{"id":2203,"date":"2016-06-28T16:11:36","date_gmt":"2016-06-28T18:11:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=2203"},"modified":"2018-08-27T17:00:02","modified_gmt":"2018-08-27T19:00:02","slug":"estudo-revela-efeitos-psicossociais-das-novas-classes-medias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/estudo-revela-efeitos-psicossociais-das-novas-classes-medias\/","title":{"rendered":"Estudo revela efeitos psicossociais das &#8220;novas classes m\u00e9dias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Individualismo, competitividade e redu\u00e7\u00e3o da teia de solidariedades s\u00e3o algumas das bandeiras adquiridas pelo segmento<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.usp.br\/aun\/antigo\/exibir?id=7796&amp;ed=1368&amp;f=23#\">Isabella Schreen<\/a>\u00a0&#8211; AUN (Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias), 28\/6\/2016<\/p>\n<div id=\"attachment_2204\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2204\" class=\"size-full wp-image-2204\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/08\/classe-c.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/08\/classe-c.jpg 600w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/08\/classe-c-300x153.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/08\/classe-c-400x204.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-2204\" class=\"wp-caption-text\">Pertencem \u00e0 classe m\u00e9dia aqueles com renda familiar per capita entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00<\/p><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em tempos de novos quadros econ\u00f4micos e de uma reconfigura\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o brasileira, os pesquisadores Lu\u00eds Fernando de Oliveira Saraiva, Joyce Cristina de Oliveira Rezende, Jo\u00e3o Victor de Souza Reis, M\u00e1rcio Dionizio In\u00e1cio, Lia Vainer Schucman e Belinda Mandelbaum \u00a0se propuseram a estudar, a partir da psicologia, um novo conceito: a nova classe m\u00e9dia, ou classe C. Esta se refere ao setor social que ascendeu de classes mais baixas, e adquiriu condi\u00e7\u00f5es melhores de vida em meados do governo Lula. O seu surgimento \u00e9 um dos indicadores da diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade social e de renda no Brasil, apesar de sua instabilidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A &#8220;nova classe m\u00e9dia&#8221; representa uma mudan\u00e7a percept\u00edvel aos olhos de toda a popula\u00e7\u00e3o, afinal, conquistou espa\u00e7os que antes pertenciam somente \u00e0 classe m\u00e9dia tradicional e aos segmentos mais altos da sociedade. Um dos exemplos mais claros \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o que se adquiriu de usufruir do que deveria ser b\u00e1sico, como melhorias na alimenta\u00e7\u00e3o, posse de eletrodom\u00e9sticos, acesso a escolas particulares, a possibilidade de ir ao shopping ou viajar de avi\u00e3o. O que antes era privil\u00e9gio dos mais afortunados, passou a ser objeto de desejo da nova classe. Todos estes aspectos foram estudados no artigo &#8220;&#8216;A nova classe m\u00e9dia&#8217;: repercuss\u00f5es psicossociais em fam\u00edlias brasileiras&#8221;,redigido pelos pesquisadores, e o foco foi dado a como o acesso a um novo estilo de vida impacta a psique dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Notou-se que este novo estilo \u00e9 marcado pela tentativa de planejamento do futuro, seja ele pr\u00f3ximo ou mais long\u00ednquo, cercado pelo consumo e pela meritocracia. O modo de pensar se aproxima de r\u00f3tulos da classe m\u00e9dia tradicional, seja em quest\u00e3o de valores ou at\u00e9 mesmo politicamente. De acordo com o estudo, existe uma clara aproxima\u00e7\u00e3o da classe de setores religiosos, aliados a posicionamentos pol\u00edticos mais \u00e0 direita, que se somam e geram um discurso cada vez mais conservador. A posi\u00e7\u00e3o visa proteger e defender uma vis\u00e3o que tem como foco o consumo de bens materiais, aos quais os indiv\u00edduos n\u00e3o tinham acesso anteriormente, e que geram uma sensa\u00e7\u00e3o equivocada de inclus\u00e3o e status.