{"id":1487,"date":"2018-02-19T17:36:28","date_gmt":"2018-02-19T19:36:28","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=1487"},"modified":"2018-08-06T15:13:32","modified_gmt":"2018-08-06T17:13:32","slug":"novos-metodos-de-ensino-modificam-cenario-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/novos-metodos-de-ensino-modificam-cenario-brasileiro\/","title":{"rendered":"Novos m\u00e9todos de ensino modificam cen\u00e1rio brasileiro"},"content":{"rendered":"<p class=\"mh-subheading\"><em><strong>Avalia\u00e7\u00f5es de desempenho educacional mostram insufici\u00eancias em diversas \u00e1reas; tecnologia, metodologias e planos de aulas inovadores surgem como alternativas<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"mh-subheading\">Por <a href=\"http:\/\/paineira.usp.br\/aun\/index.php\/author\/juliana-lucena-lima\/\">Juliana Lima<\/a>,\u00a0AUN: Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias, 19\/02\/2018<\/p>\n<div id=\"attachment_1488\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1488\" class=\"size-full wp-image-1488\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/escola.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/escola.jpg 678w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/escola-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/escola-310x174.jpg 310w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/escola-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><p id=\"caption-attachment-1488\" class=\"wp-caption-text\">Aulas tradicionais costumam n\u00e3o agradar estudantes e obter bons resultados. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o (Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo)<\/p><\/div>\n<p>O desempenho das escolas brasileiras medido em avalia\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais mostra n\u00edveis insatisfat\u00f3rios de desenvolvimento. Em busca do avan\u00e7o nos rankings e na qualidade da educa\u00e7\u00e3o, surgem por todo o pa\u00eds projetos inovadores de ensino como uma \u00a0alternativa para a educa\u00e7\u00e3o brasileira. Dados recentes da ANA (Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o) 2016 mostram que mais da metade dos estudantes do 3\u00ba ano do ensino fundamental em escolas p\u00fablicas t\u00eam n\u00edveis insuficientes de leitura e matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>A pesquisa demonstra que os avan\u00e7os brasileiros foram nulos desde 2014, ano em que 56,1% dos alunos com idade superior a 8 anos (faixa et\u00e1ria de 90% dos avaliados) possu\u00edam n\u00edveis insuficientes de leitura. Em 2016, esse n\u00famero caiu apenas para 54,73%. J\u00e1 os n\u00fameros referentes \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental permaneceram o mesmo durante o per\u00edodo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1489\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1489\" class=\"size-full wp-image-1489\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/ana.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/ana.jpg 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/ana-300x106.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/ana-768x272.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/ana-400x141.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1489\" class=\"wp-caption-text\">Dados da Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA) 2016<\/p><\/div>\n<p>A ANA n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a trazer avan\u00e7os pequenos na educa\u00e7\u00e3o brasileira. O\u00a0Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa), teste internacional aplicado pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), indica que em 2015 no Brasil, o desempenho dos estudantes do ensino b\u00e1sico estava abaixo de alunos de outros pa\u00edses avaliados em ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica. S\u00e3o, respectivamente, 401 pontos (a m\u00e9dia \u00e9 de 493), 407 pontos (a m\u00e9dia \u00e9 de 493), e 377 pontos (a m\u00e9dia \u00e9 de 490).<\/p>\n<p>Para o professor Marciel Consani, da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA \u2013 USP), o que existe no Brasil \u00e9 um problema de desenho do curr\u00edculo escolar como um todo. A escola n\u00e3o \u00e9 pensada como um itiner\u00e1rio coerente que integra os v\u00e1rios ciclos. \u201cD\u00e1 a impress\u00e3o de que o problema da primeira inf\u00e2ncia \u00e9 um, o problema do ensino fundamental \u00e9 outro, o problema do acesso ao mercado de trabalho \u00e9 outro, e por fim, a universidade fica pairando sobre tudo, olhando para o que est\u00e1 embaixo dela, mas tamb\u00e9m sem estabelecer uma conex\u00e3o direta\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, pontua que um dos principais fatores respons\u00e1veis por esses resultados insatisfat\u00f3rios \u00e9 a falta de um acompanhamento mais individualizado dos alunos por parte das escolas. Al\u00e9m disso, o professor condena a valoriza\u00e7\u00e3o apenas daqueles estudantes que apresentam melhores desempenhos, o que ele classifica como um \u201cesp\u00edrito ol\u00edmpico\u201d j\u00e1 impregnado na sociedade, em que o importante \u00e9 vencer.