{"id":3368,"date":"2020-03-09T14:14:14","date_gmt":"2020-03-09T16:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=3368"},"modified":"2023-02-23T11:37:25","modified_gmt":"2023-02-23T13:37:25","slug":"todo-sintoma-traz-uma-especie-de-encargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/todo-sintoma-traz-uma-especie-de-encargo\/","title":{"rendered":"\u201cTodo sintoma traz uma esp\u00e9cie de encargo\u201d"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3368\" class=\"elementor elementor-3368\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3558b410 elementor-section-full_width elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3558b410\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-wide\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-68c36178\" data-id=\"68c36178\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-21159d3a elementor-widget__width-inherit elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"21159d3a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>Leia aqui a entrevista que o professor do IPUSP <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9092763119565269\">Christian Dunker<\/a> deu ao jornalista Eder Fonseca, do Portal Panorama Mercantil sobre a psican\u00e1lise contempor\u00e2nea, no dia 6\/3\/2020.<\/p><p>Professor,<strong> quais os maiores avan\u00e7os da psican\u00e1lise nos \u00faltimos dez anos e que n\u00e3o chegaram ao grande p\u00fablico?<\/strong><\/p><p>Os psicanalistas, especialmente no Brasil, parecem estar mais sens\u00edveis \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da vida cotidiana, do universo do trabalho e da vida digital, trazidas pela \u00faltima d\u00e9cada, com especial relev\u00e2ncia para a muta\u00e7\u00e3o social do lugar do sofrimento. Pessoas com uma vida em estrutura de viagem, com per\u00edodos intermitentes fora de casa ou com zonas de press\u00e3o de demanda s\u00e3o atendidas uma, ou duas vezes por semana, ou conforme a demanda e a disponibilidade.<\/p><p>H\u00e1 muita gente que recorre ao uso do e-mail, Skype e do Whats para trocas pontuais.<\/p><p>H\u00e1 uma conviv\u00eancia muito mais aberta e produtiva com formas religiosas, pr\u00e1ticas corporais e interveni\u00eancias alqu\u00edmicas pessoais, induzidas pelo uso disseminado e err\u00e1tico de subst\u00e2ncias psicoativas. Diria tamb\u00e9m que a quantidade de processos decisionais amorosos, profissionais e sociais que temos que enfrentar junto com nossos pacientes \u00e9 muito maior. Adquirimos assim um papel cada vez mais ativo na qualifica\u00e7\u00e3o neste processo, equilibrando o trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o de nossa hist\u00f3ria como o esfor\u00e7o de implica\u00e7\u00e3o com nossos sonhos. A imagem de passividade silenciosa do psicanalista associada com longas extens\u00f5es de terapia ficou para tr\u00e1s, junto com sua aura de pertencer a um outro planeta e seu baixo envolvimento com as coisas da vida terrena e pr\u00e1tica.<\/p><p>Al\u00e9m disso, temos que destacar que ela se tornou cada vez mais acess\u00edvel em termos de honor\u00e1rios e distribui\u00e7\u00e3o pela cidade. Claro que isso levanta uma s\u00e9rie de novos problemas em torno da per\u00edcia, da qualifica\u00e7\u00e3o e da efic\u00e1cia da forma\u00e7\u00e3o dos psicanalistas. De certa maneira a psican\u00e1lise se adaptou bem a um mundo que exige estudo e forma\u00e7\u00e3o constante, pois, ela j\u00e1 pregava este modo de vida. Por outro lado, isso estava associado com o fato do psicanalista ser um tipo de intelectual. Hoje, com a mudan\u00e7a na figura do intelectual h\u00e1 psicanalistas ligados mais a arte, mais a pol\u00edtica, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. Isso \u00e9 um fen\u00f4meno bem brasileiro, que alguns associam ao nosso atraso e outros as circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis que voc\u00ea pode ter na periferia do mundo.