{"id":6604,"date":"2025-05-20T10:28:02","date_gmt":"2025-05-20T12:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=6604"},"modified":"2025-05-21T08:52:23","modified_gmt":"2025-05-21T10:52:23","slug":"como-os-animais-reagem-a-morte-de-seus-filhotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/como-os-animais-reagem-a-morte-de-seus-filhotes\/","title":{"rendered":"Como os animais reagem \u00e0 morte de seus filhotes?"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><\/h5>\n<h5 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><span style=\"color: #333399;\">Pesquisadores fazem primeiro registro de m\u00e3e macaco-prego-do-peito-amarelo carregando filhote morto e jogam luz em quest\u00f5es ainda em aberto sobre como primatas n\u00e3o humanos lidam com a morte<\/span><\/h5>\n<h5 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6612\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419.png\" alt=\"\" width=\"1251\" height=\"652\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419.png 1251w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419-300x156.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419-1024x534.png 1024w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419-768x400.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-130419-400x208.png 400w\" sizes=\"(max-width: 1251px) 100vw, 1251px\" \/><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2025\/01\/07\/science\/orca-carrying-dead-calf-tahlequah\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Orcas<\/a>, orangotangos e at\u00e9 peixes-bois que carregam os corpos de suas crias mortas.\u00a0<a href=\"https:\/\/threatenedtaxa.org\/index.php\/JoTT\/article\/view\/8826\/9701\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elefantes<\/a>\u00a0que, enquanto fazem isso, emitem sons que, aos nossos ouvidos, soam como um lamento \u2013 e depois cobrem os seus mortos com folhagem. M\u00e3e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0960982210002186?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chimpanz\u00e9\u00a0<\/a>que se recusa a soltar o filhote que morreu h\u00e1 meses, mesmo diante da degrada\u00e7\u00e3o ou mumifica\u00e7\u00e3o do corpo. Casos assim inevitavelmente nos conduzem \u00e0 pergunta: animais n\u00e3o humanos vivenciam algo como luto? E se voc\u00ea for um cientista curioso, vai querer ir al\u00e9m e saber: o que as rea\u00e7\u00f5es apresentadas diante de um companheiro de esp\u00e9cie morto t\u00eam de base evolutiva?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m tem respostas conclusivas para essas quest\u00f5es, mas os pesquisadores t\u00eam buscado formas mais sistem\u00e1ticas para entender a percep\u00e7\u00e3o da morte, especialmente em mam\u00edferos, grupo em que o apego tem presen\u00e7a importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primatas, alguns experimentos come\u00e7am a ser desenhados, mas a observa\u00e7\u00e3o e o relato detalhado do fen\u00f4meno quando acontece, mesmo por pesquisadores que a princ\u00edpio estudavam outros aspectos, continuam a ser \u00fateis. Por isso, quando Irene Delval \u2013 que pesquisava o desenvolvimento da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/47\/47132\/tde-08112019-172134\/pt-br.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">personalidade<\/a>\u00a0em macacos-prego-do-peito-amarelo \u2013 notou uma m\u00e3e carregando o filhote morto, fez quest\u00e3o de registrar e compartilhar o evento em um\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10329-025-01187-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo cient\u00edfico<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da curta dura\u00e7\u00e3o \u2013 algumas horas \u2013 e de n\u00e3o ter sido poss\u00edvel acompanhar como se deu o desfecho, este \u00e9 o primeiro relato de um prov\u00e1vel caso em que outros macacos mataram o filhote (infantic\u00eddio) em um grupo selvagem de\u00a0<i>Sapajus xanthosternos<\/i>, seguido de respostas comportamentais relacionadas \u00e0 morte, com o carregamento e cuidado do cad\u00e1ver pela m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e carregar a sua cria morta \u00e9 a resposta mais comum observada nos primatas, mas tamb\u00e9m foram vistas respostas dos animais \u00e0 perda de outros membros juvenis e adultos do grupo com intera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas como a cata\u00e7\u00e3o (mais conhecida pelo termo em ingl\u00eas\u00a0<i>\u201cgrooming\u201d<\/i>, que \u00e9 um h\u00e1bito presente em diversos mam\u00edferos, especialmente os primatas, de afagar a pele ou os pelos e catar ectoparasitas), sacudir\/abanar\/agitar ou bater no cad\u00e1ver, bem como vig\u00edlias, com a perman\u00eancia perto do corpo por longos per\u00edodos e retorno ao local para observ\u00e1-lo, enumera ao\u00a0<b>Jornal da USP<\/b>\u00a0Andr\u00e9 Gon\u00e7alves, primatologista da Universidade de Kyoto, no Jap\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091158.