{"id":4562,"date":"2022-10-27T10:07:51","date_gmt":"2022-10-27T12:07:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=4562"},"modified":"2023-01-31T11:15:20","modified_gmt":"2023-01-31T13:15:20","slug":"mandatos-coletivos-podem-oxigenar-o-tradicional-sistema-representativo-na-politica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/mandatos-coletivos-podem-oxigenar-o-tradicional-sistema-representativo-na-politica-brasileira\/","title":{"rendered":"Mandatos coletivos podem oxigenar o tradicional sistema representativo na pol\u00edtica brasileira"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify;\">Pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisa como candidaturas coletivas podem democratizar a pol\u00edtica e proporcionar efeitos positivos na constru\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica dos participantes<\/h4>\n<div id=\"attachment_4564\" style=\"width: 1122px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/participacao-politica.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4564\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/participacao-politica.png\" alt=\"\" width=\"1112\" height=\"581\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4564\" class=\"wp-caption-text\">Fotomontagem com imagens de Wikimedia Commons e Reprodu\u00e7\u00e3o por Rebeca Fonseca<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo desenvolvido pelo psic\u00f3logo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0809275570407723\">Jos\u00e9 Fernando de Andrade Costa<\/a>, no Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia (IP) da USP, analisou como a ascens\u00e3o das candidaturas coletivas no Brasil representa uma tentativa de diversificar os espa\u00e7os de poder do fazer pol\u00edtico. O mecanismo \u00e9 visto como uma forma de eleger candidatos que, de outra forma, n\u00e3o conseguiriam chegar, sobretudo ao Legislativo, de forma individual. A pesquisa intitulada\u00a0<i>S\u00f3 a Luta Muda a Vida: Um estudo sobre lutas sociais e mandatos coletivos na atual crise da democracia brasileira<\/i>\u00a0foi conclu\u00edda em junho de 2022 e teve\u00a0a orienta\u00e7\u00e3o do professor Luis Guilherme Gale\u00e3o da Silva, do IP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As candidaturas coletivas ainda n\u00e3o est\u00e3o previstas na legisla\u00e7\u00e3o eleitoral brasileira, mas n\u00e3o s\u00e3o proibidas. Os formatos s\u00e3o os mais diversos, desde um pequeno grupo at\u00e9 mais de uma centena de participantes para o exerc\u00edcio de um mandato compartilhado. \u201cA m\u00e9dia de integrantes dos primeiros mandatos coletivos eleitos no Brasil, p\u00f3s-2016, \u00e9 de cinco membros\u201d, descreve o pesquisador. Inicialmente, eles se re\u00fanem trazendo pautas sub-representadas \u2013 como g\u00eanero, meio ambiente, ra\u00e7a \u2013 tendo algum n\u00edvel de proximidade com as pautas que defendem. Como apenas uma pessoa pode ser a titular e \u00e9 esse representante que ser\u00e1 registrado e ter\u00e1 sua elegibilidade julgada pela Justi\u00e7a Eleitoral, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia legal de que os integrantes dos mandatos coletivos sejam ouvidos pelo representante eleito. Muitos desses grupos assinam termos de compromisso para evitar dissid\u00eancias. No Brasil, as candidaturas coletivas come\u00e7aram a aparecer em 1994, com um formato diferente de hoje, atualmente conhecido como mandatos coletivos, com a presen\u00e7a de coparlamentares eleitos desde 2016.<\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/PESQUISADOR.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4583 alignright\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/PESQUISADOR.png\" alt=\"\" width=\"305\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/PESQUISADOR.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/PESQUISADOR-261x300.png 261w\" sizes=\"(max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><\/a>Para realizar sua pesquisa, Costa buscou analisar a configura\u00e7\u00e3o das lutas contempor\u00e2neas utilizando materiais bibliogr\u00e1ficos e entrevistas com integrantes de quatro mandatos coletivos eleitos ao cargo legislativo: em \u00e2mbito municipal, o Mandato Coletivo de Alto Para\u00edso; o Mandato Compartilhado de Gabriel Azevedo, em Belo Horizonte, e o Mandato Popular de Jhonatas Monteiro, em Feira de Santana. J\u00e1 em \u00e2mbito estadual, a Mandata Ativista, de S\u00e3o Paulo. O pesquisador procurou compreender como esse novo arranjo do fazer pol\u00edtico revela uma reconfigura\u00e7\u00e3o da luta social no contexto atual da democracia brasileira.