{"id":1609,"date":"2016-06-15T17:26:02","date_gmt":"2016-06-15T19:26:02","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=1609"},"modified":"2018-08-06T14:37:13","modified_gmt":"2018-08-06T16:37:13","slug":"estudo-ipusp-relaciona-trajetoria-de-primo-levi-sua-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/estudo-ipusp-relaciona-trajetoria-de-primo-levi-sua-obra\/","title":{"rendered":"Estudo do IPUSP relaciona trajet\u00f3ria de Primo Levi \u00e0 sua obra"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Revista Psicologia USP, que apresenta um dossi\u00ea especial com o tema Testemunho e Cura, a pesquisadora do IP-USP Maria Nadeje Barbosa apresenta um artigo sobre a vida e obra do escritor italiano Primo Levi, com base nas rela\u00e7\u00f5es entre traumatismo e sublima\u00e7\u00e3o, como estudadas formalmente no modelo psicanal\u00edtico proposto por Freud.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1610\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/Primo-Levi-300x182.jpg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/Primo-Levi-300x182.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/Primo-Levi-400x243.jpg 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/03\/Primo-Levi.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/>Primo Levi nasceu na cidade de Turim em 1919, em uma fam\u00edlia judia, crescendo numa \u00e9poca em que Mussolini, o fascismo e o antissemitismo ganhavam cada vez mais for\u00e7a. Era um aluno adiantado na escola, por\u00e9m sofria forte discrimina\u00e7\u00e3o pelos colegas por seu judeu. Em 1933, teve que entrar no movimento Avanguardisti, a divis\u00e3o fascista para a juventude italiana, contra sua vontade. Pouco tempo depois, conseguiu ser aprovado em um liceu especializado em livros cl\u00e1ssicos, e l\u00e1 decidiu se tornar qu\u00edmico.<\/p>\n<p>Em 1937, foi for\u00e7ado pelo Minist\u00e9rio da Guerra a entrar na mil\u00edcia fascista, onde teve de continuar mesmo ap\u00f3s come\u00e7ar a estudar Qu\u00edmica na Universidade de Turim. Ap\u00f3s mais de um ano, o governo italiano passou as Leis Raciais, que tiraram diversos direitos b\u00e1sicos dos judeus no pa\u00eds, e em 1940 Mussolini se aliou a Hitler. Os dois acontecimentos culminaram na persegui\u00e7\u00e3o intensa das fam\u00edlias judias, e tr\u00eas anos depois, ap\u00f3s se formar com dificuldade em Turim e passar por diversos trabalhos clandestinos, Levi foi capturado pela mesma mil\u00edcia que uma vez fez parte.<\/p>\n<p>No campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, o qu\u00edmico viveu a experi\u00eancia traum\u00e1tica que mais tarde o transformaria em escritor e que serve como contexto essencial a entender sua obra. \u201cA produ\u00e7\u00e3o intelectual e liter\u00e1ria de Levi n\u00e3o teria ocorrido ou n\u00e3o teria ocorrido com a mesma intensidade, como ele bem mesmo teve a oportunidade de confessar, se n\u00e3o fosse o fato hist\u00f3rico da Shoah [denomina\u00e7\u00e3o do Holocausto em hebreu]\u201d, afirma Maria.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a seu conhecimento de qu\u00edmica, ele foi mandado para trabalhar em um laborat\u00f3rio do campo, o que favoreceu sua sobreviv\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o era for\u00e7ado a trabalhar no clima gelado do lado de fora dos pr\u00e9dios. Em um local onde a expectativa de vida era de 3 meses, Levi conseguiu passar um total de 11 meses, at\u00e9 que os sovi\u00e9ticos libertaram os prisioneiros de Auschwitz.<\/p>\n<p>Ele foi um dos poucos sobreviventes da invas\u00e3o, j\u00e1 que os alem\u00e3es mataram quase todos os prisioneiros antes do Ex\u00e9rcito Vermelho chegar, na conhecida \u201cmarcha da morte\u201d. O escritor s\u00f3 foi deixado pra tr\u00e1s da marcha porque ficara gravemente doente pouco antes e estava internado no hospital do campo.<\/p>\n<h6>Levi p\u00f3s-guerra<\/h6>\n<p>Ap\u00f3s alguns meses sob cust\u00f3dia dos sovi\u00e9ticos, Levi voltou a Turim, bastante afetado pela experi\u00eancia da Segunda Guerra. Enquanto se recuperava e procurava por um trabalho, Levi conheceu numa festa de ano novo Lucia Morgati, por quem se apaixonou. Logo ap\u00f3s, conseguiu trabalho numa f\u00e1brica da DuPont em Turim, onde dormia quase todos os dias e come\u00e7ou a escrever os rascunhos de Se Isso \u00e9 Um Homem?, uma obra testemunhal sobre sua viv\u00eancia em Auschwitz.<\/p>\n<p>Em dez meses, o material estava pronto. Lucia ajudou a editar o livro, e ap\u00f3s algumas respostas negativas, conseguiu achar uma editora para public\u00e1-lo. Em 1947, o escritor se casou e come\u00e7ou a trabalhar numa empresa de tinta chamada SIVA, pouco depois da obra ser lan\u00e7ada. Durante uma d\u00e9cada a obra foi virtualmente desconhecida, atingindo pouqu\u00edssimo p\u00fablico. Apenas em 1958 a editora Einaidi republicou o livro em uma tiragem maior, fazendo-o ganhar mais reconhecimento e ser traduzida at\u00e9 para o alem\u00e3o, um dos objetivos de Levi.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEsse pr\u00f3prio contexto liter\u00e1rio sinuoso do qual Levi era parte integrante serviu de est\u00edmulo para suas ulteriores publica\u00e7\u00f5es\u201d, declara a pesquisadora. \u201dPara sua obra como um todo, na medida em que o traumatismo fundamental vivenciado nos campos de exterm\u00ednio foi ininterruptamente atravessando as veredas do tempo e assumindo novas e diversas configura\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao longo do resto de sua vida, escreveu outros sucessos que foram expandindo seu reconhecimento no circuito liter\u00e1rio, como\u00a0Tabela Peri\u00f3dica, uma cole\u00e7\u00e3o de contos semi-biogr\u00e1ficos que se relacionam com cada elemento qu\u00edmico\u00a0e\u00a0A Tr\u00e9gua, que conta a hist\u00f3ria de seu retorno de Auschwitz para Turim e foi adaptado para um filme hom\u00f4nimo. Quase toda a obra se relaciona com experi\u00eancias traum\u00e1ticas pessoais do autor, o que torna o conjunto importante para o estudo da psicologia. \u201cO humano depois de Auchwitz, do qual a psican\u00e1lise tem muito a aportar, mas, tamb\u00e9m, muito mais a extrair&#8221;.<\/p>\n<p>O artigo completo pode ser lido no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/psicousp\/article\/view\/114750\/112485\">Portal de Revistas da USP.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Revista Psicologia USP, que apresenta um dossi\u00ea especial com o tema Testemunho e Cura, a pesquisadora&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":1610,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3],"tags":[308,309,64,152,307,311,60,310],"class_list":["post-1609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-e-cultura","tag-auschwitz","tag-biografia","tag-freud","tag-literatura","tag-nazismo","tag-primo-levi","tag-psicanalise","tag-revista-psicologia-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1609"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2084,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions\/2084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}