{"id":2251,"date":"2017-08-21T16:50:36","date_gmt":"2017-08-21T18:50:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=2251"},"modified":"2023-02-24T11:55:36","modified_gmt":"2023-02-24T13:55:36","slug":"em-um-mundo-conectado-dados-armazenados-tornam-se-protagonistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/em-um-mundo-conectado-dados-armazenados-tornam-se-protagonistas\/","title":{"rendered":"Em um mundo conectado, dados armazenados tornam-se protagonistas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Gera\u00e7\u00e3o constante de Informa\u00e7\u00f5es e dados tende a modificar, cada vez mais, o modo como nos relacionamos com o mundo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por Ana Carolina Aires, Jo\u00e3o Victor Escovar e Matheus Lopes Cardoso,\u00a0AUN: Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias, 21\/08\/2017<\/p>\n<div id=\"attachment_2252\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2252\" class=\"size-full wp-image-2252\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Capa_BigData.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Capa_BigData.jpg 678w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Capa_BigData-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Capa_BigData-310x174.jpg 310w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Capa_BigData-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><p id=\"caption-attachment-2252\" class=\"wp-caption-text\">(Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Aires)<\/p><\/div>\n<p>A cada dia que passa, a tecnologia surpreende com novas funcionalidades, por meio da facilidade de conex\u00e3o criada pela internet, quase que onipresente na vida dos indiv\u00edduos. Telefones celulares cada vez mais modernos e aplicativos de uma praticidade fant\u00e1stica nos oferecem servi\u00e7os para auxiliar o dia-a-dia. Contudo, as maravilhas apresentadas possuem uma contrapartida: o fornecimento de dados. Sempre que visitamos um local conectados \u00e0 internet ou GPS, preenchemos formul\u00e1rios online, efetuamos transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias ou interagimos nas redes sociais, deixamos rastros de nossa privacidade e de nossas prefer\u00eancias aos fornecedores dos valiosos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O fato de que tudo que fazemos conectados ficar registrado provocou o surgimento de um amplo conceito na \u00e1rea de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o: o Big Data. Traduzido ao p\u00e9 da letra como \u201cgrandes dados\u201d, o termo, na realidade, se refere a um conjunto de informa\u00e7\u00f5es muito amplo que, exatamente por isso, carece de meios para lidar com seu tamanho, de maneira que qualquer dado possa ser interpretado e analisado em tempo h\u00e1bil.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que a import\u00e2ncia da quest\u00e3o de como captar e utilizar os dados gerados s\u00f3 aumente com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Daqui a algumas d\u00e9cadas, a internet deve estar presente n\u00e3o somente nos celulares e computadores, mas em equipamentos como geladeiras, carros ou m\u00e1quinas de lavar roupa. Os dados gerados v\u00eam aumentando exponencialmente a cada ano e este padr\u00e3o deve ser mantido. De acordo com expectativas da empresa IBM, por exemplo, 90% dos dados armazenados atualmente foram produzidos apenas nos dois \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es de um manejo eficiente de dados podem beneficiar e otimizar diversos setores da sociedade, como o poder p\u00fablico, no que concerne \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de toda a estrutura e fiscaliza\u00e7\u00e3o estatal; os bancos, que podem facilitar transa\u00e7\u00f5es e aumentar a seguran\u00e7a de investimentos; os sistemas educacional e de sa\u00fade, pela an\u00e1lise de suas defici\u00eancias e das necessidades dos usu\u00e1rios; al\u00e9m de empresas, que podem compreender melhor as prefer\u00eancias de poss\u00edveis clientes e projetar planos de a\u00e7\u00e3o personalizados. Contudo, a possibilidade que melhor vem sendo explorada \u00e9 a de vender informa\u00e7\u00f5es para companhias ou condicionar conte\u00fados e publicidade para cada indiv\u00edduo, como tem demonstrado o exemplo das gigantes da inform\u00e1tica, como Google e Facebook\u00a0\u2013\u00a0cujos servi\u00e7os est\u00e3o presentes no cotidiano da popula\u00e7\u00e3o de maneira incessante.