{"id":551,"date":"2015-04-30T16:41:53","date_gmt":"2015-04-30T18:41:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=551"},"modified":"2018-03-21T12:05:21","modified_gmt":"2018-03-21T14:05:21","slug":"o-direito-de-rir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/o-direito-de-rir\/","title":{"rendered":"O direito de rir"},"content":{"rendered":"<p>No dia sete de janeiro de 2015, em Paris, dois irm\u00e3os chamados Kouachi penetraram no pr\u00e9dio da revista Charlie Hebdo, mataram friamente v\u00e1rios caricaturistas e sa\u00edram gritando que o Profeta Mohamed havia sido vingado. Vingado do qu\u00ea? Para eles, de uma das piores das ofensas: ser objeto de humor. Os cartunistas assassinados haviam ousado rir e fazer rir do Profeta. Ora, do Profeta, ningu\u00e9m tem o direito de rir.<\/p>\n<p>O massacre comoveu o mundo e durante semanas presenciou-se forte solidariedade para com as v\u00edtimas, solidariedade esta que se cristalizou na express\u00e3o Je suis Charlie [\u201cSomos por Charlie\u201d]. <a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Yves_La_Taille.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-552\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Yves_La_Taille-205x300.png\" alt=\"\" width=\"263\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Yves_La_Taille-205x300.png 205w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Yves_La_Taille-400x585.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/Yves_La_Taille.png 500w\" sizes=\"(max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/><\/a>Todavia, passada a como\u00e7\u00e3o, ficou a pergunta: temos direito de rir de tudo e de qualquer jeito?Alguns humoristas acham que sim. Disse, por exemplo, Danilo Gentili: \u201cEu n\u00e3o tenho nenhum crit\u00e9rio para escolher o alvo de minha piada; meu \u00fanico crit\u00e9rio: se for engra\u00e7ado\u201d. Rafinha Bastos pensa da mesma forma: \u201cMinha miss\u00e3o \u00e9 subir no palco e ser engra\u00e7ado\u201d. Marcela Leal \u00e9 categ\u00f3rica: \u201cHumorista n\u00e3o deve ter responsabilidade. Ele deve divertir as pessoas\u201d. Volto a Rafinha Bastos, que no v\u00eddeo\u00a0<em>&#8220;O Riso dos Outros&#8221;<\/em>\u00a0justifica a sua piada segundo a qual as mo\u00e7as feias deveriam agradecer a seus estupradores: \u201c\u00c9 humor, cara!\u201d.Parece t\u00e3o simples! Piada \u00e9 apenas piada, ent\u00e3o, o direito de rir n\u00e3o deveria sofrer limita\u00e7\u00e3o alguma. Afinal, humor desencadeia o riso, e riso \u00e9 alegria! Ent\u00e3o, qual o problema? Mas acontece que as coisas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples assim!\u00a0\u00a0Existe, \u00e9 claro, uma forte rela\u00e7\u00e3o entre riso e alegria. Neste caso, alguns autores falam em \u201criso positivo\u201d, como, por exemplo, rir ao conquistar uma vit\u00f3ria ou ao celebrar algum acontecimento com amigos. Por\u00e9m, se classificamos o riso em \u201criso positivo\u201d \u00e9 que tamb\u00e9m podemos classific\u00e1-lo pelo seu oposto: o \u201criso negativo\u201d, aquele que se associa a algum sentimento ele mesmo negativo, triste. Por exemplo, como bem o notou Darwin em seus estudos sobre a express\u00e3o dos sentimentos, o riso pode acompanhar o sentimento de vergonha, que certamente n\u00e3o \u00e9 motivo para alegria. Tampouco a inseguran\u00e7a e a timidez s\u00e3o estados alegres, mas n\u00e3o raramente causam o riso em quem os experimenta. Outro exemplo de riso negativo \u00e9 aquele que pode ser chamado de \u201chist\u00e9rico\u201d por traduzir-se pela express\u00e3o exagerada e incontrolada da emotividade: a raiva e a frustra\u00e7\u00e3o podem assim ser expressas pelo riso. Mais um exemplo: o que Dupr\u00e9el chama de \u201criso de exclus\u00e3o\u201d, aquele que um grupo faz soar para mostrar a algu\u00e9m que o acham rid\u00edculo e que n\u00e3o ser\u00e1 aceito. O \u201criso de exclus\u00e3o\u201d \u00e9 uma das formas do \u201criso de humilha\u00e7\u00e3o\u201d, infelizmente t\u00e3o frequente, e a que Chico Buarque se refere na sua can\u00e7\u00e3o\u00a0<em>N\u00e3o sonho mais<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Quanto mais tu corria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Mais tu ficava<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Mais atolava<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Mais te sujava<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Amor, tu fedia e empestava o ar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Tu que foi t\u00e3o valente<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Chorou para a gente<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Pediu piedade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>E, olha que maldade,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>me deu vontade\u00a0<\/em><em>de gargalhar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Finalmente, lembremos a observa\u00e7\u00e3o incontorn\u00e1vel do fil\u00f3sofo Bergson: \u201cO riso \u00e9 sempre um pouco humilhante para quem \u00e9 dele objeto\u201d.