{"id":465,"date":"2015-04-30T14:00:00","date_gmt":"2015-04-30T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=465"},"modified":"2018-08-06T12:20:31","modified_gmt":"2018-08-06T14:20:31","slug":"desperdicio-de-potencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/desperdicio-de-potencial\/","title":{"rendered":"Desperd\u00edcio de potencial"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>A TV, que entret\u00e9m as crian\u00e7as brasileiras por mais de quatro\u00a0horas todos os dias, possui apenas 1% de seus programas infantis \u00a0voltados para a alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Meio de comunica\u00e7\u00e3o com maior alcance no pa\u00eds, a televis\u00e3o se faz presente na vida dos brasileiros desde muito cedo. Em seu mestrado a\u00a0pesquisadora Anna Carolina M\u00fcller Queiroz,\u00a0relata que no Brasil as crian\u00e7as assistem\u00a0 TV em m\u00e9dia 4 horas e meia todos os dias. \u201cNota-se que al\u00e9m das brincadeiras, outro componente importante do contexto de vida da crian\u00e7a em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a televis\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os canais que exibem desenhos infantis em sua programa\u00e7\u00e3o. O universo fantasioso das crian\u00e7as \u00e9 estimulado por her\u00f3is e hero\u00ednas em cenas de a\u00e7\u00e3o repletas de efeitos especiais. H\u00e1 produ\u00e7\u00f5es que destacam a comicidade e a rapidez de racioc\u00ednio, e h\u00e1 outras que buscam introduzir valores morais e comportamentais em indiv\u00edduos que est\u00e3o construindo aos poucos suas refer\u00eancias. N\u00e3o se pode, portanto, negar o potencial educativo da televis\u00e3o. Mas quantos desses programas infantis est\u00e3o voltados para a alfabetiza\u00e7\u00e3o, aquisi\u00e7\u00e3o essencial para os nossos dias?<\/p>\n<p>Anna Queiroz analisou programas infantis brasileiros e a forma como contribuem para a aquisi\u00e7\u00e3o da leitura por meio da manipula\u00e7\u00e3o oral e visual da linguagem em portugu\u00eas. Intitulado\u00a0<em>As concep\u00e7\u00f5es de leitura envolvidas nos programas infantis de televis\u00e3o<\/em>, seu mestrado constatou que, dos 211 programas veiculados na televis\u00e3o (aberta ou por assinatura), e aproximadamente dos 2000 t\u00edtulos de DVDs levantados que s\u00e3o voltados ao p\u00fablico infantil, apenas 1 programa de televis\u00e3o e 2 s\u00e9ries de DVDs apresentaram os crit\u00e9rios buscados. S\u00e3o eles o\u00a0<em>Vila S\u00e9samo<\/em>\u00a0e as s\u00e9ries G<em>alinha Pintadinha<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Xuxa S\u00f3 Para Baixinhos<\/em>, que fazem uso, entre outros recursos, de legendas em sincronia com as m\u00fasicas apresentadas.<\/p>\n<p>Anna classificou os tr\u00eas programas entre as duas principais concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de leitura, denominadas em sua disserta\u00e7\u00e3o de \u201cConstrutivismo\u201d e \u201cCognitivismo\u201d. Seriam pertencentes \u00e0 primeira concep\u00e7\u00e3o os programas que apresentassem o conte\u00fado escrito contextualizado com as imagens e os sons, sem \u00eanfase na consci\u00eancia\u00a0 fonol\u00f3gica (s\u00edlabas e fonemas) ou morfol\u00f3gica. J\u00e1 os de concep\u00e7\u00e3o cognitivista apresentariam tal \u00eanfase por meio de elementos metalingu\u00edsticos, como a correspond\u00eancia de sons e letras \u00e0 medida que aparecessem na tela. A conclus\u00e3o foi que pode haver a preval\u00eancia de um deles \u2012\u00a0<em>Vila S\u00e9samo\u00a0<\/em>com uma abordagem cognitivista e\u00a0<em>Xuxa S\u00f3 Para Baixinhos<\/em>\u00a0construtivista \u2012 ou a concep\u00e7\u00e3o pode ser mista, como no caso da\u00a0<em>Galinha Pintadinha<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-466\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5.png 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5-300x147.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5-768x376.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Sem-t\u00edtulo-5-400x196.png 400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os elementos expl\u00edcitos nos programas infantis servem primordialmente para auxiliar no papel da educa\u00e7\u00e3o formal, protagonista na tarefa de alfabetizar. Claramente, o papel da televis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem deveria ser o mesmo que o da escola. Por\u00e9m, chama aten\u00e7\u00e3o a propor\u00e7\u00e3o baix\u00edssima de produ\u00e7\u00f5es voltadas diretamente para fins educativos. \u201cHoje em dia, se voc\u00ea assistir televis\u00e3o em qualquer pa\u00eds, vai ver que poucos programas s\u00e3o educativos\u201d, afirma Queiroz, que continua: \u201cA maior parte \u00e9 para te entreter sem te colocar pra pensar muito\u201d. Ela ainda completa: \u201cN\u00e3o s\u00f3 para o p\u00fablico infantil, mas para todo o p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<p>Anna acredita que isso ocorre devido a aspectos culturais e financeiros. A busca por audi\u00eancia faz com que sobressaiam op\u00e7\u00f5es com maior apelo emocional ao p\u00fablico infantil, como narrativas de aventura e romance. A necessidade de investimento em programas mais elaborados tamb\u00e9m desestimula sua maior incid\u00eancia nos canais brasileiros. \u201cVoc\u00ea vai fazer um programa realmente com uma proposta educativa, vai gastar bastante, porque ter\u00e1 pesquisadores, far\u00e1 programa piloto e testes para ver se o objetivo est\u00e1 sendo atingido, e assim vai\u201d, aponta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Pesquisa de Anna Queiroz\u00a0\u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/47\/47131\/tde-30082013-162532\/pt-br.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique\u00a0<strong>aqui<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p>Por Ariane Alves e Tatiana Iwata<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o Por Islaine Maciel e Maira Isabel Leme<\/p>\n<p>Clique nas imagens para folhear as revistas\u00a0<strong>psico.<\/strong>usp<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n1_2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><\/a>Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n._2-3_2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A TV, que entret\u00e9m as crian\u00e7as brasileiras por mais de quatro\u00a0horas todos os dias, possui apenas 1% de seus programas&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":470,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[373,4],"tags":[124,48,116,128],"class_list":["post-465","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alfabetizacao","category-educacao","tag-alfabetizacao","tag-criancas","tag-leitura","tag-televisao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=465"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2066,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/465\/revisions\/2066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}