{"id":1082,"date":"2016-07-06T11:00:09","date_gmt":"2016-07-06T13:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=1082"},"modified":"2025-07-04T18:15:23","modified_gmt":"2025-07-04T20:15:23","slug":"ju-bernardo-o-genero-que-ha-em-nos-e-nas-linhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/ju-bernardo-o-genero-que-ha-em-nos-e-nas-linhas\/","title":{"rendered":"Ju Bernardo: O g\u00eanero que h\u00e1 em n\u00f3s (e nas linhas)"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A artista pl\u00e1stica Ju Bernardo transporta para tecidos e fios quest\u00f5es relacionadas ao g\u00eanero e ao autoconhecimento<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos n\u00f3s somos compostos por esta complexidade de fios e cada um \u00e9 diferente do outro. Mesmo que um artes\u00e3o fa\u00e7a trinta pe\u00e7as, nenhuma vai ser igual. \u00c9 essa singularidade que torna tudo t\u00e3o peculiar e todos t\u00e3o diferentes.\u201d Percorrendo as p\u00e1ginas da revista psico.usp voc\u00ea encontra diversas ilustra\u00e7\u00f5es feitas especialmente para esta edi\u00e7\u00e3o que trouxe a discuss\u00e3o de g\u00eanero \u00e0 tona. O talento por tr\u00e1s dos desenhos \u00e9 de Ju Bernardo, artista pl\u00e1stica que enxerga nas linhas, tramas e bordados os materiais essenciais para suas cria\u00e7\u00f5es, e que t\u00eam como refer\u00eancia art\u00edsticas nomes como Leonilson, Rosana Paulino, Sonia Gomes e Bispo do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1083\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo.jpg\" alt=\"\" width=\"848\" height=\"636\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo.jpg 834w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo-300x225.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo-768x576.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo-80x60.jpg 80w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ju_bernardo-400x300.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pernambucana de nascimento, Bernardo conheceu muito cedo, por meio da m\u00e3e e da av\u00f3, o universo do artesanato e dos trabalhos manuais. Incentivada por uma professora, fez um curso de um ano sobre coordena\u00e7\u00e3o e estilismo, o qual a ajudou a conseguir um emprego na \u00e1rea de assessoria de moda. Entretanto, ela sempre almejou algo al\u00e9m de um simples lado mercadol\u00f3gico da arte, algo que englobasse seus estilos e influ\u00eancias.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Unesp, apesar de tentar conhecer todas as \u00e1reas que abrangiam o curso de Artes Pl\u00e1sticas, Ju Bernardo sempre tentava colocar a quest\u00e3o das linhas e dos bordados em seus projetos, o que muitas vezes era visto com estranhamento pelos docentes. \u201cEssa quest\u00e3o come\u00e7ou a me trazer algumas inquieta\u00e7\u00f5es, porque eu estava em uma institui\u00e7\u00e3o de arte reconhecida, em uma das maiores universidades de S\u00e3o Paulo, tinha acesso a v\u00e1rias outras t\u00e9cnicas consideradas pelas belas artes, mas ainda tinha vontade de permanecer trabalhando com o que eu tinha contato desde crian\u00e7a\u201d, conta a artista.<\/p>\n<p>Apesar do acesso \u00e0s novas vertentes e projetos art\u00edsticos que a universidade proporcionava, Ju Bernardo acabou se decepcionando com o extremo academicismo de alguns docentes, que afirmavam que um artes\u00e3o nunca poderia ter o intelecto de um artista graduado. Da mesma forma, o interc\u00e2mbio de dois anos que conseguiu em Portugal se mostrou demasiadamente te\u00f3rico, o que se contrastava com suas ideias sobre o fazer art\u00edstico pr\u00e1tico. Felizmente, a artes\u00e3 conheceu um professor que apreciava a mistura de linguagens art\u00edsticas dominada por ela. Ele a orientou na produ\u00e7\u00e3o do seu trabalho de conclus\u00e3o de curso, centrado na investiga\u00e7\u00e3o de como os materiais do universo do ateli\u00ea de costura tinham se incorporado aos trabalhos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1085\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea-810x1024.png\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea-810x1024.png 810w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea-237x300.png 237w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea-768x970.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea-400x505.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/croch\u00ea.png 842w\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/a>A quest\u00e3o de g\u00eanero se relaciona com o bordado no momento em que a sociedade imp\u00f5e a este tipo de arte um car\u00e1ter exclusivamente \u201cfeminino\u201d. Como explica Ana Paula Simioni, p\u00f3s-doutora em sociologia pela Universidade de Genebra, \u201co estatuto cultural das obras realizadas em tecidos, notadamente as classificadas como \u2018bordados\u2019, \u00e9 socialmente amb\u00edguo em nossa sociedade\u201d. Mas o que faz do ato de se utilizar tecidos e linhas para fazer arte uma pr\u00e1tica associada \u00e0 feminilidade? A pesquisadora contextualiza que, em partes, isto se d\u00e1 porque as mulheres de antigamente eram exclu\u00eddas de atividades como a pintura e a escultura, e acabavam fazendo cria\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias mais \u201ccaseiras\u201d para suprir seus desejos art\u00edsticos. Tais modalidades, consideradas inferiores na hierarquia dos g\u00eaneros art\u00edsticos pelas Academias, foram sendo associadas \u00e0s pr\u00e1ticas art\u00edsticas de mulheres. Toda esta constru\u00e7\u00e3o cultural preconceituosa refor\u00e7a a import\u00e2ncia do estudo de g\u00eanero em todos os n\u00edveis da sociedade, para que os fios da igualdade comecem a ser tramados.<\/p>\n<p>Para Bernardo, a quest\u00e3o de g\u00eanero pode ser facilmente comparada com o bordado. \u201cDestrinchar um fio \u00e9 estudar o g\u00eanero. V\u00e1rios aspectos que comp\u00f5em a mesma pessoa. Nem sempre estes aspectos s\u00e3o respeitados e podem acabar sendo mal interpretados. Todos n\u00f3s somos compostos por esta complexidade de fios e cada um \u00e9 diferente do outro. Mesmo que um artes\u00e3o fa\u00e7a trinta pe\u00e7as, nenhuma vai ser igual. \u00c9 essa singularidade que torna tudo t\u00e3o peculiar e todos t\u00e3o diferentes\u201d.<\/p>\n<p>Por Fernanda Giacomassi<br \/>\nEntrevistada por Tatiana Iwata<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o por Islaine Maciel e Maria Isabel da Silva Leme<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Clique no t\u00edtulo para folhear as revistas <strong>psico.<\/strong>usp:<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista_psico.usp_n1_2015.pdf\">Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\" data-wp-editing=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista-psico.usp-n.-2-3-2016.pdf\">\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A artista pl\u00e1stica Ju Bernardo transporta para tecidos e fios quest\u00f5es relacionadas ao g\u00eanero e ao autoconhecimento \u201cTodos n\u00f3s somos&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":1086,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[374,1],"tags":[143,194,196,61,212,37],"class_list":["post-1082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-genero","category-sociedade","tag-arte","tag-artes","tag-feminina","tag-feminismo","tag-feminista","tag-genero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1082"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6743,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082\/revisions\/6743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}