<\/p>\n<p>O movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, fundado em 2006, tem como objetivo engajar o poder p\u00fablico e a sociedade brasileira em um compromisso de efetivar o direito das crian\u00e7as e dos jovens a uma educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de qualidade. Caio Callegari, coordenador de projetos da ONG, explica que a preocupa\u00e7\u00e3o principal \u00e9 fomentar o di\u00e1logo nas institui\u00e7\u00f5es. \u201cA escola tem que estar preparada e realmente comprometida em fazer o di\u00e1logo com os estudantes, cotidianamente, para conseguir, de fato, construir uma escola que seja atrativa para eles\u201d, explica.<\/p>\n<h6><strong>M\u00e9todo alternativo X inovador<\/strong><\/h6>\n<p>A frase popular \u201co Brasil tem estudantes do s\u00e9culo 21, professores do s\u00e9culo 20 e uma escola do s\u00e9culo 19\u201d se conecta com a falta de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o entre os atores da educa\u00e7\u00e3o e com a inexist\u00eancia de um objetivo comum. As aulas tradicionais s\u00e3o, geralmente, desinteressantes para os alunos, desestimulando e impedindo um aprendizado completo e prazeroso.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que surgem novas possibilidades de ensino, voltadas para uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o se adapta mais aos sistemas e metodologias desenvolvidas em s\u00e9culos passados. Os m\u00e9todos alternativos buscam mudar a estrutura de ensino, como por exemplo, com o uso de aulas em c\u00edrculo (sala horizontal), em que o professor n\u00e3o \u00e9 uma autoridade perante os alunos, ou a sala de aula invertida, onde alunos e professores trabalham juntos.<\/p>\n<p>A Escola da Ponte, em Portugal, \u00e9 um exemplo. A escola de ensino b\u00e1sico faz parte da rede p\u00fablica do pa\u00eds e n\u00e3o possui aulas ou turmas. Os alunos desenvolvem projetos e pesquisas em grupo ou individualmente, de acordo com seus interesses, com o aux\u00edlio de seus professores.<\/p>\n<p>No Brasil, algumas escolas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) utilizam estruturas alternativas. O m\u00e9todo de c\u00edrculo ou roda, de Paulo Freire, \u00e9 como se constr\u00f3i o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) de Belo Horizonte. A ONG, fundada em 1984 pelo educador e antrop\u00f3logo Ti\u00e3o Rocha, desenvolveu tamb\u00e9m outras pedagogias, como a do brinquedo, que busca ensinar brincando.<\/p>\n<div id=\"attachment_1490\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1490\" class=\"size-full wp-image-1490\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd.jpg 960w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd-768x512.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd-272x182.jpg 272w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/cpcd-400x267.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><p id=\"caption-attachment-1490\" class=\"wp-caption-text\">Os m\u00e9todos alternativos incentivam as crian\u00e7as a aprender fora da sala de aula. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o (CPCD \u2014 Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento)<\/p><\/div>\n<p>O professor Consani afirma que existem, atualmente, muitas iniciativas pontuais, projetos pilotos e correntes de pensamentos pedag\u00f3gicos nesse sentido, que se revelam produtivas. Entretanto, alerta que o desafio brasileiro \u00e9 manter o car\u00e1ter p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o e achar solu\u00e7\u00f5es que possam atender \u00e0s demandas das escolas como um todo. \u201cAcho preocupante a ideia de \u2018educa\u00e7\u00e3o alternativa\u2019, gosto mais quando se fala em \u2018alternativas para a educa\u00e7\u00e3o\u2019, porque a ideia seria operar uma transforma\u00e7\u00e3o global em que as inova\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas estivessem todas contextualizadas rumo a um objetivo de sociedade\u201d, explica.<\/p>\n<p>J\u00e1 os chamados m\u00e9todos inovadores de ensino s\u00e3o t\u00e9cnicas inseridas em aulas, como o uso de dispositivos, para explicar e exemplificar conte\u00fados. Eles representam um suporte, mas n\u00e3o s\u00e3o, por si s\u00f3, m\u00e9todos de ensino.