{"id":3807,"date":"2020-09-01T18:46:58","date_gmt":"2020-09-01T20:46:58","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=3807"},"modified":"2023-02-17T11:43:59","modified_gmt":"2023-02-17T13:43:59","slug":"como-cuidar-melhor-de-si-mesmo-e-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/como-cuidar-melhor-de-si-mesmo-e-dos-outros\/","title":{"rendered":"Como cuidar melhor de si mesmo (e dos outros)"},"content":{"rendered":"<p>Para ajudar professores e outros profissionais da Educa\u00e7\u00e3o a atravessarem este per\u00edodo excepcional, NOVA ESCOLA, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal, criou o movimento &#8220;Sa\u00fade Emocional de A a Z&#8221;. No canal de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/revistanovaescola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">NOVA ESCOLA no YouTube<\/a>, voc\u00ea encontra o webinar <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=y8Ho318I040\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8220;Professores na pandemia: quais os cuidados para a sa\u00fade emocional?&#8221;<\/a>, uma conversa que re\u00fane o psicanalista <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9092763119565269\">Christian Dunker,<\/a> a psic\u00f3loga Roberta Federico e os professores Raysner de Paula, da EE Jo\u00e3o Paulo I, em Betim (MG), e Sunaydi de C\u00e1ssia, da Escola de Refer\u00eancia em Ensino M\u00e9dio Frei Orlando, em Itamb\u00e9 (PE). Foram separados os pontos mais importantes dessa jornada e apresentadas algumas dicas pr\u00e1ticas para voc\u00ea se cuidar melhor. Porque cuidar do equil\u00edbrio mental dos professores \u00e9 cuidar tamb\u00e9m da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">O que est\u00e1 acontecendo comigo?<\/h3>\n<p>Por conta da crise sanit\u00e1ria causada pelo coronav\u00edrus, o campo da Educa\u00e7\u00e3o foi amplamente impactado por mudan\u00e7as na maneira de ensinar e de aprender para as quais gestores, professores e alunos n\u00e3o estavam preparados. O psicanalista Christian Dunker comenta que foi necess\u00e1ria uma &#8220;reinven\u00e7\u00e3o do modo de transmitir o saber&#8221;, n\u00e3o uma mera adapta\u00e7\u00e3o, como se tem falado. Ele salienta que a escola \u00e9 um ambiente que sempre lidou com o futuro, com a prepara\u00e7\u00e3o dos estudantes para uma realidade que vir\u00e1, dos planejamentos, e, de repente, nada mais vale. &#8220;Tudo o que est\u00e1 presente no nosso cotidiano escolar \u00e9 ainda mais afetado quando o futuro se torna incerto&#8221;, diz o autor do rec\u00e9m-lan\u00e7ado <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/arte-quarentena-principiantes-Pandemia-Capital-ebook\/dp\/B088GXNMMQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Arte da Quarentena para Principiantes (Pandemia Capital)<\/a><\/em>. &#8220;\u00c9 muito angustiante para um professor estar diante da incerteza, se vamos voltar [<em>\u00e0 escola<\/em>] em setembro ou se vai ser em outubro, se a aula \u00e9 presencial ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Este \u00e9 um contexto extremamente prop\u00edcio para o aumento da ansiedade, que \u00e9 justamente o desejo de ter algum controle do futuro. Na pesquisa &#8220;A Situa\u00e7\u00e3o dos Professores no Brasil Durante a Pandemia&#8221;, realizada por NOVA ESCOLA\u00a0em maio, 30% dos docentes avaliaram sua sa\u00fade mental como ruim ou p\u00e9ssima em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemia, enquanto 27% a definiram como boa e apenas 5% como excelente. Foram ouvidos mais de 8 mil professores. Esses dados s\u00e3o mais um indicador da sa\u00fade emocional dos professores, que tiveram de passar por uma aprendizagem r\u00e1pida de ferramentas