{"id":5119,"date":"2023-03-31T16:00:18","date_gmt":"2023-03-31T18:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=5119"},"modified":"2023-03-31T16:00:18","modified_gmt":"2023-03-31T18:00:18","slug":"como-conversar-com-seus-filhos-sobre-ataques-em-escolas-e-amenizar-o-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/como-conversar-com-seus-filhos-sobre-ataques-em-escolas-e-amenizar-o-medo\/","title":{"rendered":"Como conversar com seus filhos sobre ataques em escolas e amenizar o medo"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Atentados como os do \u00faltimo dia 27, em que um aluno de 13 anos matou uma professora e deixou outros 5 estudantes feridos em uma escola na zona oeste de S\u00e3o Paulo, podem instaurar inseguran\u00e7a generalizada em pais e alunos. Desde agosto de 2022, houve mais de um ataque do tipo por m\u00eas no Brasil.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para abordar o assunto em casa e lidar com medos e traumas, especialistas recomendam acolher os sentimentos dos filhos e procurar ajuda especializada, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"texto\">COMO INICIAR UMA CONVERSA SOBRE O ASSUNTO?<\/p>\n<p class=\"texto\">No primeiro momento, o mais importante \u00e9 manter uma postura acolhedora e um espa\u00e7o de escuta ativa. Segundo Danila Zambianco, doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o pela Unicamp (Universidade de Campinas) e especialista em compet\u00eancias socioemocionais, a abordagem pode mudar a depender de como foi a participa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Caso o estudante tenha presenciado, a especialista recomenda aguardar as orienta\u00e7\u00f5es da escola sobre como abordar o assunto em casa.<\/p>\n<p class=\"texto\">Por\u00e9m, caso seja algu\u00e9m distante do ocorrido, os pais e familiares podem iniciar o assunto comentando sobre a not\u00edcia e buscando entender o que o jovem sabe sobre o ocorrido.<\/p>\n<p class=\"texto\">Dizer &#8220;Ouvi uma not\u00edcia bem ruim hoje sobre uma escola, voc\u00ea ouviu?&#8221; pode ser uma boa maneira de iniciar uma conversa, afirma a especialista.<\/p>\n<p class=\"texto\">A partir da\u00ed, Zambianco recomenda sondar o que o estudante sabe sobre o assunto. O ideal \u00e9 informar de maneira sucinta e tamb\u00e9m esclarecer informa\u00e7\u00f5es falsas, evitando julgamentos e suposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;N\u00e3o se deve esconder nada dos alunos, at\u00e9 porque eles t\u00eam todas as informa\u00e7\u00f5es nos celulares&#8221;, refor\u00e7a Elaine Alves, pesquisadora do Instituto de psicologia da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e coordenadora do Niped (N\u00facleo de Interven\u00e7\u00e3o Psicossocial em Emerg\u00eancias e Desastre).<\/p>\n<p class=\"texto\">A indica\u00e7\u00e3o \u00e9 ser o mais realista poss\u00edvel e buscar entender como o jovem se sente e o que gostaria de falar sobre o assunto. &#8220;Alguns t\u00eam necessidade de falar muito sobre o assunto, outros n\u00e3o. \u00c9 preciso respeitar isso&#8221;, diz Alves.<\/p>\n<p class=\"texto\">O QUE DEVE SER ABORDADO?<\/p>\n<p class=\"texto\">Zambianco recomenda tamb\u00e9m conversar sobre qual a rea\u00e7\u00e3o adequada a cada situa\u00e7\u00e3o. A especialista indica usar frases que questionem, de forma acolhedora, a crian\u00e7a ou adolescente, como &#8220;Quando n\u00e3o estamos de acordo com algo, como podemos resolver? Mesmo quando ficamos muito bravos? O que podemos ou n\u00e3o fazer?&#8221;.<\/p>\n<p class=\"texto\">Nessa primeira conversa, a proposta \u00e9 informar o aluno e abrir espa\u00e7o para falar sobre os sentimentos. Considera\u00e7\u00f5es sobre o porqu\u00ea de um ataque ser feito ou ju\u00edzos de valor n\u00e3o s\u00e3o produtivos.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;\u00c9 preciso acolher, ou seja, demonstrar apoio e escuta e n\u00e3o impor sentimentos nesse momento. Deixar que digam como se sentem, quando querem dizer&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n<p class=\"texto\">Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomendado apressar as crian\u00e7as ou impor o que os pais consideram correto nesse momento, mas sim respeitar a dor e os sentimentos do estudante.<\/p>\n<p class=\"texto\">O QUE FAZER SE AS CRIAN\u00c7AS ESTIVEREM COM MEDO DE VOLTAR \u00c0 ESCOLA?<\/p>\n<p class=\"texto\">Antes, Zambianco destaca o que n\u00e3o fazer: assistir aos notici\u00e1rios sobre o tema compulsivamente e comentar com const\u00e2ncia sobre o assunto na frente das crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 indicado. &#8220;N\u00e3o se trata de esconder o que houve, mas de dar a devida medida para as coisas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">Lidar com o medo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel depois de identificar de onde ele vem. Por exemplo, se o que amedronta \u00e9 a possibilidade de ocorrer um novo ataque, conhecer as estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a que est\u00e3o sendo estabelecidas pela escola pode ajudar.<\/p>\n<p class=\"texto\">A fam\u00edlia tamb\u00e9m pode pensar em estrat\u00e9gias personalizadas. Zambianco sugere frases como: &#8220;Quando voc\u00ea sentir medo na escola, o que pode fazer para se sentir seguro?&#8221;.