{"id":1000,"date":"2016-07-06T23:30:19","date_gmt":"2016-07-07T01:30:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=1000"},"modified":"2018-03-21T12:15:00","modified_gmt":"2018-03-21T14:15:00","slug":"poder-x-estereotipos-saga-da-heroina-mundo-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/poder-x-estereotipos-saga-da-heroina-mundo-machista\/","title":{"rendered":"Poder x estere\u00f3tipos: a saga da hero\u00edna no mundo machista"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.ip.usp.br\/revistapsico.usp\/images\/heroina.jpg\" alt=\"heroina\" width=\"387\" height=\"313\" \/>\u00c9 percept\u00edvel que a representa\u00e7\u00e3o da mulher em comerciais, livros, filmes, novelas e at\u00e9 em desenhos sofre constantemente a influ\u00eancia de esteri\u00f3tipos patriarcais que, infelizmente, permanecem na sociedade.\u00a0At\u00e9 mesmo em produ\u00e7\u00f5es que visam, num primeiro momento, a desconstru\u00e7\u00e3o destes preconceitos sociais, \u00e9 poss\u00edvel observar que certas ideias do que \u00e9 \u201cser\u201d mulher e \u201cfeminina\u201d para a sociedade permanecem.<\/p>\n<p>Percebendo esta constante abordagem estereotipada da mulher no universo art\u00edstico, a aluna de Educomunica\u00e7\u00e3o Nat\u00e1lia Rosa Sierpinski decidiu estudar, em Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica pelo IPUSP, a representa\u00e7\u00e3o feminina em um outro tipo de arte: as hist\u00f3rias em quadrinhos. Seu projeto buscou analisar como a constru\u00e7\u00e3o do feminino foi feita ao longo da hist\u00f3ria da arte, qual a posi\u00e7\u00e3o ocupada pela mulher na sociedade capitalista e, tamb\u00e9m, como isto \u00e9 representado nas hero\u00ednas das hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Como estudo de caso foi analisada \u201cA Saga da F\u00eanix Negra\u201d, que integra a narrativa em quadrinhos dos X-Men, grupo de super-her\u00f3is que apresentam, desde sua cria\u00e7\u00e3o, um vi\u00e9s de combate ao preconceito e defesa das minorias, aspecto que influenciou as escolhas da graduanda. A inten\u00e7\u00e3o de Sierpinski era entender como foi feita a representa\u00e7\u00e3o da mulher dentro de um grupo que se prop\u00f5e a desconstruir preconceitos pelo fato de serem mutantes, considerados, portanto, \u201cdiferentes\u201d na<br \/>\nsociedade criada por Stan Lee e Jack Kirby. A personagem feminina escolhida pela pesquisadora foi Jean Grey, tamb\u00e9m conhecida como Garota Marvel ou F\u00eanix Negra, a\u00a0depender do livro. Nesta hist\u00f3ria em quadrinhos, Jean Grey foi a primeira personagem feminina criada e recebeu diversas problematiza\u00e7\u00f5es acerca de sua personalidade e de seus poderes.<\/p>\n<p>Com base nisso, a pesquisa mostra que a elabora\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias em quadrinhos sempre esteve atrelada \u00e0 sociedade e ao per\u00edodo pol\u00edtico a que elas est\u00e3o sujeitas. De forma semelhante, estes fatores s\u00e3o os respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio popular sobre o \u201cser humano perfeito\u201d, representado nas hist\u00f3rias pelo her\u00f3i. Embora ao longo do tempo este personagem tenha perdido as caracter\u00edsticas f\u00edsicas padronizadas do cinema americano (homem, branco, forte, inteligente), o mercado editorial ainda n\u00e3o consegue encaixar a figura da mulher no papel central do enredo, de forma igualit\u00e1ria ao homem e livre de preconceitos de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A pesquisadora cita como exemplo a roupa de \u201ccombate\u201d das hero\u00ednas que \u00e9 sempre hipersexualizada, com decotes e saias justas que nada influenciam em seus poderes. Os motivos desta constru\u00e7\u00e3o est\u00e3o, principalmente, na no\u00e7\u00e3o de que o p\u00fablico dessas hist\u00f3rias era majoritariamente masculino, e que a exposi\u00e7\u00e3o da figura feminina como \u00edcone sexual atra\u00eda mais leitores. Essa caracter\u00edstica, juntamente com a percep\u00e7\u00e3o de que a hero\u00edna dificilmente \u00e9 a personagem principal na s\u00e9rie, \u00e9 reflexo do machismo institucionalizado, que coloca o protagonismo feminino em um patamar inferior ao masculino.