{"id":3005,"date":"2016-03-02T08:09:27","date_gmt":"2016-03-02T11:09:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.prp.usp.br\/?p=3005"},"modified":"2016-03-04T17:13:28","modified_gmt":"2016-03-04T20:13:28","slug":"pais-poderia-ganhar-r-156-bilhoes-melhorando-mobilidade-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/3005","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo poderia ganhar R$ 156 bilh\u00f5es com mais mobilidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Guilherme Caetano, da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN\/USP)<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A morosidade no tr\u00e2nsito da capital paulista n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. A infraestrutura de transportes n\u00e3o conseguiu acompanhar o crescimento populacional e hoje o cidad\u00e3o perde cerca de 100 minutos di\u00e1rios no deslocamento de ida e volta entre casa e trabalho. Para trazer a resposta econ\u00f4mica para toda essa lentid\u00e3o, uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (FEA) da USP chegou a n\u00fameros exatos. O Brasil perde R$ 156,2 bilh\u00f5es por ano por conta da inefici\u00eancia na mobilidade da cidade de S\u00e3o Paulo, ou 2,83% do PIB nacional.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo corresponde por quase 20% do PIB nacional. Em seu territ\u00f3rio reside aproximadamente um a cada dez brasileiros. Seu produto, no entanto, tem crescido mais lentamente que o fluxo de com\u00e9rcio de S\u00e3o Paulo e seu entorno. A capital tem se especializado e ocorre uma maior interdepend\u00eancia entre ela e outras regi\u00f5es brasileiras. O que acontece em S\u00e3o Paulo tem impacto direto no restante do pa\u00eds. Tendo isso em vista, a motiva\u00e7\u00e3o do estudo foi comparar o sistema de transportes da capital com outras regi\u00f5es e atestar essa correla\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Usando t\u00e9cnicas econom\u00e9tricas, conseguiu-se identificar o tempo m\u00e9dio esperado de deslocamento do trabalhador, em compara\u00e7\u00e3o a outras cidades. O valor estimado \u00e9 de 70 minutos, enquanto, na realidade, gastam-se 100. Ou seja, o paulistano poderia permanecer meia hora a menos por dia no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>\u201cIsso acontece em raz\u00e3o da enorme depend\u00eancia dos autom\u00f3veis para deslocamento\u201d, explica Eduardo Haddad, professor da FEA e um dos autores do estudo. \u201cH\u00e1 muitos carros para pouco espa\u00e7o\u201d. A isso se chama excesso de fric\u00e7\u00f5es de mobilidade. As pessoas gastam mais tempo do que se deveria, em consequ\u00eancia das caracter\u00edsticas estruturais da cidade. Se esses excessos fossem eliminados (em outras palavras, se a mobilidade fosse melhorada, hipoteticamente), haveria um ganho de produtividade m\u00e9dio em torno de 15%. Esse proveito se transferiria, via com\u00e9rcio, para outras regi\u00f5es e impactaria no PIB do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Haddad esclarece a rela\u00e7\u00e3o. Quanto maior o tempo no tr\u00e2nsito, mais cansada a pessoa chega ao trabalho. Al\u00e9m de empregar menos esfor\u00e7o em suas atividades, h\u00e1 maiores chances de chegar atrasada, precisar sair mais cedo ou at\u00e9 mesmo faltar ao expediente. A produtividade despenca. Se as pessoas, resid\u00eancias e locais de trabalho fossem mais pr\u00f3ximos (o que tamb\u00e9m pode ser entendido como uma quest\u00e3o de acessibilidade), encontrar um emprego desej\u00e1vel se tornaria mais f\u00e1cil e, do ponto de vista do empregador, propiciaria encontrar um trabalhador com as habilidades necess\u00e1rias. \u201c\u00c9 a\u00ed que a mobilidade entra\u201d, aponta o pesquisador. \u201cH\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o dos empregos no centro da cidade. Se o tr\u00e2nsito \u00e9 ruim, \u00e9 como se existisse um mercado de trabalho menos denso. A alta mobilidade propicia o matching do mercado, que \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e firmas\u201d, fundamenta.