{"id":2590,"date":"2019-03-11T11:30:21","date_gmt":"2019-03-11T13:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=2590"},"modified":"2019-03-11T11:30:22","modified_gmt":"2019-03-11T13:30:22","slug":"desrespeito-a-cultura-indigena-afeta-saude-mental-em-aldeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/desrespeito-a-cultura-indigena-afeta-saude-mental-em-aldeias\/","title":{"rendered":"Desrespeito \u00e0 cultura ind\u00edgena afeta sa\u00fade mental em aldeias"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:center\"><em><strong>Not\u00edcias produzidas e veiculadas pelos Guarani foram usadas como base de pesquisa <\/strong><\/em> <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\">Por <a href=\"https:\/\/paineira.usp.br\/aun\/index.php\/author\/pietra-carvalho\/\">Pietra Carvalho<\/a> &#8211; Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2019\/03\/Ubatuba-cultura-comunidades-aldeia-boa-vista-729-bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2595\" width=\"750\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2019\/03\/Ubatuba-cultura-comunidades-aldeia-boa-vista-729-bx.jpg 678w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2019\/03\/Ubatuba-cultura-comunidades-aldeia-boa-vista-729-bx-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2019\/03\/Ubatuba-cultura-comunidades-aldeia-boa-vista-729-bx-310x174.jpg 310w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2019\/03\/Ubatuba-cultura-comunidades-aldeia-boa-vista-729-bx-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption><strong>\u00cdndios guarani na Aldeia da Boa Vista, em Ubatuba (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Cidade e Cultura)<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Contrariando o senso comum, para os ind\u00edgenas, sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 sobre a aus\u00eancia de doen\u00e7a. O conceito para as aldeias \u00e9 amplo e desrespeitado por uma interven\u00e7\u00e3o pouco respeitosa dos \u201cbrancos\u201d. E a pesquisadora Flaviana Rodrigues de Souza quis estudar de qual forma o desrespeito a cultura local afetava a sa\u00fade mental em regi\u00f5es ind\u00edgenas. Para isso projetou o mestrado&nbsp;<em>Povos ind\u00edgenas e sa\u00fade mental: a luta pelo habitar sereno e confiado<\/em>, no Instituto de Psicologia da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu orientador j\u00e1 havia feito um doutorado voltado a quest\u00f5es das tribos, o que facilitou o in\u00edcio do estudo. Durante o processo de aprova\u00e7\u00e3o da sua proposta, a banca examinadora prop\u00f4s que Flaviana n\u00e3o pensasse na popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como um todo, mas fizesse um recorte em torno de uma s\u00f3 cultura, para evitar um trabalho gen\u00e9rico. Na sua gradua\u00e7\u00e3o, a futura mestranda j\u00e1 fazia parte da Rede de Aten\u00e7\u00e3o a Popula\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena, e fez visitas a popula\u00e7\u00e3o guarani em Tup\u00e3, no interior paulista. Pela familiaridade, a pesquisadora decidiu continuar a acompanh\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Flaviana tamb\u00e9m tentou evitar as quest\u00f5es burocr\u00e1ticas ligadas ao Comit\u00ea de \u00c9tica e \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), que imp\u00f5em uma s\u00e9rie de regras de seguran\u00e7a, que considerou como o maior desafio de sua trajet\u00f3ria. Os prazos da academia e dos \u00f3rg\u00e3os de regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o andavam no mesmo compasso. E para fazer o requerimento de entrada em territ\u00f3rios ind\u00edgenas, a pesquisadora deveria obedecer a uma s\u00e9rie de requisitos, como uma vacina exigida pela Funai, que n\u00e3o podia tomar pois estava gr\u00e1vida. Depois, a an\u00e1lise da solicita\u00e7\u00e3o demorava at\u00e9 meses para ser aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra dificuldade eram as pr\u00f3prias lideran\u00e7as ind\u00edgenas, a pesquisadora entrou em contato direto com autoridades dentro das aldeias, buscando a aprova\u00e7\u00e3o dos caciques, mas bateu de frente