\u00a0Embora alguns destes problemas de g\u00eanero persistam, hoje, diferentemente das d\u00e9cadas de 70\/80, quando esta HQ foi criada, a representa\u00e7\u00e3o feminina j\u00e1 possui grandes avan\u00e7os. Al\u00e9m disso, o p\u00fablico feminino cresceu significantemente ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Jean Grey, foco da pesquisa de Sierpinski, ganhou destaque por representar uma quebra na constru\u00e7\u00e3o feminina dos autores. Com grandes poderes e extremamente inteligente, a personagem atra\u00eda principalmente leitoras meninas, que se identificavam e se sentiam representadas pela hero\u00edna. Por\u00e9m, ao longo da s\u00e9rie, a Garota Marvel ficou mais conhecida por integrar um tri\u00e2ngulo amoroso com Wolverine (Logan) e Ciclope (Scott) do que realmente por suas batalhas. Afora isso, como explica a pesquisadora, toda a trama da saga trabalha em cima de como Jean foi corrompida pelo poder e n\u00e3o conseguiu lidar com isso, o que a levou ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p>A pesquisa ainda aponta que s\u00f3 existiam dois finais poss\u00edveis para Jean Grey na s\u00e9rie: ou desistir de seus poderes e viver com Ciclope, ou a morte \u2013 que foi a op\u00e7\u00e3o escolhida pelos autores. \u201cTemos um final que leva Jean \u00e0 morte e outro que a leva a ser dona de casa. N\u00e3o temos um final em que ela consiga\u00a0 manter e controlar seus poderes [&#8230;]. Isso simboliza o quanto a mulher tem que se podar, se controlar, se reprimir, pensar e repensar suas a\u00e7\u00f5es em todos os ambientes\u201d, argumenta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em todo caso, no que se refere ao desenvolvimento da personagem feminina, \u201cA Saga da F\u00eanix Negra\u201d conseguiu ser superior a outras hist\u00f3rias. No entanto, a pesquisa evidencia que o retrocesso relacionado ao g\u00eanero persiste, pelo fato de a personalidade da personagem n\u00e3o ser complexa a ponto de permitir sua completude em si mesma, em vez de dividi-la entre amor\/poder, bondade\/maldade, pudor\/sexualidade. Afinal, as mulheres s\u00e3o muitas, podem muito e precisam de uma representa\u00e7\u00e3o feminina condizente com essa profundidade.<\/p>\n<p>Por Fernanda Giacomassi<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o por Islaine Maciel e Maria Isabel da Silva Leme<\/p>\n<p>Clique nas imagens para folhear as revistas\u00a0<strong>psico.<\/strong>usp<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n1_2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><\/a>Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n._2-3_2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 percept\u00edvel que a representa\u00e7\u00e3o da mulher em comerciais, livros, filmes, novelas e at\u00e9 em desenhos sofre constantemente a influ\u00eancia&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":1003,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[215,61,181,17,216,86,144,22],"class_list":["post-1000","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-a-saga-da-fenix-negra","tag-feminismo","tag-mulher","tag-psicologia","tag-quadrinhos","tag-sexualidade","tag-social","tag-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1000"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1657,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000\/revisions\/1657"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}