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6610\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091158.png\" alt=\"\" width=\"924\" height=\"234\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-4429c60 elementor-widget elementor-widget-heading\" style=\"text-align: justify;\" data-id=\"4429c60\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Protoluto<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-bd80b7d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" style=\"text-align: justify;\" data-id=\"bd80b7d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>\u00c9 poss\u00edvel falar em luto? No caso descrito por <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4067231327257911\">Irene Delval<\/a>, os revisores do trabalho recomendaram n\u00e3o utilizar o termo. Mesmo assim, \u00e9 um comportamento que chama a aten\u00e7\u00e3o. \u201cTalvez um protoluto, porque a m\u00e3e j\u00e1 tem sinais do corpo que ele n\u00e3o vai acordar. Mas ela n\u00e3o o larga, porque est\u00e1 em apego. H\u00e1 uma disson\u00e2ncia cognitiva por conta do seu v\u00ednculo de apego \u2013 e a m\u00e3e precisa deste v\u00ednculo para cuidar apropriadamente de um indiv\u00edduo que depende totalmente dela por muito tempo\u201d, diz ao\u00a0<b>Jornal da USP<\/b>\u00a0Irene Delval.<\/p>\n<p>Ela relata que quando o filhote apelidado de Fire caiu no ch\u00e3o, e ainda estava vivo, houve muitas vocaliza\u00e7\u00f5es de alerta, mas bastante semelhantes \u00e0s feitas diante de uma amea\u00e7a como uma cobra, ou quando eles est\u00e3o predando algum mam\u00edfero pequeno e a presa cai no ch\u00e3o. \u201cEnt\u00e3o n\u00e3o podemos falar necessariamente em sofrimento, seria uma interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, explica a pesquisadora do Instituto de Psicologia (IP) da USP.<\/p>\n<p>Diversos outros casos registrados na natureza e em cativeiro, por\u00e9m, tornam incontroverso afirmar que os primatas n\u00e3o humanos podem sentir luto. Definido como um evento de desregula\u00e7\u00e3o emocional pela perda de um indiv\u00edduo com quem se tem v\u00ednculo, nos humanos o luto se manifesta atrav\u00e9s de perturba\u00e7\u00f5es no sono, estresse, diminui\u00e7\u00e3o da sociabilidade, da atividade e do apetite. E esses sintomas tamb\u00e9m foram observados em primatas diante da morte, como relata Andr\u00e9 Gon\u00e7alves. \u201cDa mesma forma que atribu\u00edmos a capacidade de luto a crian\u00e7as pequenas que ainda n\u00e3o t\u00eam um conceito claro da morte, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio invocar esse conceito para afirmar que outros animais podem experienciar o luto\u201d, diz ao\u00a0<b>Jornal da USP<\/b>.<\/p>\n<p>Irene Delval comenta que h\u00e1 um grande cuidado para n\u00e3o se incorrer em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/43154308&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1747672937981576&amp;usg=AOvVaw1NwffStHx4S81GbfGr4Wap\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">antropomorfiza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 atribuindo a animais n\u00e3o humanos comportamentos que s\u00e3o t\u00edpicos de n\u00f3s mesmos. \u201cMas a quest\u00e3o \u00e9 que este comportamento [levar o filhote morto] n\u00e3o parece ser adaptativo. O mais pragm\u00e1tico seria algo como \u2018t\u00e1 bom, o filhote morreu, a vida continua, vamos ter outro filhote, vamos copular amanh\u00e3 e esquecer disso\u2019, e n\u00e3o \u00e9 o que acontece\u201d.<\/p>\n<p>Carregar o filhote morto \u00e9 desadaptativo, vai contra a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da m\u00e3e, gerando dificuldades de alimenta\u00e7\u00e3o e de seguir o grupo, por exemplo. \u201cVoc\u00ea pode pensar: \u2018ah, a m\u00e3e n\u00e3o sabe se ele poderia acordar\u2019. Mas tem uma hora que ela j\u00e1 v\u00ea que ele n\u00e3o vai reagir e mesmo assim n\u00e3o o deixa ir embora. Talvez porque esse v\u00ednculo de apego j\u00e1 foi estabelecido e ficou um pouco mais forte, ela se recusa. Isso para mim \u00e9 um protoluto. Para os mam\u00edferos, que t\u00eam um cuidado materno prolongado, isso \u00e9 muito claro. H\u00e1 casos de at\u00e9 90 dias de m\u00e3e carregando o corpo\u201d, diz Irene Delval.<\/p>\n<p>Ela chama a aten\u00e7\u00e3o para o risco oposto ao da antropomorfiza\u00e7\u00e3o: a \u201cantroponega\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 esquecer que n\u00f3s humanos tamb\u00e9m somos animais, e que pode haver comportamentos que antes se pensava exclusivamente humanos, mas existem em outros primatas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos dizer que os outros primatas s\u00e3o como n\u00f3s, mas lembrar que n\u00f3s tamb\u00e9m somos primatas\u201d, diz. \u201cN\u00e3o somos os \u00fanicos que fazemos alguma coisa quando um indiv\u00edduo da nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie morre. Nos mam\u00edferos, eu me inclino a dizer que o luto\u00a0manifestado pelo carregamento do filhote morto\u00a0tem a ver com com o apego, mas para isso precisamos acumular registros e testar melhor a hip\u00f3tese.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-0cdcdf8 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" style=\"text-align: justify;\" data-id=\"0cdcdf8\" data-element_type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;,&quot;content_width&quot;:&quot;boxed&quot;}\" data-core-v316-plus=\"true\">\n<div class=\"e-con-inner\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-91af3b0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"91af3b0\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091256.