\u00a0 Um pouco, ou at\u00e9 muito, como o lembra Lorenz: \u201cO riso pode se transformar numa arma cruel quando ele bate injustamente um ser humano indefeso: \u00e9 criminoso rir de uma crian\u00e7a\u201d. Pode-se falar em certos casos em \u201cassassinato ps\u00edquico\u201d porque se conhecem os efeitos delet\u00e9rios da humilha\u00e7\u00e3o, efeitos estes que podem levar ao suic\u00eddio, como o foi o caso da enfermeira Jacintha Saldanha, v\u00edtima em 2012 de um trote (ela acreditou que estava falando com a fam\u00edlia real da Inglaterra, engano este que veio a p\u00fablico).<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Acredito que o que acaba de ser escrito desmente frontalmente que o riso \u00e9 sempre alegria e que o direito de rir \u00e9 amplo e irrestrito. Afinal, como afirmar que o humorista n\u00e3o deve ter responsabilidade social se os efeitos de seu trabalho podem causar sofrimento?\u00a0Isto posto, como equacionar limites ao direito de rir? A quest\u00e3o \u00e9 complexa e remeto o leitor ao meu livro Humor e tristeza: o direito de rir (Papirus, 2014) se quiser se aprofundar no tema. Pretendo aqui apenas dar duas pistas, restringindo-me ao riso desencadeado pelo humor.\u00a0Primeira pista. As modalidades de humor podem ser classificadas de v\u00e1rias formas: ironia, pastel\u00e3o, s\u00e1tira, non sense, cinismo, com\u00e9dia, caricatura, etc. Para nosso tema, proponho duas grandes classes: o humor existencial e o humor de zombaria. O humor existencial toma como objeto destinos, mazelas, problemas, etc. de nossas vidas. Vejamos dois exemplos, o primeiro sobre a velhice: \u201cA velhice \u00e9 quando a sua mulher lhe diz: \u2018Vamos subir ao nosso quarto e fazer amor\u2019, e voc\u00ea responde: \u2018Minha querida, \u00e9 uma coisa ou outra\u2019\u201d (Buttons). O segundo sobre a solid\u00e3o: \u201cQuando eu era pequena, eu tinha duas amigas secretas. E elas nunca queriam brincar comigo\u201d (Rudner).\u00a0J\u00e1 o humor de zombaria aponta para um aspecto considerado rid\u00edculo de algu\u00e9m, de algum costume, de algum grupo social. As famosas \u201cpiadas de portugu\u00eas\u201d s\u00e3o exemplos de humor de zombaria, como tamb\u00e9m o s\u00e3o as piadas sobre loiras. Vejamos o que o humorista Coluche disse de um grupo profissional: \u201cOs tecnocratas: se algu\u00e9m lhes desse o deserto do Saara, cinco anos depois eles teriam que comprar areia em outro lugar\u201d. E Marx Twain sobre m\u00e9dicos: \u201cUma morte natural \u00e9 quando a gente morre sozinho, sem a ajuda de um m\u00e9dico\u201d.\u00a0O que \u00e9 comum ao humor existencial e ao humor de zombaria \u00e9 o fato de serem cr\u00edticos (nem todo humor \u00e9 cr\u00edtico, como o atestam o non sense e os chistes). Mas enquanto o primeiro n\u00e3o visa a ningu\u00e9m em particular, o segundo costuma nomear as suas \u201cv\u00edtimas\u201d. Logo, se houver alguma restri\u00e7\u00e3o ao direito de rir, tal restri\u00e7\u00e3o deve apenas incidir sobre o riso de zombaria.\u00a0<em>\u201ccomo afirmar que o humorista n\u00e3o deve\u00a0ter responsabilidade social se os efeitos de\u00a0seu trabalho podem causar sofrimento?\u201d<\/em><\/p>\n<div class=\"psi-layout-cell psi-content\">\n<div class=\"item-page\">\n<article class=\"psi-post\">\n<div class=\"psi-postcontent clearfix\">\n<div class=\"psi-article\">\n<p>Mas algu\u00e9m poder\u00e1 dizer que o direito de cr\u00edtica \u00e9 um aspecto da liberdade de express\u00e3o e que esta, sendo irrestrita, nada deve limitar o direito de fazer humor de zombaria. Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Por um lado, n\u00e3o \u00e9 verdade que a liberdade de express\u00e3o seja ilimitada, do contr\u00e1rio a difama\u00e7\u00e3o seria l\u00edcita. Por outro, e \u00e9 o que importa aqui, devemos lembrar que o humor de zombaria ridiculariza seu objeto: ora, ser objeto de rid\u00edculo pode ser humilhante e n\u00e3o podemos fechar os olhos sobre esse aspecto. Ent\u00e3o, dir\u00e3o alguns, que se pro\u00edba o humor de zombaria em raz\u00e3o de sua caracter\u00edstica ofensiva. Isso \u00e9, grosso modo, o que pensam os chamados de \u201cpoliticamente corretos\u201d que se insurgem cada vez que se \u201cgoza\u201d de alguma nacionalidade, etnia, sexo, religi\u00e3o, profiss\u00e3o, etc.