{"id":451,"date":"2015-04-30T16:00:06","date_gmt":"2015-04-30T18:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=451"},"modified":"2018-08-06T12:19:24","modified_gmt":"2018-08-06T14:19:24","slug":"via-de-mao-dupla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/via-de-mao-dupla\/","title":{"rendered":"Via de m\u00e3o dupla"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Diferenciar dislexia de dificuldade de\u00a0aprendizagem\u00a0\u00a0importa para as\u00a0pesquisas mas n\u00e3o para o tratamento atual\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-452\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3-300x156.png\" alt=\"\" width=\"877\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3-300x156.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3-768x398.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3-400x208.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/dislexia3.png 1008w\" sizes=\"(max-width: 877px) 100vw, 877px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A an\u00e1lise de censos e \u00edndices de avalia\u00e7\u00e3o revela a discrep\u00e2ncia entre quantidade e qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Ano a ano, estat\u00edsticas mostram progressiva e significativa melhora no acesso ao ensino e mesmo no tempo de perman\u00eancia na escola. Em 2013, 99% das crian\u00e7as com sete anos estavam matriculadas, e a m\u00e9dia nacional de perman\u00eancia tem subido. Ao mesmo tempo, avalia\u00e7\u00f5es nacionais do conhecimento (como as do \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica &#8211; IDEB) e internacionais (como o Programa Internacional da Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos &#8211; PISA) costumam apresentar resultados preocupantes, e quando mostram avan\u00e7os, eles s\u00e3o muito discretos. A busca das causas e solu\u00e7\u00f5es do mau desempenho acaba por gerar desde discuss\u00f5es e estudos s\u00e9rios, at\u00e9 especula\u00e7\u00f5es e mitos a respeito do assunto. Nesse contexto, a defici\u00eancia em leitura \u00e9 sempre apontada como um dos grandes motivos do insucesso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser foco de debates (e embates) pol\u00edticos e psicopedag\u00f3gicos, a defici\u00eancia em leitura importa tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade. A dislexia, enquadrada nos transtornos de aprendizagem do C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7as (CID-10), \u00e9 um tipo de defici\u00eancia em leitura que envolve fatores gen\u00e9ticos e ambientais. \u201cA dislexia \u00e9 uma falha no processamento fonol\u00f3gico da informa\u00e7\u00e3o \u2014 uma falha na transforma\u00e7\u00e3o de um s\u00edmbolo visual em um s\u00edmbolo de fala\u201d, afirma Mariana Carvalho, psic\u00f3loga que pesquisou sobre a dislexia em seu mestrado no IPUSP. De acordo com Mariana, embora a dislexia seja um transtorno muito estudado e j\u00e1 bem definido na comunidade cient\u00edfica, h\u00e1 ainda no Brasil profissionais e pesquisadores da \u00e1rea que questionam a sua exist\u00eancia. Sobre o mesmo assunto, Francisco Baptista Assump\u00e7\u00e3o Junior, psiquiatra infantil e professor doutor do IPUSP, enfatiza que a dislexia e demais transtornos de aprendizado \u201cn\u00e3o s\u00e3o uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou social e muito menos um problema s\u00f3 da escola\u201d.<\/p>\n<p>Assump\u00e7\u00e3o ainda informa que n\u00e3o h\u00e1 dados precisos sobre a dislexia no Brasil e que se estima uma frequ\u00eancia entre 5 a 10% de disl\u00e9xicos na popula\u00e7\u00e3o mundial &#8211; cerca de 350 a 700 milh\u00f5es de casos em n\u00fameros absolutos. Ele tamb\u00e9m explica que existem quadros de defici\u00eancia em leitura subordinados a outras condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas (les\u00f5es cerebrais, problemas auditivos, quadros de defici\u00eancia mental, etc). Por exclus\u00e3o, restaria ent\u00e3o aqueles quadros exclusivamente causados por outros fatores, como os socioecon\u00f4micos e ou psicopedag\u00f3gicos, genericamente chamados de dificuldade de aprendizagem. Mas no que acarreta a diferencia\u00e7\u00e3o entre dislexia e dificuldade de aprendizagem?<\/p>\n<h6><strong>O\u00a0diagn\u00f3stico \u00e9 diferente<\/strong><\/h6>\n<p>\u201cA crian\u00e7a com dificuldade de aprendiz<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-453\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc-300x193.png\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc-300x193.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc-768x493.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc-400x257.