{"id":2890,"date":"2016-02-17T08:17:26","date_gmt":"2016-02-17T10:17:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2890"},"modified":"2016-02-16T10:31:41","modified_gmt":"2016-02-16T12:31:41","slug":"bacterias-bagaco-de-cana-agem-na-descontaminacao-de-aguas-subterraneas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2890","title":{"rendered":"Baga\u00e7o de cana ajuda descontaminar \u00e1guas subterr\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<p><em>Pesquisadores da Escola Polit\u00e9cnica simulam barreiras reativas para recupera\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is<\/em><\/p>\n<p><em>Por Marcos Nona, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<p>Os impactos causados pelo rompimento das barragens da Sarmarco e a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesanais irregulares frente \u00e0 crise h\u00eddrica trouxeram novamente \u00e0 tona o debate sobre a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas. Giuliano Bordin Trindade, pesquisador da Escola polit\u00e9cnica, estudou a viabilidade de remediar as \u00e1guas do subsolo com o uso de BRPs &#8211; barreiras reativas perme\u00e1veis, e ao mesmo tempo dar um fim nobre para um dos res\u00edduos mais fartos no Brasil: o baga\u00e7o de cana.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o dos solos e das \u00e1guas subterr\u00e2neas sempre foi fonte de grande preocupa\u00e7\u00e3o, atingindo principalmente os centros urbanos e industriais, como explica Giuliano: \u201ca CETESB enfrenta alguns problemas graves por po\u00e7os irregulares, que podem conter contaminantes. O po\u00e7o precisa ser aprovado pelo DAEE (Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica) para que seja feita a perfura\u00e7\u00e3o e, por conta da crise h\u00eddrica, eles aumentaram a fiscaliza\u00e7\u00e3o em cima das casas e tamb\u00e9m das ind\u00fastrias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Barreiras Reativas x Pump And Treat<\/strong><\/p>\n<p>As barreiras reativas perme\u00e1veis oferecem grande vantagem em compara\u00e7\u00e3o aos outros m\u00e9todos conhecidos como o Pump And Treat &#8211; sistema que bombeia a \u00e1gua para a superf\u00edcie, onde \u00e9 tratada. As BRPs dispensam a utiliza\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica &#8211; a \u00e1gua \u00e9 tratada no pr\u00f3prio local, sem a necessidade de bombeamento &#8211; e n\u00e3o possuem o mesmo custo de manuten\u00e7\u00e3o mensal. Uma desvantagem, entretanto, est\u00e1 no tempo necess\u00e1rio para a remedia\u00e7\u00e3o: nas barreiras perme\u00e1veis, o fluxo de \u00e1gua acompanha a velocidade do len\u00e7ol fre\u00e1tico, e podem se passar anos at\u00e9 que a limpeza total seja atingida.<\/p>\n<p>Constitu\u00edda por uma parede perme\u00e1vel e material reativo, a barreira \u00e9 depositada dentro do solo, no caminho das \u00e1guas subterr\u00e2neas contaminadas. \u201cO material deve ser mais perme\u00e1vel do que o terreno natural para n\u00e3o atrapalhar o fluxo de \u00e1gua\u201d, explica a professora Maria Eugenia Gimenez Boscov, que orientou Giuliano no decorrer da pesquisa. Ao atravessar a barreira, os contaminantes da \u00e1gua reagem com o material e a \u00e1gua sai tratada.<\/p>\n<p>Giuliano estudou especificamente o baga\u00e7o de cana como material reativo com o aux\u00edlio de um professor do ITA: Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica, Paulo Scarano Hemsi. O baga\u00e7o de cana \u00e9 um res\u00edduo abundante: mesmo utilizado em ampla escala como fonte de energia, forragem e alimenta\u00e7\u00e3o do gado, uma porcentagem consider\u00e1vel do baga\u00e7o torna-se res\u00edduo, acumulando milh\u00f5es de toneladas por ano. Fonte de carbono dur\u00e1vel, o baga\u00e7o de cana serve como alimento para bact\u00e9rias que metabolizam certos contaminantes, como metais e sulfato, que infiltram-se nas \u00e1guas subterr\u00e2neas por atividade industrial, disposi\u00e7\u00e3o inadequada e drenagem \u00e1cida de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Efici\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es estudadas por Giuliano, a barreira mostrou-se muito eficiente para os metais como n\u00edquel e zinco, que foram completamente depositados no fundo da coluna de testes. \u201cPara que as barreiras perme\u00e1veis funcionem \u00e9 necess\u00e1ria uma s\u00e9rie de circunst\u00e2ncias\u201d, ressalta a orientadora Maria Eugenia. \u201c\u00c9 preciso um material reativo pr\u00f3prio para aquele contaminante, saber a velocidade do len\u00e7ol fre\u00e1tico e o tempo de rea\u00e7\u00e3o, que interferem no comprimento necess\u00e1rio da barreira e, portanto, no espa\u00e7o que ela ir\u00e1 ocupar no solo. Cada caso \u00e9 um estudo\u201d. A pesquisa concluiu que o baga\u00e7o de cana \u00e9 um substrato vi\u00e1vel, e abre novas possibilidades de estudos sobre o aprimoramento das rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, forma\u00e7\u00e3o de subprodutos e viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Apesar de o Pa\u00eds possuir profissionais qualificados, a maioria dos projetos de remedia\u00e7\u00e3o de \u00e1guas ainda vem do exterior. \u201cO que acontece hoje em dia \u00e9 que muitas empresas de consultoria s\u00e3o subsidi\u00e1rias de companhias multinacionais\u201d, lamenta Maria Eugenia. \u201c\u00c9 uma pena porque temos aqui um pessoal muito qualificado, com boas propostas e conhecimento dos solos e condi\u00e7\u00f5es locais\u201d.<\/p>\n<p><em>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/aun\/exibir.php?id=7431&amp;edicao=1294\" target=\"_blank\">AUN\/USP<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Escola Polit\u00e9cnica simulam barreiras reativas para recupera\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2890"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2893,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890\/revisions\/2893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}