{"id":4121,"date":"2021-04-30T20:38:27","date_gmt":"2021-04-30T22:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=4121"},"modified":"2023-02-16T12:55:03","modified_gmt":"2023-02-16T14:55:03","slug":"sete-em-cada-dez-brasileiros-conhecem-alguem-que-morreu-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/sete-em-cada-dez-brasileiros-conhecem-alguem-que-morreu-de-covid-19\/","title":{"rendered":"Sete em cada dez brasileiros conhecem algu\u00e9m que morreu de Covid-19"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4121\" class=\"elementor elementor-4121\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b21fdb9 elementor-section-full_width elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b21fdb9\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3db0dc7\" data-id=\"3db0dc7\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ccc3228 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ccc3228\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>O Brasil\u00a0<a title=\"ultrapassou\" href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/2021\/04\/29\/brasil-ultrapassa-400-mil-mortes-por-covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ultrapassou<\/a>\u00a0nesta quarta-feira (29) a marca de\u00a0<strong>400 mil mortos por Covid-19<\/strong>. A sensa\u00e7\u00e3o de que a morte invadiu nossas vidas, nossas casas e parece beliscar nossos calcanhares \u00e9 palp\u00e1vel \u2013 e real. Se em 2020, para uma parte da popula\u00e7\u00e3o a pandemia parecia concentrada em bairros da periferia ou em uma faixa et\u00e1ria mais alta, ap\u00f3s termos cruzado a barreira de mais de 3 mil falecimentos di\u00e1rios a percep\u00e7\u00e3o de que a morte nos espreita se intensificou.\u00a0<\/p><p>Um pai, uma m\u00e3e, um parente, amigo, vizinho ou conhecido. Sogro da sua prima. Amiga de sua av\u00f3. Filho. Ex-colega de classe ou de trabalho. Marido. A chance de voc\u00ea conhecer algu\u00e9m que morreu de Covid-19 \u00e9 alta. Exatamente\u00a0<strong>67,97%<\/strong>, considerando a popula\u00e7\u00e3o do Brasil (211 milh\u00f5es de habitantes) e que cada indiv\u00edduo conhe\u00e7a em m\u00e9dia 600 pessoas.\u00a0<\/p><p>Ou seja,\u00a0<strong>sete em cada dez brasileiros sabem de alguma v\u00edtima fatal da Covid<\/strong>\u00a0em seu c\u00edrculo de relacionamentos. O n\u00famero \u00e9 maior ainda \u2013 77% \u2013 se levarmos em conta apenas a popula\u00e7\u00e3o adulta, os brasileiros maiores de 18 anos \u00a0(163,981 milh\u00f5es, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, IBGE).<\/p><p>Foi a esse n\u00famero que chegaram Ricardo Takahashi, professor titular do Departamento de Matem\u00e1tica da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador da \u00e1rea de epidemiologia matem\u00e1tica; Leandro Russovski Tessler, f\u00edsico e professor da Universidade Estadual de Campinas; Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede de An\u00e1lise Covid-19; e R\u00e9gis Var\u00e3o, professor doutor do Instituto de Matem\u00e1tica, Estat\u00edstica e Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Unicamp.<\/p><p>A pedido da\u00a0<strong>CNN<\/strong>, esses cientistas calcularam qual a probabilidade de cada brasileiro conhecer uma v\u00edtima da pandemia. Para que o c\u00e1lculo fosse poss\u00edvel, foi necess\u00e1rio estipular quantas pessoas o brasileiro conhece. O problema \u00e9 que n\u00e3o existem estudos que mapeiem isso nacionalmente. Por isso, levamos em conta uma estimativa feita pela especialista em estat\u00edstica, Tian Zheng, da Universidade de Col\u00fambia, nos EUA. Segundo ela, cada americano tem, em m\u00e9dia, 600 conhecidos \u2013 e a\u00ed entram n\u00e3o apenas amigos e familiares, mas colegas de trabalho, vizinhos, pessoas que voc\u00ea conhece, mas de quem talvez n\u00e3o lembre o nome.\u00a0<\/p><p>\u201cPode at\u00e9 ser que o brasileiro conhe\u00e7a mais que 600 pessoas. Mas muita gente vai dizer que conhece bem menos e outros, bem mais\u201d, pondera o f\u00edsico Leandro Tessler &#8211; afinal, trata-se de uma m\u00e9dia.\u00a0<\/p><p>Assim, levamos em conta tamb\u00e9m outro n\u00famero: 150. Conhecido como \u201cn\u00famero de Dunbar\u201d, ele foi estipulado, na d\u00e9cada de 1990, pelo antrop\u00f3logo ingl\u00eas Robin Dunbar, da Universidade de Oxford. Dunbar calculou que o ser humano (independentemente de sua nacionalidade) tem capacidade de manter uma rede de amizades composta, em m\u00e9dia, por 150 pessoas. Nesse seleto conjunto est\u00e3o seus amigos (os distantes e os mais chegados, pessoas que voc\u00ea sabe o nome e que, provavelmente, est\u00e3o em sua lista de contatos no celular). E toda sua fam\u00edlia. Algumas pesquisas mostraram que, no Brasil, os parentes s\u00e3o pouco mais de 50% dos la\u00e7os de amizade &#8211; talvez porque as fam\u00edlias sejam grandes.