{"id":2292,"date":"2018-08-13T16:45:09","date_gmt":"2018-08-13T18:45:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=2292"},"modified":"2018-09-12T16:47:38","modified_gmt":"2018-09-12T18:47:38","slug":"pesquisa-da-usp-desvenda-o-conceito-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/pesquisa-da-usp-desvenda-o-conceito-de-amor\/","title":{"rendered":"Pesquisa da USP desvenda o conceito de amor"},"content":{"rendered":"<p>Por Wender Salles, Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias: AUN, 13\/8\/2018<\/p>\n<div id=\"attachment_2293\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2293\" class=\"size-full wp-image-2293\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/amor.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/amor.jpg 678w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/amor-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/amor-310x174.jpg 310w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2018\/09\/amor-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><p id=\"caption-attachment-2293\" class=\"wp-caption-text\">Foto: M. Fischetti<\/p><\/div>\n<p>Com certeza voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido os versos: \u201cO amor \u00e9 fogo que arde sem se ver. \u00c9 ferida que d\u00f3i, e n\u00e3o se sente; \u00e9 um contentamento descontente, \u00e9 dor que desatina sem doer\u201d, de Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es, grande poeta lusitano. Agora, em terras tupiniquins, \u201ceu tenho tanto pra lhe falar. Mas com palavras n\u00e3o sei dizer. Como \u00e9 grande o meu amor por voc\u00ea\u201d, do rei Roberto Carlos. Apesar de estarem separadas por aproximadamente cinco s\u00e9culos, h\u00e1 algo em comum entre as duas poesias: a tentativa de descrever o sentimento humano mais sublime \u2014 o amor. Um conceito extremamente subjetivo, eventualmente tratado dentro da filosofia e por livros de autoajuda.<\/p>\n<p>Ao longo do processo de evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, grandes pensadores das mais diversas \u00e1reas poss\u00edveis buscaram desvendar essa emo\u00e7\u00e3o. Tudo extremamente emp\u00edrico.\u00a0Por\u00e9m, recentemente, tornou-se o objeto de estudo da chamada psicologia positiva. Por muitos anos psic\u00f3logos\u00a0se interessaram somente por fen\u00f4menos psicopatol\u00f3gicos, como as neuroses, medos, fobias e outros. Atualmente, essa nova vertente est\u00e1 voltada \u00e0s quest\u00f5es que buscam promover mais a qualidade de vida e bem-estar das pessoas.<\/p>\n<p>Foi pensando nessa tem\u00e1tica que Thiago de Almeida desenvolveu sua tese de doutorado \u2014 apresentada ao Instituto de Psicologia (IP) da USP em 2017\u2014\u00a0<i>O conceito de amor: um estudo explorat\u00f3rio com uma amostra brasileira.\u00a0<\/i>\u00a0Pioneira no cen\u00e1rio cient\u00edfico nacional e internacional, a pesquisa consiste no maior estudo sobre o assunto com grandes amostras populacionais desde a d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Se o amor \u00e9 um fen\u00f4meno e ele existe, pode sim ser mensurado de alguma forma. Apenas necessita da produ\u00e7\u00e3o de instrumentos capazes de capt\u00e1-lo para esquadrinhar a sua ess\u00eancia.De acordo com o pesquisador,\u00a0o tema \u00e9 uma das \u00e1reas mais importantes na vida das pessoas. \u201cProcuramos e pensamos sobre ele e seus desdobramentos o tempo todo nos relacionamentos em que estamos inseridos\u201d.<\/p>\n<p>Na pesquisa, participaram 600 indiv\u00edduos, dos quais 65% eram mulheres (390), e 34,83% homens (209), com m\u00e9dia de idade de 23,82 anos. Eles foram distribu\u00eddos em dez grupos de acordo com o grau de escolaridade (escolas particulares, p\u00fablicas, universit\u00e1rios, formados e fora do \u00e2mbito acad\u00eamico), e a cidade de origem.<\/p>\n<p>As pessoas foram expostas a um instrumento designado especialmente para essa an\u00e1lise, e, em apenas 90 segundos tinham que atribuir livres associa\u00e7\u00f5es \u00e0 palavra AMOR escrita em uma folha de papel. Ao final dessa etapa, constatou-se a coleta de 3.243 respostas. \u201cCada pessoa deu mais ou menos cinco a seis respostas por apresenta\u00e7\u00e3o a esse est\u00edmulo. Bom, elas foram analisadas e categorizadas. Logo em seguida, repassadas individualmente a outras cinco pessoas, dentre elas, eu e meu orientador\u201d, explicou Thiago. A partir da\u00ed, criou-se 14 categorias totalmente distintas umas das outras, sendo a \u00faltima composta por idiossincrasias.<\/p>\n<p>Confira a seguir a defini\u00e7\u00e3o de cada uma, e frases ou palavras coletadas que as representam:<\/p>\n<p>1- Amor como rela\u00e7\u00e3o entre pessoas espec\u00edficas, n\u00e3o necessariamente rom\u00e2ntica, pois, n\u00e3o se verificou a exist\u00eancia de tais ind\u00edcios. Ex: \u201cLucas\u201d, \u201cWilliam\u201d, ou algum apelido.