digitais, dedica\u00e7\u00e3o quase exclusiva, somadas \u00e0s incertezas e receios que a situa\u00e7\u00e3o em si j\u00e1 imp\u00f5e, tudo isso baseado em um crivo de avalia\u00e7\u00e3o individual que acaba gerando sentimentos de culpa e cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Os professores est\u00e3o, sim, em risco de sofrer com depress\u00e3o, ang\u00fastia e uma s\u00e9rie de outros males na tentativa de dar conta do imposs\u00edvel: fazer com que a escola seja normal no per\u00edodo totalmente anormal que vivemos hoje&#8221;, afirma a psicanalista Vera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar, que oferece tratamento e desenvolve pesquisas na \u00e1rea de bem-estar mental. &#8220;\u00c9 preciso haver uma conversa entre educadores, pais, alunos e institui\u00e7\u00f5es para redu\u00e7\u00e3o de danos ps\u00edquicos de todos os envolvidos na Educa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">\u00c9 normal?<\/h3>\n<p>Dentro de um contexto t\u00e3o desafiador, \u00e9 recorrente escutarmos: &#8220;\u00c9 normal sentir-se assim?&#8221; Mas at\u00e9 que ponto n\u00e3o foi extrapolado o limite do saud\u00e1vel? Christian Dunker afirma que \u00e9 importante estar atento a si mesmo. &#8220;Observar apetite, sono, libido, o aumento na frequ\u00eancia de adoecimentos cr\u00f4nicos \u00e9 essencial neste momento&#8221;, recomenda, para emendar em seguida: &#8220;A gente se alerta. Basta estar atento e perceber os sinais&#8221;.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que doen\u00e7as emocionais dificultam a nossa capacidade de nos escutar e nos abrir para o outro, fazendo com que o nosso foco esteja somente no relat\u00f3rio que precisa ser entregue, no aluno que n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet, no planejamento de aula que precisa ser feito, na dificuldade de gerir o tempo etc. Nesse turbilh\u00e3o de acontecimentos \u00e9 essencial trabalhar a escuta tanto de si mesmo quanto do outro. &#8220;Escutar o que as pessoas pr\u00f3ximas dizem sobre voc\u00ea tamb\u00e9m pode ser um bom term\u00f4metro&#8221;, refor\u00e7a a psic\u00f3loga Roberta Federico, diretora do N\u00facleo de Psicologia Educacional da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Itabora\u00ed (RJ).<\/p>\n<p>Eleger alguns parceiros para funcionar como esse &#8220;term\u00f4metro&#8221; \u00e9 um bom caminho, com conversas honestas que podem tocar em pontos dif\u00edceis e incluir questionamentos, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; Como voc\u00ea est\u00e1 lidando com o isolamento social? Ou\u00e7a o que eles dizem e conte como est\u00e1 sendo para voc\u00ea.<br \/>\n&#8211; O que mais te incomoda? Ao falar de forma aberta, ficar\u00e1 mais claro que \u00e9 uma quest\u00e3o que afeta a todos.<\/p>\n<p>Nesse processo entra o exerc\u00edcio das compet\u00eancias socioemocionais, com aten\u00e7\u00e3o para o autocuidado e cuidado coletivo. &#8220;Ao olhar para dentro de si mesmo e perceber o que est\u00e1 sentindo, voc\u00ea amplia o repert\u00f3rio de emo\u00e7\u00f5es. E ao nomear suas ang\u00fastias, seus medos, a gente impede que eles se tornem maiores e nos paralisem&#8221;, explica a psic\u00f3loga Ana Carolina C. D&#8217;Agostini, mestre em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de Col\u00fambia, nos Estados Unidos. &#8220;\u00c9 importante, neste momento, encorajar as pessoas para que falem desse medo e ouvir os outros. Sempre com compaix\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Esse, ali\u00e1s, \u00e9 um ponto essencial a considerar, ainda mais neste momento. Levar em considera\u00e7\u00e3o o que voc\u00ea sente, mas tamb\u00e9m o que o outro est\u00e1 sentindo, de forma \u00e9tica. Olhando para o