<\/p>\n<p>A Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, maior rede p\u00fablica da Am\u00e9rica Latina que conta com mais de 5 mil escolas e cerca de 3 milh\u00f5es de alunos, vem modernizando suas salas de aula. \u00a0No dia 6 de novembro de 2017, a Assembleia Legislativa Paulista promulgou a lei que passa a permitir o uso de celulares em sala de aula. A ideia \u00e9 que a ferramenta seja utilizada para fins pedag\u00f3gicos estimulando a criatividade de alunos e professores. Atualmente, diversos profissionais e unidades j\u00e1 utilizam a ferramenta com a cria\u00e7\u00e3o de material \u00a0audiovisual ou aplicativos que refor\u00e7am a aula tradicional.<\/p>\n<p>Algumas escolas do ensino p\u00fablico do estado de S\u00e3o Paulo, por exemplo, utilizam plataformas como jogos eletr\u00f4nicos para suporte de ensino. A plataforma Matific \u00e9 utilizada para ampliar e refor\u00e7ar conte\u00fados matem\u00e1ticos para alunos do ensino fundamental da rede, por meio de um jogo de simula\u00e7\u00f5es de compras em mercados. Pr\u00e1ticas multidisciplinares, com o aux\u00edlio de jogos de tabuleiros, dan\u00e7as e din\u00e2micas tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes em unidades do estado.<\/p>\n<div id=\"attachment_1491\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1491\" class=\"size-full wp-image-1491\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2.jpg 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2-272x182.jpg 272w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/sp-2-400x267.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1491\" class=\"wp-caption-text\">Escolas do ensino p\u00fablico apostam na tecnologia como inova\u00e7\u00e3o. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o (Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo)<\/p><\/div>\n<p>Para o professor Alavarse, a tecnologia pode, por um lado, atuar como dispositivo de ensino, facilitando o acompanhamento dos alunos, na medida em que permite emitir resultados individuais de forma mais r\u00e1pida e pr\u00e1tica. Por outro, ele defende que o problema principal n\u00e3o \u00e9 a plataforma escolhida para o ensino \u2013 se a lousa, livro ou computador \u2013, mas a maneira que o conte\u00fado \u00e9 explorado pelas crian\u00e7as. \u201cN\u00e3o \u00e9 a tecnologia que vai produzir os melhores resultados. Os melhores resultados vir\u00e3o, do meu ponto de vista, de uma preocupa\u00e7\u00e3o com o sucesso de todas as crian\u00e7as\u201d, conclui.<\/p>\n<h6><strong>Ensino superior<\/strong><\/h6>\n<p>Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), \u201co Brasil\u00a0\u00e9 um dos pa\u00edses que menos gastam com alunos do ensino fundamental e m\u00e9dio, mas as despesas com estudantes universit\u00e1rios se assemelham \u00e0s de pa\u00edses europeus\u201d. O pa\u00eds gasta, anualmente, US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (at\u00e9 a 5\u00aa s\u00e9rie), enquanto disp\u00f5e mais do que o triplo desse valor aos estudantes universit\u00e1rios: US$ 11,7 mil (R$ 36 mil).<\/p>\n<p>Mesmo assim, o ensino superior brasileiro enfrenta os mesmos problemas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. A Universidade do Estado do Rio De Janeiro (Uerj), por exemplo, enfrenta atualmente uma crise financeira que resultou em fechamentos de servi\u00e7os como o restaurante universit\u00e1rio e atrasos de pagamentos, o que gerou paralisa\u00e7\u00f5es, greves e atrasos no ano letivo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1492\" style=\"width: 860px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1492\" class=\"size-full wp-image-1492\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"566\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj.jpg 850w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj-768x511.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj-272x182.jpg 272w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/uerj-400x266.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><p id=\"caption-attachment-1492\" class=\"wp-caption-text\">Professores da Uerj decidem greve em assembleia em mar\u00e7o de 2017. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o (Fernando Fraz\u00e3o \u2013 Ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div>\n<p>O dinheiro investido nas universidades brasileiras \u00e9 destinado n\u00e3o s\u00f3 ao ensino, mas tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1rea de pesquisa, atividades de extens\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como os hospitais universit\u00e1rios. A USP tamb\u00e9m enfrenta problemas financeiros e aprovou no in\u00edcio do ano regras sobre limites com despesas de pessoal.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o governo federal reduz a cada ano o investimento em ci\u00eancia e tecnologia. Segundo dados oficiais do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), o corte proposto em 25% trar\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de R$5,9 bilh\u00f5es para R$4,4 bilh\u00f5es, correspondendo a menos da metade do or\u00e7amento de cinco anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2015, divulgado pelo Inep, avaliou quesitos como perman\u00eancia, conclus\u00e3o e desist\u00eancia nas universidades e faculdades do pa\u00eds nos anos de 2014 para 2015. Ele registrou uma queda no n\u00famero de ingressantes, tanto na rede p\u00fablica (- 2,6%), quanto na rede privada (- 6,9%). J\u00e1 o n\u00famero de concluintes na rede p\u00fablica diminuiu 0,8% e na rede privada a varia\u00e7\u00e3o foi um de aumento de 15,9%.