<\/p><p>As cl\u00ednicas p\u00fablicas de psican\u00e1lise, que se disseminaram de norte a sul do pa\u00eds, com os psicanalistas em suas cadeiras de praia, escutando as pessoas que passam pela pra\u00e7a Roosevelt ou pela Casa do povo, \u00e9 uma experi\u00eancia que estamos exportando para outros pa\u00edses. Hoje se voc\u00ea vai a um congresso de psican\u00e1lise em Paris ou Roma, em New York ou Estocolmo os brasileiros s\u00e3o respeitados como uma esp\u00e9cie de terra onde estamos nos reinventando. Sa\u00edmos dos consult\u00f3rios e estamos ajudando a pensar e a agir sobre o sofrimento das pessoas onde quer que elas estejam, em Altamira no Par\u00e1 ou na Cracol\u00e2ndia em S\u00e3o Paulo. N\u00e3o nos organizamos nem como uma extens\u00e3o do Estado, nem como uma empresa neoliberal, n\u00e3o somos nem uma igreja, nem exatamente uma ci\u00eancia tecnol\u00f3gica. Essa \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para o jeito de fazer as coisas.<\/p><p><strong>Como as dispers\u00f5es e as op\u00e7\u00f5es trazidas pelo mundo tecnol\u00f3gico, est\u00e3o afetando a nossa psique?<\/strong><\/p><p>De muitas maneiras, mas aqui seria preciso alguma humildade para dizer: ainda n\u00e3o sabemos exatamente como. Isso \u00e9 pr\u00f3prio das grandes revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Quanto tempo demorou para que acord\u00e1ssemos como uma civiliza\u00e7\u00e3o capaz de ler e escrever? Quantas guerras, quantas reformas e contrarreformas aconteceram antes disso? Quanto tempo levou para descobrirmos que a tecnologia da radioatividade continha perigos para a vida humana. No come\u00e7o, usavam-se as ideias de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marie_Curie\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Madame Curie<\/a> para vender p\u00edlulas de rad\u00f4nio nas farm\u00e1cias.<\/p><p><strong>N\u00e3o \u00e9 legal aumentar a \u201cenergia\u201d das pessoas?<\/strong><\/p><p>Pois, \u00e9, morreram todos. Leva pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es para voc\u00ea entender o que algo realmente revolucion\u00e1rio significa. Eu que vivi as primeiras transmiss\u00f5es de e-mails e fiz minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em uma m\u00e1quina de escrever, s\u00f3 posso esperar que meus netos entendam o que isso quer dizer. Mas tentando ser mais direto e sint\u00e9tico na reposta. Nossa rela\u00e7\u00e3o com o tempo muda. Desaprendemos o que \u00e9 o tempo da fala, onde voc\u00ea n\u00e3o pode esperar para responder quando quiser, e se quiser e passamos para o tempo em estrutura de escrita.<\/p><p>As rela\u00e7\u00f5es entre a experi\u00eancia p\u00fablica e a privada da subjetividade entraram em parafuso, e com isso que antigamente se chamava intimidade. Pr\u00e1ticas ou ideias laterais, contra-hegem\u00f4nicas, desviantes ou simplesmente err\u00e1ticas encontrara um novo lugar expressivo e uma nova forma de articular seu reconhecimento. Com isso vozes suprimidas e pessoas que antes tinham que se contentar em sofrer silenciosamente por n\u00e3o caber nos dois ou tr\u00eas vestu\u00e1rios dispon\u00edveis pr\u00eat-\u00e0-porter com os quais tinham de viver suas vidas, agora ganham visibilidade.