<\/p>\n<div id=\"attachment_2253\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2253\" class=\"size-full wp-image-2253\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/3VS.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"281\" \/><p id=\"caption-attachment-2253\" class=\"wp-caption-text\">(Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Aires)<\/p><\/div>\n<p>Para o sucesso da an\u00e1lise do Big Data, \u00e9 necess\u00e1rio observar, no m\u00ednimo, tr\u00eas aspectos dos dados: seu volume, sua velocidade e sua veracidade. O volume refere-se \u00e0 grande quantidade dispon\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es, que restringe a utiliza\u00e7\u00e3o pela dificuldade de an\u00e1lise; a velocidade se deve \u00e0 rapidez com que tudo flui no mundo digital, que \u00e9 bem maior do que aquela que acompanhamos enquanto humanos; a veracidade, por sua vez, comporta a necessidade de que os dados sejam reais e confi\u00e1veis para que sua aplica\u00e7\u00e3o seja \u00fatil e consistente.<\/p>\n<h6>A m\u00e1quina e o homem<\/h6>\n<p>Se cada email enviado ou cada coment\u00e1rio em redes sociais \u00e9 registrado, o volume de dados criado por dia \u00e9 assustador. Quando se fala em Big Data, entretanto, n\u00e3o se trata de um \u00fanico grande armaz\u00e9m em que toda a informa\u00e7\u00e3o fica retida: cada site, software ou empresa possui suas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs dados est\u00e3o distribu\u00eddos de maneira muito diversa\u201d, explica o professor do Departamento de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IME-USP), Marcelo Finger. \u201cExistem os dados estruturados, que s\u00e3o aqueles salvos em bancos de dados, sobre os quais \u00e9 poss\u00edvel impor respostas desejadas, como as informa\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios de uma empresa guardadas em um planilha, e os n\u00e3o-estruturados, ou seja, soltos pela internet, em mat\u00e9rias escritas, sites diversos ou redes sociais\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Finger, ainda existem muitos entraves para uma aplica\u00e7\u00e3o perfeita do potencial dos dados, que fogem \u00e0 pr\u00f3pria compreens\u00e3o dos pesquisadores da \u00e1rea. \u201cCom o advento da internet, houve uma explos\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de dados como nunca e o Big Data s\u00e3o as t\u00e9cnicas que v\u00eam sendo desenvolvidas a fim de aproveitar todo esse material\u201d. Entretanto, embora muito se fale do tema, o professor considera que ele ainda est\u00e1 longe de ser estabelecido. \u201cN\u00e3o entendemos muito sobre a imensid\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e estamos tentando fazer isso aos poucos\u201d.<\/p>\n<p>O processo de interpreta\u00e7\u00e3o dos dados consiste em traz\u00ea-los para um computador ou software j\u00e1 programado, index\u00e1-los e obter respostas. O grande problema \u00e9 que os dados dificilmente est\u00e3o dispon\u00edveis e estruturados, de maneira a facilitar o trabalho da m\u00e1quina. O tratamento n\u00e3o \u00e9, desse modo, algo compreens\u00edvel em termos da intelig\u00eancia humana, como se os programas de computador e seus desenvolvedores fossem assustadoramente dominantes de um conhecimento fant\u00e1stico: os resultados v\u00eam de a\u00e7\u00f5es pr\u00e9-programadas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2254\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2254\" class=\"size-full wp-image-2254\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/IBM.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/IBM.jpg 700w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/IBM-300x150.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/IBM-400x199.