{"id":428,"date":"2015-04-30T17:00:38","date_gmt":"2015-04-30T19:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=428"},"modified":"2020-09-08T13:22:47","modified_gmt":"2020-09-08T15:22:47","slug":"fundamental-mesmo-e-pre-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/fundamental-mesmo-e-pre-escola\/","title":{"rendered":"Fundamental mesmo \u00e9 a pr\u00e9-escola"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"428\" class=\"elementor elementor-428\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-65131e14 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"65131e14\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-46d7cde3\" data-id=\"46d7cde3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4720fe03 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4720fe03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><strong><em>Pesquisas refor\u00e7am a import\u00e2ncia das consci\u00eancias\u00a0fonol\u00f3gica e morfol\u00f3gica e da aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio\u00a0desde os primeiros anos para uma alfabetiza\u00e7\u00e3o bem-sucedida<\/em><\/strong><\/p><p>O\u00a0ingresso cada vez mais precoce da crian\u00e7a na escola \u00e9 uma tend\u00eancia nacional, que se reflete nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Em 2005, com a aprova\u00e7\u00e3o do Ensino fundamental de nove anos, a crian\u00e7a passa a ingressar aos seis e n\u00e3o mais aos sete anos nessa\u00a0etapa da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 2013, obriga\u00a0a matr\u00edcula na escola e a gratuidade do ensino a partir dos quatro anos de idade, e estados e munic\u00edpios t\u00eam at\u00e9 2016 para se adaptarem. Al\u00e9m da crescente participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, uma sociedade cada vez mais complexa e exigente est\u00e1 por tr\u00e1s dessa propens\u00e3o.<\/p><p>Para se participar efetivament<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-429\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183-240x300.jpg 240w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183-768x962.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183-818x1024.jpg 818w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/aDSC_0183-400x501.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>e de tal\u00a0\u00a0sociedade \u2013 n\u00e3o apenas de quest\u00f5es profissionais e atividades di\u00e1rias, mas mesmo de lazer e de relacionamentos pessoais \u2013 o dom\u00ednio da linguagem escrita \u00e9 um dos quesitos essenciais. Pesquisas na \u00e1rea da Psicologia Cognitiva, dentre elas as do Instituto de Psicologia da USP (IPUSP), v\u00eam atestando duas capacidades indispens\u00e1veis para se ler e escrever habilmente: a compreens\u00e3o da fala e o reconhecimento de palavras escritas. O desenvolvimento da linguagem oral ocorre naturalmente, podendo no entanto ser estimulado e incrementado de v\u00e1rias formas desde os primeiros anos, em casa e na escola. J\u00e1 o reconhecimento da escrita envolve necessariamente instru\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas a respeito dos sons que constituem a l\u00edngua (consci\u00eancia fonol\u00f3gica) bem como da correspond\u00eancia de cada som (fonema) com sua respectiva letra (grafema).<\/p><p>Uma quest\u00e3o que costuma ser levantada \u00e9 a de em que medida um aluno t\u00e3o novo e rec\u00e9m-chegado ao ensino formal estaria preparado para esse tipo de conhecimento. Em seu livro\u00a0<em>A arte de ler<\/em>, Jos\u00e9 Morais, psicolinguista e professor em\u00e9rito da Universidade Livre de Bruxelas e que esteve em visita ao IPUSP, afirma que \u201cdo ponto de vista estritamente cognitivo, a maioria das crian\u00e7as pode aprender a ler por volta dos quatro anos, ou mesmo desde os tr\u00eas anos.\u201d Entretanto, o pr\u00f3prio autor reconhece a necessidade de se considerar outros fatores e pontua que o fato de uma crian\u00e7a ser alfabetizada precocemente n\u00e3o determina a efic\u00e1cia de sua leitura. Ele mesmo \u00e9 contr\u00e1rio ao adiantamento da leitura e da escrita para a pr\u00e9-escola,\u00a0pois acredita que isso alimentaria as desigualdades socioculturais j\u00e1 existentes.