\u00a0Todavia, uma postura radicalmente proibitiva dessas coloca no m\u00ednimo tr\u00eas problemas. O primeiro: sem humor de zombaria, a cultura ficaria definitivamente triste. O segundo: sem ele, seria amputada uma forma de cria\u00e7\u00e3o humana que gerou apreci\u00e1veis obras (pensa-se em Mafalda, por exemplo). O terceiro: coloca sob tutela moral quem n\u00e3o precisa dela. Ent\u00e3o, quem precisaria dela?\u00a0Penso que a resposta est\u00e1 na decis\u00e3o de um grande humorista franc\u00eas, Devos, que afirma seguir o seguinte crit\u00e9rio: \u201cse voc\u00ea degrada coisas j\u00e1 degradadas, voc\u00ea as amea\u00e7a de morte\u201d. Dito pelo avesso, pode-se fazer humor de zombaria sobre valores socialmente fortes. Amea\u00e7am-se de \u201cmorte\u201d portugueses, loiras, argentinos, economistas, pol\u00edticos, etc. quando se faz humor de zombaria a seu respeito? N\u00e3o. Em compensa\u00e7\u00e3o, grupos sociais fracos, como negros, homossexuais, certas religi\u00f5es dependendo do lugar, mulheres tamb\u00e9m dependendo do lugar, podem ficar ainda mais fracos quando objeto social de humor de zombaria. Escreveu Pascal Boniface: \u201c\u00c9 muito diferente zombar da morte de De Gaulle numa Fran\u00e7a gaullista, na qual a oposi\u00e7\u00e3o era fraca e a liberdade de imprensa menos consequente do que hoje, e zombar, hoje em dia, dos mu\u00e7ulmanos, que n\u00e3o est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de poder na Fran\u00e7a, n\u00e3o t\u00eam apoio na m\u00eddia, s\u00e3o estigmatizados e t\u00eam dificuldades de integra\u00e7\u00e3o. Dito de outra forma, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa bater no forte ou no fraco. No primeiro caso, trata-se de coragem, no segundo, n\u00e3o. Os verdadeiros dissidentes n\u00e3o batem nos fracos, mas sim nos fortes. A\u00ed est\u00e1 a coragem\u201d.\u00a0Eu acabaria o presente texto com mais uma observa\u00e7\u00e3o, que corresponde \u00e0 segunda pista: em geral, o humor de zombaria reservado aos grupos sociais fracos, costuma ser aviltante. Exemplo de \u201cpiada\u201d sobre negros: \u201cPor que \u00e9 que preto gosta de boxe? Porque tem um assalto a cada tr\u00eas minutos\u201d. Sobre judeus: \u201cPor que os judeus pediram dinheiro aos su\u00ed\u00e7os? Para pagar a conta de g\u00e1s\u201d. Sobre mulheres gordas: \u201cSua m\u00e3e \u00e9 t\u00e3o gorda que, quando ela cai da cama, \u00e9 dos dois lados ao mesmo tempo\u201d. Sobre homossexuais: \u201cComo podemos fazer sentar quatro pederastas numa s\u00f3 cadeira? Virando a cadeira de ponta-cabe\u00e7a\u201d. Trata-se de rir cruelmente do mundo.Pelo contr\u00e1rio, o verdadeiro humor, que n\u00e3o costuma colocar problemas para o direito de rir, se caracteriza pelo rir de um mundo cruel. Um s\u00f3 exemplo, de autoria de Oscar Wilde: \u201cUm verdadeiro amigo \u00e9 aquele que te apunhala pela frente\u201d.\u00a0Deixo o leitor com o alerta de Doron Rabinovici: \u201cHoje em dia, \u00e9 preciso, sobretudo, se perguntar quem ri, com quem ri e contra o qu\u00ea\u201d. Eu acrescentaria: e de que forma.<\/p>\n<p>Por Yves de La Taille<br \/>\nProf. Dr. YVES DE LA TAILLE \u00e9 docente\u00a0do\u00a0Departamento de Psicologia da\u00a0Aprendizagem,do Desenvolvimento e da\u00a0Personalidade\u00a0do Instituto de Psicologia da USP<\/p>\n<p>Clique nas imagens para folhear as revistas\u00a0<strong>psico.<\/strong>usp<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n1_2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><\/a>Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/issuu.com\/psicologia_usp\/docs\/revista_psico.usp_n._2-3_2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia sete de janeiro de 2015, em Paris, dois irm\u00e3os chamados Kouachi penetraram no pr\u00e9dio da revista Charlie Hebdo,&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":554,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[14],"tags":[149,147,146,148],"class_list":["post-551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-commentor","tag-charlie-hebdo","tag-humilhacao","tag-humor","tag-massacre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=551"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1645,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions\/1645"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}