<\/p>\n<p>2- Amor como algo essencial ou fundamental ao ser humano. Ex: \u201cAmor \u00e9 tudo na minha vida\u201d e \u201cNingu\u00e9m vive sem amor\u201d.<\/p>\n<p>3- Amor como algo indefinido ou et\u00e9reo. \u00a0Ex: \u201cO amor n\u00e3o pode se explicar\u201d e \u201cAlgo cientificamente inexplic\u00e1vel\u201d<\/p>\n<p>4- Amor relacionado a componentes sexuais. Ex: \u201ctransar\u201d, \u201cmeter\u201d e \u201cvagina\u201d.<\/p>\n<p>5- Amor como uma rela\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica entre duas pessoas. Ex: \u201cUma das formas de se chamar a namorada\u201d e \u201cMeu relacionamento amoroso\u201d.<\/p>\n<p>6- Amor voltado a elementos da fam\u00edlia. Ex: \u201cprimo\u201d, \u201ctio\u201d, \u201cmarido\u201d e \u201cneto\u201d.<\/p>\n<p>7- Amor voltado aos amigos. Ex: \u201cAmigos verdadeiros\u201d e \u201cAmor \u00e9 quando perdemos um dente e seus amigos continuam te amando do jeito que voc\u00ea ficou\u201d<\/p>\n<p>8- Amor voltado a entidades divinas ou sobrenaturais. Ex: \u201cDeus\u201d, \u201cJesus\u201d e \u201cNossa Senhora\u201d.<\/p>\n<p>9- Amor voltado a animais irracionais\u00a0\u2014\u00a0de estima\u00e7\u00e3o. Ex: \u201ccachorros\u201d e \u201cpapagaio\u201d.<\/p>\n<p>10- Amor voltado a seres inanimados. Nessa categoria vemos pessoas valorizando objetos, como dinheiro, obras de arte ou liter\u00e1ria. Ex: \u201cAmo Mario Quintana\u201d,<\/p>\n<p>11- Amor dirigido a si mesmo. Ex: \u201cEu\u201d, \u201cTer amor a pr\u00f3pria vida\u201d e \u201cAmar \u00e9 tamb\u00e9m se amar\u201d.<\/p>\n<p>12- Amor como fonte de emo\u00e7\u00f5es, atitudes e comportamentos positivos. Ex: \u201cafinidade\u2019, \u201cempatia\u201d, \u201cpaci\u00eancia\u201d e \u201ccompreens\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>13- Amor enquanto fonte de emo\u00e7\u00f5es, atitudes e comportamentos negativos. Ex:. \u201cchoro\u201d, \u201cdor\u201d, \u201c suicidio\u201d e \u201cquero morrer\u201d.<\/p>\n<p>14- Outras respostas que tiveram menos de 5% de representatividade, e n\u00e3o eram contempladas nas anteriores, foram alocadas<\/p>\n<p>nessa categoria. Ex: \u201csacrif\u00edcio\u201d, \u201cplanejamento\u201d, \u201csonhos\u201d e \u201conde est\u00e1 o meu amor\u201d.<\/p>\n<h6>Entendimentos sobre o amor<\/h6>\n<p>A an\u00e1lise dos dados confirmou pontos j\u00e1 conhecidos. \u201cOs homens s\u00e3o mais propensos a relacionar amor ao sexo. E as mulheres relacionam mais ao romance\u201d, explica Thiago. Mas quando o assunto \u00e9 fam\u00edlia, verificou-se que elas se importam em grau superior com essa refer\u00eancia. O senso comum tamb\u00e9m foi colocado contra a parede em determinados apontamentos. \u201cS\u00e3o as mulheres que valorizam mais as amizades. A gente sempre pensa que homem acoberta o outro, mas n\u00e3o, as mulheres se preocupam bem mais com a rede de amigos\u201d. Outro ponto bastante interessante levantado \u00e9 a quest\u00e3o do romantismo. \u201cMinha pesquisa mostrou que a mulher \u00e9 mais pragm\u00e1tica e o homem mais rom\u00e2ntico\u201d.<\/p>\n<p>O professor Jos\u00e9 Fernando Lom\u00f4naco, especialista em conceitos e orientador do estudo, conclui que o amor \u00e9 um conceito ainda muito geral, e se refere a muitas coisas. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o amor carnal, ou de um homem para uma mulher. Devemos ter cuidado ao especificar o tipo de amor que estamos nos referindo, j\u00e1 que um dos objetivos foi mostrar a grande variabilidade de aspectos aos quais ele est\u00e1 relacionado\u201d.<\/p>\n<p>A tese foi transformada em livro, cujo t\u00edtulo \u00e9<i>\u00a0Conceito de amor: um estudo explorat\u00f3rio com participantes brasileiros,\u00a0<\/i>lan\u00e7ado no final de junho de 2018 pela editora Pedro &amp; Jo\u00e3o Editores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wender Salles, Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias: AUN, 13\/8\/2018 Com certeza voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido os versos: \u201cO amor&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":2294,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[183,293,389],"class_list":["post-2292","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-amor","tag-relacionamentos","tag-relacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2292"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2295,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2292\/revisions\/2295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}