{"id":5662,"date":"2023-11-10T15:21:23","date_gmt":"2023-11-10T17:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=5662"},"modified":"2023-11-13T19:41:36","modified_gmt":"2023-11-13T21:41:36","slug":"suporte-psicologico-e-vital-para-amenizar-os-impactos-causados-pela-mortalidade-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/suporte-psicologico-e-vital-para-amenizar-os-impactos-causados-pela-mortalidade-materna\/","title":{"rendered":"Suporte psicol\u00f3gico \u00e9 vital para amenizar os impactos causados pela mortalidade materna"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5663\" style=\"width: 646px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/mae.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5663\" class=\"wp-image-5663 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/mae.png\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/mae.png 636w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/mae-300x233.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/mae-400x311.png 400w\" sizes=\"(max-width: 636px) 100vw, 636px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5663\" class=\"wp-caption-text\">Qualquer rompimento de um v\u00ednculo significativo vai exigir um per\u00edodo para processar os sentimentos \u2013 Foto: Freepik<\/p><\/div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-5662-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/MORTALIDADE-MATERNA_RAQUEL-TIEMI.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/MORTALIDADE-MATERNA_RAQUEL-TIEMI.mp3\">https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2023\/11\/MORTALIDADE-MATERNA_RAQUEL-TIEMI.mp3<\/a><\/audio>\n<p>O Brasil apresenta um quadro alarmante quanto \u00e0 mortalidade materna, cuja meta, de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), \u00e9 a de alcan\u00e7ar o limite de 30 mortes em cada 100 mil nascimentos. No entanto, o Painel de Monitoramento de Mortalidade Materna apontou para uma rela\u00e7\u00e3o de 107 \u00f3bitos maternos a cada 100 mil nascimentos. Esse n\u00famero \u00e9 expressivo quando comparado \u00e0 m\u00e9dia europeia de 17 mortes por 100 mil beb\u00eas. Esse grande retrocesso ocorreu na sa\u00fade materna como um todo durante o per\u00edodo da pandemia do coronav\u00edrus, conforme o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o da ONU (UNFPA) alerta.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o em si com a morte de m\u00e3es, faz-se necess\u00e1rio refletir sobre os impactos psicol\u00f3gicos da perda e, consequentemente, do luto. Em especial, aquele enfrentado pela fam\u00edlia e crian\u00e7a, na medida em que o cuidado direcionado ao rec\u00e9m-nascido e indiv\u00edduo, em geral, durante o seu desenvolvimento, possui um papel de extrema relev\u00e2ncia. Maria J\u00falia Kov\u00e1cs, coordenadora do N\u00facleo de Estudos sobre a Morte da USP, comenta que esse processo de perda t\u00e3o marcante se apresenta de forma muito individual e exige uma aten\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_379743\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-379743\"><figcaption id=\"caption-attachment-379743\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<h2><b>Processos de luto<\/b><\/h2>\n<div style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/20201217_maria_julia_kovacs_ip_usp.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"250\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Maria Julia Kov\u00e1cs, do Instituto de Psicologia da USP \u2013 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/IP<\/p><\/div>\n<p>O processo de lidar com a morte de uma pessoa querida envolve aspectos, segundo Maria J\u00falia, culturais, sociais e individuais. \u201cOs membros de uma mesma fam\u00edlia podem viver o processo de uma forma muito diferente e com necessidades diferentes, ent\u00e3o, al\u00e9m de todo o processo do luto, muitas vezes ocorrem brigas ou conflitos dentro do seio familiar por conta dessas diferen\u00e7as\u201d, pondera a professora.<\/p>\n<p>Qualquer rompimento de um v\u00ednculo significativo vai exigir um per\u00edodo para processar os sentimentos, sem que seja visto como doen\u00e7a, mas algo intr\u00ednseco \u00e0 exist\u00eancia. \u201c\u00c9 muito importante que seja autorizado, seja pela pessoa ou pela sociedade, o direito \u00e0 pessoa de viver o sofrimento e todo o processo para pensar na facilita\u00e7\u00e3o desta readapta\u00e7\u00e3o na vida\u201d, ressalta a especialista. Em casos de mortalidade materna, h\u00e1 especificidades acerca da perda, na medida em que, a depender de suas condi\u00e7\u00f5es, necessita de um importante trabalho de coopera\u00e7\u00e3o para o cuidado do beb\u00ea.<\/p>\n<p>Outro aspecto destacado pela professora relaciona-se \u00e0 morte gestacional, ou seja, \u00e0 perda do beb\u00ea antes mesmo de seu nascimento, visto que h\u00e1 muitas vezes a deslegitima\u00e7\u00e3o do luto pela sociedade. \u201cExiste todo o sofrimento da m\u00e3e, do casal, da fam\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perda porque houve um planejamento e investimento afetivo mesmo\u201d, afirma Maria J\u00falia.<\/p>\n<h2><b>Reestrutura\u00e7\u00e3o familiar\u00a0<\/b><\/h2>\n<div style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/20230503_antonio.jpg?resize=250%2C250&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"250\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Serafim \u2013 Foto: Arquivo Pessoal \u2013 Foto: Researchgate<\/p><\/div>\n<p>As figuras parentais exercem, na vis\u00e3o da professora, um papel importante na forma\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo e a perda destas pode impactar de diversas formas. Ant\u00f4nio de P\u00e1dua, professor do Instituto de Psicologia da USP, pondera que fatores como idade da crian\u00e7a e seu n\u00edvel de compreens\u00e3o diante da morte influenciam na forma de lidar com as perdas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, P\u00e1dua tamb\u00e9m comenta sobre a influ\u00eancia dos filhos no sofrimento da fam\u00edlia como um todo, uma vez que s\u00e3o uma lembran\u00e7a da perda. \u201cA fam\u00edlia, muitas vezes, sofre pelas crian\u00e7as, eles v\u00e3o desenvolver um sofrimento porque come\u00e7am a olhar para as crian\u00e7as que restaram dessa perda e atribuem uma carga de sofrimento muito grande para eles\u201d, considera. Assim, o suporte psicol\u00f3gico durante esse per\u00edodo \u00e9 essencial para que a tristeza do luto n\u00e3o se torne algo demorado e excessivo. Portanto, mesmo que se trate de um sentimento natural \u00e0 vida, quadros demasiados intensos devem receber a devida aten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Por: Raquel Tiemi, para o <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/radio-usp\/suporte-psicologico-e-vital-para-amenizar-os-impactos-causados-pela-mortalidade-materna\/\">Jornal da USP<\/a>, 10\/11\/2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria J\u00falia Kov\u00e1cs e Ant\u00f4nio de P\u00e1dua explicam os processos de luto e suas individualidades, em especial quando envolvem um n\u00facleo familiar<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":5663,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[379,612,47],"class_list":["post-5662","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-luto","tag-maternidade","tag-falar-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5662"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5666,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions\/5666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}