<\/p>\n<p>Tem-se, desta forma, a rela\u00e7\u00e3o direta: melhora-se a mobilidade, aumenta-se a acessibilidade no mercado de trabalho, a produtividade cresce, h\u00e1 maior gera\u00e7\u00e3o de renda e mais vagas de emprego s\u00e3o criadas. O metr\u00f4, que \u00e9 um dos meios de transporte mais eficientes de todos, \u00e9 um dos grandes impulsionadores desse encadeamento. Mas o que aconteceria se n\u00e3o existisse o metr\u00f4? Atrav\u00e9s de um modelo integrado, Haddad p\u00f4de calcular o valor espec\u00edfico desse ve\u00edculo. O software utilizado trabalha com dados adquiridos da Pesquisa de Origem e Destino da Companhia do Metropolitano de S\u00e3o Paulo, composta de um question\u00e1rio que tem como objetivo mensurar todos os trajetos, destinos, tempo de viagem dos usu\u00e1rios do metr\u00f4. A pesquisa \u00e9 feita a cada cinco anos e compreende 30 mil domic\u00edlios e cerca de 100 mil pessoas entrevistadas. Dessa amostra, \u00e9 poss\u00edvel expandir a propor\u00e7\u00e3o para toda a popula\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Com essas informa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel criar um modelo de simula\u00e7\u00e3o. Pelo programa computacional, Haddad retirou a rede de metr\u00f4 da cidade e manteve as pessoas, com suas respectivas inten\u00e7\u00f5es de locomo\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 como se fosse um laborat\u00f3rio\u201d, brinca o pesquisador. Na nova situa\u00e7\u00e3o simulada no mecanismo, as pessoas ter\u00e3o de arranjar alternativas para chegar ao trabalho. Nessa infraestrutura alternativa, Haddad calculou o valor espec\u00edfico do metr\u00f4, cuja aus\u00eancia gerou alguns desdobramentos: a redu\u00e7\u00e3o na produtividade afetou os pre\u00e7os dos bens produzidos, as empresas ficaram menos competitivas, os investidores perceberam retornos potenciais menores e as fam\u00edlias da cidade empobreceram. Com a redu\u00e7\u00e3o na demanda dom\u00e9stica, as vendas externas ca\u00edram e isso novamente impactou nos pre\u00e7os dos produtos, gerando uma retroalimenta\u00e7\u00e3o. Com a produtividade baixa, foi preciso contratar mais m\u00e3o-de-obra, com sal\u00e1rios mais baixos, para se conseguir produzir a mesma coisa. Os efeitos simulados foram ruinosos.<\/p>\n<p>Apesar de muito se discutir levar os focos de emprego \u00e0 periferia, para que essa concentra\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho no centro da cidade se dissipe, Haddad justifica que h\u00e1 suas vantagens econ\u00f4micas. \u201cPara alguns tipos de servi\u00e7o, \u00e9 ben\u00e9fico que as firmas estejam aglomeradas. \u00c9 preciso visitar clientes, falar com fornecedores, encontrar m\u00e3o de obra barata, mat\u00e9rias-primas e mercado consumidor\u201d, afirma. \u00a0Isso \u00e9 chamado de Economia de Aglomera\u00e7\u00e3o, conceito para o qual existe a tend\u00eancia de um territ\u00f3rio de atrair empresas, por fornecer em grande quantidade o que elas precisam para crescer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade de Illinois, da Universidade de Amsterd\u00e3, da Universidade Federal do Paran\u00e1 e, dentro da USP, da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) e do N\u00facleo de Economia Regional e Urbana (Nereus) da USP. O artigo acad\u00eamico nasceu de uma demanda para a resolu\u00e7\u00e3o de um problema concreto e, atrav\u00e9s da capta\u00e7\u00e3o dos impactos sist\u00eamicos do metr\u00f4 paulistano na economia brasileira, objetivou estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre mobilidade e produtividade dos trabalhadores.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><em>Publica\u00e7\u00e3o original em <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/aun\/exibir.php?id=7515&amp;edicao=1304\" target=\"_blank\">AUN\/USP<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Problemas no tr\u00e2nsito paulistano afetam negativamente 2,83% do PIB nacional (AUN\/USP)<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-3005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3005"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3009,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3005\/revisions\/3009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/prp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}