<\/p><p>Se por um lado o papel da educa\u00e7\u00e3o infantil n\u00e3o \u00e9 o de antecipar o conte\u00fado voltado para a alfabetiza\u00e7\u00e3o do primeiro ano do ensino fundamental, por outro, todos os pesquisadores entrevistados concordam que deve haver, j\u00e1 nesta fase, propostas pedag\u00f3gicas focadas em aspectos pr\u00f3prios da linguagem. No livro\u00a0<em>Alfabetiza\u00e7\u00e3o: m\u00e9todo f\u00f4nico<\/em>, os autores Alessandra Seabra e Fernando Capovilla &#8211; este \u00faltimo professor do IPUSP, explicam que a linguagem escrita \u00e9 uma habilidade muito espec\u00edfica da intelig\u00eancia humana e que, assim sendo, pode e deve ser desenvolvida por meio de ensino tamb\u00e9m espec\u00edfico. Isso significa que, ainda de acordo com os autores, apenas o desenvolvimento de \u201chabilidades cognitivas gerais e b\u00e1sicas na educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d n\u00e3o prepara a crian\u00e7a para a alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p><h6><strong>Falar melhor hoje,\u00a0ler melhor amanh\u00e3<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-430\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria-300x185.png\" alt=\"\" width=\"538\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria-300x185.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria-768x474.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria-400x247.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/vitoria.png 798w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><\/a><\/strong><\/h6><p>Mas, ent\u00e3o, o que afinal deve ser trabalhado no ensino infantil? No que diz respeito \u00e0 capacidade de compreens\u00e3o da fala, estudos comprovam que h\u00e1 forte rela\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio (tamb\u00e9m chamado de l\u00e9xico) oral da crian\u00e7a com a sua futura aprendizagem de leitura e escrita. \u201cAs pesquisas j\u00e1 mostraram que o vocabul\u00e1rio expressivo [o n\u00famero de palavras faladas] aos dois anos \u00e9 preditor de sucesso, ou n\u00e3o, na alfabetiza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a professora aposentada, pedagoga e pesquisadora Miriam Damazio, que por 28 anos lecionou para o primeiro ano do ensino fundamental em escola p\u00fablica. Em seu mestrado no IPUSP, Miriam normatizou (padronizou cientificamente) tr\u00eas testes de vocabul\u00e1rio voltados para crian\u00e7as entre um ano e meio e seis anos de idade. A pesquisadora avaliou 906 alunos de escolas p\u00fablicas e privadas da grande S\u00e3o Paulo, nessa faixa et\u00e1ria.<\/p><p>Para se compreender essa rela\u00e7\u00e3o das palavras faladas que uma crian\u00e7a pequena\u00a0\u00a0(at\u00e9 os cinco anos) conhece e sua futura alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso entender como se d\u00e1 a aprendizagem de uma escrita alfab\u00e9tica. Desde sua inven\u00e7\u00e3o pelos fen\u00edcios e aperfei\u00e7oamento pelos gregos, qualquer c\u00f3digo que seja alfab\u00e9tico (como \u00e9 o caso do portugu\u00eas) segue um mesmo princ\u00edpio: fazer a correspond\u00eancia de um determinado fonema de uma l\u00edngua com uma forma gr\u00e1fica espec\u00edfica, o grafema. \u201cA escrita \u00e9 um sistema de representa\u00e7\u00e3o de segunda ordem\u201d, afirma a Profa. Dra. do IPUSP Fraulein de Paula. Isso significa que, diferentemente de um\u00a0\u00a0desenho, n\u00e3o existe, a princ\u00edpio, rela\u00e7\u00e3o direta entre uma letra ou um conjunto de letras e um objeto, a\u00e7\u00e3o ou conceito quaisquer. Assim, no in\u00edcio da alfabetiza\u00e7\u00e3o, deve-se enfatizar o ensino dessa correspond\u00eancia som-letra (fonema-grafema) para que a crian\u00e7a aprenda tanto a passar os sons da l\u00edngua para suas respectivas letras (escrita ou codifica\u00e7\u00e3o), quanto o contr\u00e1rio, relacionar as letras com seus respectivos sons (leitura ou decodifica\u00e7\u00e3o). Uma vez capaz de codificar e decodificar os sons de sua l\u00edngua, o alfabetizando conseguir\u00e1 ler e escrever sequ\u00eancias regulares \u2012 cada letra correspondendo a um \u00fanico som. Tais sequ\u00eancias podem ser tanto palavras (que apresentam significado na l\u00edngua) quanto pseudopalavras (sequ\u00eancias pronunci\u00e1veis mas sem significado, por exemplo \u201cfelabo\u201d). Nesta fase inicial, a compreens\u00e3o da leitura depender\u00e1 basicamente do vocabul\u00e1rio oral adquirido at\u00e9 ent\u00e3o. \u201cQuanto mais coisas a crian\u00e7a souber nomear, mais f\u00e1cil ela vai desenvolver a capacidade de fazer o link entre aquela express\u00e3o oral e a sua representa\u00e7\u00e3o escrita e ligar com o significado tamb\u00e9m\u201d, afirma Fraulein.