<\/span><\/p>\n<section data-id=\"105ec591\" data-element_type=\"section\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Fernando Andrade Costa atualmente pesquisa participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, pol\u00edticas p\u00fablicas e territorialidades no Estado da Bahia, no qual \u00e9 coordenador do Programa de Extens\u00e3o Ciclos de A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria e professor na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Delimita\u00e7\u00e3o do estudo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo de Costa \u00e9 delimitado por momentos da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira. Parte dos movimentos de luta estabelecidos desde as jornadas de junho de 2013, quando o cen\u00e1rio se tornou complexo em meio \u00e0 crise da legitimidade do sistema pol\u00edtico e o avan\u00e7o da polariza\u00e7\u00e3o no Brasil. E chega ao \u00e1pice da corros\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Na pesquisa, Costa restringiu suas an\u00e1lises aos movimentos de luta desempenhados pela esquerda. Segundo ele, o movimento de ataque desempenhado pela crise democr\u00e1tica, sobretudo pelos grupos de extrema direita, representa um tipo de luta social injusta, pois prioriza a reprodu\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios. As candidaturas coletivas dos setores progressistas, por sua vez, indicam uma for\u00e7a capaz de buscar o bem comum e revitalizar a democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto a isso, o autor identifica um movimento denominado contra-ataque, de ocupa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica institucional por novos corpos, historicamente sub-representados. O processo se d\u00e1 com a ascens\u00e3o dos grupos de resist\u00eancia diante de for\u00e7as antidemocr\u00e1ticas, especialmente em 2018, quando candidaturas coletivas ganharam maior expressividade. \u201cPela primeira vez temos corpos negros, de mulheres, trans, ind\u00edgenas, trabalhadores perif\u00e9ricos, todos esses atores sociais ocupando a institucionalidade pol\u00edtica no mesmo per\u00edodo\u201d, destaca o pesquisador. Segundo ele, este \u00e9 um evento singular na hist\u00f3ria brasileira, motivo pelo qual ele se dedicou a estudar os mandatos coletivos.<\/p>\n<h2>Abrindo fissuras<\/h2>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa tamb\u00e9m analisou as din\u00e2micas institucionais na estrutura\u00e7\u00e3o da democracia brasileira e a ascens\u00e3o das candidaturas coletivas como uma poss\u00edvel tentativa, segundo ele, de abrir as fissuras do sistema representativo tradicional. Por interm\u00e9dio de uma an\u00e1lise da literatura acad\u00eamica sobre o assunto, o pesquisador demonstrou as contradi\u00e7\u00f5es da democracia brasileira ao comprovar que, embora o Brasil seja a quarta maior democracia mundial em termos de eleitores, \u00e9 tamb\u00e9m o Pa\u00eds com 85% de homens compondo o Congresso Nacional, mesmo as mulheres sendo a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os novos perfis de atores pol\u00edticos que comp\u00f5em as candidaturas coletivas geralmente n\u00e3o conseguem defender suas agendas pol\u00edticas, segundo o pesquisador, pois encontram diversos obst\u00e1culos no sistema pol\u00edtico brasileiro. Dentre eles, o alto financiamento das campanhas eleitorais,\u00a0 a aus\u00eancia de incentivos pelos partidos pol\u00edticos, al\u00e9m da discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia pol\u00edtica perpetrada pelos grupos que j\u00e1 est\u00e3o no poder. \u201cO que torna a pol\u00edtica institucional um ambiente hostil \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de novos atores\u201d, destaca o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs contradi\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica institucional operam no n\u00edvel da simult\u00e2nea inclus\u00e3o e exclus\u00e3o: o sistema \u00e9 formalmente aberto a todas as pessoas, por\u00e9m opera para