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/franc.png 927w\" sizes=\"(max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><\/a>agem responde mais r\u00e1pido \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do que a com dislexia, na qual um grau de dificuldade permanecer\u00e1 na vida adulta\u201d, afirma Mariana Carvalho. Em sua pesquisa, Mariana constatou\u00a0a exist\u00eancia de um perfil pr\u00f3prio das crian\u00e7as com dislexia no desempenho de alguns subtestes da Escala de Intelig\u00eancia Wechler para Crian\u00e7as (WISC-III), instrumento de avalia\u00e7\u00e3o cognitiva de indiv\u00edduos entre 6 e 16 anos amplamente utilizado no Brasil e no mundo. A pesquisadora avaliou 57 crian\u00e7as, divididas em tr\u00eas grupos: as com diagn\u00f3stico de dislexia (20 alunos, de 8 a 14 anos, entre o 2\u00ba e o 7\u00ba anos do Ensino Fundamental), as sem dificuldade escolar e de mesma idade e s\u00e9rie das crian\u00e7as com dislexia (21 alunos, de 7 a 11 anos) e aquelas do segundo ano do Ensino Fundamental, no in\u00edcio da alfabetiza\u00e7\u00e3o (16 alunos, de 6 a 8 anos).<\/p>\n<p>Enquanto somente o grupo dos disl\u00e9xicos apresentou menor desempenho nos subtestes \u201cC\u00f3digos\u201d, \u201cProcurar s\u00edmbolos\u201d e \u201cD\u00edgitos\u201d, tanto as crian\u00e7as com dislexia quanto aquelas do segundo ano (3\u00b0 grupo) tiveram baixa performance nos subtestes \u201cInforma\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cSemelhan\u00e7as\u201d. Assim, os menores resultados nesses dois \u00faltimos subtestes foram considerados dificuldades escolares pr\u00f3prias do processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o caracter\u00edsticas espec\u00edficas da dislexia. De fato, tanto \u201cInforma\u00e7\u00e3o\u201d quanto \u201cSemelhan\u00e7as\u201d dizem respeito a conhecimentos adquiridos, havendo<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ilustra\u00e7\u00e3o-dislexia.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-454\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ilustra\u00e7\u00e3o-dislexia-221x300.png\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ilustra\u00e7\u00e3o-dislexia-221x300.png 221w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ilustra\u00e7\u00e3o-dislexia-400x544.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/ilustra\u00e7\u00e3o-dislexia.png 743w\" sizes=\"(max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a> rela\u00e7\u00e3o direta com o ensino. Esses dois subtestes avaliam de\u00a0certa forma a mem\u00f3ria de longo prazo e a habilidade de integra\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a execu\u00e7\u00e3o dos subtestes \u201cC\u00f3digos\u201d, \u201cProcurar s\u00edmbolos\u201d e \u201cD\u00edgitos\u201d, a velocidade de processamento e a mem\u00f3ria de trabalho (armazenamento tempor\u00e1rio dos dados durante a execu\u00e7\u00e3o de uma tarefa) s\u00e3o as capacidades mais requisitadas. Al\u00e9m disso, enquanto \u201cC\u00f3digos\u201d e \u201cProcurar s\u00edmbolos\u201d testam principalmente a aten\u00e7\u00e3o visual, \u201cD\u00edgitos\u201d verifica a aten\u00e7\u00e3o auditiva.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa de Mariana refor\u00e7am a exist\u00eancia de dificuldades espec\u00edficas das crian\u00e7as com dislexia, diferenciando-as de outros tipos de defici\u00eancia em leitura. Isso \u00e9 importante\u00a0tanto para o prosseguimento de estudos que visem ao tratamento espec\u00edfico da dislexia, quanto para a previs\u00e3o de que sempre haver\u00e1 uma porcentagem de crian\u00e7as as quais, independentemente do m\u00e9todo ou qualidade de ensino, precisar\u00e3o de apoio extra para se tornarem leitoras proficientes. Al\u00e9m disso, esse estudo demonstra que um instrumento familiar aos psic\u00f3logos brasileiros como o WISC-III \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s especificidades do quadro de dislexia, contribuindo para o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, profissionais e pesquisadores da\u00a0\u00e1rea se deparam com uma quest\u00e3o de ordem pr\u00e1tica: atualmente, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na abordagem de crian\u00e7as com dislexia ou dificuldade de aprendizagem. Como isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<h6><strong>A interven\u00e7\u00e3o \u00e9 igual<\/strong><\/h6>\n<p>Embora diversas constata\u00e7\u00f5es cient\u00edficas estabele\u00e7am a dislexia como uma condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, elas ainda n\u00e3o se traduziram em tratamentos e a\u00e7\u00f5es