<\/p><p>Por outro lado, isso vale tamb\u00e9m para o que havia de pior em nosso esgoto relacional e que demanda os mesmos direitos de exist\u00eancia e representatividade. Em outras palavras, o mundo ficou maior e menor ao mesmo tempo. Nesta tor\u00e7\u00e3o inesperada nosso narcisismo sofre de uma s\u00edndrome generalizada de inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Acreditamos em lorotas de Facebook sobre a felicidade alheia, ainda que saibamos que elas s\u00e3o falsas. Somos presas f\u00e1ceis de Fake News e de p\u00f3s-verdades banais. Achamos que porque agora toda a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel na web todo mundo virou professor ou coach.<\/p><p><strong>Esse caminho \u00e9 sem volta?<\/strong><\/p><p>Ainda bem que \u00e9. Realmente n\u00e3o queria voltar para minha adolesc\u00eancia vendo os mesmos filmes repetidos na Sess\u00e3o da Tarde. Nem para o tr\u00e1fico de livros raros do Lacan, de quem ningu\u00e9m tinha c\u00f3pia e usava uns piratas argentinos horr\u00edveis. Por outro lado, a volta vai acabar acontecendo se voc\u00ea tem um m\u00ednimo de leitura da hist\u00f3ria.<\/p><p>Nossa obsess\u00e3o futurista, junto com nossa paix\u00e3o pela pot\u00eancia do novo, se chocar\u00e1 com for\u00e7as regressivas, obscurantistas e conservadoras. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa veio a Restaura\u00e7\u00e3o, depois da Gr\u00e9cia de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/P%C3%A9ricles\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00e9ricles<\/a> o Imp\u00e9rio Romano. A volta, portanto, vai vir e acho que ela j\u00e1 come\u00e7ou a dar sinais e manifesta\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o decisiva vai ser: qual hist\u00f3ria queremos? Qual hist\u00f3ria esta \u00e9poca precisa atr\u00e1s de si para se justificar?<\/p><p><strong>O s\u00e9culo XXI \u00e9 o momento de maior solid\u00e3o e estresse da nossa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p><p>De certa forma esse \u00e9 um lado pouco iluminado de nossa \u00e9poca, ou seja, de como ela espera e demanda certas habilidades psicol\u00f3gicas superpotentes, sem qualquer prepara\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o para isso.<\/p><p>Nosso entendimento m\u00e9dio de como funcionamos subjetivamente \u00e9 abaixo da cr\u00edtica. Foi 40 anos de discurso dizendo que seus problemas s\u00e3o derivados de uma defici\u00eancia cerebral geneticamente determinada. Suas dificuldades s\u00e3o no fundo problemas como a diabete: falta insulina no seu p\u00e2ncreas, assim como falta serotonina ou dopamina no seu c\u00e9rebro. Basta repor.<\/p><p>Mas a moral da hist\u00f3ria \u00e9 que seu sofrimento n\u00e3o tem nada que ver com voc\u00ea: com seu estilo de vida, com a forma como voc\u00ea se interpreta, com a forma como voc\u00ea se cria uma unidade de sentido para sua vida. Ora, isso foi uma mentira que agora temos que voltar atr\u00e1s. Como o neoliberalismo econ\u00f4mico: tira o Estado da economia e vai dar tudo certo, basta austeridade que a m\u00e3o invis\u00edvel vai nos salvar. Falso. 2008 est\u00e1 a\u00ed para provar. Na hora \u201ch\u201d vai precisar sair fora da bolha do indiv\u00edduo e salvar os bancos sen\u00e3o todos n\u00f3s vamos para o brejo. Na hora \u201ch\u201d vai precisar sair da bolha do seu ego\u00edsmo sen\u00e3o vamos todos para o brejo ambiental-ecol\u00f3gico.<\/p><p>Mas enquanto isso ainda vivemos formas anacr\u00f4nicas de individualismo cujo horizonte \u00e9 a solid\u00e3o da independ\u00eancia e da autossufici\u00eancia. Sim, a solid\u00e3o \u00e9 o destino esperado e previsto para a forma de individualiza\u00e7\u00e3o do mito neoliberal.<\/p><p>\u00d3bvio que quando voc\u00ea se acredita um \u201cself-made man\u201d (e \u201cman\u201d aqui n\u00e3o \u00e9 ao acaso), voc\u00ea precisa acreditar que os outros s\u00e3o t\u00e3o ego\u00edstas como voc\u00ea e que a vida \u00e9 uma luta hobbesiana de todos contra todos.