Perfil André Feliciano Lino

26 de outubro de 2019

Palavras-chave: Auditoria Governamental, Co-produção, Resiliência Financeira, Poder, Trabalho Institucional

Interesse de pesquisa

Nos últimos anos desenvolvi pesquisas na fronteira entre contabilidade, administração e gestão na área pública – utilizando teorias da área de estudos organizacionais. Minhas linhas de pesquisa se concentram em três tópicos de interesse: (i) o papel dos Tribunais de Contas em reformas compulsórias no ciclo de gestão financeira de governos no Brasil, (ii) a resiliência de organizações públicas, e (iii) a co-produção de serviços públicos. As pesquisas já desenvolvidas são, em sua maioria, qualitativas.

Os resultados obtidos apontam para o papel fundamental que poderia ser exercido por organizações de auditoria governamentais (como os Tribunais de Contas) no suporte e teorização de reformas compulsórias em áreas como contabilidade pública e implementação de sistemas de controle interno. Contudo, há uma relevante diversidade na organização interna e nos processos de auditoria dos Tribunais de Contas, que poderia diminuir a força de difusão de reformas e boas práticas em países federalistas. Finalmente, a distribuição de poder dentro destas organizações de auditoria afeta tanto a capacidade técnica quanto a independência dos auditores – impactando a qualidade da auditoria dos Tribunais de Contas.

Com relação à resiliência de organizações públicas, minhas pesquisas indicam que as pressões institucionais do campo implicam em uso excessivo de estratégias de curto prazo, que impactam positivamente a gestão fiscal de governos, mas podem trazer efeitos deletérios na prestação de serviços públicos no longo prazo. Dessa maneira, analiso criticamente a visão predominante na academia sobre a temática de resiliência financeira, buscando balancear a necessidade de governos saudáveis financeiramente com o atendimento às demandas da sociedade.

Finalmente, quanto à co-produção de serviços públicos, os resultados indicam que governos promovem arranjos regulatórios visando inserir a sociedade nas etapas de desenho, prestação e avaliação do serviço público. Contudo, por vezes, os arranjos regulatórios geram espaços de interação cerimoniais entre os cidadãos e o governo – de forma que a real co-produção não se realiza. Os resultados apontam para barreiras e facilitadores institucionais que levariam à esquemas de co-produção mais ou menos efetivos.

Atualmente, minha agenda de pesquisa está relacionada ao avanço teórico na área de estudos organizacionais – mantendo foco na interação do ciclo de gestão financeira e prestação de serviços em governos locais. Busco entender como um conjunto de atores organizacionais deliberadamente promove determinado design institucional afim de manter (ou expandir) seu controle sobre recursos econômicos, culturais ou políticos. Sob essa perspectiva, assume-se que (i) instituições afetam o comportamento humano, mas também são impactadas pelos atores sociais; e (ii) instituições distribuem poder, de forma que podem ser desenhadas para privilegiar um grupo de atores específico. 

Qualificação e vinculo institucional

Professor na Universidade de Essex (UK), Campus Colchester. Graduado em Economia Empresarial e Controladoria (USP), Mestre e Doutor em Controladoria e Contabilidade (USP). Membro de grupos de pesquisa do Instituto de Estudos Avançados (USP) e Institute for Global Innovation (University of Birmingham – UK).

Supervisão e outros interesses

Supervisão nos seguintes tópicos, no nível de governos locais:

  • Auditoria Governamental (Tribunais de Contas);
  • Co-Produção de serviços públicos;
  • Reforma da Contabilidade Pública;
  • Resiliência Financeira de Governos.

Perfis em bases de referências