preventivas tamb\u00e9m espec\u00edficos. Isso pode ser uma das causas da desconfian\u00e7a de alguns profissionais e pesquisadores a respeito desse diagn\u00f3stico. Em seu livro\u00a0<em>A arte de ler<\/em>, o psicolinguista Jos\u00e9 Morais afirma que at\u00e9 hoje nenhum medicamento se mostrou eficaz. Tentativas malsucedidas como o\u00a0desenvolvimento de \u00f3culos especiais s\u00f3 refor\u00e7am que embora a dislexia envolva um componente da vis\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um pro-blema visual em si. Assim, seja dislexia, seja dificuldade de aprendizagem, as medidas s\u00e3o sempre psicopedag\u00f3gicas e fonoaudiol\u00f3gicas, e costumam ser praticamente as mesmas. O que conduzir\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 em que parte do processo de aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem escrita a crian\u00e7a apresenta dificuldade, e n\u00e3o o diagn\u00f3stico\u00a0[veja as fases da alfabetiza\u00e7\u00e3o no infogr\u00e1fico abaixo].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-455\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o.png\" alt=\"\" width=\"1140\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o.png 1140w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o-300x197.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o-768x503.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o-1024x671.png 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/infogr\u00e1fico-alfabetiza\u00e7\u00e3o-400x262.png 400w\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Logo, apesar de reconhecer o diagn\u00f3stico de dislexia, Morais n\u00e3o v\u00ea vantagem em sua distin\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica psicopedag\u00f3gica.\u00a0Al\u00e9m disso, a defici\u00eancia em leitura, com ou sem fundo gen\u00e9tico, s\u00f3 pode ser diagnosticada quando j\u00e1 tem algum tempo que a crian\u00e7a est\u00e1 sendo alfabetizada e sua eventual dificuldade passa a ser mais consistente. Ou seja, ela comete mais erros do que a m\u00e9dia de seus colegas. \u201cO crit\u00e9rio diagn\u00f3stico da dislexia \u00e9 2 anos de atraso de flu\u00eancia de leitura, ent\u00e3o s\u00f3 na 3\u00aa s\u00e9rie a crian\u00e7a teria o diagn\u00f3stico definido\u201d, afirma Mariana. Assim, medidas com o objetivo de se precaver a defici\u00eancia em leitura devem ser tomadas antes de qualquer diagn\u00f3stico, n\u00e3o importando, portanto, se se trata de dislexia ou de dificuldade de aprendizagem.<\/p>\n<p>Segundo Miriam Damazio, pedagoga e pesquisadora do IPUSP, as a\u00e7\u00f5es preventivas s\u00e3o o enriquecimento do vocabul\u00e1rio oral e o desenvolvimento da consci\u00eancia fonol\u00f3gica. Como j\u00e1 visto, essas duas pr\u00e1ticas s\u00e3o altamente recomendadas para todas as crian\u00e7as da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e n\u00e3o apenas para as com risco de defici\u00eancia em leitura. Deste modo, uma creche e uma pr\u00e9-escola que trabalhem adequadamente esses dois aspectos estar\u00e3o reduzindo o n\u00famero de alunos com dificuldades acima do esperado para a idade e para a etapa em que se encontram no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Mariana enfatiza o aspecto fonol\u00f3gico no caso da dislexia: \u201cO que eu vejo nos disl\u00e9xicos, quando eles s\u00e3o mais novos, n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o do vocabul\u00e1rio em si (que mais tarde fica prejudicado justamente pela dificuldade e falta de leitura), mas por exemplo, dificuldade em identificar rimas \u2014 ind\u00edcio de dificuldade em processar essa informa\u00e7\u00e3o\u00a0fonol\u00f3gica\u201d. Ela conclui: \u201cPor isso que a pr\u00e9-escola \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao vocabul\u00e1rio, Miriam constatou em sua pesquisa que as crian\u00e7as (de 1 ano e meio a 5 anos de idade) da escola p\u00fablica tiveram um desempenho mais baixo do que as do ensino privado. \u201cNas escolas particulares as crian\u00e7as t\u00eam maior est\u00edmulo desde casa\u201d, observa a pesquisadora, que prossegue: \u201cA crian\u00e7a que tem um n\u00edvel socioecon\u00f4mico mais elevado passeia mais, tem mais brinquedos, mesmo a conversa dos pais \u00e9 diferente\u201d. Miriam relata ainda que em uma visita posterior a uma das escolas participantes de sua pesquisa, a diretora comentou que justamente aquelas crian\u00e7as que apresentar<a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-456\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons-300x197.