expulsar as maiorias marginalizadas e manter os privil\u00e9gios de uma elite minorit\u00e1ria que, historicamente, monopoliza o poder\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, esse sentimento de injusti\u00e7a ou falta de representa\u00e7\u00e3o, para o pesquisador, tamb\u00e9m fortalece os grupos que se utilizam dos coletivos como forma de condensar suas lutas. Para Costa, esta luta \u00e9 organizada para diminuir o abismo que h\u00e1 entre governantes e governados, ao passo que representa os desafios sofridos pela grande maioria dos eleitores brasileiros.Esse movimento se torna um mecanismo de resist\u00eancia diante dos partidos pol\u00edticos que, por meio do recrutamento, acabam deixando de fora grande parte das potenciais candidaturas coletivas e, consequentemente, diminuem as chances de inserirem novos corpos nas institui\u00e7\u00f5es de poder.<\/p>\n<section data-id=\"1eb7cda\" data-element_type=\"section\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisando os efeitos psicossociais da luta, o autor argumenta que as candidaturas coletivas podem trazer um impacto psicol\u00f3gico positivo, tanto para quem participa dessas iniciativas, quanto para quem apoia as agendas coletivas. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existam desafios e processos de adoecimento no percurso. Por\u00e9m, o caminho da luta funciona para os atores sociais como um processo de aprendizado. Recorrendo \u00e0 poesia do poeta perif\u00e9rico S\u00e9rgio Vaz, o autor conclui que, diferentemente da briga, a luta carrega consigo um car\u00e1ter permanente, enquanto a briga tem um momento para acabar. \u201cA briga \u00e9 pessoal, a luta \u00e9 coletiva\u201d, define Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o autor, \u00e9 na vida cotidiana que as pessoas ouvem, constantemente, que precisam \u201cir \u00e0 luta\u201d, serem batalhadoras. De modo subjetivo, estes ideais trabalham para construir a identidade e a no\u00e7\u00e3o de pertencimento das pessoas sobre a raz\u00e3o de lutarem por algo. \u201cE se lutam, \u00e9 porque carregam consigo a for\u00e7a motriz para viver. Da\u00ed a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o das lutas interseccionais\u00a0 \u2013 feministas, antirracistas, ecol\u00f3gicas e anticapitalistas \u2013 para o bem da democracia e do bem-viver coletivo; como forma de pr\u00e1tica social resistente \u00e0s for\u00e7as institucionais normativas\u201d, diz.<\/p>\n<div id=\"attachment_4571\" style=\"width: 927px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1.png\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4571\" class=\"wp-image-4571 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1.png\" alt=\"\" width=\"917\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1.png 917w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1-300x197.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1-768x503.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-1-400x262.png 400w\" sizes=\"(max-width: 917px) 100vw, 917px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4571\" class=\"wp-caption-text\">Como funciona uma candidatura? Infogr\u00e1fico mostra os bloqueios institucionais que uma candidatura coletiva pode ter, dentre eles, o alto financiamento &#8211; Arte: Rebeca Fonseca<\/p><\/div>\n<\/section>\n<section data-id=\"14b8b19\" data-element_type=\"section\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Obriga\u00e7\u00e3o legislativa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pesquisador alerta que, mesmo com a presen\u00e7a de cotas para mulheres e negros, os partidos passaram a buscar ativamente essas pessoas apenas para cumprir uma obriga\u00e7\u00e3o legislativa. Somente este ano, foi aprovada uma medida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alterou a reserva de vagas das candidaturas para, de fato, chegar a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/864409-congresso-promulga-cota-de-30-do-fundo-eleitoral-para-candidaturas-femininas\/\">uma\u00a0 ocupa\u00e7\u00e3o feminina em n\u00edvel legislativo.