\u00a0<\/p><p>Estatisticamente, quando o c\u00edrculo de relacionamento fica mais estreito, a chance de se conhecer uma pessoa morta pela Covid \u00e9 menor, por\u00e9m ainda bem significativa: 24,77%. Ou seja, um em cada quatro brasileiros tiveram uma perda pr\u00f3xima provocada pela pandemia. Uma perda mais dolorosa.\u00a0<\/p><p>Mas, conforme alerta o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, no ritmo em que a pandemia cresce em todo o pa\u00eds, esses percentuais ganham mais corpo. \u201cO n\u00famero tende a ser cada vez mais verdadeiro. A chance de voc\u00ea conhecer algu\u00e9m morto pela doen\u00e7a aumenta todo dia.\u201d<\/p><p>Claro que isso varia tamb\u00e9m conforme a idade, a regi\u00e3o, a classe social, a profiss\u00e3o da pessoa, diz o professor Takahashi. \u201cUma pessoa em S\u00e3o Paulo ou em Manaus vai ter mais v\u00edtimas conhecidas que algu\u00e9m que trabalha isolado, no campo, em Goi\u00e1s\u201d, explica.\u00a0<\/p><h2><strong>Anestesia ou empatia\u00a0<\/strong><\/h2><p>Mas por que precisamos chegar a esse ponto extremo para vislumbrar alguma mudan\u00e7a? \u201c\u00c9 dif\u00edcil saber. E tamb\u00e9m \u00e9 dific\u00edlimo estimar o que esse trauma todo, esse luto vai provocar na sociedade\u201d, afirma Fl\u00e1via. O certo, de acordo com ela, \u00e9 que haver\u00e1 consequ\u00eancias sociais. Mesmo que muita gente ainda n\u00e3o tenha sentido esse sofrimento, a dor de quem teve essa proximidade com a perda \u00e9 forte e n\u00e3o vai se diluir. Nem na sociedade, nem no indiv\u00edduo.\u00a0<\/p><p>A rea\u00e7\u00e3o a esse momento t\u00e3o grave, obviamente, n\u00e3o \u00e9 un\u00edssona. Para Vera Paiva, professora titular no Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP, h\u00e1 pessoas e grupos que, profundamente sensibilizados pela dor do pr\u00f3ximo, se mobilizam e agem para oferecer conforto e apoio. \u201cGosto de pensar que a maior parte dos brasileiros \u00e9 pela vida, pela solidariedade. Foram essas pessoas, por exemplo, que pressionaram e conseguiram colocar o direito \u00e0 vida na Constitui\u00e7\u00e3o, s\u00f3 para citar um grande exemplo.\u201d<\/p><p>J\u00e1 uma outra parcela da sociedade est\u00e1 dessensibilizada, contaminada com o que ela chama de \u201ccultura da morte\u201d. \u201c\u00c9 a cultura que existe desde os tempos do escravagismo, da ditadura e que vem ganhando for\u00e7a em alguns setores nos \u00faltimos anos, com a banaliza\u00e7\u00e3o da morte provocada pela viol\u00eancia urbana ou, recentemente, pelo v\u00edrus\u201d, diz a especialista.<\/p><p>S\u00e3o pessoas que, segundo ela, gostam de se colocar no lugar de Deus para decidir quem vive e quem morre: se quem morre s\u00e3o os velhos, os fracos, os pobres, os negros, tudo bem. Para esse grupo, banalizar a morte e menosprezar os direitos humanos \u00e9 a regra. \u00c9 um comportamento social bem mais grave e t\u00f3xico que o negacionismo, ela diz.\u00a0<\/p><p>Negar o problema \u00e9 a forma mais leve e irrespons\u00e1vel de lidar com a perda. Por um tempo, a nega\u00e7\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel e normal. Mas quando se torna um modo de vida, \u00e9 patol\u00f3gico e arriscado. Ainda mais numa pandemia. \u201cAo negar a realidade, a pessoa n\u00e3o sente a necessidade de se responsabilizar\u201d, diz \u00a0o psic\u00f3logo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0409719346915707\">Alexandre Coimbra Amaral<\/a>, mestre em \u00a0psicologia cl\u00ednica pela Pontificia Universidad Cat\u00f3lica de Chile.\u00a0<\/p><p>Leia a mat\u00e9ria completa em: <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/2021\/04\/29\/sete-em-cada-dez-brasileiros-conhecem-alguem-que-morreu-de-covid-19\">https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/2021\/04\/29\/sete-em-cada-dez-brasileiros-conhecem-alguem-que-morreu-de-covid-19<\/a><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas fizeram levantamento e apontam que, estatisticamente, ainda \u00e9 poss\u00edvel afirmar que quase 25% dos brasileiros perderam algu\u00e9m pr\u00f3ximo. Entre eles, a professora Vera Paiva, do IPUSP. <\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":4122,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[427,428],"tags":[429],"class_list":["post-4121","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-covid-19","category-ip-na-midia","tag-painel-o-ipusp-e-a-covid-19"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4121"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4839,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4121\/revisions\/4839"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}