{"id":2911,"date":"2016-02-19T08:01:29","date_gmt":"2016-02-19T10:01:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=2911"},"modified":"2016-02-19T11:08:52","modified_gmt":"2016-02-19T13:08:52","slug":"estudo-revela-poluentes-organismo-de-aves-marinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/2911","title":{"rendered":"Estudo revela poluentes no organismo de aves marinhas"},"content":{"rendered":"<p><em>Pesquisa foca no estudo da presen\u00e7a de contaminantes qu\u00edmicos no organismo de animais do topo da cadeia alimentar em ilhas oce\u00e2nicas brasileiras<\/em><\/p>\n<p><em>Por Jeferson Moreira Gon\u00e7alves, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<p>Em pesquisa do Instituto Oceanogr\u00e1fico da USP (IO), a presen\u00e7a e monitoramento de poluentes no organismo de aves que ocupam o topo da cadeia alimentar em ambientes remotos ganhou destaque. O pesquisador Patrick Sim\u00f5es Dias se dedicou a acompanhar a a exist\u00eancia de componentes qu\u00edmicos, os chamados Poluentes Org\u00e2nicos Persistentes (POCs), em aves marinhas de algumas ilhas brasileiras para entender como e se esses poluentes chegam a regi\u00f5es mais isoladas, como eles se distribuem ao longo da cadeia tr\u00f3fica e compreender como os h\u00e1bitos de vida desses animais influencia no perfil bioacumulativo dos poluentes.<\/p>\n<p>Patrick ressalta que a partir dessas an\u00e1lises seria poss\u00edvel, de modo geral, conhecer e prever como os contaminantes podem se distribuir e dispersar ao longo dos territ\u00f3rios, \u201cmesmo em regi\u00f5es onde n\u00e3o existe influ\u00eancia ou aporte direto desses tipos de poluentes\u201d, explica o pesquisador. De acordo com o levantado, as \u00e1reas estudadas despertam um grande interesse em termos econ\u00f4micos e ambientais para o pa\u00eds. Patrick ressalta que s\u00e3o \u00e1reas que possuem um grande potencial de recursos pesqueiros, minerais, tecnol\u00f3gicos e estrat\u00e9gicos para o Brasil, portanto, a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos que podem estar impactando ou que podem potencialmente impactar a biodiversidade dessas regi\u00f5es \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para a ideal ger\u00eancia pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado atrav\u00e9s de an\u00e1lises qu\u00edmicas dos POPs encontrados no f\u00edgado de cinco aves mar\u00edtimas t\u00edpicas de ilhas oce\u00e2nicas brasileiras, encontradas mortas nas ilhas do Arquip\u00e9lago de Trindade e Martim Vaz e na Reserva Biol\u00f3gica do Atol das Rocas. A partir desse processo foi feita uma observa\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos est\u00e1veis de carbono e nitrog\u00eanio, que tamb\u00e9m evidenciou h\u00e1bitos migrat\u00f3rios e de alimenta\u00e7\u00e3o dessas aves.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises qu\u00edmicas ocorreram atrav\u00e9s de cromatografia em fase gasosa, o que permite verificar mais de 70 compostos qu\u00edmicos. A an\u00e1lise dos is\u00f3topos est\u00e1veis de Carbono e Nitrog\u00eanio foi realizada atrav\u00e9s de um analisador elemental, que consegue dizer com muita precis\u00e3o qual a propor\u00e7\u00e3o entre os is\u00f3topos 12 e 13 para o Carbono e entre os is\u00f3topos 14 e 15 para o Nitrog\u00eanio, informa\u00e7\u00e3o essencial para a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos de distribui\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia dos contaminantes no corpo dos organismos e ao longo da cadeia alimentar onde ele est\u00e1 inserido, aponta o pesquisador.<\/p>\n<p>O estudo de Patrick conseguiu identificar uma s\u00e9rie de subst\u00e2ncias nocivas, inclusive algumas que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o produzidas h\u00e1 mais de 30 anos. Alguns compostos do Hemisf\u00e9rio Norte e est\u00e3o chegando \u00e0s regi\u00f5es bem isoladas. O pesquisador tamb\u00e9m notou que as aves com maior n\u00edvel tr\u00f3fico apresentaram maiores valores de concentra\u00e7\u00e3o de contaminantes, assim como a presen\u00e7a dos contaminantes de maior massa molar, que, de forma geral, tamb\u00e9m possuem maior potencial toxicol\u00f3gico. Patrick diz que \u201cos n\u00edveis encontrados s\u00e3o comparativamente bem baixos e podem n\u00e3o ser nenhum problema grave ou agudo\u201d, mas esses compostos, uma vez no organismo dos seres vivos, dificilmente ser\u00e3o excretados e a tend\u00eancia \u00e9 que se acumulem ao longo dos anos, podendo causar alguns efeitos cr\u00f4nicos de m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria a at\u00e9 morte por efeitos cancer\u00edgenos.<\/p>\n<p>Pensando de modo populacional, a longo prazo, esses poluentes podem causar um desequil\u00edbrio no n\u00famero de indiv\u00edduos dentro de uma popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de seres vivos. \u201c\u00c9, portanto, mais que necess\u00e1rio continuarmos monitorando a presen\u00e7a dessas subst\u00e2ncias, assim como ampliar os estudos para monitorar qualquer varia\u00e7\u00e3o na quantidade de indiv\u00edduos dessas col\u00f4nias, assim como monitorar outros efeitos que possam ocorrer\u201d.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o de qualquer efeito relacionado \u00e0 presen\u00e7a dos POPs nesses organismos tamb\u00e9m pode servir como uma esp\u00e9cie de \u201cterm\u00f4metro\u201d ecol\u00f3gico do ecossistema local, j\u00e1 que qualquer efeito nocivo observado nos animais de topo de cadeia pode ser um indicativo de um efeito generalizado ao longo de toda cadeia tr\u00f3fica.<\/p>\n<p><em>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/aun\/exibir.php?id=7533&amp;edicao=1297\" target=\"_blank\">AUN\/USP<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa foca no estudo da presen\u00e7a de contaminantes qu\u00edmicos no organismo de animais do topo da cadeia alimentar em ilhas oce\u00e2nicas brasileiras (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-2911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2911"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2912,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2911\/revisions\/2912"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}