<\/p><p>Hora, comece a se convencer que a vida \u00e9 uma guerra, e s\u00f3 isso, para ver se voc\u00ea n\u00e3o fica estressado depois de um tempo? Ansiedade e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Depress%C3%A3o_(humor)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">depress\u00e3o<\/a> s\u00e3o os efeitos previstos para este modo de sofrer nesta forma de vida. S\u00f3 h\u00e1 um conceito pior do que o de stress na psicologia do s\u00e9culo XXI, que \u00e9 a ideia de baixa autoestima.<\/p><p>Esta cren\u00e7a de que se o Outro te ama voc\u00ea jamais ficar\u00e1 sozinho e tudo vai dar certo \u00e9 o retorno do reprimido de uma civiliza\u00e7\u00e3o que se acredita salva pela forma indiv\u00edduo para sofrer, para morrer e para viver. Ningu\u00e9m precisa voltar aos anacr\u00f4nicos ideais de coletividade feliz rousseaunianas para se livrar disso. N\u00e3o tem nada que ver com ser ruim e bom em ess\u00eancia, porque n\u00e3o temos ess\u00eancia.<\/p><p>A ess\u00eancia \u00e9 vazia, j\u00e1 diziam <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jean-Paul_Sartre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sartre<\/a> e Lacan. N\u00e3o precisa massacrar o comunismo, mais uma vez, e demonizar tudo que comece ou termine pela palavra \u201csocial\u201d para ver que n\u00e3o vai dar certo sozinho. O que est\u00e1 havendo aqui \u00e9 uma confus\u00e3o entre solid\u00e3o, como mito narc\u00edsico da onipot\u00eancia, com a solitude, experi\u00eancia de si, com desamparo e vazio.<\/p><p><strong>Quando uma pessoa se torna ref\u00e9m de uma neurose obsessiva?<\/strong><\/p><p>Somos sempre um tantos ref\u00e9ns de nossos sintomas. Ali\u00e1s, eles s\u00e3o sintomas justamente porqu\u00eas e imp\u00f5e a n\u00f3s de forma coercitiva e ultrapassando nossas pretens\u00f5es de controle.<\/p><p>A no\u00e7\u00e3o de \u201cref\u00e9m\u201d traduzi essa conting\u00eancia do sintoma porque ele a remete a imagem de que algo ou algu\u00e9m que est\u00e1 nos impendido de agir livremente, mas tamb\u00e9m ideia de que \u00e9 preciso pagar um resgate para nos libertarmos.<\/p><p>De fato, todo sintoma traz uma esp\u00e9cie de encargo, de exig\u00eancias ou condi\u00e7\u00f5es que demanda trabalho ps\u00edquico. Por isso quanto mais sintomas e quanto menos cuidamos deles menos \u201ctempo e interesse\u201d sobra para outras coisas na vida. Da\u00ed a import\u00e2ncia de saber quais sintomas, de perceber que eles s\u00e3o diferentes de pessoa para pessoa e de que eles podem ser melhor ou pior cuidados.<\/p><p>Tendemos a supervalorizar aqueles que tem sintomas parecidos com os nossos e a subvalorizar os que sofrem de maneira diferente. Tendemos achar que os sintomas s\u00e3o fases da vida, rea\u00e7\u00f5es a um mau acontecimento, respostas a uma realidade que uma hora vai passar, ou que eles s\u00e3o simplesmente causados pelos outros, seja o outro seu pr\u00f3prio c\u00e9rebro.<\/p><p>Criamos palavras para design\u00e1-los, como se estas palavras por si s\u00f3 mudassem alguma coisa: excesso de trabalho, chefe perseguidor, stress ou baixa autoestima.<\/p><p>Esse erro tem que ver com nossa interpreta\u00e7\u00e3o de que como eles s\u00e3o coisas que se imp\u00f5e contra nossa vontade, s\u00f3 podem vir do outro, sem considerar que h\u00e1 um Outro em n\u00f3s. Um Outro formado por aspectos, experi\u00eancias e dimens\u00f5es que n\u00e3o lembramos ou n\u00e3o queremos admitir. Na neurose obsessiva, por exemplo, a pessoa sofre com \u201cpensamentos\u201d, pensamentos recorrentes, envolvendo acontecimentos tr\u00e1gicos ou infelizes, pensamentos que adquirem poderes m\u00e1gicos de fazer as pessoas se sentirem culpadas ou de que magicamente \u201ccoisas\u201d v\u00e3o acontecer s\u00f3 porque voc\u00ea pensou. Isso pode evoluir para rituais, e jeitos r\u00edgidos ou obrigat\u00f3rios de agir e proceder que os outros n\u00e3o entendem, mas que para a pessoa tem que ser necessariamente assim.