{"id":5810,"date":"2024-03-08T14:47:26","date_gmt":"2024-03-08T16:47:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=5810"},"modified":"2024-03-08T14:47:26","modified_gmt":"2024-03-08T16:47:26","slug":"relatos-perturbadores-de-quem-esteve-quase-morto-e-voltou-pesquisadora-da-usp-explica-as-consequencias-psicologicas-da-eqm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/relatos-perturbadores-de-quem-esteve-quase-morto-e-voltou-pesquisadora-da-usp-explica-as-consequencias-psicologicas-da-eqm\/","title":{"rendered":"Relatos perturbadores de quem esteve quase morto e voltou: pesquisadora da USP explica as consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas da EQM"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5812\" style=\"width: 799px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5812\" class=\"wp-image-5812 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem.png\" alt=\"\" width=\"789\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem.png 789w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem-300x219.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem-768x562.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem-80x60.png 80w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/porta-do-alem-400x293.png 400w\" sizes=\"(max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5812\" class=\"wp-caption-text\">Porta com feixe de luz \u2014 Foto: Montagem\/Freepik<\/p><\/div>\n<p>Um estudo conduzido por uma pesquisadora da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) revelou que\u00a0<strong><span class=\"highlight highlighted\">pacientes que passam por experi\u00eancias de quase morte (EQM) traum\u00e1ticas \u2014 consideradas perturbadoras \u2014 podem ter consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas que rompem com as certezas existenciais<\/span><\/strong>\u00a0e alteram de forma significativa o fluxo da chamada &#8220;vida normal&#8221;.<\/p>\n<div id=\"chunk-1767j\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"37\" data-block-id=\"5\">\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\" data-mrf-recirculation=\"Article links\">P\u00f3s-doutoranda pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, Beatriz Ferrara Carunchio chegou a essa conclus\u00e3o ao estudar relatos coletados por ela mesma durante sua pesquisa de doutorado, realizada na PUC-SP.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"chunk-b7cen\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"166\" data-block-id=\"6\">\n<ul class=\"content-unordered-list\" data-mrf-recirculation=\"Recomendado\">\n<li>Citando autores da \u00e1rea da psiquiatria e da psicologia, ela explica que as\u00a0<strong>EQMs s\u00e3o eventos psicol\u00f3gicos profundos que t\u00eam elementos transcendentais<\/strong>\u00a0e m\u00edsticos;<\/li>\n<li>Ocorrem, normalmente, com\u00a0<strong>indiv\u00edduos que est\u00e3o pr\u00f3ximos da morte ou em situa\u00e7\u00f5es de perigo<\/strong>\u00a0f\u00edsico ou emocional intenso;<\/li>\n<li>As experi\u00eancias\u00a0<strong>acontecem durante a morte cl\u00ednica<\/strong>\u00a0de pacientes \u2014 quando h\u00e1 aus\u00eancia de atividade no c\u00f3rtex cerebral, mas ainda com possibilidade de reanima\u00e7\u00e3o \u2014, nunca na morte encef\u00e1lica, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel;<\/li>\n<li>O artigo publicado na Revista Rever, da PUC, indica que,\u00a0<strong>na maioria dos casos, uma EQM leva o paciente a um contexto agrad\u00e1vel<\/strong>, com relatos sentimentais de paz, amor e acolhimento; diferente do cen\u00e1rio de ang\u00fastia, medo ou dor t\u00edpicos de uma situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a grave, acidente ou viol\u00eancia que o tenha levado a esse estado;<\/li>\n<li>No entanto, a neuropsic\u00f3loga aponta que, em alguns casos, n\u00e3o \u00e9 isso que acontece \u2014\u00a0<span class=\"highlight highlighted\">nas EQMs perturbadoras, a maioria dos fen\u00f4menos relatados s\u00e3o desagrad\u00e1veis<\/span>, causadores de dor, medo ou incertezas. (<strong><em>veja relatos abaixo<\/em><\/strong>)\n<div id=\"chunk-bgvph\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"2\" data-block-id=\"8\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Principais caracter\u00edsticas<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"chunk-f3vnh\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"13\" data-block-id=\"9\">\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\" data-mrf-recirculation=\"Article links\">Beatriz explica que as EQMs em geral costumam apresentar algumas das seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"chunk-e9il3\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"182\" data-block-id=\"10\">\n<ul class=\"content-unordered-list\" data-mrf-recirculation=\"Recomendado\">\n<li><strong>Experi\u00eancia fora do corpo<\/strong>: geralmente, pacientes relatam flutuar e ver o corpo de cima;<\/li>\n<li><strong>Atravessar um t\u00fanel<\/strong>: h\u00e1 relatos de pessoas que veem t\u00faneis com ou sem luz no final;<\/li>\n<li><strong>Consci\u00eancia de estar morto<\/strong>: a no\u00e7\u00e3o pode surgir de forma intuitiva ou ser deduzida ap\u00f3s observar o pr\u00f3prio corpo de cima, aparentemente sem vida;<\/li>\n<li><strong>Paz e serenidade<\/strong>: mais comum em EQMs agrad\u00e1veis, geralmente s\u00e3o relatados como mais intensos;<\/li>\n<li><strong>Revis\u00e3o da hist\u00f3ria de vida<\/strong>: a pessoa pode apenas assistir \u00e0s cenas, reviv\u00ea-las e at\u00e9 vivenciar do ponto de vista de outra pessoa relacionada com o acontecimento;<\/li>\n<li><strong>Ver entes queridos j\u00e1 falecidos<\/strong>: al\u00e9m de pacientes &#8220;visitarem&#8221; familiares j\u00e1 mortos, h\u00e1 relatos de crian\u00e7as que veem parentes falecidos h\u00e1 anos e depois os identificam em fotos antigas;<\/li>\n<li><strong>Visitar outros planos<\/strong>: os relatos variam entre lugares de grande beleza (jardins ou &#8220;cidades de luz&#8221;) e locais desertos e pantanosos;<\/li>\n<li><strong>Luz brilhante<\/strong>: o brilho relatado \u00e9 intenso, mas sem ferir os olhos; alguns pacientes identificam como um ser que det\u00e9m todo o conhecimento; pessoas religiosas podem identificar como Deus, um guia, orix\u00e1, etc, a depender da cren\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_5811\" style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra.png\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5811\" class=\"wp-image-5811 \" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra-300x174.png\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra-300x174.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra-768x446.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra-400x232.png 400w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2024\/03\/sombra.png 802w\" sizes=\"(max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5811\" class=\"wp-caption-text\">Imagem mostra silhuetas emba\u00e7adas \u2014 Foto: Unsplash<\/p><\/div>\n<p>Beatriz Carunchio realizou o estudo com 350 pessoas do Brasil e observou que o fen\u00f4meno afetou 14% dos pacientes em geral e 51% dos pacientes que correram risco de morte. Ela indica que as condi\u00e7\u00f5es que desestabilizaram o paciente podem sugerir do tipo de elemento predominante na EQM.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"chunk-jp4i\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"48\" data-block-id=\"11\">\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\" data-mrf-recirculation=\"Article links\">&#8220;Pacientes\u00a0<strong>intoxicados, alcoolizados, com overdose de drogas<\/strong>\u00a0ou mesmo sob o efeito de medicamentos com efeitos sobre o n\u00edvel de consci\u00eancia podem apresentar EQM com aspectos bizarros e confusos, enquanto pacientes que t\u00eam EQM ap\u00f3s\u00a0<strong>parada cardiorrespirat\u00f3ria\u00a0<\/strong>apresentam, caracteristicamente, experi\u00eancia fora do corpo. J\u00e1 aqueles que se depararam com o\u00a0<strong>risco de morte repentino, como em um acidente<\/strong>, apresentam marcadamente preval\u00eancia de elementos cognitivos, como revis\u00e3o da hist\u00f3ria de vida, distor\u00e7\u00e3o temporal ou acelera\u00e7\u00e3o do pensamento.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por: Gustavo Hon\u00f3rio, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2024\/03\/06\/relatos-perturbadores-de-quem-esteve-quase-morto-e-voltou-pesquisadora-da-usp-explica-as-consequencias-psicologicas-da-eqm.ghtml\">G1<\/a>, 06\/03\/2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00f3s-doutoranda pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, Beatriz Carunchio realizou pesquisa com 350 brasileiros e concluiu que experi\u00eancias de quase morte traum\u00e1ticas podem romper com as certezas existenciais e alterar o fluxo da chamada &#8216;vida normal&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":5811,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5810","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5810"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5810\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5813,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5810\/revisions\/5813"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}