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-2254\" class=\"wp-caption-text\">Softwares s\u00e3o capazes de extrair, de dados puros, informa\u00e7\u00f5es relevantes e espec\u00edficas. Na imagem IBM Social Media Analytics Software as a Service (SaaS), ferramenta de an\u00e1lise de dados nas redes sociais<\/p><\/div>\n<p>Mesmo assim, o tema ainda assusta a popula\u00e7\u00e3o. Para o professor, isso \u00e9 fruto do medo natural que temos do novo e do desconhecido. \u201cO surgimento de novas tecnologias sempre foi motivo de grande ansiedade para o ser humano. Isso \u00e9 justific\u00e1vel, pois existe um sentimento de preven\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis males: quando n\u00e3o compreendemos plenamente o funcionamento de algo, temos medo. A hist\u00f3ria do\u00a0Frankenstein\u00a0\u00e9 um claro exemplo disso, numa \u00e9poca em que a medicina florescia\u201d, explica.<\/p>\n<p>Embora seja natural e talvez at\u00e9 exagerado o receio humano, a popula\u00e7\u00e3o deve interagir no que rege o mundo virtual e a gera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. \u201cTemos de criar modos de conviver com a tecnologia, regulando seu funcionamento, seja para uso cotidiano, seja para usos espec\u00edficos, como o militar. O Big Data n\u00e3o atinge apenas as m\u00e1quinas e os programadores, mas toda a sociedade. Desse modo, \u00e9 a sociedade quem deve participar da implementa\u00e7\u00e3o das novas tecnologias. Os especialistas n\u00e3o podem ser os \u00fanicos a opinar. Pelo contr\u00e1rio: a popula\u00e7\u00e3o deve discutir o que pode ser feito, al\u00e9m de conhecer como se proteger e verificar os dados fornecidos\u201d, argumenta Finger.<\/p>\n<p>Outros pontos que o pesquisador acredita ser de relev\u00e2ncia social est\u00e3o ligados aos direitos de cada parte envolvida na gera\u00e7\u00e3o de dados. \u201cHoje, milh\u00f5es de usu\u00e1rios fornecem dados a empresas de internet, como Google e Facebook, que ganham muito dinheiro com tudo isso, e n\u00e3o questionam a propriedade desse uso. Quando surgem novas tecnologias, muitas vezes elas est\u00e3o baseadas num precedente anterior, que nem sempre \u00e9 o melhor para sua aplica\u00e7\u00e3o e precisa ser melhorado\u201d.<\/p>\n<h6>Cidades Inteligentes<\/h6>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es do Big Data originalmente est\u00e3o ligadas \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es que, inicialmente, eram as \u00fanicas capazes de coletar, organizar e selecionar uma grande quantidade de dados, transformando-os em informa\u00e7\u00f5es relevantes, capazes de potencializar o neg\u00f3cio. Com a chegada do Google, em 1998, passa a ser poss\u00edvel realizar uma minera\u00e7\u00e3o de dados com ferramentas simples e intuitivas, especialmente a partir de 2005, com o surgimento do Google Analytics \u2013 ferramenta capaz de coletar e sintetizar informa\u00e7\u00f5es de um site, gerando, por exemplo, relat\u00f3rios de visitas di\u00e1rias, tipos de tr\u00e1fego e tempo no site por pa\u00eds \u2013 e o Google Trends \u2013 ferramenta que aponta a frequ\u00eancia de termos procurados e que foi, posteriormente, adotada por outros sites, como o Twitter e o Youtube.<\/p>\n<div id=\"attachment_2255\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2255\" class=\"size-full wp-image-2255\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Google_Trends.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Google_Trends.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Google_Trends-300x150.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Google_Trends-400x200.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-2255\" class=\"wp-caption-text\">Google Tends mapeia e compara frequ\u00eancia de termos pesquisados. Ferramenta muito utilizada para determinar palavras-chave de textos publicados online, facilitando sua busca no Google.