{"id":3720,"date":"2020-07-09T22:27:55","date_gmt":"2020-07-10T00:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=3720"},"modified":"2020-07-17T11:44:13","modified_gmt":"2020-07-17T13:44:13","slug":"fingir-que-esta-tudo-bem-e-nao-manifestar-ciume-e-o-ideal-em-uma-relacao-saudavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/fingir-que-esta-tudo-bem-e-nao-manifestar-ciume-e-o-ideal-em-uma-relacao-saudavel\/","title":{"rendered":"Fingir que est\u00e1 tudo bem e n\u00e3o manifestar ci\u00fame, \u00e9 o ideal em uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel?"},"content":{"rendered":"<p>De um passo lindo em autoconhecimento, uma pitadinha de amor no romance, \u00e0 uma gastrite &#8211; e aqui a met\u00e1fora ou sensa\u00e7\u00e3o de Anitta com seu est\u00f4mago cai como uma luva &#8211; as consequ\u00eancias de um ci\u00fame velado dependem de qu\u00e3o real \u00e9 a desconfian\u00e7a e de forma se lida com o sentimento.<\/p>\n<p>De acordo com psic\u00f3loga Marina Alves, mestre em psicologia da sa\u00fade, guarda muito o ci\u00fame pode ser emocionalmente perigoso. &#8220;A realidade pode ser confundida com sensa\u00e7\u00f5es irracionais. Em seguida, se expande de tal forma que come\u00e7a a criar fantasias. Existe, vamos dizer, 40% de realidade no sentimento de desconfian\u00e7a que tenho do meu parceiro. E existe 60% de fantasia que eu crio numa situa\u00e7\u00e3o de encharcamento emocional&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que a fantasia leve a algo que de fato n\u00e3o exista, segundo Jaroslava Varella Valentova, professora e pesquisadora de Sexualidade Humana do Instituto de Psicologia da USP: &#8220;Em geral, controlar ci\u00fame \u00e9 muito dif\u00edcil. V\u00e1rias pessoas gostariam de controlar ou at\u00e9 n\u00e3o sentir ci\u00fame porque pode atrapalhar a vida delas e dos\/as parceiros\/as, ou at\u00e9 de outras pessoas (rivais).<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios casos o\/a rival n\u00e3o \u00e9 real, mas s\u00f3 imagin\u00e1rio, e isso \u00e9 suficiente para o indiv\u00edduo sentir v\u00e1rias emo\u00e7\u00f5es negativas associadas com ci\u00fame, como medo, humilha\u00e7\u00e3o, raiva, tristeza, etc. Muitas pessoas precisam de ajuda profissional para conseguir lidar com pr\u00f3prio ci\u00fame e \u00e9 um processo demorado e dif\u00edcil&#8221;.<\/p>\n<p>Para entender o que se passa e ent\u00e3o decidir se guarda o ci\u00fame ou n\u00e3o, tentando calcular as consequ\u00eancias, o ideal \u00e9 ir por um caminho concreto. &#8220;Fa\u00e7a um di\u00e1logo consigo primeiro: &#8216;ser\u00e1 que isso \u00e9 verdade?&#8217;, &#8216;o que \u00e9 fato&#8217;, &#8216;ser\u00e1 que n\u00e3o estou extrapolando?&#8217;. Questione-se, organize-se e depois: &#8216;vamos l\u00e1 bater um papo&#8217;. Aten\u00e7\u00e3o e cuidado para n\u00e3o se deixar tomar pelo sentimento, o que faz sair da realidade, e acabar reafirmando uma baixa autoestima com &#8216;eu t\u00f4 errada&#8217;, &#8216;deixei de fazer o que ele queria&#8217;, &#8216;a\/o rival \u00e9 melhor&#8217;. Isso come\u00e7a a ser autopuni\u00e7\u00e3o&#8221;, acredita Marina Alves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gosto de comida estragada<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre mais de uma caminho, mas no caso do ci\u00fame velado, a quest\u00e3o deve ser resolvida antes de se cause danos maiores. &#8220;Faz mal deixar se corroer por muito tempo. \u00c9 como comer uma coisa estragada que te foi fazendo mal, te fazendo mal e enquanto n\u00e3o te der uma diarreia, aquilo vai continuar te fazendo mal. Segurar o ci\u00fame deixa a desconfian\u00e7a presente e ela vai provocando um distanciamento do casal, um olhar meio persecut\u00f3rio&#8221;, diz Marina. &#8220;J\u00e1 se eu explodir posso gerar grande estresse emocional, patol\u00f3gico mesmo, e dificuldade na rela\u00e7\u00e3o, porque ficou muito explosiva, impulsiva.