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6608\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091256.png\" alt=\"\" width=\"780\" height=\"454\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cO v\u00ednculo entre m\u00e3e e cria \u00e9 t\u00e3o forte que n\u00e3o desaparece logo depois da morte, e ficar em contato com o corpo pode ser uma forma de\u00a0<i>coping<\/i>, de lidar com o sofrimento interno\u201d, explica Andr\u00e9 Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>\u201cEm ingl\u00eas, \u2018<i>grief\u2019\u00a0<\/i>refere-se ao sofrimento interno, enquanto\u00a0<i>\u2018mourning\u2019<\/i>\u00a0\u00e9 o processo externo de lidar com a perda, mas em portugu\u00eas usamos apenas \u2018luto\u2019 para ambos\u201d, esclarece o especialista.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-ae4ce2a e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"ae4ce2a\" data-element_type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;,&quot;content_width&quot;:&quot;boxed&quot;}\" data-core-v316-plus=\"true\">\n<div class=\"e-con-inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-13ec6d7 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"13ec6d7\" data-element_type=\"container\" data-settings=\"{&quot;content_width&quot;:&quot;full&quot;}\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-18dfe71 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"18dfe71\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091343.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6607 alignright\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091343.png\" alt=\"\" width=\"307\" height=\"433\" \/><\/a>Ele adverte que n\u00e3o se deve reduzir esses comportamentos a simples \u201cinstintos maternos\u201d; o cuidado parental nos primatas tem v\u00e1rios fatores. \u201cEmbora os horm\u00f4nios p\u00f3s-parto provavelmente tenham menos impacto quando a m\u00e3e deixa de amamentar e retoma a ovula\u00e7\u00e3o, o forte v\u00ednculo m\u00e3e-cria persiste para al\u00e9m do mero instinto, influenciando o comportamento de carreg\u00e1-la ap\u00f3s a morte.\u201d<\/p>\n<p>Sobre os cuidados na interpreta\u00e7\u00e3o de quem estuda o fen\u00f4meno, Andr\u00e9 Gon\u00e7alves lembra que cada ser humano tem um vi\u00e9s: \u201cN\u00e3o podemos escapar, mas devemos estar conscientes dele \u2013 \u00e9 fundamental que os investigadores tenham cuidado para n\u00e3o projetar as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es nos animais observados.\u201d<\/p>\n<p>Assim, evitar o antropomorfismo est\u00e1 profundamente enraizado na forma\u00e7\u00e3o desses pesquisadores. \u201cSomos ensinados a considerar o contexto natural da esp\u00e9cie e a interpretar comportamentos como respostas a est\u00edmulos, para al\u00e9m das express\u00f5es emocionais. As conclus\u00f5es devem basear-se em dados emp\u00edricos e observa\u00e7\u00f5es, em vez de suposi\u00e7\u00f5es preconcebidas. Mas claro que, na ci\u00eancia, devemos estar sempre abertos a novas possibilidades\u201d, pondera ele.<\/p>\n<p>Irene Delval tamb\u00e9m n\u00e3o subestima o problema da antropoformiza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para ver um macaco mostrando os dentes e falar que ele est\u00e1 sorrindo, quando na verdade ele faz isso como uma forma de amea\u00e7ar outros\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Por sinal, \u00e9 tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 antropomorfiza\u00e7\u00e3o que os primatas t\u00eam sido massivamente explorados para a produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos para redes sociais, em que aparecem vestidos como pessoas, bebendo refrigerante, entre outros. \u201cA gente luta bastante contra isso\u201d, diz Irene Delval, lembrando da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C4SoGVJg-gW\/?igsh=dWtvOXdkODh1ZGRx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">campanha \u201cMacaco n\u00e3o \u00e9 pet\u201d<\/a>, da Sociedade Brasileira de Primatologia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-0088142 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"0088142\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h2><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6606\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501.png\" alt=\"\" width=\"776\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501.png 776w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501-300x212.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501-768x543.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091501-400x283.png 400w\" sizes=\"(max-width: 776px) 100vw, 776px\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Tanatologia de primatas<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-cb95e1b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cb95e1b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/brv.12512\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o cr\u00edtica<\/a>\u00a0sobre as a\u00e7\u00f5es de primatas n\u00e3o humanos perante seus mortos e moribundos, Andr\u00e9 Gon\u00e7alves e Suzana Carvalho (Universidade de Oxford) definem a tanatologia de primatas como \u201cestudo cient\u00edfico do fen\u00f4meno da morte e do morrer em primatas n\u00e3o humanos, incluindo os processos fisiol\u00f3gicos, comportamentais, sociais e psicol\u00f3gicos a ele associados\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA tanatologia comparada, que olha para outras esp\u00e9cies, \u00e9 uma \u00e1rea muito recente, que come\u00e7a a partir dos anos 2010. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s s\u00f3 se falava sobre isso em humanos\u201d, ressalta Irene Delval.<\/p>\n<p>Os primatas n\u00e3o humanos ocupam uma trajet\u00f3ria evolutiva pr\u00f3xima \u00e0 nossa, e por isso \u201ccontinuam sendo os melhores candidatos para investigar como nossos ancestrais, antes da linhagem Homo, poderiam ter respondido \u00e0 morte, precedendo o surgimento de comportamentos ritualizados\u201d, assinalam os especialistas no\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/brv.12512\">artigo<\/a>.<\/p>\n<p>Uma particularidade dos primatas \u00e9 que eles n\u00e3o s\u00e3o guiados principalmente pelo olfato, dependendo fortemente da vis\u00e3o e da audi\u00e7\u00e3o, entre outros sentidos, para formar uma percep\u00e7\u00e3o precisa do seu ambiente. \u201cN\u00e3o \u00e9 surpreendente que apresentem uma gama diversificada de comportamentos tanatol\u00f3gicos, desde a ambiguidade emocional at\u00e9 a\u00e7\u00f5es explorat\u00f3rias que os distinguem das respostas menos flex\u00edveis exibidas por outros animais\u201d, escrevem. E essas tend\u00eancias de comportamento s\u00e3o compartilhadas com animais como corvos, elefantes e baleias.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-4333913 elementor-widget elementor-widget-heading\" style=\"text-align: justify;\" data-id=\"4333913\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h2><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091603.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6605 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2025\/05\/Captura-de-tela-2025-05-20-091603.png\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"714\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Morte e evolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-b693da6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b693da6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 base evolutiva dos comportamentos de primatas perante a morte, existem v\u00e1rias hip\u00f3teses que abordam diferentes n\u00edveis de explica\u00e7\u00e3o e s\u00e3o dif\u00edceis de testar, \u201ctanto por raz\u00f5es \u00e9ticas como pela complexidade multicausal envolvida\u201d, diz Andr\u00e9 Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA intera\u00e7\u00e3o entre fatores biol\u00f3gicos, emocionais e sociais torna essas explica\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de isolar, e muitos dos comportamentos observados podem ser o resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis que n\u00e3o podem ser facilmente separadas ou analisadas de forma controlada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de alguns pesquisadores entenderem que parte dos comportamentos n\u00e3o parece ser adaptativa, outros especularam que eles podem ser evolutivamente vantajosos, \u201cparticularmente para m\u00e3es que carregam beb\u00eas temporariamente imobilizados\u201d, escrevem Andr\u00e9 Gon\u00e7alves e Suzana Carvalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esp\u00e9cies como os primatas t\u00eam baixas taxas reprodutivas \u2013 pense no grande investimento de tempo e energia da m\u00e3e para cada gesta\u00e7\u00e3o e filhote que nasce. Por isso, nessas esp\u00e9cies h\u00e1 a possibilidade do comportamento ser selecionado, com os descendentes de m\u00e3es mais dedicadas tendo vantagens na sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo\u00a0<i>Carrying the dead: behavior of a primiparous capuchin monkey\u00a0<\/i><i>mother and other individuals towards a dead infant<\/i>\u00a0est\u00e1 dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10329-025-01187-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neste link<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Mais informa\u00e7\u00f5es: irenedelval@gmail.com e a.gnclves@gmail.com<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Texto: Luiza Caires, Arte: Simone Gomes, para o <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/como-os-animais-reagem-a-morte-de-seus-filhotes\/\">Jornal da USP<\/a>. 19\/5\/2025<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores fazem primeiro registro de m\u00e3e macaco-prego-do-peito-amarelo carregando filhote morto e jogam luz em quest\u00f5es ainda em aberto sobre como&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":6612,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[271,730,179,379,731,613,47,276,727,728,17,729],"class_list":["post-6604","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bio","tag-evolucao","tag-filhotes","tag-ipusp","tag-luto","tag-macacoprego","tag-mae","tag-falar-de-morte","tag-primatas","tag-primatologia","tag-protoluto","tag-psicologia","tag-tanatologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6604"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6604\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6614,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6604\/revisions\/6614"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}