<\/a><\/p>\n<p>A presen\u00e7a das candidaturas coletivas, ent\u00e3o, demonstra um antagonismo presente na atual crise da democracia brasileira: a inser\u00e7\u00e3o de novos corpos e os limites impostos pela legisla\u00e7\u00e3o eleitoral. Sobretudo porque essas candidaturas est\u00e3o protegidas somente por acordos extraoficiais, sem qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o legal definida para serem institu\u00eddas. Al\u00e9m disso, os conflitos existentes internamente tamb\u00e9m podem acabar desestruturando esse tipo de fazer pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um levantamento estat\u00edstico das candidaturas coletivas que emergiram no Pa\u00eds desde 2016, utilizando uma apura\u00e7\u00e3o das redes sociais de internet entre 2019 e 2022 dos perfis dessas candidaturas, Costa chegou a uma compreens\u00e3o desses novos fen\u00f4menos na din\u00e2mica eleitoral do Pa\u00eds. \u201cTem ocorrido uma reconfigura\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica das lutas sociais e o Pa\u00eds se encontra imerso em uma crise democr\u00e1tica complexa que, simultaneamente, ataca quest\u00f5es sub-representadas e privilegia os interesses da extrema direita, grupo que vem ascendendo rapidamente aos espa\u00e7os de poder\u201d, afirma.<\/p>\n<div id=\"attachment_4569\" style=\"width: 552px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4569\" class=\"wp-image-4569 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos.png\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos.png 542w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-300x295.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-45x45.png 45w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-400x393.png 400w\" sizes=\"(max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4569\" class=\"wp-caption-text\">O pesquisador cataloga todos os mandatos coletivos eleitos entre os anos de 2016 a 2020 &#8211; Arte: Rebeca Fonseca<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4568\" style=\"width: 547px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-SP-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4568\" class=\"wp-image-4568 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-SP-1.png\" alt=\"\" width=\"537\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-SP-1.png 537w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-SP-1-300x213.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/mandatos-coletivos-SP-1-400x285.png 400w\" sizes=\"(max-width: 537px) 100vw, 537px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4568\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Rebeca Fonseca<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, nas esferas estaduais e municipais, foi poss\u00edvel perceber a uni\u00e3o em partes da sociedade civil com as propostas expostas pelas candidaturas coletivas.\u00a0 Ele exemplifica isso com a chegada das candidaturas \u201cJuntas\u201d, em Pernambuco, e a \u201cMandata Ativista\u201d, em S\u00e3o Paulo, em 2018, nas Assembleias Legislativas estaduais. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, o modelo se proliferou pelo Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas primeiras candidaturas coletivas revelam as dificuldades de mulheres, negros, ind\u00edgenas e da comunidade LGBTQIA+ em furar essa bolha institucional. Hoje, 15% das mulheres comp\u00f5em o Congresso Nacional. J\u00e1 nas candidaturas coletivas, segundo dados coletados pelo pesquisador, 74% s\u00e3o mulheres. Nos primeiros moldes dessa reforma pol\u00edtica tradicional, h\u00e1 uma horizontalidade no poder, definida por coparlamentares que compartilham suas agendas pol\u00edticas e lutas, que refletem os anseios da sociedade civil em renovar a pol\u00edtica.<\/p>\n<div id=\"attachment_4566\" style=\"width: 939px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4566\" class=\"wp-image-4566 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos.png\" alt=\"\" width=\"929\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos.png 929w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos-300x96.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos-768x246.