<\/p><p>\u00c0s vezes ela inventa hist\u00f3rias mirabolantes para justificar isso, outras vezes isso faz realmente todo sentido racional e pr\u00e1tico, mas nem por isso deixa de ser sintom\u00e1tico, lembremos o sintoma n\u00e3o se define pela sua irracionalidade ou disfuncionalidade apenas, mas tamb\u00e9m por seu aspecto de \u201ccoer\u00e7\u00e3o mental\u201d.<\/p><p>H\u00e1 muitos que integram seus sintomas de tal maneira em sua personalidade que ele pensa que renunciar a eles seria abrir m\u00e3o de ser com se \u00e9, atacar sua personalidade ou seu jeito de ser. De fora e raciocinando juridicamente algu\u00e9m poderia dizer: qualquer um deve ter o direito de cumular coisas na sua pr\u00f3pria casa, mesmo que ela fique atulhada de caixas at\u00e9 o teto (como os acumuladores fazem).<\/p><p>Qualquer um deve poder recolher animais abandonados na rua at\u00e9 povoar sua casa com felinos ou c\u00e3es. Qualquer um deve poder comprar o que bem entender, mesmo que isso crie um rombo na conta, afinal \u00e9 parte da liberdade da pessoa fazer o que bem entende com seu dinheiro ou com sua casa, ainda que n\u00f3s n\u00e3o o fiz\u00e9ssemos com a nossa.<\/p><p>A quest\u00e3o aqui \u00e9 que quando falamos em \u201cref\u00e9m\u201d temos algo que \u00e9 a contra a lei. Quando falamos de sintomas que nos deixam ref\u00e9ns, \u00e0s vezes isso envolve a falta de percep\u00e7\u00e3o e a vontade de \u201cpermanecer ref\u00e9m de si mesmo\u201d.<\/p><p><strong>Como se livrar dessa instabilidade emocional?<\/strong><\/p><p>O primeiro passo para cuidar melhor de seus sintomas, e se isso d\u00e1 certo eles v\u00e3o gradualmente perdendo sua fun\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que deixem de se tornar necess\u00e1rios, \u00e9 reconhecer sua exist\u00eancia.<\/p><p>Muitas vezes eles n\u00e3o atrapalham tanto, por isso achamos que uma hora eles v\u00e3o ir embora, t\u00e3o misteriosamente como apareceram. Depois considere que todo sintoma \u00e9 uma esp\u00e9cie de forma evolu\u00edda de uma experi\u00eancia de sofrimento. Esta experi\u00eancia pode ser aguda como o trauma ou cr\u00f4nica como um tipo de rela\u00e7\u00e3o. Toda forma de sintoma \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que encontramos para conflitos, e alguns de nossos conflitos s\u00e3o estruturais, ou seja, n\u00e3o elimin\u00e1veis.<\/p><p>Por isso respeite seus sintomas, n\u00e3o queira investir contra eles apenas com mais ordem, disciplina, f\u00e9 ou for\u00e7a de vontade. Entenda que, por mais rid\u00edculos e incompreens\u00edveis que eles sejam, eles t\u00eam uma raz\u00e3o de ser.<\/p><p>Compreenda que existem certos afetos que costumeiramente rondam os sintomas: vergonha (voc\u00ea sente que s\u00f3 voc\u00ea tem esta \u201cencana\u00e7\u00e3o\u201d), culpa (mesmo sabendo que voc\u00ea n\u00e3o fez nada sente que isso \u00e9 uma fragilidade ou uma vulnerabilidade sua, de sua fam\u00edlia ou de quem cuida de voc\u00ea), nojo (que leva a certas evita\u00e7\u00f5es que nem voc\u00ea consegue explicar), medo (que pode se manifestar como inibi\u00e7\u00f5es, evita\u00e7\u00f5es e reatividade) e o mais geral e constante afeto de ang\u00fastia (que pode aparecer como dores de barriga na crian\u00e7a, como ins\u00f4nia ou irrita\u00e7\u00e3o, como cansa\u00e7o cr\u00f4nico ou labilidade de humor, como falta de concentra\u00e7\u00e3o, como sentimento de opress\u00e3o ou ansiedade aguda chamado p\u00e2nico, ou como amea\u00e7a difusa de que em algum momento algo terr\u00edvel vai acontecer).