<\/p><p>Deste modo, uma crian\u00e7a com vocabul\u00e1rio pobre pode ter dificuldades na alfabetiza\u00e7\u00e3o porque depois de \u2018traduzir\u2019 aquelas letras em sons, ela ignora o seu sentido, havendo ainda a tarefa de aprender o significado n\u00e3o de algumas, mas de muitas palavras.<\/p><p>Miriam comenta sobre o entusiasmo de seus alunos quando l\u00eaem pela primeira vez uma palavra e percebem que aquela sequ\u00eancia de letras tem um significado: \u201cMuito bem, agora n\u00f3s vamos ler de novo ligando os sons\u2026 At\u00e9 que\u00a0de repente voc\u00ea escuta um\u00a0 \u201cAh! \u00c9 \u2018fofo\u2019! Est\u00e1 escrito \u2018fofo\u2019!\u201d Nesse sentido, o fato do aprendiz conseguir identificar na escrita uma s\u00e9rie de palavras que ele j\u00e1 conhece na fala \u00e9 uma grande motiva\u00e7\u00e3o para que ele queira ler e escrever cada vez mais. Posteriormente, ser\u00e1 por meio da pr\u00f3pria leitura que o aluno enriquecer\u00e1 seu l\u00e9xico. \u201cQuando a crian\u00e7a aprender a ler, seu vocabul\u00e1rio dar\u00e1 um salto\u201d, afirma Fraulein.<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-431\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1-80x60.jpg 80w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1-400x300.jpg 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Especial_Julia-Migot_Foto-1.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><\/a><\/p><p>Dentre as maneiras de enriquecer o l\u00e9xico desde os primeiros anos, o h\u00e1bito da ouvir hist\u00f3rias, lidas por um adulto para as crian\u00e7as, \u00e9 um dos mais recomendados e com muitas pesquisas demonstrando sua efic\u00e1cia para a alfabetiza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o professor Jos\u00e9 Morais esclarece em sua obra\u00a0<em>A arte de ler<\/em>\u00a0que, ao ouvir a leitura de um texto ou hist\u00f3ria a crian\u00e7a entra em contato com v\u00e1rias particularidades da linguagem escrita que n\u00e3o est\u00e3o presentes na conversa comum ou mesmo na conta\u00e7\u00e3o oral de hist\u00f3rias, sem o apoio de um texto escrito.<\/p><p>Segundo Miriam Damazio, \u201ctem-se a falsa ideia de que o simples contato com\u00a0\u00a0o livro j\u00e1 vai transformar a crian\u00e7a em uma leitora\u201d. A pesquisadora afirma que \u201c\u00e9 preciso que a crian\u00e7a ou\u00e7a a mesma hist\u00f3ria v\u00e1rias vezes e depois seja encorajada a contar o que ouviu\u201d, pois, desta forma, estimula-se o ganho tanto de vocabul\u00e1rio receptivo quanto de expressivo. \u201cO vocabul\u00e1rio receptivo \u00e9 aquele que se desenvolve desde que a crian\u00e7a nasce, ouvindo as pessoas ao seu redor\u201d, explica Miriam, que continua: \u201cJ\u00e1 o vocabul\u00e1rio expressivo diz respeito ao que a crian\u00e7a realmente fala\u201d. A\u00a0pesquisadora tamb\u00e9m ressalta que o vocabul\u00e1rio receptivo \u00e9 cerca de quatro vezes maior que o expressivo, o que mostra que a crian\u00e7a compreende muito mais do que consegue falar.<\/p><p>Outro mo<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ler-nomear-conversar2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-432\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ler-nomear-conversar2.png\" alt=\"\" width=\"130\" height=\"141\" \/><\/a>do de a crian\u00e7a conhecer novas palavras \u00e9 por meio da nomea\u00e7\u00e3o. Pais, professores e cuidadores, sempre que poss\u00edvel, podem mostrar algo, conhecido ou desconhecido da crian\u00e7a, ao mesmo tempo em que lhe dizem o respectivo nome. Pode ser o objeto em si ou por meio de uma imagem que o represente, como as frequentes ilustra\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios livros infantis, ou ainda fotos, pinturas, desenhos, esculturas, v\u00eddeos, etc. Os adultos podem colocar o objeto nomeado dentro de um contexto, elaborando uma verdadeira conversa com a crian\u00e7a, desde muito nova. \u201cAos oito meses um beb\u00ea j\u00e1 \u00e9 capaz de compreender os sons da fala\u201d, informa Miriam.