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O artigo pontuou que tais posicionamentos se aliam ao individualismo, competitividade, redu\u00e7\u00e3o da teia de solidariedade e a diferencia\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o entre pessoas da mesma origem. Estes valores adquiridos ao ascender economicamente apontariam para estrat\u00e9gias de como manter sua posi\u00e7\u00e3o na sociedade, visto que ela \u00e9 inst\u00e1vel. Esta seria a diferen\u00e7a chave entre a nova classe m\u00e9dia e a tradicional pois, enquanto a primeira sofre para se estabelecer em seu patamar, correndo riscos quando a economia est\u00e1 inst\u00e1vel e sujeita ao desemprego, a segunda permanece inabal\u00e1vel em seu posto. O estudo aponta: &#8220;Longe de poder ser chamado de \u2018classe m\u00e9dia\u2019, esse segmento social, para o autor (Pochmann, 2012), deveria ser entendido como trabalhadores pobres por se tratar fundamentalmente de ocupados com sal\u00e1rio de base&#8221;. Ou seja, a classe C ainda encontra afli\u00e7\u00f5es das classes mais baixas, mas tem as demandas das mais altas. A professora Belinda Mandelbaum, respons\u00e1vel pela orienta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o do artigo, coloca: &#8220;Embora a nova classe m\u00e9dia tenha tido acesso a esses novos bens de consumo, como celulares, viagens e eletrodom\u00e9sticos, isso n\u00e3o as tornou verdadeiramente classe m\u00e9dia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar de o padr\u00e3o da nova classe m\u00e9dia ter se aproximado do espa\u00e7o da tradicional, a receptividade, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 boa. &#8220;S\u00e3o classes sociais que n\u00e3o estavam acostumadas a conviver em certos espa\u00e7os, como o shopping, aeroporto. Ent\u00e3o foi uma conviv\u00eancia dif\u00edcil, vejamos pelo movimento do rolezinho, que evidencia uma certa ojeriza da classe tradicional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe C&#8221;, afirmou a professora. Os encontros nos espa\u00e7os p\u00fablicos e privados evidenciaram o racismo e classismo latentes presentes na sociedade brasileira, que at\u00e9 ent\u00e3o eram abafados pelo pacto social de que &#8220;cada um sabe o seu lugar&#8221;. A repercuss\u00e3o s\u00e3o os murmurinhos pelos corredores do cotidiano, como apontaram exemplos dados no artigo: &#8220;Aeroportos agora parecem rodovi\u00e1rias, ou como os filhos da classe C \u2018at\u00e9\u2019 estudam em col\u00e9gios que seriam da classe m\u00e9dia tradicional&#8221;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O estudo em quest\u00e3o pontuou suas conclus\u00f5es a partir de pesquisas e serviu como encerramento de uma s\u00e9rie de estudos a respeito do tema. Estes aconteceram no decorrer do semin\u00e1rio &#8220;Novas classes m\u00e9dias&#8221;: fam\u00edlias em mudan\u00e7a?&#8221;, que aconteceu em agosto de 2013, durou cerca de um ano e foi organizado pelos pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Estudos da Fam\u00edlia, Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero e Sexualidade (LEFAM) do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, no IPUSP. As \u00e1reas de estudo inclu\u00edram as Ci\u00eancias Pol\u00edticas, Economia, Antropologia, Cultura, Religi\u00e3o e a Psicologia Social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Individualismo, competitividade e redu\u00e7\u00e3o da teia de solidariedades s\u00e3o algumas das bandeiras adquiridas pelo segmento Por\u00a0Isabella Schreen\u00a0&#8211; AUN (Ag\u00eancia Universit\u00e1ria&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":2204,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[243,386,385],"class_list":["post-2203","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-aun","tag-classe-media","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2203"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2203\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2230,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2203\/revisions\/2230"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}