<\/p>\n<p>Embora o ensino superior esteja marcado por uma tradi\u00e7\u00e3o, os m\u00e9todos educacionais tamb\u00e9m est\u00e3o se inovando. O professor Rafael Grohmann, docente do curso de Educomunica\u00e7\u00e3o na USP, trabalha desde 2012 com m\u00e9todos alternativos, utilizando dispositivos educomunicativos e desenvolvimento de projetos. Sua inspira\u00e7\u00e3o foi um trabalho de alunos da Universidade Federal Fluminense, em que se construiu uma dublagem sobre os discursos de autores como Adorno e\u00a0Lazarsfeld\u00a0em cima de uma cena da telenovela Celebridade, da Rede Globo. Atualmente, al\u00e9m das dublagens, seus alunos desenvolvem projetos como uma pesquisa sobre a rela\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os idosos com os meios de comunica\u00e7\u00e3o em bairros de maior e menor \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ele comenta a dificuldade e estranhamento que os estudantes sentem ao realizar esses trabalhos, principalmente porque estavam acostumados com os m\u00e9todos tradicionais e engessados das escolas e experi\u00eancia com o vestibular. Essas abordagens servem como complementos dos estudos tradicionais. Apesar das dificuldades, o docente acredita que essas tentativas de ensino apresentam muitas vantagens: a participa\u00e7\u00e3o ativa dos alunos serve para maior absor\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, al\u00e9m do fato de que os projetos podem ser reaproveitados e divulgados para a sociedade, tendo, assim, um impacto social.<\/p>\n<h6><strong>V\u00ednculo aluno-escola<\/strong><\/h6>\n<p>O processo de aprendizagem n\u00e3o envolve apenas a metodologia escolhida, mas tamb\u00e9m se relaciona com o campo cognitivo e social do estudante. A fam\u00edlia e a pr\u00f3pria escola precisam trabalhar juntas para proporcionar um ambiente saud\u00e1vel para o estudo e conhecimento da crian\u00e7a e adolescente. Os pais t\u00eam o papel, segundo a psic\u00f3loga Maria Isabel, do Instituto de Psicologia da USP, de valorizar a atividade do filho e incentiv\u00e1-lo a frequentar as aulas. Mas a escola possui uma import\u00e2ncia maior, j\u00e1 que \u00e9 a respons\u00e1vel por acolher a crian\u00e7a, aceitar suas diferen\u00e7as, investigar suas dificuldades, suas poss\u00edveis causas, e trabalhar em cima desse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando um estudante possui um rendimento inadequado \u00e9 importante que a escola saiba qual o universo em que ele est\u00e1 inserido. \u201cUma crian\u00e7a de classe m\u00e9dia tem mais contato com a leitura e escrita. J\u00e1 uma crian\u00e7a de classe socioecon\u00f4mica mais baixa nem sempre tem. Quando a professora ensina a grafia das letras, para a crian\u00e7a, esse universo se torna uma inc\u00f3gnita e, ent\u00e3o, ela come\u00e7a a ter dificuldade\u201d, explica a especialista.<\/p>\n<p>De acordo com o mais recente Censo Escolar feito pelo Inep, entre 2014 e 2015, 12,9% e 12,7% dos alunos matriculados na 1\u00aa e 2\u00aa s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio evadiram da escola. O levantamento tamb\u00e9m mostra que entre 2007 e 2013 houve uma queda progressiva na evas\u00e3o escolar brasileira, mas o quadro se altera em 2014, quando as taxas aumentam.<\/p>\n<div id=\"attachment_1493\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1493\" class=\"size-full wp-image-1493\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/evas\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/evas\u00e3o.jpg 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/evas\u00e3o-300x104.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/evas\u00e3o-768x266.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/evas\u00e3o-400x139.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1493\" class=\"wp-caption-text\">Dados do Censo Escolar do Inep 2014\/2015<\/p><\/div>\n<p>O professor Alavarse reconhece o impacto do n\u00edvel socioecon\u00f4mico no processo de aprendizagem e acredita que as escolas deveriam ser sens\u00edveis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que vivem os estudantes. \u201cIsso significa desenvolver mais paci\u00eancia com as crian\u00e7as e proporcionar mais esfor\u00e7os para o sucesso na aprendizagem delas\u201d, explica.