<\/p><p>Fraulein explica que a crian\u00e7a nasce em um ambiente que necessariamente j\u00e1\u00a0\u00e9 lingu\u00edstico, uma vez que toda cultura humana tem\u00a0 uma l\u00edngua. \u201cDesde muito cedo o beb\u00ea aprende a reconhecer, a discriminar o som de uma voz humana de qualquer outro som que exista\u201d, afirma Fraulein, acrescentando que \u201c\u00e0 medida que a crian\u00e7a vai se desenvolvendo, ouvindo as pessoas falarem, ela se especializa nos sons da l\u00edngua que ela ouve\u201d. Al\u00e9m disso, ainda segundo a docente, a imagem que mais atrai um beb\u00ea desde rec\u00e9m-nascido \u00e9 a figura do rosto humano. Isso \u00e9 importante porque a l\u00edngua falada n\u00e3o envolve apenas os sons, mas tamb\u00e9m as express\u00f5es faciais e corporais. Assim, uma maneira de estimular o desenvolvimento da linguagem dos pequenos \u00e9 que os adultos ao seu redor conversem diretamente\u00a0 (cara a cara) com eles.<\/p><p>Outro aspecto que pode contribuir para a aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio \u00e9 a crian\u00e7a perceber que na forma\u00e7\u00e3o de uma palavra pode existir sequ\u00eancias menores de sons que aparecem em outras palavras mantendo o mesmo significado. Essas sequ\u00eancias s\u00e3o chamadas de morfemas e se dar conta delas \u00e9 conhecido como consci\u00eancia morfol\u00f3gica.<\/p><h6><strong>A\u00a0menor unidade de significado<\/strong><\/h6><p>\u201c\u2014 Mam\u00e3e, quer me passar o mexedor?<\/p><p>\u2014 Mexedor? Que \u00e9 isso?<\/p><p>\u2014 Mexedorzinho, de mexer caf\u00e9.<\/p><p>\u2014 Ah\u2026 colherinha, voc\u00ea quer dizer.\u201d<\/p><p>O di\u00e1logo acima, retirado da obra infanto-juvenil\u00a0<em>Marcelo, marmelo, martelo<\/em>, de Ruth Rocha, ilustra o conceito de consci\u00eancia morfol\u00f3gica (a no\u00e7\u00e3o de como as palavras s\u00e3o formadas).<\/p><p>O livro conta a hist\u00f3ria de um menino que come\u00e7a a questionar a raz\u00e3o de as coisas terem os nomes que t\u00eam. Marcelo passa ent\u00e3o a criar novos nomes (neologismos) que ele considera mais apropriados para determinados objetos. Para ele, faria mais sentido, por exemplo, que o utens\u00edlio usado para mexer caf\u00e9 se chamasse \u2018mexedor\u2019 ao inv\u00e9s de \u2018colher\u2019. Marcelo forma a palavra \u2018mexedor\u2019 partindo do verbo \u2018mexer\u2019 e acrescentando o sufixo \u2018-or\u2019, que em muitas palavras do portugu\u00eas possuem\u00a0\u00a0o mesmo significado de agente da a\u00e7\u00e3o indicada pelo verbo que o precede. Assim, \u2018mexedor\u2019 tem o sentido de \u2018aquilo ou aquele que mexe ou que serve para mexer\u2019.<\/p><p>A psic\u00f3loga e pesquisadora J\u00falia Migotconstatou em seu mestrado no IPUSP que essa manipula\u00e7\u00e3o da palavra feita pelo personagem Marcelo j\u00e1 \u00e9 realizada pelas crian\u00e7as antes de receberem instru\u00e7\u00e3o formal a respeito. J\u00falia analisou 64 crian\u00e7as, de 5 a 8 anos, entre o\u00a0\u00a0\u00faltimo ano do ensino infantil e os dois primeiros anos do fundamental, na execu\u00e7\u00e3o de tarefas que iam desde estrat\u00e9gias para defini\u00e7\u00e3o de palavras afixadas (compostas por mais de um morfema, por exemplo \u201cjardineiro\u201d) at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de novas palavras (neologismos). Os resultados indicaram\u00a0\u00a0n\u00e3o apenas o uso da morfologia pelos participantes para a resolu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios propostos, como uma rela\u00e7\u00e3o entre consci\u00eancia morfol\u00f3gica e aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio.<\/p><p>Segundo J\u00falia, \u201ctanto as no\u00e7\u00f5es de morfologia contribuem\u00a0\u00a0para a aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio, quanto um maior vocabul\u00e1rio aumenta a consci\u00eancia morfol\u00f3gica\u201d. Isso p\u00f4de ser verificado pela correla\u00e7\u00e3o existente nos dois testes utilizados para se avaliar o vocabul\u00e1rio expressivo das crian\u00e7as com a tarefa de neologismo, a qual envolvia conhecimento morfol\u00f3gico das mesmas. Ou seja, as crian\u00e7as que conheciam mais palavras tamb\u00e9m eram aquelas que manipulavam melhor os morfemas. Al\u00e9m disso, constatou-se que quanto mais avan\u00e7ados os anos escolares, mais forte \u00e9 a correla\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia morfol\u00f3gica com o vocabul\u00e1rio.<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-8.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-433\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-8-211x300.png\" alt=\"\" width=\"423\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-8-211x300.png 211w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-8-400x569.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-8.png 425w\" sizes=\"(max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/a><\/p><p>Mas de que forma a morfologia contribui para a aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio ainda na fala? J\u00falia explica que ao perceber a exist\u00eancia dos morfemas, a crian\u00e7a passa a inferir (deduzir via ra-cioc\u00ednio) o\u00a0significado de palavras ainda desconhecidas. \u201cA crian\u00e7a percebe que o pedacinho de uma palavra aparece em v\u00e1rias, como \u2018florista\u2019, \u2018floricultura\u2019, \u2018flora\u2019&#8230; e ela se pergunta se todas teriam a ver com \u2018flor\u2019\u201d, exemplifica a pesquisadora. Assim, a percep\u00e7\u00e3o de certas regularidades de significados facilita a memoriza\u00e7\u00e3o de novas palavras, j\u00e1 que muitas\u00a0vezes n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio aprender algo totalmente in\u00e9dito, mas sim uma por\u00e7\u00e3o desconhecida ligada a algo j\u00e1 conhecido da crian\u00e7a.<\/p><p>Outra constata\u00e7\u00e3o do estudo foi um melhor desempenho dos pequenos participantes nos itens que envolviam sufixos e n\u00e3o prefixos. Era mais f\u00e1cil para a crian\u00e7a definir uma palavra como \u2018guerreiro\u2019 do que \u2018refazer\u2019, por exemplo.<\/p><p>Da mesma forma, foi mais frequente a forma\u00e7\u00e3o de neologismos por meio de sufixa\u00e7\u00e3o. A pesquisadora levanta a hip\u00f3tese de que essa maior familiaridade com os sufixos estaria relacionada com a sensibilidade \u00e0 rima, que \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o dos sons finais de duas ou mais palavras a partir de sua vogal t\u00f4nica (a vogal da s\u00edlaba mais forte). As crian\u00e7as que percebem a regularidade da sequ\u00eancia final de sons nas palavras que rimam\u00a0podem\u00a0\u00a0ter uma maior facilidade de usar os sufixos, que mant\u00eam o mesmo som e o mesmo significado ao final dos voc\u00e1-bulos. A no\u00e7\u00e3o de que a palavra falada pode ser segmentada em sequ\u00eancias sonoras menores, n\u00e3o apenas em rimas, mas tamb\u00e9m em alitera\u00e7\u00f5es (repeti\u00e7\u00e3o dos sons iniciais da palavra), s\u00edlabas e principalmente em fonemas \u00e9 essencial para a alfabetiza\u00e7\u00e3o. Tal percep\u00e7\u00e3o e consequente manipula\u00e7\u00e3o dos sons de uma l\u00edngua pelos seus falantes \u00e9 chamada de consci\u00eancia fonol\u00f3gica.<\/p><h6><strong>A\u00a0voz do pensamento<\/strong><\/h6><p>A correla\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel da consci\u00eancia fonol\u00f3gica com a alfabetiza\u00e7\u00e3o tem sido amplamente comprovada por milhares de estudos criteriosos, nacionais e internacionais. Assim, entend\u00ea-la \u00e9 primordial para se compreender como se d\u00e1 a leitura e a escrita de um c\u00f3digo alfab\u00e9tico. Quando lemos um texto, a vis\u00e3o \u00e9 o sentido obviamente utilizado (salvo os cegos, que l\u00eaem pelo tato). Por conta disso, embora saibamos da \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre a fala e a escrita, \u00e9 mais dif\u00edcil percebermos que aquelas sequ\u00eancias de letras