<\/p><p>Cuidado com sua forma de vida, aten\u00e7\u00e3o e escuta para consigo mesmo, bons tratos emocionais ajudam a diminuir os efeitos gen\u00e9ricos de instabilidade e incerteza que acompanham os sintomas.<\/p><p>A psicoterapia, a psican\u00e1lise e outras tantas abordagens de tratamento pela palavra s\u00e3o um meio para enfrentar estes sintomas, assim como as abordagens medicamentosas, para as quais, neste caso se recomenda um psiquiatra (n\u00e3o basta o seu ginecologista, o seu nutr\u00f3logo ou o cl\u00ednico geral que te passa uma receita e voc\u00ea fica repetindo ela indefinidamente). Freud dizia que a psican\u00e1lise objetiva no fundo, algo t\u00e3o simples como dif\u00edcil de alcan\u00e7ar: a capacidade de amar e trabalhar.<\/p><p>Estes tamb\u00e9m, quando a gente consegue s\u00e3o dois protetores de nossa vida ps\u00edquica. Quando conseguimos nos entender com eles cumprem uma fun\u00e7\u00e3o de autocura, mas \u00e9 tamb\u00e9m por isso que a neurose costuma atacar estas duas dimens\u00f5es da vida limitando, empobrecendo e minando nossa capacidade e o nosso gosto por amar e trabalhar.<\/p><p><strong>Quando nos tornamos autossabotadores sem perceber?<\/strong><\/p><p>Quando ignoramos que nossos sintomas t\u00eam sempre e inequivocamente uma estrutura de repeti\u00e7\u00e3o. Sabotar-se \u00e9 uma estrat\u00e9gia para nos desviar de nosso desejo, e sim, o desejo n\u00e3o \u00e9 simples de suportar, muitas vezes preferimos nos afastar dos conflitos que ele traz a enfrentar o pre\u00e7o que eles demandam de n\u00f3s.<\/p><p>H\u00e1 os que fracassam justamente porque quando se aproximam do sucesso percebem como junto com ele vem a inveja, vem a solid\u00e3o, os interesseiros, os novos inimigos e advers\u00e1rios mais poderosos, a expectativa dos outros, o \u00f3dio e a perf\u00eddia dos concorrentes, al\u00e9m disso, h\u00e1 o temor por novas decep\u00e7\u00f5es que aumentar\u00e3o o tamanho da queda e a dor causada por um erro. Ora, isso tudo s\u00e3o bons motivos para recuar do que se quer.<\/p><p><strong>Como fugir de comportamentos que nos levam para o caminho da autossabotagem?<\/strong><\/p><p>\u201cSabotar\u201d vem de \u201ctamancar\u201d, fazer mal feito, fazer de forma tosca, gerando assim imperfei\u00e7\u00f5es e apressamentos que se voltam contra n\u00f3s. Autossabotagem sugere, frequentemente, falta de cuidado consigo, por isso interpretamos quando isso acontece e quando conseguimos, minimamente nos escutar, que passamos por cima de n\u00f3s.<\/p><p>O sabotador \u00e9 uma figura da espionagem, ele corre atr\u00e1s das linhas inimigas, geralmente disfar\u00e7ado e tentando cortar suprimentos ou interromper planos. Para evitar sabotagem comece por se amigar de seus inimigos internos, conhecer do que eles s\u00e3o feitos e como eles se repetem em suas a\u00e7\u00f5es.<\/p><p><strong>H\u00e1 algum tempo, o senhor falou sobre a ind\u00fastria do sofrimento. O que norteia essa ind\u00fastria?<\/strong><\/p><p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia o conceito de ind\u00fastria liga-se ao modo de produ\u00e7\u00e3o, mais ou menos regular, feito por procedimentos de racionaliza\u00e7\u00e3o, an\u00f4nimos e impessoais, tendo em vista o lucro, quer por acr\u00e9scimo de desempenho, quer por diminui\u00e7\u00e3o de custos.<\/p><p>A ind\u00fastria do sofrimento, considerada como um conjunto de pr\u00e1ticas que visam mitigar o mal-estar \u00e9 t\u00e3o velha quanto a medicina e a religi\u00e3o, no entanto, desde os \u00faltimos 40 anos ela assumiu um novo feitio. Isso se deve a pr\u00e1ticas de indu\u00e7\u00e3o de sofrimento com o objetivo direto e gerencial de aumentar a produtividade.