pensamento do fil\u00f3sofo franc\u00eas Paul Ricoeur, \u00e9 a busca por uma vida digna, uma vida boa, com e para o outro. &#8220;Quando pensamos no &#8216;com o outro&#8217;, quer dizer que eu preciso estar bem e &#8216;para o outro&#8217; implica que eu preciso pensar em como vou falar com o outro. O jeito que vou falar com ele n\u00e3o \u00e9 jogando tudo em cima dele, mas \u00e9 fazendo com que ele tamb\u00e9m fique bem&#8221;, diz Luciene Tognetta, professora de psicologia escolar da Universidade Estadual Paulista (Unesp). E por vida digna, \u00e9 sustentar os chamados marcos civilizat\u00f3rios, as conquistas contra o racismo e a desigualdade, entre outros. &#8220;O que as pessoas chamam de compaix\u00e3o \u00e9 essa maneira de considerar o que eu sinto, mas tamb\u00e9m o que o outro sente, sustentando esses marcos e construindo esse olhar todos os dias.&#8221;<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">Chega!<\/h3>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o para uma nova linguagem, a aprendizagem do uso de ferramentas digitais, a disponibilidade por meio de redes sociais, o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o integralmente de dentro de casa. Tudo isso tornou mais complexa a cria\u00e7\u00e3o das fronteiras entre a vida pessoal e a profissional. Com um grupo de WhatsApp em que alunos tiram d\u00favidas, como n\u00e3o responder na hora uma mensagem que voc\u00ea viu durante a noite? Situa\u00e7\u00f5es como essa cresceram e t\u00eam se repetido na vida do professor. Mas \u00e9 necess\u00e1rio impor limites, ent\u00e3o valem algumas sugest\u00f5es para seguir melhor com a vida e as aulas:<\/p>\n<p>&#8211; Que tal silenciar o grupo dos alunos no seu hor\u00e1rio de descanso e estabelecer um combinado com eles sobre em qual hor\u00e1rio receber\u00e3o respostas?;<br \/>\n&#8211; Intervalos de 10 a 15 minutos a cada duas horas para levantar e fazer um pequeno alongamento podem ajud\u00e1-lo a arejar a cabe\u00e7a e evitar dores no corpo;<br \/>\n&#8211; Combine consigo mesmo qual ser\u00e1 o seu hor\u00e1rio de trabalho, busque respeit\u00e1-lo;<br \/>\n&#8211; Separar um momento do dia para fazer algo prazeroso, como escutar uma m\u00fasica. Bater papo com amigos tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de autocuidado;<br \/>\n&#8211; Praticar atividades f\u00edsicas, alimentar-se bem e preservar suas horas de sono ajudam na sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar.<\/p>\n<p>Tantas horas em frente \u00e0 tela s\u00e3o prejudiciais \u00e0 nossa sa\u00fade e ainda costumam atrapalhar na gest\u00e3o do tempo, por isso, vale criar momentos de desconex\u00e3o.<\/p>\n<p>O estabelecimento de uma rotina que visa cuidar da sua sa\u00fade f\u00edsica e emocional e n\u00e3o s\u00f3 de dar conta de um punhado de tarefas ser\u00e1 essencial para atravessar este momento que estamos vivendo. &#8220;Al\u00e9m de tudo isso, \u00e9 essencial ter paci\u00eancia para atravessar este per\u00edodo que vai passar, por mais que n\u00e3o vejamos o seu fim&#8221;, diz Roberta Federico.<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">Hora de repensar as autocobran\u00e7as<\/h3>\n<p>A vida mudou. Isso \u00e9 um fato. Ainda que haja a possibilidade de um retorno \u00e0 antiga din\u00e2mica de sala de aula presencial, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever quando acontecer\u00e1. \u00c9 preciso ter isso em mente e n\u00e3o colocar sobre si e os demais uma cobran\u00e7a de desempenho e paridade com o que se tinha anteriormente. \u201cO mais saud\u00e1vel agora \u00e9 dar uma aula on-line e compreender que vai errar v\u00e1rias coisas no manuseio dessa tecnologia. Nada est\u00e1 perfeito e n\u00e3o precisa estar\u201d, diz o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente do Instituto Ame sua Mente e organizador do livro <em>Sa\u00fade Mental na Escola<\/em>\u00a0(Artmed).