representam sons e que, portanto, t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a audi\u00e7\u00e3o. Esse \u2018som\u2019 da l\u00edngua que importa para a escrita n\u00e3o \u00e9 propriamente o som f\u00edsico, mas sim sua abstra\u00e7\u00e3o. Para ilustrar o conceito, podemos pensar em uma mesma palavra do portugu\u00eas terminada em \u2018s\u2019 sendo falada por um paulistano e por um carioca &#8211; \u201cmalas\u201d, por exemplo. Embora a pron\u00fancia \u2018sibilante\u2019 do primeiro seja ouvida de maneira bastante diferente do \u2018s\u2019 mais \u2018chiado\u2019 do segundo, qualquer falante do portugu\u00eas sabe que se trata da mesma palavra. \u00c9 a representa\u00e7\u00e3o auditiva mental (a \u201cfala interna\u201d) que temos do som \u2018s\u2019 em portugu\u00eas que interessa para compreendermos a palavra \u201cmalas\u201d, e n\u00e3o suas varia\u00e7\u00f5es sonoras f\u00edsicas durante a pron\u00fancia. O \u2018s\u2019 \u00e9 portanto um fonema do portugu\u00eas.<\/p><p>Esse tipo de abstra\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o desenvolvimento da linguagem. Assim, existe no c\u00e9rebro humano circuitos de neur\u00f4nios especializados em processar as informa\u00e7\u00f5es fonol\u00f3gicas, sem as quais n\u00e3o seria poss\u00edvel adquirir qualquer l\u00edngua falada. Todo esse funcionamento no entanto ocorre de forma inconsciente, sendo natural do desenvolvimento humano &#8211; para aprender a falar n\u00e3o temos que ter aulas e nem pensar no assunto. Contudo, como j\u00e1 mencionado, com o intuito de se aprender a ler e a escrever um c\u00f3digo alfab\u00e9tico \u00e9 preciso ter consci\u00eancia desses sons para podermos associ\u00e1-los a formas gr\u00e1ficas que tamb\u00e9m s\u00e3o abstra\u00e7\u00f5es. Segundo Jos\u00e9 Morais em\u00a0<em>A arte de ler<\/em>, \u201cA an\u00e1lise fon\u00eamica intencional ocupa o primeiro lugar em ordem de import\u00e2ncia\u201d na alfabetiza\u00e7\u00e3o. Essa percep\u00e7\u00e3o de cada fonema da l\u00edngua \u00e9 chamada de consci\u00eancia fon\u00eamica e est\u00e1 contida na fonol\u00f3gica.<\/p><p>Nesse ponto, seria natural pensar em uma abordagem pedag\u00f3gica para o ensino infantil que trabalhasse a consci\u00eancia fon\u00eamica da crian\u00e7a visando \u00e0 sua futura alfabetiza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, Morais afirma que \u201caprender an\u00e1lise fon\u00eamica \u00e9 tamb\u00e9m aprender leitura, j\u00e1 que as duas compet\u00eancias s\u00e3o insepar\u00e1veis\u201d. Nesse sentido, ainda segundo o autor, \u201cdesenvolver a consci\u00eancia fon\u00eamica nessa fase \u00e9 o mesmo que antecipar o ensino da leitura e da escrita para a educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d. Portanto, se o objetivo n\u00e3o for a precocidade da alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas sim facilitar o seu processo, prevenindo futuras defici\u00eancias na leitura, a consci\u00eancia fonol\u00f3gica deve ser desenvolvida nas crian\u00e7as pequenas sem, no entanto, atingir o n\u00edvel da consci\u00eancia fon\u00eamica.<\/p><p>A pesquisadora e pedagoga Miriam Damazio descreveu muitas atividades (e at\u00e9 demonstrou algumas, conforme\u00a0\u00a0v\u00eddeo na p\u00e1gina 26) que podem ser usadas para estimular a consci\u00eancia fonol\u00f3gica das crian\u00e7as desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. De forma l\u00fadica e interativa (com uso de cores, formas geom\u00e9tricas, sob a forma de jogo, etc.), as pr\u00e1ticas envolviam separa\u00e7\u00e3o e contagem de s\u00edlabas, agrupamento de palavras com mesmas rimas ou alitera\u00e7\u00f5es, substitui\u00e7\u00e3o de pseudopalavra por palavra adequada dentro do contexto da frase, troca de s\u00edlaba formando outra palavra, etc. \u201cA crian\u00e7a precisa saber manipular os sons da fala, que as palavras s\u00e3o compostas por partes menores, que existem palavras grandes e pequenas\u201d, explica a pesquisadora, prosseguindo: \u201cPodemos usar as pr\u00f3prias crian\u00e7as, cada uma sendo uma palavra e procurando uma posi\u00e7\u00e3o adequada para formar uma frase com sentido, por exemplo.