<\/p><p>Esta \u00e9 uma demanda moral por tr\u00e1s do neoliberalismo, deixem-nos livres para impingir resultados impratic\u00e1veis, jornadas de trabalhos infinitas intermitentes ou prec\u00e1rias, b\u00f4nus aleat\u00f3rios, microgest\u00e3o s\u00e1dica do seu cotidiano, avaliacionismo 1x24x365. Sem falar em incita\u00e7\u00e3o man\u00edaca ou narc\u00edsica da performance exibicionista e da individualiza\u00e7\u00e3o do fracasso, como culpa ou depress\u00e3o.<\/p><p>H\u00e1 quarenta anos ficou claro que se poderia inventar novas formas de sofrimento de tr\u00e1s para a frente, por exemplo, determinados efeitos psicoativos poderiam ser a cura para uma doen\u00e7a que \u00e9 descrita pela exata coincid\u00eancia destes mesmos sinais invertidos.<\/p><p>Desistimos de procurar causas reais e nos contentamos com causas operacionais. Se pudermos ser treinados para contornar nossos sintomas ou viver uma vida de evita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos \u201cgatilhos\u201d de nossos sofrimentos isso j\u00e1 ter\u00e1 sido suficiente.<\/p><p>Se vivermos uma vida cronicamente determinada pela modula\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de nossa paisagem mental isso poder\u00e1 nos colocar em contato com o plano de metas conhecido como felicidade.<\/p><p>Hoje h\u00e1 uma extensa bibliografia cient\u00edfica sobre como inventar novas doen\u00e7as, considerando sua viabilidade econ\u00f4mica para o p\u00fablico consumidor e sua justificativa administrativa legitimada por universidades. Psiquiatras transformaram-se em t\u00e9cnicos prolet\u00e1rios emissores de receitas, que n\u00e3o conseguem mais falar com seus pacientes, porque os planos de sa\u00fade demandam minutos de aten\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Psicoterapeutas competindo com f\u00f3rmulas morais e disciplinas alimentares que continuam a nos persuadir que todo mal-estar pode ser reduzido a uma constela\u00e7\u00e3o de sintomas, e que toda forma de sofrimento s\u00e3o sintomas que ainda n\u00e3o foram apropriadamente nomeados.<\/p><p><strong>Qual o papel da m\u00eddia para o crescimento dessa ind\u00fastria?<\/strong><\/p><p>O papel da m\u00eddia aqui \u00e9 amb\u00edguo. Por tempo demais ela enterrou <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sigmund_Freud\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Freud<\/a> e os antigos tratamentos da alma, em nome de f\u00f3rmulas mais acess\u00edveis e pr\u00e1ticas, por outro lado, uma parte dela, mais cr\u00edtica sempre insistiu ou pressentiu a ind\u00fastria do sofrimento como extens\u00e3o e efeito colateral da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ind%C3%BAstria_cultural\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ind\u00fastria cultural<\/a>.<\/p><p>Fez se pouco em divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nesta \u00e1rea, no contendo com a informa\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de que dados e n\u00fameros sobre consumo de medica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de diagn\u00f3sticos.<\/p><p><strong>Como fugir dessa ind\u00fastria?<\/strong><\/p><p>Uma ind\u00fastria deste tipo nos alcan\u00e7ou a todos e \u00e9 s\u00f3 por isso que podemos agora sentir os efeitos de uma crise global em sa\u00fade mental, ou seja, porque ela se tornou muito mais uniforme e homog\u00eanea do que jamais foi.<\/p><p>Tivemos o fim dos debates te\u00f3ricos em psicopatologia, e a competi\u00e7\u00e3o entre abordagens cl\u00ednicas e psicoter\u00e1picas parece ter se reduzido ao cognitivismo de um lado e a psican\u00e1lise do outro. Resist\u00eancia sen\u00e3o fuga desta ind\u00fastria passa por suspender rotinas de pensamento em torno de f\u00f3rmulas gen\u00e9ricas e impessoais para enfrentar o sofrimento.