<\/p><\/div>\n<p>O crescimento das possibilidades de uso de dados fez com que a comunidade cient\u00edfica se voltasse a estud\u00e1-los, buscando aprimorar suas aplica\u00e7\u00f5es e criar novas formas criativas e de uso. Fabio Kon, professor da \u00e1rea de ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m do IME-USP, debru\u00e7ou-se sobre pesquisas de coleta e aplica\u00e7\u00e3o de dados no cotidiano, a fim de aprimorar a gest\u00e3o das cidades e tornar o dia-a-dia mais pr\u00e1tico. Focado no estudo de\u00a0Cidades Inteligentes\u00a0\u2013\u00a0que utilizam recursos tecnol\u00f3gicos, como Internet das Coisas, Big Data, computa\u00e7\u00e3o m\u00f3vel e em nuvem, para processar informa\u00e7\u00f5es no meio urbano\u00a0\u2013,\u00a0Kon acredita que o emprego de dados nesse contexto precisa caminhar em conjunto com o desenvolvimento de softwares livres.<\/p>\n<p>Software livre \u00e9 aquele que qualquer um pode ter acesso ao c\u00f3digo fonte, ou seja, a todas as instru\u00e7\u00f5es em linguagem de programa\u00e7\u00e3o existentes em sua constru\u00e7\u00e3o, possibilitando a execu\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia, modifica\u00e7\u00e3o e aprimoramento deste c\u00f3digo e, consequentemente, do programa em si. \u201cCom isso, podemos ter a certeza de que estamos sempre aprimorando nossas ferramentas de an\u00e1lise e uso de dados, caminhando para frente e n\u00e3o reproduzindo o que j\u00e1 foi feito antes\u201d, pontua. Juntamente com o desenvolvimento de softwares livres, Kon aponta a necessidade de aumento das conex\u00f5es Wi-Fi pela cidade, facilitando o fluxo e a agilidade de informa\u00e7\u00f5es coletadas, bem como a libera\u00e7\u00e3o de acesso aos dados coletados nos diversos \u00e2mbitos da cidade, que, muitas vezes, s\u00e3o retidos pelos poderes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Joyce Bevilacqua, pesquisadora na \u00e1rea de epidemiologia matem\u00e1tica e tamb\u00e9m professora do IME, trabalha com dados de sa\u00fade p\u00fablica\u00a0\u2013\u00a0em especial relacionados \u00e0 dengue\u00a0\u2013\u00a0e atesta que os \u00f3rg\u00e3os governamentais possuem uma quantidade imensa de dados crus que s\u00e3o retidos. \u201cQuando eles divulgam, j\u00e1 fizeram uma curadoria que n\u00e3o necessariamente foi dentro do escopo que todas as \u00e1reas de pesquisa precisam\u201d, afirma. A professora pontua que, como os dados brutos n\u00e3o s\u00e3o p\u00fablicos, \u00e9 necess\u00e1rio realizar processos burocr\u00e1ticos para consegui-los e, \u00e0s vezes, quando chegam, j\u00e1 podem estar desatualizados e n\u00e3o serem mais eficientes para a pesquisa.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do Big Data no aprimoramento da gest\u00e3o das cidades j\u00e1 \u00e9 realidade em v\u00e1rias cidades do mundo, inclusive S\u00e3o Paulo. A libera\u00e7\u00e3o de acesso aos dados de GPS dos \u00f4nibus possibilitou, por exemplo, que a\u00a0startups\u00a0Scipopulis, formada por ex-alunos da USP que trabalharam em conjunto com Kon, desenvolvesse uma plataforma de oferecimento de servi\u00e7os de mobilidade urbana. Por meio do aplicativo, a\u00a0startup\u00a0permite que os cidad\u00e3os acompanhem o tempo de espera dos \u00f4nibus e oferece, ainda, suporte \u00e0 SPTrans e \u00e0 CET, por meio do Painel do \u00d4nibus, uma estrutura\u00a0web\u00a0que fornece informa\u00e7\u00f5es em tempo real e hist\u00f3ricos que auxiliam a gest\u00e3o, o planejamento e a opera\u00e7\u00e3o do sistema de transporte coletivo, indicando, por exemplo, a velocidade m\u00e9dia em corredores exclusivos e faixas de \u00f4nibus.<\/p>\n<h6>Informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>O grande fluxo de dados \u00e9 algo que traz benef\u00edcios, como facilidades no cotidiano e no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e malef\u00edcios, entre eles o receio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia e \u00e0 perda da privacidade. Al\u00e9m disso, pode ser usado como fonte de renda, potencializando neg\u00f3cios j\u00e1 existentes ou atuando como um produto em si.