com o \u201coutro tempo\u201d desses povos, em que diversas camadas da sociedade deveriam concordar com a sua presen\u00e7a, principalmente os anci\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas dificuldades, ela teve que alterar um pouco a metodologia. Os estudos da tese n\u00e3o foram feitos a partir de entrevistas, mas, sim, de dados colhidos a partir de reportagens: \u201cTrabalhei com not\u00edcias feitas e veiculadas por eles por vias ind\u00edgenas e por quatro entidades parceiras, e ao analisar os discursos priorizei esses produzidos pelos locais, contrastando esses dados com a principal legisla\u00e7\u00e3o que trata da sa\u00fade ind\u00edgena, para pensar nas tens\u00f5es entre o que \u00e9 previsto e a cultura peculiar da tribo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com suas terras sendo tomadas e seu estilo de vida negado, a impress\u00e3o \u00e9 de que embora o texto da legisla\u00e7\u00e3o ofere\u00e7a garantias, como o respeito a diversidade cultural, a opera\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios de sa\u00fade dentro das aldeias ainda obedece um padr\u00e3o muito ocidental, um modelo biom\u00e9dico de sa\u00fade, o que tamb\u00e9m gera muito sofrimento para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe algu\u00e9m tem uma doen\u00e7a que n\u00e3o pode ser tratada na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, esse ind\u00edgena \u00e9 deslocado para um grande centro. Isso afasta ele da aldeia e da fam\u00edlia, causando um sofrimento ainda maior. Existe um contraste muito grande n\u00e3o s\u00f3 de verba, mas tamb\u00e9m na maneira de ofertar essa assist\u00eancia a sa\u00fade. Mesmo nos lugares em que existem iniciativas como a UBS.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em Tup\u00e3 uma psic\u00f3loga especializada trabalha com a sa\u00fade ind\u00edgena, mas na \u00e9poca em que frequentava a comunidade, em 2015, grande parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o recorria a UBS por nem entender que aquele espa\u00e7o oferecia servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal fonte de problemas para a sa\u00fade mental dos ind\u00edgenas, concluiu a pesquisa, \u00e9 a inseguran\u00e7a acerca da posse de sua terra, algo fundamental na constru\u00e7\u00e3o da identidade de um povo: \u201cSe os ind\u00edgenas n\u00e3o t\u00eam o territ\u00f3rio em que possam viver da maneira que bem entendam, no \u2018Teko Por\u00e3\u2019 (bem-estar), isso vai gerar sofrimento e adoecimento. O modo de organizar a sa\u00fade tamb\u00e9m diz respeito a como se entende a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lamenta que a psicologia ind\u00edgena ainda seja muito incipiente, e prega que se pense a \u00e1rea para al\u00e9m do consult\u00f3rio, j\u00e1 que a aproxima\u00e7\u00e3o desses povos pode enriquec\u00ea-la: \u201cEspero que a gente possa criar um v\u00ednculo e compartilhar experi\u00eancias, porque o que vemos \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o de colocar o outro em um lugar inferior, pejorativo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><em><strong>Publicado originalmente em:<\/strong><\/em><a href=\"http:\/\/ https:\/\/paineira.usp.br\/aun\/index.php\/2019\/02\/15\/desrespeito-a-cultura-indigena-afeta-saude-mental-em-aldeias\/\ufeff\"><em><strong> <\/strong>Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias <\/em><\/a><em><strong> <\/strong><\/em> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Not\u00edcias produzidas e veiculadas pelos Guarani foram usadas como base de pesquisa Por Pietra Carvalho &#8211; Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":2595,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,1],"tags":[88,354],"class_list":["post-2590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-e-cultura","category-sociedade","tag-indios","tag-saude-mental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2590"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2606,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2590\/revisions\/2606"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}