<\/p><p>A escuta em comunidade, a fala em primeira pessoa, as experi\u00eancias de intimidade e compartilhamento do sofrimento s\u00e3o muito importantes para n\u00e3o nos vermos apenas gritando segunda a partitura que nos foi imposta.<\/p><p>Novas formas de sofrer podem ser contadas, lembrando que o sofrimento depende da narrativa na qual ele se apresenta, mas tamb\u00e9m das pol\u00edticas de reconhecimento e partilha sobre \u201dquem, como e de que maneira pode sofrer\u201d e quem deve permanecer em sil\u00eancio culpado.<\/p><p>Cuidado com slogans religiosos que desdenham do sofrimento como parte da vida e da rela\u00e7\u00e3o com o sacrif\u00edcio, incitando a vida de realiza\u00e7\u00e3o e prosperidade m\u00e1gica. Cuidado com rotinas de tratamento artificial do sofrimento: compra terapia, academia de gin\u00e1stica em vez da academia de saber. Evite formas de vida baseadas na press\u00e3o, de segunda a sexta seguida de descompress\u00e3o desordenada e et\u00edlica de s\u00e1bado e domingo. Substitua conversas e experi\u00eancias de baixa qualidade pela busca de alguma excel\u00eancia na arte de viver.<\/p><p><strong>Christian Dunker nasceu em S\u00e3o Paulo, em 1966 e estudou no Col\u00e9gio Visconde de Porto Seguro. Formou-se em Psicologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo em 1989, onde frequentou tamb\u00e9m os cursos de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais. Envolveu-se com a reconstru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica desta universidade, participando da funda\u00e7\u00e3o do Centro Acad\u00eamico Iara Iavelberg, sendo seu primeiro diretor-geral no per\u00edodo da abertura pol\u00edtica. Desde 1990 articula pr\u00e1tica cl\u00ednica e doc\u00eancia universit\u00e1ria, tendo lecionado em v\u00e1rias universidades paulistas. \u00c9 mestre e doutor em Psicologia pela USP. Realizou p\u00f3s-doutorado em 2001, supervisionado por Ian Parker e Erica Burman, na Manchester Metropolitan University, pelo qual foi laureado como \u201cPesquisa Inovadora em Cr\u00edtica e Linguagem\u201d. Em 2004 torna-se professor do Departamento de Psicologia Cl\u00ednica do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo. Em 2007 defende tese de Livre Doc\u00eancia, publicada na Inglaterra e no Brasil. \u00c9 psicanalista membro da Escola dos F\u00f3runs do Campo Lacaniano (A.M.E.) com ativa participa\u00e7\u00e3o na dissemina\u00e7\u00e3o do pensamento de Jacques Lacan no Brasil. Junto com Vladimir Safatle e Nelson da Silva Jr. fundou o Laborat\u00f3rio de Teoria Social, Filosofia e Psican\u00e1lise da USP (Latesfip-USP). \u201cDe fato, todo sintoma traz uma esp\u00e9cie de encargo, de exig\u00eancias ou condi\u00e7\u00f5es que demanda trabalho ps\u00edquico\u201d, afirma.<span id=\"more-53545\"><\/span><\/strong><\/p><p>Por Eder Fonseca, do Panorama Mercantil, 6\/3\/2020<\/p><p>Original dispon\u00edvel em: https:\/\/www.panoramamercantil.com.br\/todo-sintoma-traz-uma-especie-de-encargo-christian-dunker-psicanalista-e-professor-titular-da-universidade-de-sao-paulo\/\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia aqui a entrevista que o professor do IPUSP Christian Dunker deu ao jornalista Eder Fonseca, do Portal Panorama Mercantil&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":3370,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9,1],"tags":[],"class_list":["post-3368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3368"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4930,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3368\/revisions\/4930"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}