per\u00edodo, as mensalidades eram menores.<\/p>\n<p>J\u00e1 o grupo de adolescente que cursava o ensino m\u00e9dio, para poder dar conta de todas as atividades, acabava estendendo sua jornada noturna e ia dormir muito tarde. \u201cAs pessoas t\u00eam v\u00e1rias atividades e queixam-se da falta de tempo para aloc\u00e1-las no dia a dia\u201d, explica a pesquisadora. Ela relata que alguns jovens n\u00e3o ficavam acordados at\u00e9 tarde apenas para estudar, mas tamb\u00e9m para ter um momento com a fam\u00edlia ou mesmo conversar com os amigos nas redes sociais. De acordo com os relatos dos participantes, esse era o \u00fanico tempo do dia para \u201cdesestressar\u201d, pois podiam se distrair sem pensar na escola e no trabalho.<\/p>\n<p><strong>Impactos na sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9a, cada pessoa tem seu pr\u00f3prio ritmo de vida. Altera\u00e7\u00f5es no ciclo vig\u00edlia-sono tamb\u00e9m podem ter impactos significativos na sa\u00fade dos indiv\u00edduos. Na popula\u00e7\u00e3o que estuda de madrugada foi observado um aumento da sonol\u00eancia diurna, do cansa\u00e7o, dores musculares e, por vezes, dificuldades de mem\u00f3ria. Uma das queixas relatadas foi quanto \u00e0 jornada de trabalho ser muito longa. Muitos entram na faculdade para buscar novas oportunidades e mudar as condi\u00e7\u00f5es em que trabalham.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante diz respeito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Essa tamb\u00e9m \u00e9 impactada pelos efeitos da dupla jornada de trabalho e estudo. Alguns estudantes relataram sobrepeso depois que iniciaram a estudar de manh\u00e3, pois, como passam muito tempo acordados, realizam mais refei\u00e7\u00f5es ao longo do dia e comem por\u00e7\u00f5es maiores nas refei\u00e7\u00f5es principais, como almo\u00e7o e jantar.<\/p>\n<p>Os adolescentes possuem necessidades biol\u00f3gicas diferentes dos adultos. Uma delas \u00e9 a necessidade de dormir mais. Por\u00e9m, devido a sua jornada de trabalho e estudo, t\u00eam esse tempo reduzido. A percep\u00e7\u00e3o de sonol\u00eancia dos jovens foi muito mais expressiva, comparada a dos universit\u00e1rios, j\u00e1 adultos, que frequentavam a faculdade na madrugada, aponta a pesquisadora. Eles tamb\u00e9m, para driblar o sono, come\u00e7aram a comer bombons, balas e refrigerantes, al\u00e9m de consumirem bastante energ\u00e9ticos e caf\u00e9.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos fatores psicol\u00f3gicos, um dos aspectos destacados \u00e9 o estresse. Os estudantes, para dar conta das suas atividades, precisam reinventar seu dia a dia. Dessa forma, falta espa\u00e7o na agenda para momentos de lazer como assistir televis\u00e3o, praticar uma atividade f\u00edsica, ler um livro n\u00e3o acad\u00eamico e ficar com a fam\u00edlia.<br \/>\n<strong>A guerra contra o \u00a0transporte<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais batalhas enfrentadas pelos jovens todos os dias s\u00e3o as dificuldades com transporte. \u00d4nibus, metr\u00f4 lotado e tr\u00e2nsito intenso s\u00e3o ingredientes que tornam a rotina di\u00e1ria uma guerra contra o tempo e o cansa\u00e7o. Muitos estudantes disseram que chegavam a ficar quatro horas dentro do transporte p\u00fablico, menciona a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para reverter esta realidade, os universit\u00e1rios escolheram o hor\u00e1rio da madrugada, devido \u00e0s facilidades de mobilidade. Eles conseguiam fazer os trajetos em menos tempo, j\u00e1 que \u00e0s cinco horas da manh\u00e3 ainda n\u00e3o h\u00e1, geralmente, muito tr\u00e2nsito e grande parte das pessoas n\u00e3o sa\u00edram de casa.<\/p>\n<p><strong>A inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 uma das culturas mais enraizadas na sociedade. Segundo a pesquisadora, ainda h\u00e1 uma vis\u00e3o que \u00e9 preciso tirar os jovens da marginalidade por meio dele. Este cen\u00e1rio influencia muitas fam\u00edlias a incentivarem os filhos a entrarem cedo no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, essa popula\u00e7\u00e3o possui uma renda baixa e precisa ajudar seus familiares financeiramente. No entanto, para Andr\u00e9a, as longas jornadas de trabalho de 30 e 40 horas por semana podem ter consequ\u00eancias na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica dos estudantes. Ela diz que eles relataram ter dificuldades de prestar aten\u00e7\u00e3o nas aulas, de se manterem acordados e atentos, desse modo, tinham problemas para \u00a0assimilar os conte\u00fados.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A pesquisadora destaca que muitos jovens, que est\u00e3o ainda em desenvolvimento biol\u00f3gico e ps\u00edquico, acabam desempenhando atividades com as mesmas exig\u00eancias de um profissional capacitado. Para ela, as pol\u00edticas de inser\u00e7\u00e3o dos estudantes no mercado de trabalho s\u00e3o interessantes, por\u00e9m precisam ser repensadas quanto \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o das atividades que eles desenvolvem e da dura\u00e7\u00e3o da sua jornada di\u00e1ria de trabalho.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 um atendimento espec\u00edfico para essa popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. Contudo, \u201c\u00e9 preciso pensar em pol\u00edticas integradas que vejam os estudantes como trabalhadores, identificando tanto suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho como tamb\u00e9m suas necessidades psicol\u00f3gicas e emocionais\u201d, ressalta Andr\u00e9a.<\/p>\n<p><em>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/aun\/exibir.php?id=7426&amp;edicao=1291\" target=\"_blank\">AUN\/USP<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo na FSP da USP avalia condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos estudantes que optam por esse hor\u00e1rio e dos jovens que est\u00e3o se iniciando no mercado de trabalho (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2881"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2883,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2881\/revisions\/2883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}