<\/p>\n<p>A escola, na tentativa de resolver o baixo desempenho do estudante, exerce um papel que n\u00e3o \u00e9 seu, ao diagnosticar os alunos, incentivando que fam\u00edlias tratem o comportamento turbulento como um transtorno, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o ou hiperatividade, o que pode levar ao tratamento com medicamentos. Para Maria Isabel, a falta de aulas que instiguem o aluno a aprender e a dificuldade em acompanhar o conte\u00fado s\u00e3o fatores que influenciam o comportamento da crian\u00e7a. Uma aula expositiva, em que o estudante apenas copia o que o professor escreve no quadro, \u00e9 aquela que \u201cpassa do papel do professor para o papel do aluno sem passar pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga defende tamb\u00e9m que os m\u00e9todos se adequem \u00e0 idade das crian\u00e7as. O processo na educa\u00e7\u00e3o infantil, por exemplo, pode ser mais concreto para facilitar o entendimento, como o m\u00e9todo Montessori. Para ensinar aritm\u00e9tica, por exemplo, utiliza-se materiais l\u00fadicos: um pequeno cubo para representar uma unidade, uma r\u00e9gua para uma dezena, uma placa para uma centena, e um cubo para o milhar. Com a evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento, ao longo do ensino fundamental e m\u00e9dio, o processo de aprendizagem se torna cada vez mais abstrato.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga acredita que quando o aprendizado \u00e9 mec\u00e2nico n\u00e3o consegue realmente transmitir a informa\u00e7\u00e3o, e defende que o adulto \u00e9 o mediador entre o conhecimento e a crian\u00e7a. A escola precisa ter o compromisso com o bem-estar e aprendizado da crian\u00e7a. \u201cAcho que quem ajuda muito nisso \u00e9 o estilo de gest\u00e3o, o diretor possui um papel importante que faz a diferen\u00e7a no processo de inclus\u00e3o\u201d, defende.<\/p>\n<h6><strong>Forma\u00e7\u00e3o de professores<\/strong><\/h6>\n<p>A Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o exp\u00f5e que os professores precisam se preparar para o cotidiano escolar e tornar o curr\u00edculo mais denso, com prepara\u00e7\u00e3o tanto te\u00f3rica, como uma reflex\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o, quanto pr\u00e1tica, respeitando sua fun\u00e7\u00e3o social: formar o estudante. \u201cOs professores precisam ser muito mais preparados para a quest\u00e3o da did\u00e1tica, por n\u00e3o ser uma habilidade nata, mas uma habilidade que se constr\u00f3i\u201d, afirma o coordenador de projetos.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a rede estadual mant\u00e9m ativa a EFAP, sua Escola de Forma\u00e7\u00e3o e Aperfei\u00e7oamento de Professores, que conta com cursos presenciais e ensino a dist\u00e2ncia (EAD), pensados na melhoria da qualidade do ensino e recep\u00e7\u00e3o dada aos alunos, com cursos voltados para novas metodologias de ensino, aperfei\u00e7oamento profissional, inclus\u00e3o social e novas tecnologias.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos de ensino, sejam alternativos, inovadores ou tradicionais, n\u00e3o conseguem solucionar todos os problemas da educa\u00e7\u00e3o por si s\u00f3. A mudan\u00e7a \u00e9 uma resposta aos tempos modernos. Esse processo demanda a\u00e7\u00f5es em conjunto de alunos, professores, gestores e sociedade.<\/p>\n<p>O professor Consani acredita que por mais que as diretorias de ensino, o MEC, as secretarias de educa\u00e7\u00e3o conduzam pol\u00edticas p\u00fablicas que tragam inova\u00e7\u00f5es pra escola, existe ainda uma cultura escolar com uma mentalidade pautada em hierarquias, nos micropoderes da escola. E existe o \u201cmito do ensino forte\u201d, que diz que o ensino n\u00e3o pode ser uma coisa agrad\u00e1vel e interessante, tem que ser \u00e1rduo. \u201cEssa cultura \u00e9 muito classista, conservadora e retr\u00f3grada e, de certa forma, anula os benef\u00edcios que as iniciativas inovadoras trazem para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Publicado originalmente em: <a href=\"http:\/\/paineira.usp.br\/aun\/index.php\/2018\/02\/19\/novos-metodos-de-ensino-modificam-cenario-brasileiro\/\">http:\/\/paineira.usp.br\/aun\/index.php\/2018\/02\/19\/novos-metodos-de-ensino-modificam-cenario-brasileiro\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00f5es de desempenho educacional mostram insufici\u00eancias em diversas \u00e1reas; tecnologia, metodologias e planos de aulas inovadores surgem como alternativas Por&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":1488,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[124,285,243,31,108,283,30,284],"class_list":["post-1487","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","tag-alfabetizacao","tag-aluno","tag-aun","tag-docentes","tag-educacao","tag-ensino","tag-professor","tag-universidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1487"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2129,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1487\/revisions\/2129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}