<\/p>\n<p>O chamado &#8220;novo normal&#8221; \u2014 uma grade de aulas exclusivamente remotas ou atividades entregues em papel na escola \u2014 escancarou a falta de um planejamento para a virada digital. O professor n\u00e3o pode se sentir culpado pela internet ruim ou por ainda n\u00e3o dominar uma nova linguagem. Para tudo, h\u00e1 uma curva de aprendizado. \u201cDevemos acolher nossas pr\u00f3prias vulnerabilidades e considerarmos que, de fato, n\u00e3o est\u00e1vamos prontos para o que estamos enfrentando. Por isso, \u00e9 importante diminuir a exig\u00eancia neste momento\u201d, recomenda Ana Carolina D&#8217;Agostini.<\/p>\n<p>A equipe escolar necessita, portanto, repensar o planejamento de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), priorizar conte\u00fados e decidir o que pode ser ensinado on-line e o que precisa esperar a volta ao presencial. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel manter, neste momento, o mesmo cronograma de aulas e saberes. \u00c9 preciso ser flex\u00edvel e compreender a situa\u00e7\u00e3o como at\u00edpica&#8221;, explica Marilda Lipp, psic\u00f3loga e diretora do Centro Psicol\u00f3gico do Controle do Stress, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Este trabalho exige uma grande parceria entre docentes e gestores. \u201cFa\u00e7a o seu melhor, n\u00e3o sinta culpa, porque n\u00e3o existe um modelo a ser seguido. Prepare-se para o que vier olhando para o hist\u00f3rico de vit\u00f3rias que voc\u00ea j\u00e1 vivenciou\u201d, aconselha Alair de Carvalho das Neves, psic\u00f3loga nas secretarias municipais de Educa\u00e7\u00e3o de Roncador e de Mato Rico, no Paran\u00e1. Para lidar com esse sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, que parece eterno, \u00e9 importante olhar o problema de forma diferente. Algumas dicas:<\/p>\n<p>&#8211; Ter em mente que\u00a0 este \u00e9 um per\u00edodo excepcional e que, portanto, aplicam-se novas regras pode ajud\u00e1-lo a navegar mais tranquilo pelas mudan\u00e7as que vivemos;<br \/>\n&#8211; Calibrar as expectativas \u00e9 essencial! Se continuar comparando o seu trabalho hoje ao que fazia antes da chegada da covid-19, dificilmente conseguir\u00e1 cumpri-las;<br \/>\n&#8211; Compara\u00e7\u00f5es n\u00e3o ajudam. Voc\u00ea hoje e toda a situa\u00e7\u00e3o ao seu entorno s\u00e3o diferentes de antes da pandemia \u2013\u00a0 nem melhor nem pior, mas diferente;<br \/>\n&#8211; Quando se sentir perdido, vale buscar novos olhares sobre a situa\u00e7\u00e3o. Questionar-se pode ajud\u00e1-lo a encontrar um \u00e2ngulo que n\u00e3o foi explorado. Al\u00e9m disso, lembre-se de que crise \u00e9 sin\u00f4nimo de movimento. Que lugar voc\u00ea quer construir a partir da pandemia? Onde voc\u00ea quer estar quando tudo isso passar?;<br \/>\n&#8211; Para o bem e para o mal, podemos aprender muito com a pandemia. Procure refletir sobre quais s\u00e3o ao escrever num di\u00e1rio, criar seu pr\u00f3prio vlog ou numa roda de conversa com amigos e colegas. Ao materializar a experi\u00eancia, fica mais f\u00e1cil entender e lidar com os sentimentos.<\/p>\n<p>Este momento tamb\u00e9m \u00e9 perfeito para uma reflex\u00e3o. Muitos professores t\u00eam se queixado de que &#8220;o ano est\u00e1 perdido&#8221;, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. &#8220;Eu ou\u00e7o professores dizerem &#8216;eu n\u00e3o consegui ensinar nada, meus alunos n\u00e3o aprenderam nada&#8217;. N\u00e3o \u00e9 verdade! N\u00f3s aprendemos outras coisas, talvez n\u00e3o o que estava no plano do professor&#8221;, reflete Luciene Tognetta. Segundo ela, todos n\u00f3s aprendemos, de sa\u00edda, a dar conta de v\u00e1rias demandas ao mesmo tempo. Mas h\u00e1 ganhos humanos. &#8220;N\u00f3s aprendemos muito sobre como conviver, suportar o outro, e essas s\u00e3o aprendizagens extremamente necess\u00e1rias. \u00c9 uma aprendizagem enorme de compet\u00eancias que precisamos formar para este novo momento.