<\/p>\n<p>Os estragos de corros\u00e3o podem acabar te levando ao m\u00e9dico, de acordo com o professor e pesquisador Thiago de Almeida, do Instituto de Psicologia da USP, e autor do livro &#8220;Ci\u00fame e suas consequ\u00eancias para os relacionamentos amorosos&#8221;. Dores de cabe\u00e7a, fraquezas, dermatites, gastrites; o sentimento pode afetar, inclusive, a sa\u00fade mental. &#8220;Esconder emo\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o inerentes ao ser humano, tais como o ci\u00fame permanentemente, \u00e9 promover um desconforto e prejudicar o bem-estar de tal forma a ser capaz de estabelecer as bases de v\u00e1rios transtornos mentais como depress\u00e3o e crises de ansiedade, al\u00e9m de poder nos prejudicar socialmente, profissionalmente, familiarmente e intimamente, provocando, por vezes, s\u00e9rios conflitos em quaisquer um desses settings&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, fazer a Anitta e n\u00e3o demonstrar o ci\u00fame ajuda a manter os p\u00e9s no ch\u00e3o, a cabe\u00e7a focada e o cora\u00e7\u00e3o firme: &#8220;Quando eu trabalho numa \u00e1rea em que posso me questionar em termos de racionalidade \u00e9 positivo. O que eu tenho de realidade, de fato, nessa situa\u00e7\u00e3o? Assim, transformo aquilo em uma coisa mais concreta e vou poder realmente falar: sim, n\u00e3o ou existe uma probabilidade de 20%, por exemplo. Ent\u00e3o \u00e9 hora de assentar e esperar o que est\u00e1 por vir&#8221;, acredita Marina Alves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma pitadinha de amor<\/strong><\/p>\n<p>Nem tudo s\u00e3o trevas, claro. At\u00e9 porque existem v\u00e1rias formas de ci\u00fame e, sim, de acordo com os especialistas, tem um ciuminho bom.<\/p>\n<p>Em geral, o ci\u00fame reativo &#8211; quando se reage a alguma atividade que gera o ci\u00fame, tal como comportamento \u00edntimo do parceiro\/a com outra pessoa &#8211; \u00e9 o mais comum, segundo Jaroslava Valentosa. &#8220;Este tipo \u00e9 o mais esperado e at\u00e9 desejado. Algumas pessoas exigem do parceiro\/a exibir algum tipo de ci\u00fame em algumas situa\u00e7\u00f5es, e consideram tal rea\u00e7\u00e3o como prova de amor. Ent\u00e3o, em alguns casos, o ci\u00fame aberto pode ser saud\u00e1vel, se n\u00e3o for exagerado, claro. Em outros casos, pode ser melhor esconder o ci\u00fame e n\u00e3o reagir de forma exagerada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pode levar a diminui\u00e7\u00e3o de autoestima e ter consequ\u00eancias negativas para a pessoa. Por exemplo, se a pessoa sente ci\u00fame porque o parceiro\/a adicionou o\/a ex no facebook, seria melhor falar e resolver, ao inv\u00e9s de ficar com d\u00favidas por muito tempo, o que pode piorar a qualidade do relacionamento em v\u00e1rios outros n\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p>Dosar o que demonstrar ou n\u00e3o em termos de ci\u00fame pode ser, num outro \u00e2ngulo, uma pitada de amor. Alguns comportamentos podem fazer a pessoa se sentir amada pelo outro; sentir que outro n\u00e3o quer a perda. &#8220;Se ele sai toda noite e eu &#8216;n\u00e3o estou nem a\u00ed&#8217; ou finjo n\u00e3o estar, isso pode provocar um sentimento de desamor, algo como: &#8216;puxa vida, queria que voc\u00ea estivesse aqui comigo&#8217;. Quando se fala sobre, eu posso dar a ele a possibilidade de entender que ele faz falta, e vice e versa. Tem uma gradua\u00e7\u00e3o. Zerar n\u00e3o \u00e9 legal. Numa escala de zero a 10, poder\u00edamos dizer que quatro \u00e9 o saud\u00e1vel para a rela\u00e7\u00e3o&#8221;, acredita Marina Alves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Marcela de Genaro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um passo lindo em autoconhecimento, uma pitadinha de amor no romance, \u00e0 uma gastrite &#8211; e aqui a met\u00e1fora&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":3722,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3720","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3720","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3720"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3720\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3721,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3720\/revisions\/3721"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3720"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3720"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3720"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}