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, neg\u00f3cios e m\u00eddias digitais da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, Stefanie Silveira, os servi\u00e7os que nos s\u00e3o oferecidos, aparentemente de gra\u00e7a, t\u00eam um pre\u00e7o. \u201cN\u00e3o \u00e9 raro ver pessoas que utilizam o Facebook ou os servi\u00e7os do Google surpreendendo-se pela gratuidade deles. N\u00e3o pagamos com dinheiro, mas oferecemos nossos dados, dos quais eles tiram dinheiro\u201d, afirma. \u201cExiste uma facilidade de organiza\u00e7\u00e3o como nunca houve. Contudo, para usufru\u00ed-la, temos de abrir n\u00e3o de nossa privacidade. Os celulares s\u00e3o sensores que andam conosco. N\u00e3o h\u00e1 privacidade estando conectado\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, os softwares e algoritmos utilizados pelos provedores de conte\u00fado, como o Facebook, t\u00eam isolado cada vez mais as pessoas em suas ideias e contextos culturais, a despeito da apar\u00eancia de uma conex\u00e3o de diversas realidades. \u201cEstima-se que o algoritmo do Facebook, por exemplo, possua mais de 100 mil regras para determinar o que vemos em nosso \u2018feed\u2019 de not\u00edcias. Ele se distingue dos algoritmos comuns de programa\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 capaz de aprender, trabalhar com uma quantidade infinita de dados e se adaptar a cada nova p\u00e1gina ou perfil criado. \u00c9 algo que se assemelha \u00e0 intelig\u00eancia artificial\u201d, explica Stefanie.<\/p>\n<div id=\"attachment_2256\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2256\" class=\"size-full wp-image-2256\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Bolhas.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Bolhas.jpg 678w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Bolhas-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Bolhas-310x174.jpg 310w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Bolhas-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><p id=\"caption-attachment-2256\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o da bolha ideol\u00f3gica e social das redes (Cr\u00e9dito: Smartcompany)<\/p><\/div>\n<p>Conforme conta a pesquisadora, a percep\u00e7\u00e3o desses algoritmos \u00e9 capaz de detectar sentimentos e significados nas intera\u00e7\u00f5es digitais: eles s\u00e3o conduzidos pela nossa linguagem, percebem nossa cultura, trabalham com dados n\u00e3o-estruturados e se modificam a cada dia.<\/p>\n<p>Com essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel regular, como faz o Facebook, as publica\u00e7\u00f5es e conte\u00fados que vemos, o que pode nos inserir numa \u201cbolha\u201d ideol\u00f3gica e cultural. \u201cBaseado em nossos interesses, o Facebook tra\u00e7a um perfil individual e nos mostra aquilo que desejamos ver. Em m\u00e9dia apenas 20% do que ter\u00edamos acesso nos \u00e9 mostrado. Isso provoca uma dificuldade de entendimento da diversidade e do mundo real: tudo o que vemos est\u00e1 alinhado \u00e0 nossa pr\u00f3pria vis\u00e3o\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Questionada sobre a consci\u00eancia que temos do que fornecemos e sobre os perigos que a sociedade pode correr, Stefanie \u00e9 categ\u00f3rica: \u201cAs pessoas n\u00e3o sabem o quanto s\u00e3o conhecidas. O Big Data j\u00e1 influencia o processo democr\u00e1tico e a manipula\u00e7\u00e3o das m\u00eddias. Pensamos que a internet \u00e9 o grande expoente da democracia, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade, pois o sistema vigente sempre encontra meios escusos. Existem empresas especializadas em gerar boatos e not\u00edcias falsas, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o medo de poss\u00edveis amea\u00e7as cibern\u00e9ticas, j\u00e1 retratado diversas vezes pelo cinema, a pesquisadora afirma que ainda estamos distantes desse ponto, mas que pens\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9 nenhum absurdo, se interpretarmos a influ\u00eancia da inform\u00e1tica na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da sociedade atual. \u201cMuitos dos inventos foram criados com uma inten\u00e7\u00e3o e utilizados com outra, como a bomba at\u00f4mica. \u00c9 um campo novo e em explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sabemos at\u00e9 onde se pode chegar\u201d.