&#8221;<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">N\u00e3o estou sozinha(o)<\/h3>\n<p>Todos est\u00e3o passando por dificuldades neste per\u00edodo de pandemia. Professores, gestores e fam\u00edlias tentam lidar com este cen\u00e1rio e com as sensa\u00e7\u00f5es que ele nos imp\u00f5e da melhor maneira. Mas a verdade \u00e9 que ningu\u00e9m precisa nem deve passar por isso sozinho. Compartilhar os desafios e encontrar solu\u00e7\u00f5es coletivamente ajuda a criar empatia pelos colegas e dividir as responsabilidades, diminuindo a carga emocional individual. \u201cEsse \u00e9 o efeito do grupo, a identifica\u00e7\u00e3o do que h\u00e1 em comum e do que pode ser constru\u00eddo junto. Quando as dificuldades s\u00e3o colocadas, \u00e9 poss\u00edvel pensar em sa\u00eddas e estrat\u00e9gias coletivas\u201d, explica Lu\u00edsa Meirelles de Souza Modesto, psic\u00f3loga escolar, especialista em Teoria da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica e mestranda em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Nessa din\u00e2mica, todos s\u00e3o convidados a reconhecer as similaridades e trabalharem juntos para acolher uns aos outros e encontrar solu\u00e7\u00f5es. Isso pode acontecer por meio de um grupo de WhatsApp ou um encontro virtual, por exemplo.<\/p>\n<p>Ainda mais em tempos de distanciamento social, poder contar uns com os outros amplia os la\u00e7os do que nos torna mais emp\u00e1ticos. &#8220;A colabora\u00e7\u00e3o e a ajuda rec\u00edprocas fortalecem as rela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais, auxiliam a construir e manter la\u00e7os sociais, valorizam a circula\u00e7\u00e3o da palavra e amenizam os sentimentos de solid\u00e3o, de desamparo e de impot\u00eancia em face das incertezas&#8221;, confirma Sandra Francesca Conte de Almeida, psicanalista e doutora em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o (Psicologia).<\/p>\n<p>Outras possibilidades s\u00e3o criar projetos de mentorias e orienta\u00e7\u00e3o em que profissionais mais experientes atuam em parceria com os docentes com menos experi\u00eancia. Fortalecer a gest\u00e3o democr\u00e1tica e a escuta ativa de toda a comunidade escolar tamb\u00e9m colabora para a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa mais saud\u00e1vel para que seja realizada coletivamente. \u00c9 poss\u00edvel, ainda, acionar o N\u00facleo de Apoio \u00e0 Sa\u00fade da Fam\u00edlia (NASF) ou o Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) da sua cidade e verificar se h\u00e1 um profissional dispon\u00edvel para participar de uma reuni\u00e3o on-line com a equipe, por exemplo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que n\u00e3o h\u00e1 vergonha em procurar ajuda profissional quando ela se faz necess\u00e1ria. &#8220;A gente lida com muito preconceito. \u00c9 essencial entender que procurar um psic\u00f3logo \u00e9 t\u00e3o importante quanto buscar um cardiologista, por exemplo&#8221;, explica Roberta Federico. Faculdades de Psicologia e o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) costumam oferecer servi\u00e7o de apoio psicol\u00f3gico e s\u00e3o uma boa op\u00e7\u00e3o para este momento. <b>Essencial \u00e9 n\u00e3o ficar sozinho<\/b>. Encontrar um ambiente seguro em que voc\u00ea possa desabafar e ser acolhido ajuda a elaborar melhor o que est\u00e1 sentindo, identificando as situa\u00e7\u00f5es que trazem essas sensa\u00e7\u00f5es e criando estrat\u00e9gias para lidar com elas.