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons-768x505.jpg 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons-400x263.jpg 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Ross_Hunter_Flickr_Creative_Commons.jpg 848w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>am um pior desempenho no teste de vocabul\u00e1rio eram as mesmas que estavam tendo dificuldade na alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a crian\u00e7a j\u00e1 se encontra no in\u00edcio do Ensino Fundamental, em plena fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o, estudos mostram que \u00e9 o pr\u00f3prio desenvolvimento da consci\u00eancia fon\u00eamica associado ao ensino da correspond\u00eancia letra-som que se constitui no tratamento-preven\u00e7\u00e3o mais efetivo da defici\u00eancia em leitura, sendo esta dislexia ou n\u00e3o. Quanto aos alunos mais velhos que j\u00e1 passaram por um sistema falho de alfabetiza\u00e7\u00e3o e sofrem suas consequ\u00eancias, Miriam menciona que o m\u00e9todo conhecido como multissensorial, desenvolvido por Maria Montessori, tem se mostrado o mais eficaz.<\/p>\n<p>Segundo Morais, a crian\u00e7a que apresenta dificuldades na alfabetiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 ajudada precocemente entra em uma esp\u00e9cie de ciclo vicioso no decorrer dos anos escolares. Pelo fato de sua leitura n\u00e3o ser fluente, o aluno n\u00e3o encontra qualquer motiva\u00e7\u00e3o nessa atividade, evitando sempre que pode a leitura e a escrita, o que s\u00f3 piora ainda mais o seu d\u00e9ficit. Nesse sentido, a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e o in\u00edcio do Ensino Fundamental s\u00e3o\u00a0essenciais na preven\u00e7\u00e3o desse ac\u00famulo de fracassos que culmina ou no abandono dos estudos ou no abismo entre anos de escolaridade e real n\u00edvel de conhecimento.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que cresce com dificuldades na leitura e na escrita pode ter sua vida prejudicada nos mais diferentes aspectos, incluindo sua sa\u00fade. Francisco Assump\u00e7\u00e3o afirma que existem casos de doen\u00e7a mental na vida adulta, como a depress\u00e3o, que t\u00eam como base algum transtorno de aprendizagem n\u00e3o diagnosticado e n\u00e3o tratado ainda na inf\u00e2ncia. Ele e tamb\u00e9m Fraulein de Paula, psic\u00f3loga e professora\u00a0doutora do IPUSP, apontam para o grande sofrimento implicado em se ver exclu\u00eddo da sociedade por n\u00e3o\u00a0conseguir aprender. Fraulein ressalta ainda o fator econ\u00f4mico: \u201cUma crian\u00e7a que tem problemas na escola vai custando mais caro, tanto para a fam\u00edlia quanto para o Estado\u201d. Miriam, por fim, chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de se considerar cada crian\u00e7a: \u201cNa avalia\u00e7\u00e3o das pessoas da escola, dos pais, eu era uma boa professora, os meus alunos aprendiam, perdia um aluno \u2013 e um em n\u00famero \u00e9 pouco, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida \u00e9 muito\u201d.<\/p>\n<p>Pesquisa de Mariana Carvalho\u00a0\u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/47\/47131\/tde-12072013-104411\/pt-br.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique\u00a0<strong>aqui<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p>Pesquisa de Miriam Damazio\u00a0\u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/47\/47132\/tde-14102011-104138\/pt-br.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique\u00a0<strong>aqui<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p>Por Tatiana Iwata<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o Islaine Maciel<\/p>\n<p>Clique nas imagens para folhear as revistas\u00a0<strong>psico.<\/strong>usp<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n1_2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><\/a>Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n._2-3_2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferenciar dislexia de dificuldade de\u00a0aprendizagem\u00a0\u00a0importa para as\u00a0pesquisas mas n\u00e3o para o tratamento atual\u00a0 A an\u00e1lise de censos e \u00edndices de&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":452,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[373,4],"tags":[124,48,126,108,119,117,116],"class_list":["post-451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alfabetizacao","category-educacao","tag-alfabetizacao","tag-criancas","tag-dislexia","tag-educacao","tag-escola","tag-escrita","tag-leitura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=451"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2068,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions\/2068"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}