<\/p>\n<h6>Impacto nos neg\u00f3cios<\/h6>\n<p>A an\u00e1lise do grande volume de dados dispon\u00edvel exige o uso de softwares e planilhas especializados, al\u00e9m da figura do cientista de dados, um especialista em programa\u00e7\u00e3o computacional, estat\u00edstica e matem\u00e1tica. Para Stefanie, caso as empresas atentem-se para essas quest\u00f5es, elas poder\u00e3o desfrutar do que chama de \u201cnovo petr\u00f3leo\u201d. \u201cAl\u00e9m do uso feito por empresas como Facebook e Google, que consiste na venda de dados, as empresas podem investir na constru\u00e7\u00e3o de perfis de consumidores, direcionando seus produtos, servi\u00e7os, conte\u00fados e publicidade\u201d, explica.<\/p>\n<div id=\"attachment_2257\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2257\" class=\"size-full wp-image-2257\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Localiza\u00e7\u00e3o_Face.jpeg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Localiza\u00e7\u00e3o_Face.jpeg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Localiza\u00e7\u00e3o_Face-300x150.jpeg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Localiza\u00e7\u00e3o_Face-400x200.jpeg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-2257\" class=\"wp-caption-text\">Permiss\u00e3o de uso de localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos dados armazenados por Facebook e Google<\/p><\/div>\n<p>Para a estudiosa, um grande exemplo desse potencial n\u00e3o aproveitado \u00e9 o das empresas jornal\u00edsticas, em especial as brasileiras. \u201cOs setores de comunica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o sabem como utilizar a disponibilidade de dados. Como sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 disponibilizar conte\u00fado para cada indiv\u00edduo, agir no contexto de uma personaliza\u00e7\u00e3o do jornalismo seria uma inova\u00e7\u00e3o muito positiva para essas empresas, que hoje passam por uma crise. Al\u00e9m disso, elas possuem grandes bancos de dados, em virtude das fichas de seus assinantes e cadastrados, o que possibilita uma an\u00e1lise muito bem feita do p\u00fablico consumidor\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Esta possibilidade, inclusive, \u00e9 uma das que as empresas podem se valer para obter dados: fazendo a pr\u00f3pria capta\u00e7\u00e3o. Outra alternativa seria a compra de bancos de dados ou da armazenagem dos sites e servi\u00e7os digitais.<\/p>\n<h6>Dados psicol\u00f3gicos irrastre\u00e1veis<\/h6>\n<p>Em 2008, Michal Kosinski, em um programa de doutorado no Psychometrics Center da Universidade de Cambridge, desenvolveu um sistema capaz de analisar a personalidade e as caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas das pessoas por meio de an\u00e1lises dos seus dados, como curtidas em posts e p\u00e1ginas do Facebook. Tendo como par\u00e2metro o m\u00e9todo de medi\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os psicol\u00f3gicos conhecido como\u00a0Big Five, que analisa cinco aspectos da personalidade \u2013 Abertura (a novas experi\u00eancias), Consciencialidade (perfeccionismo), Extrovers\u00e3o (sociabilidade), Condescend\u00eancia (cooperatividade) e Neuroticismo (temperamento) \u2013, Kosinski conseguiu, por meio da interpreta\u00e7\u00e3o de perfis nas redes sociais, determinar com exatid\u00e3o a personalidade correspondente dos usu\u00e1rios no Big Five.<\/p>\n<div id=\"attachment_2258\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2258\" class=\"size-full wp-image-2258\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Big-Five.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"803\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Big-Five.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Big-Five-287x300.jpg 287w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/Big-Five-400x418.