\u201d<\/p><p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-434\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo-300x174.png\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo-300x174.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo-768x446.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo-1024x595.png 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo-400x232.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/teste-receptivo.png 1053w\" sizes=\"(max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><\/p><div id=\"attachment_435\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-435\" class=\" wp-image-435\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras-300x238.png\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras-300x238.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras-768x610.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras-400x318.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/molduras.png 876w\" sizes=\"(max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-435\" class=\"wp-caption-text\">Amostras do banco de imagens dos testes de vocabul\u00e1rios Expressivo e<br \/>Receptivo Auditivo, validados no IPUSP pela pesquisadora Miriam Damazio<\/p><\/div><p>Todas essas atividades de est\u00edmulo \u00e0 consci\u00eancia fonol\u00f3gica bem como aquelas de enriquecimento de vocabul\u00e1rio s\u00e3o recomendadas desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil com o objetivo de se prevenir a defici\u00eancia em leitura. D\u00e9ficits no dom\u00ednio da linguagem escrita [<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/via-de-mao-dupla\/\"><strong>veja a pr\u00f3xima mat\u00e9ria<\/strong><\/a>] est\u00e3o fortemente ligados ao fracasso e \u00e0 evas\u00e3o escolares, que h\u00e1 d\u00e9cadas s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o nacional.<\/p><p>Segundo o Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica de 2012, cerca de 7 milh\u00f5es e 300 mil crian\u00e7as est\u00e3o matriculadas na Educa\u00e7\u00e3o Infantil no Brasil e mais de 60% delas se encontram na rede p\u00fablica. A partir de 2016, com a obrigatoriedade do ensino desde os quatro anos, esse n\u00famero tender\u00e1 a aumentar significativamente. Resta saber se a quantidade se traduzir\u00e1 em qualidade.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver a aplica\u00e7\u00e3o de testes de vocabul\u00e1rio em crian\u00e7as de 2 a 5 anos, realizada no IPUSP pela pesquisadora Miriam Damazio, clique na imagem:<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=1&amp;v=rJ_1-ftPsJA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-443\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2015\/04\/mirian-damazo-300x148.png\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2015\/04\/mirian-damazo-300x148.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2015\/04\/mirian-damazo-400x198.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2015\/04\/mirian-damazo.png 640w\" sizes=\"(max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><\/a><\/p><p style=\"text-align: left;\">Por Tatiana Iwata<\/p><p style=\"text-align: left;\"><span lang=\"EN-GB\">Edi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o\u00a0por Islaine Maciel<\/span><span lang=\"EN-GB\">\u00a0e Maria Isabel Leme<\/span><\/p><p>Clique nas imagens para folhear as revistas\u00a0<strong>psico.<\/strong>usp<\/p><div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\"><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n1_2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><\/a>Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/p><\/div><div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\"><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n._2-3_2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/p><\/div>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas refor\u00e7am a import\u00e2ncia das consci\u00eancias\u00a0fonol\u00f3gica e morfol\u00f3gica e da aquisi\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio\u00a0desde os primeiros anos para uma alfabetiza\u00e7\u00e3o 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