<\/p>\n<h3 class=\"templates-ne-intertitulo-h3\">Reflex\u00f5es fundamentais para este momento<\/h3>\n<p>Separamos alguns ensinamentos essenciais para passar por este momento da maneira mais saud\u00e1vel poss\u00edvel.<br \/>\n<b><\/b><\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 importante acolher esses sentimentos considerados ruins, como des\u00e2nimo, frustra\u00e7\u00e3o ou tristeza, mas n\u00e3o aliment\u00e1-los.\u201d<\/strong><br \/>\nD\u00e9bora Bicudo Faria Sch\u00fctzer, doutora em Ci\u00eancias da Sa\u00fade pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/p>\n<p><strong>&#8220;A mudan\u00e7a de linguagem muda tudo pro bem e pro mal. Por isso \u00e9 importante reduzir a expectativa e a idealiza\u00e7\u00e3o, entendendo que nada ser\u00e1 como era.&#8221;<\/strong><br \/>\nChristian Dunker, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e autor de <em>Mal-Estar, Sofrimento e Sintoma.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8220;Temos vivido m\u00faltiplos processos de luto, seja por pessoas, seja pela din\u00e2mica de vida que t\u00ednhamos. \u00c9 importante dar um sentido para isso e assim conseguir elaborar e serenar o cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/strong><br \/>\nRoberta Federico, psic\u00f3loga e diretora do N\u00facleo de Psicologia Educacional da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Itabora\u00ed<\/p>\n<p><strong>&#8220;\u00c9 importante tecer redes de apoio para nos amparar pessoalmente e tamb\u00e9m buscar parceiros, pessoas, amigos, parentes e na rede social meios de elaborar e digerir esses desafios.&#8221;<\/strong><br \/>\nGl\u00e1ucia Tavares, psic\u00f3loga cl\u00ednica<\/p>\n<p><strong>&#8220;Temos muita li\u00e7\u00e3o para tirar deste momento e podemos incluir as crian\u00e7as nessa reflex\u00e3o. A pandemia nos obrigou a exercitar uma s\u00e9rie de compet\u00eancias sociais e reflex\u00f5es sobre cidadania e sociedade que n\u00e3o podem ser desperdi\u00e7adas.&#8221;<\/strong><br \/>\nVera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar e autora do livro <em>Criar Filhos no S\u00e9culo XXI<\/em>, <a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/19382\/nao-temos-de-dar-conta-de-tudo-porque-algumas-coisas-nao-sao-para-se-dar-conta-mesmo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista a NOVA ESCOLA<\/a><\/p>\n<p><strong>&#8220;As pessoas que n\u00e3o fazem a olhada para dentro n\u00e3o refletem e n\u00e3o veem a pr\u00f3pria imagem, porque essa imagem pode te desagradar, e quando te desagrada, voc\u00ea tem de tomar uma decis\u00e3o. (&#8230;) O autoconhecimento favorece para que as decis\u00f5es e a vida no seu sentido por cada um e cada uma constru\u00eddos perca a no\u00e7\u00e3o superficial, banal.&#8221;<\/strong><br \/>\nMario Sergio Cortella, fil\u00f3sofo e doutor em Educa\u00e7\u00e3o, autor de <em>Viver, a que se destina<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hrC3IF9N5fs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista \u00e0 CNN<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Anna Rachel Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ajudar professores e outros profissionais da Educa\u00e7\u00e3o a atravessarem este per\u00edodo excepcional, NOVA ESCOLA, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":3808,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3807","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3807"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4864,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807\/revisions\/4864"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}