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candidatura-generos-400x128.png 400w\" sizes=\"(max-width: 929px) 100vw, 929px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4566\" class=\"wp-caption-text\">Os dados da esquerda foram elaborados pelo pesquisador. J\u00e1 os da direita foram retirados do relat\u00f3rio de 2019 da Rede de A\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica pela Sustentabilidade (Raps), material complementar utilizado na elabora\u00e7\u00e3o da pesquisa \u2013 Arte: Rebeca Fonseca<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador, tamb\u00e9m \u00e9 preciso olhar para novos rearranjos de luta que podem emergir. Como, por exemplo, os riscos que as candidaturas coletivas podem ter com a chegada de grupos mais conservadores, que poder\u00e3o tentar expandir os seus oligop\u00f3lios de poder de forma concentrada, aproveitando-se do formato inovador. \u201cEmbora isso j\u00e1 ocorra de forma individual e at\u00e9 estrat\u00e9gica, como no caso das bancadas parlamentares\u201d, lembra o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente dos mandatos coletivos, essas bancadas funcionam como uma alian\u00e7a entre parlamentares em torno de pautas comuns. \u00c9 o caso da bancada ruralista, como lembra o pesquisador, que privilegia os interesses do agroneg\u00f3cio, por exemplo. No caso dos movimentos de direita, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel uma apropria\u00e7\u00e3o do modelo de candidaturas coletivas, como, por exemplo, duas candidaturas coletivas conservadoras que concorreram nas elei\u00e7\u00f5es de 2022:\u00a0<a href=\"https:\/\/instagram.com\/estelasoficial?igshid=YmMyMTA2M2Y=\"><i>As Estelas<\/i><\/a><i>\u00a0<\/i>e o<i>\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/instagram.com\/coletivopmbm?igshid=YmMyMTA2M2Y=\"><i>Coletivo PMBM.<\/i><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Conflitos internos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manuten\u00e7\u00e3o interna de uma candidatura coletiva costuma ser muito dif\u00edcil, de acordo com o pesquisador. Quanto mais gente, possivelmente maior o conflito de vozes. Por isso, os grupos tentam desenvolver o di\u00e1logo e estabelecer novas formas de consolidar as suas lutas, recorrendo a estrat\u00e9gias como a sociocracia ou o estabelecimento de estatutos e regimentos internos. Costa tamb\u00e9m pontua que a concentra\u00e7\u00e3o de um grupo de ativistas ocupando uma \u00fanica cadeira demonstra as fragilidades do sistema representativo. Para a Justi\u00e7a Eleitoral, at\u00e9 o momento, apenas a pessoa representante do grupo eleito, que formalizou a candidatura, ser\u00e1 reconhecida como a titular do mandato e, portanto, a respons\u00e1vel legal. Todos os demais acordos s\u00e3o informais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pesquisador ressalta que \u201ca pol\u00edtica \u00e9 o espa\u00e7o por excel\u00eancia do conflito, do dissenso, do debate. Ent\u00e3o \u00e9 natural que esses grupos tenham diverg\u00eancias. Dificilmente um coletivo n\u00e3o vai ter diverg\u00eancia interna e atuar de forma homog\u00eanea. talvez isso aconte\u00e7a se ele for controlado por algum partido\u201d, acredita. Procurando compreender o que leva as pessoas a se engajarem numa luta, os riscos e o que h\u00e1 de efic\u00e1cia nesse tipo de movimento pol\u00edtico, Costa analisou conflitos que permearam a d\u00e9cima candidatura coletiva mais votada para o cargo de deputado estadual nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 em S\u00e3o Paulo, a Mandata Ativista.<\/p>\n<div id=\"attachment_4565\" style=\"width: 939px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4565\" class=\"wp-image-4565 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva.png\" alt=\"\" width=\"929\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva.png 929w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva-300x159.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva-768x406.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2022\/10\/candatura-coletiva-400x211.png 400w\" sizes=\"(max-width: 929px) 100vw, 929px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4565\" class=\"wp-caption-text\">Em 2018, a Mandata Ativista foi a candidatura coletiva mais votada para o cargo de deputado estadual em S\u00e3o Paulo &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/section>\n<section data-id=\"ed235d1\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n<h2>Das ruas \u00e0s redes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa concluiu que as motiva\u00e7\u00f5es sociais de luta n\u00e3o acontecem por acaso. A efic\u00e1cia da sedimenta\u00e7\u00e3o desses coletivos n\u00e3o depende