<\/p>\n<p class=\"texto\">Essas estrat\u00e9gias devem ser tempor\u00e1rias, at\u00e9 que o estudante volte a ter a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto\">A especialista Elaine Alves ressalta que os sintomas do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico s\u00e3o comuns nos primeiros 30 dias ap\u00f3s o acontecimento. Muitas crian\u00e7as podem apresentar, por exemplo, pesadelos e outros problemas de sono.<\/p>\n<p class=\"texto\">COMO A FAM\u00cdLIA PODE LIDAR COM O PR\u00d3PRIO MEDO?<\/p>\n<p class=\"texto\">A fam\u00edlia deve ser transparente com os jovens, deixando claro que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 angustiante e manifestando os pr\u00f3prios sentimentos. &#8220;\u00c9 importante que os pais se coloquem de maneira verdadeira&#8221;, afirma Alves. &#8220;O medo \u00e9 esperado.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">A psic\u00f3loga recomenda acolher os pr\u00f3prios sentimentos e reconhecer que s\u00e3o v\u00e1lidos. Al\u00e9m disso, buscar escola e em outras fam\u00edlias para elaborar as preocupa\u00e7\u00f5es e entender as estrat\u00e9gias que est\u00e3o sendo estabelecidas pode ajudar.<\/p>\n<p class=\"texto\">Apesar disso, pais e respons\u00e1veis devem administrar o pr\u00f3prio medo para que ele n\u00e3o seja transferido \u00e0s crian\u00e7as de maneira exagerada.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para isso, \u00e9 importante checar a veracidade de not\u00edcias e evitar discuss\u00f5es acaloradas no ambiente digital.<\/p>\n<p class=\"texto\">As estrat\u00e9gias usadas para acalmar as crian\u00e7as podem ser replicadas pelos pr\u00f3prios adultos, mas tamb\u00e9m \u00e9 essencial manter contato com a institui\u00e7\u00e3o de ensino e outros \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis para receber informa\u00e7\u00f5es atualizadas sobre as estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a e cobrar pol\u00edticas de di\u00e1logo e acolhimento.<\/p>\n<p class=\"texto\">QUANDO PROCURAR AJUDA PROFISSIONAL?<\/p>\n<p class=\"texto\">O primeiro passo recomendado pelos especialistas \u00e9 estabelecer conversas com o jovem e a escola para verificar se h\u00e1 alguma maneira de lidar com a situa\u00e7\u00e3o internamente.<\/p>\n<p class=\"texto\">A educadora Danila Zambianco afirma que n\u00e3o conseguir voltar \u00e0s aulas, apresentar sofrimento acentuado ou prolongado, e automutila\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns sinais que pedem aten\u00e7\u00e3o dos pais e familiares.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;S\u00e3o exemplo de situa\u00e7\u00f5es que podem indicar que precisam de ajuda de algum profissional&#8217;, aponta.<\/p>\n<p class=\"texto\">A psic\u00f3loga Belinda Mandelbaum, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos da Fam\u00edlia da USP, aponta que, muitas vezes, as crian\u00e7as n\u00e3o manifestam a necessidade de ajuda verbalmente. Muitas t\u00eam manifesta\u00e7\u00f5es emocionais e sintomas psicossom\u00e1ticos (f\u00edsicos).<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;\u00c9 preciso haver essa sensibilidade dos adultos entorno para essas diversas manifesta\u00e7\u00f5es, que podem ser verbais ou n\u00e3o verbais&#8221;, ressalta. Problemas de sono e alimenta\u00e7\u00e3o, por exemplo, tamb\u00e9m podem fazer parte.<\/p>\n<p class=\"texto\">CASO O ALUNO TENHA PRECENCIADO, \u00c9 NECESS\u00c1RIO TROCAR DE ESCOLA?<\/p>\n<p class=\"texto\">Em um primeiro momento, todos os desejos e considera\u00e7\u00f5es devem ser escutados.<\/p>\n<p class=\"texto\">Por\u00e9m, Mandelbaum afirma que mudar as crian\u00e7as de escola n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia efetiva. &#8220;N\u00e3o garante a seguran\u00e7a, pois este \u00e9 um problema maior&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"texto\">O momento deve ser encarado de maneira coletiva, pois n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o individual. As estrat\u00e9gias para lidar com o trauma ser\u00e3o majoritariamente organizadas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino por meio de rodas de conversa e outros encontros.<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m de ser uma maneira de evitar lidar com o trauma, mudar de escola pode acabar dificultando o processo e deixando a crian\u00e7a mais isolada. &#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o em que o trabalho coletivo \u00e9 muito importante&#8221;, refor\u00e7a Mandelbaum.<\/p>\n<p>Por Gabriella Sales, para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/03\/como-conversar-com-seus-filhos-sobre-ataques-em-escolas-e-amenizar-o-medo.shtml\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>, 29\/03\/2023.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As escolas costumam ser um lugar seguro para os pais deixarem seus filhos. Afinal, estar\u00e3o num ambiente controlado, supervisionado e organizado especialmente para o seu desenvolvimento. O que fazer, ent\u00e3o, quando essa seguran\u00e7a \u00e9 quebrada e a a escola se torna um local sujeito a viol\u00eancia?<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":5120,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5119"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5121,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5119\/revisions\/5121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}