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-2258\" class=\"wp-caption-text\">Esquema de personalidades Big Five. (Cr\u00e9dito: ClubeYou \u2013 adaptado para o portugu\u00eas)<\/p><\/div>\n<p>Tudo isso foi poss\u00edvel porque, anos antes, David Stillwell (colega e parceiro de projeto de Michal Kosinski) criou um aplicativo chamado MyPersonality que, como um jogo, fazia as pessoas conectadas ao Facebook responderem perguntas muito semelhantes \u00e0s realizadas no teste psicol\u00f3gico Big Five. A partir dessa coleta de dados de Stillwell, Kosinski come\u00e7ou a fazer rela\u00e7\u00f5es pertinentes, como, por exemplo, a associa\u00e7\u00e3o de que pessoas que curtiam Lady Gaga eram mais propensas a serem extrovertidas. A combina\u00e7\u00e3o de muitos desses dados simples e at\u00e9 gen\u00e9ricos tornou poss\u00edvel gerar previs\u00f5es extremamente precisas sobre a personalidade dos indiv\u00edduos, por meio das redes sociais.<\/p>\n<p>Para <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8050483853958413\">Adriana Vilano Dinamarco<\/a>, mestre em Psicologia Cl\u00ednica pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP, apesar da an\u00e1lise e do uso de dados ajudarem a tra\u00e7ar uma personalidade, a estruturar pesquisas acerca do comportamento e a compreender um p\u00fablico e a situa\u00e7\u00e3o de meio em que uma pessoa est\u00e1 inserida, \u00e9 imposs\u00edvel que os dados fa\u00e7am o papel que o ser humano ocupa na avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, na \u00e1rea da psican\u00e1lise, por exemplo. \u201cAinda n\u00e3o conseguimos mapear o inconsciente por meio de instrumentos. O inconsciente \u00e9 \u00fanico, individual e faz parte da trajet\u00f3ria emocional de cada um que, nem sempre, est\u00e1 \u2018registrada\u2019 naquilo que os dados podem capturar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do Big Data influencia, tamb\u00e9m, na forma com que as pessoas est\u00e3o inseridas em suas realidades. Adriana remonta o uso de dados a uma no\u00e7\u00e3o que se tem do Big Brother, de que estamos sempre sendo observados e de que nossa vida est\u00e1 sendo orquestrada pelo outro. \u201cQuanto mais o Big Data avan\u00e7a, mais temos a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo que fazemos est\u00e1 sendo visto e pode ser arrumado e personalizado para n\u00f3s. O consumidor, ao entrar em uma loja online, por exemplo, tem a sensa\u00e7\u00e3o de que a loja \u00e9 feita para ele, justamente porque o Big Data acaba armazenando dados de prefer\u00eancias capazes de direcionar a pessoa a consumir mais\u201d. Do outro lado da moeda, Adriana ressalta que os donos das empresas podem ter uma falsa impress\u00e3o de que, com esses dados em m\u00e3os, conhecem completamente seus clientes, como se n\u00e3o existissem mais mist\u00e9rios acerca da individualidade das pessoas.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos pensar na manipula\u00e7\u00e3o que pode ser constru\u00edda a partir desses dados na m\u00e3o de pessoas mal intencionadas. No caso da pol\u00edtica, por exemplo, ao realizar uma pesquisa de dados comportamentais, seria poss\u00edvel identificar o que o povo quer ouvir, como ele quer ouvir e onde ele quer ouvir. Isso criaria uma campanha pol\u00edtica direcionada\u201d, alerta. Para a pesquisadora, entretanto, o uso do Big Data n\u00e3o \u00e9 de todo mal\u00e9fico e possui grandes contribui\u00e7\u00f5es em outras \u00e1reas. \u201cA manipula\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe de in\u00fameras outras formas, portanto, o Big Data seria somente uma forma de potencializ\u00e1-la. O uso de dados em diversas esferas, inclusive psicol\u00f3gicas, pode e deve ser considerado, desde que visando a aprimorar o fazer cient\u00edfico e cotidiano\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gera\u00e7\u00e3o constante de Informa\u00e7\u00f5es e dados tende a modificar, cada vez mais, o modo como nos relacionamos com o mundo&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":2252,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[115,18,389,144,366],"class_list":["post-2251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-clinica","tag-redes-sociais","tag-relacoes","tag-social","tag-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2251"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5021,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2251\/revisions\/5021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}