apenas da vontade dos atores sociais envolvidos, mas de certas condi\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am a reprodu\u00e7\u00e3o dessas novas formas de luta enquanto pr\u00e1tica social democr\u00e1tica, reconhecida tanto pelos partidos pol\u00edticos quanto pelo eleitorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Costa pontua a atua\u00e7\u00e3o das redes sociais de internet como elemento fundamental para a ascens\u00e3o de mandatos coletivos, que encontram barreiras tamb\u00e9m no financiamento de suas campanhas por meio do fundo eleitoral destinado aos partidos pelo TSE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por n\u00e3o conseguirem espa\u00e7o nem arcar com os altos custos da apresenta\u00e7\u00e3o de suas propostas em poucos segundos no hor\u00e1rio eleitoral da TV aberta, muitos coletivos migram suas atua\u00e7\u00f5es de luta para as ruas e para as redes sociais de internet. Ali, conseguem aproximar suas agendas pol\u00edticas nos espa\u00e7os p\u00fablicos e nos espa\u00e7os virtuais. O processo ocorre por meio de compartilhamento de suas propostas de forma direcionada aos nichos de apoiadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi o caso da Mandata Ativista, que juntava nove codeputadas ativistas de diferentes partidos, eleitas coletivamente para ocupar um \u00fanico gabinete de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo. O cargo est\u00e1 em exerc\u00edcio desde mar\u00e7o de 2019. O grupo se apresentou por meio das redes sociais como um movimento independente e pluripartid\u00e1rio dedicado a eleger ativistas em S\u00e3o Paulo e apoiar a constru\u00e7\u00e3o de seus mandatos.<\/p>\n<\/section>\n<section data-id=\"8d70b6b\" data-element_type=\"section\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Em 2022<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano, embora tenham sido 215 candidaturas coletivas disputadas, sendo\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/eleicoes\/2022\/10\/04\/candidaturas-coletivas-eleitas-eleicoes-2022.htm\">cinco candidaturas in\u00e9ditas<\/a>\u00a0ao Senado, apenas duas foram eleitas ao cargo de deputado estadual. Isso registrou um aumento de 117% comparado aos anos somados de 2016 e 2018, segundo o TSE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 para os mandatos coletivos que ser\u00e3o iniciados em 2023, apenas em S\u00e3o Paulo conseguiram ser eleitas as candidaturas que pretendem remodelar o fazer pol\u00edtico tradicional, ambas em continuidade de experi\u00eancias anteriores: a Bancada Feminista (Psol), representada por Paula Nunes, e M\u00f4nica Seixas sendo a porta-voz do Movimento Pretas por SP (Psol).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pleito de 2022 \u00e9 o primeiro ap\u00f3s a resolu\u00e7\u00e3o do TSE de permitir que grupos ou coletivos sejam mencionados em nome na urna, diferentemente das outras elei\u00e7\u00f5es quando apenas um porta-voz era mencionado.<\/p>\n<\/section>\n<section data-id=\"b415d6f\" data-element_type=\"section\">\n<h2>Saiba mais<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Tese_Jose_Fernando_corrigida-7.pdf\"><i>S\u00f3 a luta muda a vida: um estudo sobre lutas sociais e mandatos coletivos<\/i><i>na atual crise da democracia brasileira<\/i><\/a><\/p>\n<p><b>Por <\/b>Danilo Queiroz, do <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/estudo-da-usp-analisa-como-a-ascensao-das-candidaturas-coletivas-democratizam-a-politica\/\">Jornal da USP<\/a><\/p>\n<p><b>Arte:\u00a0<\/b>Rebeca Fonseca<\/p>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisa como candidaturas coletivas podem democratizar a pol\u00edtica e proporcionar efeitos positivos na constru\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica dos participantes<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":4564,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[479,37,481,483,482,480],"class_list":["post-4562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-candidaturas","tag-genero","tag-justica-eleitoral","tag-luta-social","tag-mandatos","tag-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4562"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4725,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4562\/revisions\/4725"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}